CAPÍTULO III Das disposições finais e transitórias
CONSELHO MUNICIPAL DAS CRIANÇAS E ADOLESCENTES
O Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente (CMDCA) no uso de suas atribuições deve orientar agentes governamentais ou não governamentais no fiel cumprimento da política de proteção, promoção e defesa dos direitos da Criança e do Adolescente.
O CMDCA é um órgão de decisão autônomo e de representação paritária entre o governo municipal e a sociedade civil, composto por 16 membros da seguinte forma:
I – Oito representantes do poder público municipal das áreas de políticas sociais, de orçamento e finanças e outras a serem definidas pelo Executivo;
II – Oito representantes da sociedade civil, de movimentos e entidades que tenham por objetivo dentre outros:
a) atendimento social a criança e ao adolescente; b) defesa dos direitos das crianças e adolescentes; c) defesa de trabalhadores vinculados a questão;
d) estudos, pesquisas e formação com intervenção política na área; e) defesa da melhoria das condições de vida da população.
Compete ao Conselho Municipal dos Direitos das Crianças e Adolescente:
I – estabelecer políticas publica municipais que garantam os direitos das crianças e adolescentes previstos em lei;
II – acompanhar e avaliar as ações governamentais e não governamentais dirigidas ao atendimento dos direitos das crianças e dos adolescentes, no âmbito do município;
III – participar da participação da elaboração da proposta orçamentária destinada à execução das políticas púbica voltadas à crianças e adolescentes, inclusive a que se refere aos Conselhos Tutelares;
IV – fiscalizar e controlar o cumprimento das prioridades estabelecidas na formulação das políticas publica;
V – gerir o fundo municipal para atendimento dos Direitos das Crianças e dos Adolescentes, a que se refere a Lei Federal nº. 8.069/90, definindo o percentual de seus recursos, alocando-os nas respectivas áreas, de acordo com as prioridades definidas no planejamento anual;
VI – controlar e fiscalizar o emprego e utilização dos recursos destinados a esse fundo;
VII – elaborar seu regime interno;
VIII – solicitar as indicações para o preenchimento de cargo de conselheiro, nos casos de vacância;
IX – nomear e dar posse aos membros do conselho;
X – manifestar-se sobre a conveniência e oportunidade de implementação de programas e serviços, bem como sobre a criação de entidades governamentais ou realização de consórcio intermunicipal;
XI – inscrever programas, com especificação dos regimes de atendimento, das entidades governamentais e não governamentais de atendimento, mantendo registro das inscrições e suas alterações, do que fará comunicação aos Conselhos Tutelares e à autoridade judiciária;
XII – proceder ao registro das entidades não governamentais de atendimento e autorizar o seu funcionamento, observando o parágrafo único, do artigo 91 da Lei nº. 8.069/90, comunicando-os aos Conselhos Tutelares e à autoridade judiciária da respectiva localidade, constituindo-se no único órgão de concessão de registros;
XIII – divulgar a Lei Federal nº. 8.069, de 13 de julho de 1990 – Estatuto da Criança e do Adolescente – dentro do município, prestando a comunidade orientação permanente sobre os direitos das crianças e adolescentes;
XIV – informar e motivar a comunidade, através dos diferentes meios, sobre a situação social, econômica, política e cultural da criança e do adolescente na sociedade brasileira;
XV – receber, analisar e encaminhar denúncias ou propostas para melhor encaminhamento da defesa da criança e do adolescente;
XVI – levar ao conhecimento dos órgãos competentes, mediante representação, os crimes, as contravenções e as infrações que violarem interesses coletivos e/ou individuais das crianças e dos adolescentes;
XVII – promover Conferências, estudos, debates e campanhas visando a formação de pessoas, grupos e entidades dedicadas à solução de questões referentes às crianças e aos adolescentes;
XVII – realizar assembléia anual aberta a população com a finalidade de prestar contas.
As 41 ONGs pesquisadas possuem registros no Conselho Municipal dos Direito das Crianças e Adolescentes, o registro no Conselho foi condição necessária para fazer parte da Pesquisa. Visto que o mesmo (Conselho) é de grande importância nas Políticas Pública que envolve as crianças e adolescentes.
Associação Brasileira de Organizações não Governamentais (ABONG) e as ONGs pesquisadas
A ABONG foi fundada em 10 de agosto de 1991, é uma sociedade civil sem fins lucrativos, democrática e pluralista, com sede e foro na capital do Estado de São Paulo.
