Atualmente, os cursos de Pedagogia têm sido o locus em que os professores da EI e dos anos iniciais do EF são formados (BRASIL, 2005; BARRETO, 2015), portanto, é necessário pensar os currículos desses cursos de forma que possam atender às relevantes funções que os profissionais formados poderão exercer.
No caso específico do ensino de Ciências Naturais, neste trabalho, pude discutir a importância dos alunos da Educação Básica aprenderem temas dessa área do conhecimento. As dimensões presentes no Ensino de Ciências Naturais desempenham um papel importante para a formação cognitiva e política das crianças. Os modos de pensar racionais, interpretativos, fundado em elementos empíricos abrem articulações de raciocínio sistêmico (HURD, 1998; ROBINSON, 1998; FRODEMAN, 2004; IZQUIERDO, 2005; ZOLLER; SCHOLZ, 2004; KING, 2008; DODICK; ARGAMON; CHASE, 2009; TEDESCO, 2012; GRAY, 2014). Se por um lado, esses argumentos justificam a importância da oferta desses conteúdos para as crianças, impõe-se a reflexão acerca da formação dos professores que poderão lecionar esses conteúdos. Mas, os resultados destes Estudos de Caso corroboram estudos anteriores em que ficaram evidentes as inconsistências e fragilidades da estrutura curricular desse curso, que tem passado por inúmeras mudanças em suas finalidades, desde sua criação em 1939. Os professores das disciplinas vinculadas às Ciências que participaram desta pesquisa, sem dúvida, são muito bem preparados. Consideremos a fase profissional de Huberman (1992), a formação acadêmica, o envolvimento com pesquisa e pós-graduação são indicadores de alta qualificação. Apesar disso, chama atenção não terem expressado em seus depoimentos uma perspectiva mais politizada sobre o papel das Ciências Naturais na formação dos alunos de Pedagogia, nem apresentarem uma visão mais integrada das diferenças entre os grandes campos das Ciências Naturais da escola.
Por outro lado, pensar uma estrutura razoável para as disciplinas de Ciências Naturais dos cursos de Pedagogia requer, antes de tudo, prever maior carga horária para esse componente curricular. Além disso, é necessário ponderar sobre a metodologia e a prática de ensino, ou seja, aliar a teoria à prática, o conteúdo com a ação educativa, já que investigação realizada nos quatro cursos das duas universidades públicas do Estado de São Paulo mostrou que a articulação entre disciplinas e dessas com a prática está restrita aos PPP.
Estruturar a disciplina de Ciências Naturais dos cursos de Pedagogia a partir de temas que contemplem os sistemas terrestres – geosfera, hidrosfera, atmosfera e biosfera – pode ser uma opção muito interessante. Por meio do estudo integrado desses ciclos é possível abarcar
grande quantidade de assuntos comumente discutidos nos anos iniciais da Educação Básica. Além disso, por meio de temas relacionados aos sistemas terrestres é possível relacionar alguns conceitos estruturantes na área de Ciências Naturais – matéria, energia, sistema, classificação e transformação. Esses temas são a base para a compreensão de muitos fenômenos e processos naturais. Uma disciplina que privilegiasse a discussão dos sistemas terrestres traria, naturalmente, a oportunidade de discutir esses conceitos. Além disso, o estudo dos sistemas terrestres pode contribuir para promover o desenvolvimento cognitivo- sistêmico dos alunos desde os primeiros anos de escolaridade, evitando a fragmentação do ensino. É o que os autores mencionados neste trabalho denominaram de alfabetização geocientífica (LACREU, 2009; ÓRION, 2009).
Cabe propor, ainda, estudos futuros para aprofundar e investigar questões que surgiram no decorrer da investigação como parte dos resultados dos questionários e entrevistas dos professores, como por exemplo, um novo exame dos depoimentos dos professores à luz de estudos que procuram investigar a trajetória profissional dos professores.
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APÊNCICE A