4 O BIOTOPFLÄCHENFAKTOR (BFF) DE BERLIM
4.1 CONTEXTO DE APARECIMENTO DO BFF
O BFF (Biotopflächenfaktor, Fator de Superfície de Biótopo) constitui-se em uma razão entre a área da superfície ecologicamente eficiente de um lote e a área desse lote. A tipologia ecologicamente eficiente convencionada é área com vegetação não densa em contato com o solo sem estruturas (garagens, máquinas, lajes, porões, etc.) sob esse solo. A essa superfície convencionada é atribuído um fator 1,0. No caso de haver superfícies que não correspondam às propriedades da superfície convencionada, mas que atendam, pelo menos em parte, aos objetivos ambientais colimados previamente, elas também são consideradas, mas com fator menor do que a unidade, constituindo-se, portanto, o BFF como a média aritmética ponderada das diferentes superfícies de interesse do lote por meio dos fatores acima descritos.
Um aspecto positivo de monta do BFF consiste no fato de que tipologias com grau de eficiência ecológica menor do que a convencionada podem ser consideradas no numerador da razão desde que sua área seja multiplicada por um fator de ponderação menor do que a unidade. Isso confere uma flexibilidade aos projetos que tende a agradar os empreendedores e arquitetos.
Temos, portanto:
BFF = (∑i ai.Ai)/At
sendo ai e Ai, respectivamente, o fator de ponderação e a área de uma tipologia em
Para diferentes usos e locais é fixado um valor mínimo do BFF a ser observado pelo empreendedor.
Cumpre agora definir biótopo, para o quê nos socorreremos de NEHRING e ALBRECHT (2000) e OLENIN e DUCROTOY (2006). Há uma grande ambiguidade em diversos conceitos da biologia. O sentido dos termos muda com o tempo ou eles têm significados distintos em diferentes domínios do conhecimento ou, finalmente, são empregados com significados distintos em diferentes países. É o que ocorre com “biótopo”. Em 1877, Möbius foi comissionado por administradores de pesca para examinar um banco de ostras que produzia menos que o esperado. Ele nomeou o banco de ostras como uma “biocenose” ou “comunidade social”, que corresponde a um complexo nos quais animais e plantas vivem conjuntamente em uma comunidade biológica interdependente. Essa foi a fundação da ecologia. Duas décadas depois, Dahl cunhou um novo termo, “biótopo”, definido como um complexo de fatores que determinam as condições físicas da existência de uma biocenose. Posteriormente, Tansley produziu a primeira definição de ecossistema. Finalmente, após avanços teóricos, sugeriu-se que o ecossistema era constituído do biótopo (o ambiente abiótico) e da biocenose (as comunidades bióticas). Definiu-se, assim, a equação: biótopo + biocenose = ecossistema. No domínio linguístico anglo-saxão, “hábitat”6 é frequentemente usado como sinônimo de “biótopo”, enquanto no domínio germanístico “hábitat” corresponde a “pequeno biótopo”. Essa noção “biótopo + biocenose = ecossistema” foi aceita na literatura ecológica da Alemanha, França, Rússia e de outras nações europeias “continentais”. Nos anos 1990, o Comitê Conjunto de Conservação da Natureza do Reino Unido, trabalhando em uma classificação do ambiente costeiro marinho, “redescobriu” o termo “biótopo”, produzindo uma nova definição: biótopo = hábitat + comunidade. Assim, a nova definição de biótopo associa a ele o ambiente físico (hábitat) e seu conjunto de espécies. O hábitat foi definido de acordo com a localização geográfica, com os
6 Segundo HOUAISS e VILLAR (2001), habitat corresponde a uma substantivação da terceira pessoa do singular do presente do indicativo do verbo habitare. Eles não registram a forma hábitat.
Mantemo-la pelo uso consagrado (embora preferíssemos habitat) e porque não é feita nenhuma menção a ela, assim como também não a superávit e déficit, no Acordo Ortográfico de Língua Portuguesa, promulgado pelo decreto n° 6.583, de 29 de setembro de 2008 (BRASIL, 2014b). O Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa registra habitat, mas esse documento não é legalmente vinculante, nem sequer mencionado no referido acordo.
recursos fisiográficos e com o ambiente físico e químico, enquanto a comunidade foi descrita como um grupo de organismos ocorrentes em um ambiente em particular, presumivelmente interagindo um com o outro e com o ambiente, sendo identificável por meios de pesquisa ecológica. Assim, a comunidade foi interpretada como o elemento biótico de um biótopo. No entanto, o biótopo assim definido não deve ser confundido com o ecossistema, que inclui tanto o ambiente físico como a comunidade.