A constituição da ABONG resultou da trajetória de um segmento pioneiro de ONGs que têm perfil político caracterizado por: tradição de resistência ao autoritarismo; contribuição à consolidação de novos sujeitos políticos e movimentos sociais; busca de alternativas de desenvolvimento ambientalmente sustentáveis e socialmente justas; compromisso de luta contra a exclusão, a miséria e as desigualdades sociais; promoção dos direitos, construção da cidadania e da defesa da ética na política para a consolidação da democracia.
Atualmente, a ABONG é um importante sujeito de intervenção política, interlocução com o Estado brasileiro e diversas instâncias internacionais, controle social das ações governamentais, espaço de articulação e reflexão sobre a forma de atuação das ONGs e dos movimentos sociais e redes com os quais se articula. É integrada por cerca de 270 ONGs associadas com destacada atuação na esfera pública, em áreas como direitos humanos, política públicas, questões agrárias e agrícolas, questões urbanas, desenvolvimento regional, promoção da igualdade racial, direitos das mulheres, meio ambiente e ecologia.
Os critérios e procedimentos para se associar à ABONG são:
Critérios
■ possuam CNPJ, personalidade jurídica própria como associação civil sem fins lucrativos ou fundação;
■ sejam autônomas frente ao Estado, às igrejas, aos partidos políticos e aos movimentos sociais;
■ mantenham compromisso com: a constituição de uma sociedade democrática e participativa, incluindo o respeito à diversidade e ao pluralismo; o fortalecimento dos movimentos sociais de caráter democrático; a ampliação do campo da cidadania, a constituição e expansão dos direitos fundamentais e da justiça;
■ tenham caráter público em relação aos seus objetivos e ação;
■ tenham ao menos dois anos de experiência comprovada.
Documentos
O pedido de admissão é apreciado mediante o envio de:
■ carta-proposta de filiação contendo a declaração de estar de acordo com a carta de princípios da ABONG;
■ cópia do plano de atividades detalhado da entidade; ■ cópia do relatório de atividades;
■ cópia do balanço financeiro;
■ cópia do seu estatuto;
■ cópia da ata de eleição de seus dirigentes;
■ carta de apresentação de duas ONGs associadas.
Procedimentos
Os documentos devem ser enviados à Diretoria Regional da ABONG da localidade onde se situa a ONG. O Conselho Diretor da ABONG, que se reúne três vezes por ano, é o responsável pela apreciação dos pedidos de filiação, após a apresentação da entidade realizada pelo Diretor Regional. Os critérios estabelecidos acima serão analisados pelo Conselho Diretor a partir da trajetória institucional da ONG solicitante e dos documentos apresentados.
Em relação a contribuição financeira à ABONG, está é anual, sendo o valor de 0,15% sobre o valor do orçamento do ano anterior, podendo ser pago em até três vezes.
Dentre as 41 ONGs que foram pesquisadas somente a Amazona é filiada a ABONG. Isto é, 97,56% (40 ONGs) não são filiadas a Associação. O motivo, dessa não filiação da maior parte das ONGs pesquisadas, não foi objetivo da pesquisa, constatamos que as mesmas não são filiadas a ABONG, no site da própria associação que tem a relação das ONGs filiadas em todo o Brasil.
CPI DAS ONGs
CPI das ONGs vai investigar entidades que receberam acima de R$ 200 mil
A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) das ONGs do Senado decidiu investigar as entidades que tenham recebido acima de R$ 200 mil por ano entre 1999 e 2006.
Segundo o presidente da CPI, senador Raimundo Colombo (DEM-SC), cerca de 250 organizações não-governamentais (ONGs) estão nessa situação. Os senadores vão investigar também entidades que tenham recebido recursos do exterior no mesmo período.
“No primeiro momento, vamos investigar aquelas que recebem mais recursos e as com denúncias conhecidas. Estamos ainda levantando dados”, informou. Colombo disse que em três semanas a CPI já terá a lista dessas entidades. “Queremos saber do dinheiro de renúncias fiscais e do dinheiro vindo do exterior. É uma área na qual temos zero de informações”, explicou o relator da CPI, senador Inácio Arruda (PCdoB-CE).
