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Considerações sobre o Trabalho Usando o Software MicroMundos

5.8 O Estudo Piloto

5.8.4 Considerações sobre o Trabalho Usando o Software MicroMundos

As duas primeiras tarefas sobre organização de dados foram bem compreendidas pelos estudantes. As quatro crianças que participaram desse estudo piloto demonstraram motivação para realizar o trabalho sobre gráficos usando o computador e facilidade no manuseio das ferramentas do software permitindo um melhor aproveitamento do tempo para realização das tarefas.

As limitações observadas no software, descritas nas subseções anteriores, contribuíram para que os estudantes solicitassem auxílio, constante, à pesquisadora quanto ao uso de algumas ferramentas que não estavam visíveis e quanto às questões das tarefas.

Na terceira e na quarta tarefas, três, dos quatro estudantes apresentaram dificuldades na compreensão da questão e não conseguiram realizá-las.

Nossas observações iniciais nesse estudo piloto nos levou a considerar que o

software escolhido apresenta limitações para o trabalho de interpretação de dados,

pois o mesmo depende de conhecimentos específicos por parte de um profissional de Informática para a elaboração das tarefas. A pesquisadora não dispôs de material pronto, isto é, as tarefas a serem desenvolvidas com os estudantes precisaram ser construídas a partir dos recursos do software MicroMundos e dos conhecimentos de Informática de profissional da área, no caso, a própria pesquisadora.

Por se tratar de um estudo piloto, o material elaborado não passou por fase de testes e, foi no momento de sua aplicação com os estudantes que suas limitações foram observadas levando-nos a concluir que essas limitações poderiam interferir nos resultados da pesquisa.

Como o objetivo da pesquisa foi investigar o processo de interpretação de dados utilizando o computador, concluímos que o software MicroMundos não

dispunha de recursos adequados a esse trabalho, por todas as questões expostas nessa seção sobre o estudo exploratório. Sendo assim, se fez necessário a substituição do software MicroMundos por outro que oferecesse recursos adequados aos objetivos desta pesquisa. Dentre dois softwares avaliados, o TableTop e o

TinkerPlots, este último, com base, na observações do estudo piloto, foi considerado

como o instrumento adequado aos propósitos desta pesquisa. A escolha por outro

software, no caso o TinkerPlots, também, associada a outros fatores, acarretou a

decisão na escolha por participantes do 7º ano.

Decidimos nesta pesquisa, realizar a coleta dos dados com estudantes fora do seu horário normal de aulas, porém no mesmo espaço do laboratório de Informática. Para isso, os participantes precisavam ir à escola no turno oposto ao das suas aulas. Por se tratar de crianças que dependiam de portador para os transportar à escola em outro horário, muitas delas não foram autorizadas a participar. Também não foi autorizado que as crianças saíssem da sala de aula para a realização da pesquisa no horário de suas aulas. A realização do estudo piloto aconteceu mediante negociação direta da pesquisadora com os responsáveis pelos estudantes na qual a mesma foi responsável pelo deslocamento dos estudantes até o local da pesquisa.

Diante dessa dificuldade e, observando que para o estudo definitivo, seria necessário um grupo maior de estudantes, optamos por selecionar participantes de mais idade e com autonomia para ir à escola fora do seu horário de aula. Acrescentamos a essa decisão o fato da escolha pelo software TinkerPlots, por ser o mesmo indicado para séries mais avançadas. Daí nossa escolha por estudantes do 7º ano ao invés do 4º ano.

6 ANÁLISES E RESULTADOS

O trabalho com os estudantes participantes da pesquisa aconteceu em quatro sessões com duração de uma hora realizadas nas datas 05/06, 12/06, 19/06 e 26/06 no ano de 2009. Com exceção da primeira sessão, todas as outras foram videografadas com o software Camtasia, cujos vídeos serviram de recursos para as análises e serão utilizados ao longo da discussão das sessões.

A primeira sessão realizada teve como objetivo principal familiarizar os estudantes com o software TikerPlots e, ao mesmo tempo, observar e registrar como os mesmos utilizaram suas ferramentas, A pesquisadora contou com o recurso de um DataShow, com o qual apresentou as ferramentas Cards, Table e Plot do

software.

A segunda sessão foi realizada com os estudantes simulando uma pesquisa e registrando os dados fictícios, utilizando as ferramentas do TinkerPlots para posteriormente interpretá-los. Nessa sessão, os alunos usaram microfones e, ao final, todos apresentaram seus resultados para as demais duplas utilizando o recurso do DataShow. Ainda nessa sessão, os participantes deste trabalho definiram o tema da pesquisa que seria realizada, a qual procederiam com a coleta de dados através de um questionário aplicado a outros estudantes da mesma escola e utilizariam o software TinkerPlots para a interpretação dos dados através de representações gráficas dos mesmos.

Na terceira sessão, os estudantes iniciaram o processo de organização dos dados coletados através do questionário e utilizaram os recursos do software para a construção do banco de dados. Realizaram, também, a exploração dos recursos da ferramenta Plot.

A quarta sessão deu continuidade ao trabalho iniciado na terceira sessão. Com o banco de dados já construído, os estudantes utilizaram as ferramentas do

software TinkerPlots para desenvolverem o trabalho de interpretação dos dados.

