• Nenhum resultado encontrado

Relações entre membros do Conselho e a escola

CAPITULO V APRESENTAÇÃO E DISCUSSÃO DOS RESULTADOS

2. Relação entre os membros do conselho entre si e com a escola

2.1. Relações entre membros do Conselho e a escola

Pelos dados das entrevistas somos levados a constatar que existem relações positivas entre os membros do conselho e a escola. A maior parte dos membros do conselho de escola afirma que

112

existe um clima de abertura por parte da escola, na medida em que esta, através da diretora, tem incentivado os membros a contribuir com suas ideias e opiniões em relação aos problemas colocados.

De facto, mesmo os representantes da direção, como o DP e DE, afirmam que a escola depende do conselho para poder resolver os vários assuntos que são colocados pelos alunos e pais e encarregados de educação e não existe nenhum tipo de imposição no funcionamento do conselho de escola. Afirmam, pelo contrário, que a direção da escola tem ganho novas experiências nas reuniões do conselho e muita das vezes esta tem colaborado com o presidente do conselho de escola nas marcações das reuniões e organização da agenda, o que pode indicar que existe uma ação partilhada e a responsabilidade de todos no processo de tomada de decisão (Monteiro, 2006):

“A nossa relação tem sido boa porque nós dependemos muito mais daquilo que saiu do conselho. Então a escola não tem nada a impor ou a ir colocar ao conselho para tomar as decisões daquilo que a escola pretende que seja; as decisões saem do conselho de escola para serem alimentadas a toda a escola.” (DP)

Esta abertura da escola ao conselho pode significar, por um lado, que a escola encontrou neste órgão um meio para poder discutir e resolver os problemas enfrentados por ela e assim envolver toda a comunidade na gestão da escola e, por outro, que a direção da escola por perceber que o conselho de escola em termos do plano das orientações para a ação organizacional possui poderes para questionar a sua gestão, demostra esta abertura e no momento em que os membros se reúnem em conselho, nota-se uma certa participação passiva dos membros em relação a escola, que Lima (1998) a carateriza por ações de não aproveitamento de possibilidades que o conselho tem de questionar a escola. A este respeito, Formosinho (1989) afirma que a construção de uma sociedade democrática já não é compatível com modelos de gestão onde as comunidades são excluídas do processo ao nível da escola e esta precisa abrir e trazer para dentro dela os vários intervenientes do processo educativo para que os interesses comuns sejam partilhados e resolvidos de forma interativa.

113

A perceção dos representantes da direção vai de encontro à dos RPEE e os RA que também afirmam que existe uma relação de abertura e diálogo entre a escola e os membros do conselho, e mesmo nas discussões que acontecem nas reuniões do conselho os membros da direção da escola que dele fazem parte têm respeitado as opiniões dos outros membros. Os membros do conselho e a escola têm colaborado na resolução dos problemas e, quando a escola constata um problema, encaminha ao conselho para que este possa encontrar formas de solução através do debate e auscultação dos membros. Contudo as observações realizadas demostraram o contrário daquilo que revelam os discursos dos entrevistados, porquanto pudemos constatar situações em que os membros apresentam as suas opiniões e elas não são valorizadas e até, em algumas situações, não são questionadas. A título de exemplo, numa das reuniões um dos membros o representantes dos pais “aconselhou que para professores corruptos, no caso de ser um docente do aparelho do Estado com contrato a tempo inteiro, devem aplicar-se as leis” (Obs.2), Um dos outros representantes dos pais e responsável duma turma, “disse que também notou o problema do baixo aproveitamento escolar” (Obs.1)

Alguns RPEE e RA referem ainda que as relações entre a escola e os membros do conselho são relações de trabalho positivas e de colaboração na resolução dos problemas, pois estes acreditam que a escola tem ajudado os membros do conselho a ultrapassar as dificuldades enfrentadas e as suas opiniões têm contribuído para a melhoria da escola. Esta perceção dos representantes dos pais e dos alunos poderá significar uma situação de gratificação e valorização pelo facto de percecionarem que a escola tem convocado os membros para fazerem parte das reuniões. Contudo, as observações demonstraram que, apesar de existir um relacionamento amigável entre a escola e a direção, não existe uma abertura no sentido dos membros do conselho intervirem em outros assuntos da escola, pois nas várias observações não constatamos nos pontos da agenda questões a este respeito e os vários assuntos tratados se restringiam a questões pedagógicas como comportamento dos alunos e professores e aproveitamento escolar.

A respeito destas relações de trabalho e colaboração, a diretora da escola afirmou que nota uma implicação por parte de alguns membros do conselho nas várias atividades que decorrem na escola, como é o caso dos representantes dos pais e dos alunos que tem participado de forma ativa nas reuniões que decorrem nas quartas-feiras, onde auscultam as preocupações dos alunos e

114

pais e procuram levar os problemas para resolver nas reuniões. A este respeito, Machacaz (2009) afirma que a participação dos atores nas organizações escolares deve acontecer como um processo natural e é importante que os indivíduos que fazem parte integrante da escola participem de forma consciente e voluntária e se envolvam na resolução dos seus problemas para que se sintam parceiros na busca de objetivos comuns e responsáveis nas decisões tomadas.

Neste sentido, a escola é concebida como uma instituição da comunidade e está muito mais exposta à influência das famílias e dos vários indivíduos que direta ou indiretamente participam nela, pois algumas das decisões importantes sobre o seu funcionamento são tomadas a nível local e pressupõem a participação de todos os intervenientes (Ferreira, 2002).