Na presente tese, o biótopo será entendido no âmbito da equação “biótopo + biocenose = ecossistema”.
4.1.1 Hierarquia de Planejamento na República Federal da Alemanha
Para a adequada consideração do histórico do BFF em Berlim é necessária uma rápida notícia da hierarquia de planejamento do espaço na Alemanha. Para tanto, utilizaremos, sem perda de generalidade, o exemplo da cidade de Stuttgart, cuja apresentação (STUTTGART [STADT], 2006) é particularmente didática. A hierarquia do planejamento urbano da cidade de Stuttgart é apresentada no quadro 1.
Nos termos do Código Federal de Construções (Baugesetzbuch – BaGB), o Plano Preparatório de Uso e Ocupação do Solo (Flächennutzungsplan – FNP) e o Plano Local de Construções (Bebaungsplan – B-Plan) constituem um complexo denominado Planejamento Diretor de Construções (Bauleitplanung) (DEUTSCHLAND, 2013). O FNP pode ser assistido por um Plano da Paisagem (Landschaftsplan), enquanto o B-Plan pode sê-lo por um Plano de Ordenamento da Paisagem (Grünordnungsplan – GOP). O FNP é legalmente vinculante apenas para os órgãos públicos, enquanto o B-Plan é vinculante também para os particulares. Mal comparando, o FNP aproxima-se do Plano Diretor de nosso meio, ainda que o faça em nível um pouco mais detalhado. Já o B-Plan aproxima-se da Lei de Zoneamento de nosso meio, embora seus ordenamentos se deem em uma área bastante limitada do espaço urbano e em nível de detalhe muito maior.
Quadro 1 - Hierarquia de planejamento urbano na cidade de Stuttgart. Plano de Desenvolvimento Estadual
(Landesentwicklungsplan)
Objetivo: estabelecer metas de desenvolvimento espacial do estado; Território objeto: todo o estado;
Escala: predominantemente 1:900.000; Intervalo: 10 anos;
Participação pública: indireta.
Programa Setorial de Paisagem (Landschafts- rahmenprogramm) Plano Regional (Regionalplan)
Objetivo: adaptar e contextualizar o Plano de Desenvolvimento Estadual; constituir-se em ponte entre planejamento estadual e local;
Território objeto: cidade sem condado e condados adjacentes; Escala: 1:50.000;
Intervalo: 10-15 anos;
Participação pública: dois estágios:
a) participação informal de entidades públicas e privadas; b) participação pública formal.
Plano Regional Setorial de Paisagem
(Landschafts-
rahmenplan)
Plano de Desenvolvimento Urbano (Stadtentwicklungsplan)
Objetivo: tratar de processos de longo prazo relativos a análise, informação e coordenação de questões de planejamento municipal e compatibilizar aspectos de construção, econômicos, ecológicos e sociais da cidade; Território objeto: todo o território da cidade;
Escala: 1:2.500 – 1:2.000, principalmente em forma escrita; Intervalo: 15 a 20 anos;
Participação pública: workshops e conselhos de bairro.
Plano Preparatório de Uso e Ocupação do Solo (Flächennutzungsplan FNP)
Objetivo: preparar e guiar o os aspectos construtivos e de uso e ocupação do solo dos lotes nos termos do Código Federal de Construções;
Território objeto: todo o território da cidade; Escala: 1:10.000;
Intervalo: 10-15 anos;
Participação pública: dois estágios: a) participação pública inicial; b) apresentação pública da minuta.
Plano Paisagístico (Landschaftsplan)
Plano Setorial de Construções Urbanas (Städtbaulicher Rahmenplan)
Objetivo: nível não formal de planejamento entre o FNP e o B-Plan; Território objeto: distritos;
Escala: 1:500 – 1:1000;
Intervalo: de pequeno a longo prazo;
Participação pública: discussão com interessados e os conselhos consultivos distritais.
Plano Local de Construções (Bebaungsplan B-Plan)
Objetivo: concretizar o FNP de forma legalmente vinculante; Território objeto: dependente das exigências de planejamento; Escala: 1:500 – 1:1000;
Intervalo: ilimitado;
Participação pública: dois estágios: a) participação pública inicial; b) apresentação pública da minuta em processo participativo e consideração de sugestões.