“Vamos discutir com o Banco Central e a Receita Federal para que apontem quais ONGs recebem recursos do exterior, quais trabalhos realizam”, disse. A CPI decidiu ainda se reunir na quinta-feira (25) com representantes do Tribunal de Contas da União e da Controladoria-Geral da União para aprofundar “a questão de conceito e critérios de repasses para depois ver as denúncias”, segundo Colombo.
Após o estouro do Escândalo do Dossiê em 15 de setembro de 2006 e de que a ONG Unitrabalho, que tem como colaborador o petista Jorge Lorenzetti, teria recebido mais de R$ 18 milhões da União desde o início do governo Luiz Inácio Lula da Silva, como denuncia a ONG Contas Abertas, o senador Heráclito Fortes (PFL-PI) coleta no dia 21 de setembro, oito assinaturas e garantiu que há outros 18 senadores interessados em assinar o documento que defende a abertura de uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) destinada a investigar o repasse de recursos do governo federal para organizações não- governamentais (ONGs).
Para Fortes, a verificação dos repasses para as ONGs mostra-se extremamente necessária já que, segundo o senador, a transferência de recursos do governo para essas organizações soma mais de R$ 1 bilhão. Ele ressaltou que um dos petistas envolvidos nas denúncias da aquisição do dossiê que associa à máfia das ambulâncias os candidatos do PSDB ao governo de São Paulo, José Serra, e à Presidência da República, Geraldo Alckmin, seria coordenador de uma ONG que recebeu recursos do governo. Isso, na opinião do pefelista, justificaria o pedido de criação da CPI. Entre as organizações está a comandada por Lurian Cordeiro, filha do presidente Lula. Fortes, por sua vez, disse que a averiguação sobre o caso está sendo feita pela Polícia Federal, e que se o envolvimento de integrantes da oposição não está sendo analisado, não é culpa da oposição.
No pedido de abertura da comissão, Fortes propôs apurar em 60 dias os repasses públicos para as ONGs e OSCIPs (Organizações da Sociedade Civil de Interesse Público), além da utilização dos recursos no período de 2003 a
2006.
[editar] Assinaturas
No dia 3 de outubro, o senador Heráclito Fortes consegue reunir 35 assinaturas para solicitar abertura de CPI, mais de um terço das assinaturas de senadores, que é 27 no total. Embora a oposição esteja mobilizada para instalar a CPI, pelo menos três senadores governistas assinaram o pedido de abertura da comissão: Paulo Paim (PT-RS), Serys Slhessarenko (PT-MT) e Saturnino Braga (PT-RJ).
No dia 26 de fevereiro de 2007, o senador Fortes reúne 62 das 27 assinaturas de senadores necessárias para o pedido de abertura de CPI. O senador afirma que vai tentar reunir pelo menos 70 assinaturas dos 81 senadores antes de protocolar o pedido. O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), disse que vai instalar a CPI caso o senador reúna as assinaturas necessárias, como determina o regimento do Senado.
A CPI deve ser composta por 11 senadores e sete suplentes. Para ser instalada, o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), precisa ler no plenário do Senado o pedido de criação da CPI. Depois disso, os líderes partidários indicam parlamentares que vão integrá-la para que, efetivamente, a comissão saia do papel.
[editar] Acordo Para Instalação da CPI das ONGs
No dia 7 de dezembro, a base aliada do governo consegue adiar a instalação da CPI, quando os senadores governistas não comparecem na reunião marcada, impedindo a formação de quórum. Para dar início aos trabalhos, seis senadores tinham que comparecer na comissão, mas apenas quatro registraram presença: A líder do PT no Senado, Ideli Salvatti (SC), está na Casa, mas não foi à CPI. O líder do governo, senador Romero Jucá (PMDB- RR), admitiu que a base quer mais tempo para negociar a composição da CPI e sinalizou para um acordo. Jucá negou que o governo tenha manobrado para adiar a instalação da CPI. "Não fechamos um entendimento ainda, não deu tempo. Muitos senadores já viajaram. Acho que é preciso de mais tempo para construirmos um clima que permita o funcionamento com os ânimos mais calmos", disse.
O senador Heráclito Fortes, disse que o adiamento não foi uma boa estratégia do governo. "É como menino que tem medo de injeção na bunda. Ele sabe que tem que tomar, mas fica adiando. É melhor evitar a gripe antes que vire uma pneumonia", ironizou. Para o senador, é pior para o governo liquidar o assunto agora do que começar um novo mandato sendo investigado. "Já pensou o governo iniciar o novo mandato acusado de impedir a CPI porque queria colocar a sujeira debaixo do tapete. O governo não tem motivo para não querer apurar, se tem é porque teme", disse.