Ao final da descrição de cada sessão, serão apresentados os resultados com base nos objetivos definidos para as mesmas.

6.1 1ª Sessão: Exploração Livre do Software TinkerPlots

A primeira sessão reuniu os estudantes para apresentar a proposta da pesquisa e o software TinkerPlots com suas ferramentas. A pesquisadora, com auxílio do recurso de uma DataShow, fez uma breve demonstração sobre as ferramentas Cards, Table e Plot e de alguns recursos do menu. Em seguida, os estudantes exploraram livremente as ferramentas do software. Durante a realização da primeira sessão, os estudantes não demonstraram dificuldades quanto ao manuseio das ferramentas do software. Entretanto, apresentaram um pouco de dificuldade em relação aos recursos do menu, pelo fato do mesmo se apresentar em inglês, porém esta dificuldade foi facilmente vencida.

Os estudantes demonstraram interesse no trabalho que iriam desenvolver e facilidade na compreensão das funções das ferramentas. Comandos como New,

Open, Close, Save eram compreendidos facilmente devido ao fato dos estudantes

apresentarem conhecimentos básicos quanto aos recursos computacionais. Mas, em alguns momentos, precisavam perguntar o significado das opções do menu. O extrato de fala, a seguir, demonstra tal observação:

Durante a exploração livre, do software, um dos estudantes da Dupla 03, ao expandir o menu Edit, pergunta:

3B: Olga, o que é Hide Plot?3

Olga: Significa esconda, oculte a opção Plot. Se você estiver com a caixa

Plot exibida na tela e selecioná-la, poderá escondê-la clicando em Edit e em Hide Plot.

Para melhor compreensão, a Figura 29, a seguir, ilustra o significado do diálogo acima. Com a ferramenta Plot selecionada, ao clicar na opção Hide Plot (Figura 29 A), a mesma será ocultada (Figura 29 B).

3

Nesta pesquisa, serão utilizados nos diálogos, códigos de identificação dos participantes de cada dupla (1A, 1B, 2A, 2B, 3A, 3B, 4A, 4B, 5A, 5B, 6 e 6B) e o nome da pesquisadora (Olga).

FIGURA 29 – Ferramenta Hide Plot do menu Edit do software TinkerPlots

A

Ainda durante a exploração livre do software TinkerPlots, um dos estudantes da Dupla 05 pergunta:

5A: Olga, o que significa Label?

Ao ouvir a pergunta do colega, o estudante 4A, da Dupla 04, que já havia explorado o mesmo recurso, antes que a pesquisadora respondesse à pergunta do estudante 5A, saiu da sua posição, aproximou-se do computador da Dupla 05 e apontando com o dedo para a tela do mesmo mostrou o botão Label e respondendo à pergunta que o estudante 5A, da Dupla 05, fez à pesquisadora, disse:

4A: Eu sei. A gente estava mexendo aqui e quando apertava aí nesse botão ―label‖ aparecia o nome nessas bolinhas.

A Figura 30 ilustra, de forma gráfica, a ferramenta label, indicada pela seta, ao qual se referiu o estudante 4A. Ao clicar sobre o ícone da função ―label‖, indicado na figura pela seta, os objetos são nomeados conforme o atributo selecionado. No caso do exemplo da Figura 30, o atributo selecionado é o atributo NOME.

A primeira sessão não foi vídeografada, uma vez que o objetivo nesse momento era possibilitar, aos estudantes participantes da pesquisa, uma exploração livre para familiarização dos recursos do software que possibilitasse à pesquisadora, através das observações durante a utilização do software, verificar se o mesmo oferece autonomia aos estudantes.

Durante o desenvolvimento desta sessão, a pesquisadora registrou suas observações sobre a facilidade que os estudantes demonstraram diante do software

TinkerPlots, no protocolo de observações, conforme é exibido no Quadro 02:

Data: 05/06/2009

Local: Laboratório de Informática da Escola Participante Duração 01 hora

Objetivo:

Verificar, através do nível de facilidade de uso dos recursos do software, se o mesmo oferece autonomia aos estudantes.

Resultados observados:

1- Nível de dificuldade apresentado pelos estudantes quanto ao idioma do software: ( ) Muito grande ( ) Grande (X) Baixo ( ) Baixíssimo (nenhuma dificuldade) 2- Nível de compreensão da função dos recursos que foram utilizados:

( ) Baixíssimo (nenhuma compreensão) ( ) Baixo ( ) Razoável (X) Elevado 3- Nível de facilidade no manuseio das ferramentas do software:

( ) Baixíssimo (nenhuma facilidade) ( ) Baixo ( ) Razoável ( X) Elevado

QUADRO 02 – Resultado das observações da 1ª sessão

Esse quadro esboça o resultado geral das 6 duplas. Durante a realização da primeira sessão, a pesquisadora registrou os resultados para cada dupla, em protocolo elaborado pela mesma, nos moldes do Quadro 02 apresentado. Porém, aqui, está exposto apenas um quadro devido ao fato de que todas as duplas apresentaram os mesmos resultados.