No dia 11 de dezembro, os senadores do governo e da oposição entram em acordo para adiar para a próxima legislatura, em 2007, a instalação da CPI das ONGs. Segundo o líder do governo no Senado, Romero Jucá, os parlamentares concluíram que a comissão não teria como realizar os trabalhos até 31 de janeiro, prazo final para o funcionamento da CPI por ser o último dia da atual legislatura: "É mais proveitoso fazer no ano que vem do que no apagar das luzes. A CPI tem que funcionar de forma tranqüila e o bom senso manda que comece em 2007", disse Jucá.
O senador Heráclito Fortes admitiu que, sem a convocação extraordinária do Congresso em janeiro, poucos senadores poderiam estar em Brasília para trabalhar na CPI: "Passar a CPI para 2007 mostra o reconhecimento do governo para a necessidade de investigação porque teremos mais tempo para isso".
Os parlamentares de oposição concordaram com o adiamento da CPI para a próxima legislatura temendo o esvaziamento total da comissão, que poderia resultar no fracasso das investigações.
[editar] Instalação da CPI das ONGs
No dia 14 de março de 2007, o senador Heráclito Fortes protocola na Mesa Diretora do Senado Federal, o pedido de criação da CPI das ONGs. O senador conseguiu reunir 74 assinaturas no pedido, 47 a mais que o estabelecido pelo regimento interno do Senado: "Há duas assinaturas comprometidas e que não
foram colocadas por motivo de saúde. De forma que, moralmente, temos 76 assinaturas, um recorde em termos de CPI nesta Casa", afirmou Heráclito. Senadores governistas apresentaram ao Fortes, a proposta de ampliar o período de investigações da CPI, com o objetivo de incluir os quatro últimos anos de governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. O senador pefelista disse concordar com a ampliação do prazo desde que a CPI também tenha o seu período de funcionamento prorrogado dos atuais 60 para 120 dias. "Para mim, não há qualquer problema", disse.
No dia seguinte, dia 15 de março, o segundo vice-presidente do Senado,
Álvaro Dias (PSDB-PR), instaura a CPI. Os partidos de oposição conseguem instalar a primeira CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) do segundo mandato do presidente Lula, que vai investigar os repasses de dinheiro público feitos para organizações não-governamentais.
Naquele momento, a ONG Unitrabalho, que tem como colaborador o petista
Jorge Lorenzetti, que recebeu mais de R$ 18 milhões da União desde o início do governo Lula é o único que poderá ser investigado.
[editar] Nota Atual
Desde final de setembro de 2007, há possibilidade desta CPI entrar em funcionamente antes do fim do ano, pois atinge muitos governistas e oposicionistas. O caso mais constrangedor é a senadora do PT-SC, Ideli Salvatti, pois há membros do próprio gabinete que ela mesma mantém estão com irregularidades nas prestações das ONGs. Já os oposicionistas também há problemas, pois já participaram no segundo
Papaléo denuncia manobras do governo para impedir instalação da CPI das ONGs
Dizendo estar inconformado, o senador Papaléo Paes (PSDB-AP) denunciou nesta terça-feira (18) manobras do governo Lula para impedir a instalação da Comissão Parlamentar de Inquérito das Organizações Não Governamentais (CPI das ONGs).
- Três tentativas absolutamente frustradas. Este é o saldo que se tem até agora: mais uma CPI que, aprovada pelos integrantes desta Casa, não consegue ser instalada no Senado da República por obra e graça do governo 'ético', que se deve investigar - afirmou.
Papaléo disse que o governo Lula não pode se esconder da prestação de contas permanente que deve à sociedade brasileira e que o volume de recursos repassados às ONGs é "extraordinário e cresce quase exponencialmente". Apenas nos três primeiros anos do governo Luiz Inácio Lula da Silva, observou o senador, foram repassados mais de R$ 60 milhões a entidades de trabalhadores, de sem-terra e de estudantes.
O Senado deverá instalar uma comissão parlamentar de inquérito para investigar a atuação de organizações não-governamentais (ONGs), sobretudo as que atuam na Amazônia. Junto com o senador Mozarildo Cavalcante (PFL- RR), o senador Bernardo Cabral (PMDB-AM) conseguiu 36 assinaturas para a constituição dessa CPI, número que o presidente do Senado anunciou ser
suficiente para instalar a comissão.
Para requerer a instalação da CPI, Cabral apresentou os seguintes fatos, com documentação, para serem investigados: a atuação da ONG conhecida como Associação Amazônida, denunciada pela aquisição irregular de uma área superior a 172 mil hectares de terras públicas no sul de Roraima; e a interferência de ONGs nas questões indígenas, ambientais e de segurança nacional.
A Comissão terá 11 membros titulares e sete suplentes, e deverá apurar os fatos denunciados no prazo de 180 dias. Para o seu funcionamento, contará com R$ 100 mil. O presidente do Senado anunciou que o requerimento de Cabral e Mozarildo será agora publicado para produzir os devidos efeitos. E anunciou que fará oportunamente as designações dos integrantes da CPI, de acordo com as indicações das lideranças partidárias.
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O relatório final da comissão parlamentar de inquérito (CPI) criada para apurar denúncias sobre a atuação irregular de organizações não-governamentais (ONGs), aprovado nesta quinta-feira (12) por unanimidade, recomendou a vários órgãos governamentais, entre os quais a Polícia Federal, a Receita Federal e o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente, que aprofundem as investigações sobre atos ilícitos praticados por nove entidades. A CPI constatou que essas ONGs cometerem, entre outros crimes, evasão fiscal, atos lesivos à lei de registros públicos, crime ambiental e infrações tributárias. Estão na lista de investigação as seguintes ONGs: Associação Amazônia; Focus on Sabbatical; Unificação das Famílias pela Paz Mundial; Cooperíndio; Paca; Cunpir; Adesbrar; Fundação o Boticário; e Napacan. A CPI constatou, por exemplo, que a Associação Amazônia, com sede em Manaus (AM), cometeu ao longo dos anos várias irregularidades, entre as quais de ter adquirido de forma questionável 172 mil hectares de terras no sul do estado de Roraima. A associação também foi acusada de cometer biopirataria.
O relatório final da senadora Marluce Pinto (PMDB-RR) sugere, ainda, a apresentação de projetos de lei, endossados pela CPI, destinados a coibir supostos abusos de entidades. Uma dessas proposições, num total de cinco, trata do registro, fiscalização e controle das organizações não-governamentais. De acordo com o projeto, cada ONG prestará contas, anualmente, dos
recursos recebidos por intermédio de convênios ou subvenções de origem pública ou privada.
A CPI foi criada em fevereiro de 2001 por sugestão do senador Mozarildo Cavalcanti (PFL-RR), que presidiu os trabalhos durante todo o período. Além de investigar denúncias sobre atuação irregular de ONGs, a CPI também apurou a interferência dessas organizações nas questões indígenas, ambientais, e de segurança nacional, sobretudo daquelas que atuam na região amazônica.
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Cabral sugere que CPI das ONGs investigue retirada ilegal de minérios da Amazônia
Ao comunicar a apreensão, pela Polícia Federal, de sete toneladas de ametista e 300 quilos de tantalita retirados ilegalmente da reserva dos índios tucano, na fronteira do Brasil com a Colômbia, o senador Bernardo Cabral (PFL-AM) defendeu a investigação do caso pela Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) instalada no Senado para tratar da atuação de organizações não-
governamentais no Brasil.
Bernardo Cabral justificou sua proposta, explicando que os minérios foram apreendidos em poder do minerador Adi Nagel Júnior, que se intitula vice- presidente da ONG Cooperíndio, que atua junto aos tucanos. Ele informou ainda que as notas fiscais apresentadas por Adi Nagel Júnior revelaram que estavam sendo cobrados preços irrisórios pelos produtos. Os 300 quilos de tantalita foram declarados por R$ 4,5 mil. O preço de mercado de um único
quilo gira em torno de US$ 100.
A CPI das ONGs, disse o senador, terá a responsabilidade de distinguir o que é joio e o que é trigo entre as organizações não-governamentais que atuam no Brasil.
- Temos que descobrir quais são as ONGs sérias e quais as que se aproveitam da ignorância, da apatia e talvez até do descaso de algumas autoridades ¿
disse o senador.
N avaliação de Cabral, a região Amazônica, a não ser pela presença dos militares, vem sendo tratada com desinteresse pelo governo federal. Em conseqüência, a Amazônia, que possui o maior banco genético do mundo, está