Plano de Ordenamento do Verde (Grünordnungsplan GOP) Plano de Configuração (Gestaltungsplan) Normas Adicionais (Sonstige Satzungen) Pedido de Alvará de Construção
(Baugesuch)
Fonte: STADT STUTTGART (2006), adaptado, formatado, traduzido e modificado
4.1.2 Sistema Federativo da República Federal da Alemanha e a situação de Berlim nesse sistema
A República Federal da Alemanha (Bundesrepublik Deutschland) é até certo ponto sucessora de diversas entidades político-territoriais caracterizadas, devido a condicionantes históricos de diversas ordens, por federações com maior ou menor grau de frouxidão. Ele remonta, como pode ser observado em qualquer manual de história, aos domínios de Otto I, que recebeu do papa João XII o título de Imperador Romano (em 1157, ao título foi adicionado o adjetivo “Sacro” e, em 1512, “Germânico”, tornando-se o titular, portanto, soberano do Sacro Império Romano Germânico – Sacrum Imperium Romanum Nationis Germanicæ – Heiliges
Römisches Reich7 Deutscher Nation). Em 1816, Napoleão induziu 16 estados do
império a formar a Confederação do Reno (Rheinbund), na realidade um protetorado francês. Ainda em 1806, o império foi dissolvido. Em 1815, foi estabelecido pelo Congresso de Viena a Confederação Germânica (Deutscher Bund). Em 1866, a Prússia, após vitória sobre a Áustria, fundou a Confederação Germânica do Norte (Norddeutscher Bund). Em 1871, após a vitória da Prússia sobre a França e aliados, foi formado o Império Alemão (Deutsches Reich), uma confederação de 26 entidades, a maior parte das quais monarquias, o que se constituiu na culminação do chamado processo de unificação alemã, sob a égide da Prússia com exclusão da
7 Reich é palavra sem correspondente no português. Etimologicamente provém do alto alemão arcaico ri(h)i. Como adjetivo, significa: a) rico, abastado; b) substancioso, proveitoso; 3) de grande
quantidade. Como substantivo (das Reich), significa: 1) um grande país, um grande estado; 2) em sentido próprio, o Reich alemão (BROCKHAUS, 1984, p.552, tradução livre nossa). Não pode ser traduzido como império, a não ser em sentido figurado, por não estar necessariamente ligado ao conceito de monarquia. Mas Keiserreich seguramente o pode. Com certeza tem afinidade etimológica com o inglês rich, supostamente evidenciando uma incapacidade de os antigos povos germânicos diferenciarem o público do privado. Evidentemente isso é simplista. Da feudalidade latina, que apresenta fusão de elementos romanos e germanos, pode ser dito: “Durante toda a era feudal, é muito raro que se fale da propriedade, seja de uma terra, seja de um poder de comando. (...) A palavra propriedade, aplicada a um imóvel, seria um tanto vazia de sentido. (...) Sobre quase toda terra, e sobre muitos homens, pesava, nesses tempos, uma multiplicidade de direitos, diversos por sua natureza, sendo, porém, que cada um, dentro de sua esfera, parecia igualmente respeitável. Nenhum apresentava essa rígida exclusividade, característica da propriedade, do tipo romano.” (BLOCH, 1982, 1939, p.173-4).
Áustria (Kleindeutsche Lösung). Em 1918, como condição para aceitação do armistício, o Deutsches Reich converteu-se em uma república federada, conhecida como república de Weimar. De 1933 a 1945, a Alemanha, com o mesmo nome, existiu como a odiosa ditadura nazista (a rigor, entre 1943 a 1945 seu nome oficial foi Groβdeutsches Reich). De 1945 a 1949, a Alemanha, como entidade política, deixou de existir. Em 1949, nas zonas de ocupação americana, britânica e francesa foi instalada a República Federal da Alemanha (Bundesrepublik Deutschland), enquanto a zona de ocupação soviética converteu-se na República Democrática Alemã (Deutsche Demokratische Republik – DDR), que se tornou estado unitário. Em 1990, a DDR converteu-se em federação e teve seus estados incorporados à República Federal da Alemanha, o que se constituiu na chamada reunificação alemã. A República Federal da Alemanha tem, portanto, condicionado pela história um caráter fortemente federativo (mais do que em qualquer outra nação europeia, com a possível exceção da Suíça), ainda que os estados atualmente existentes tenham sido originados de meras divisões administrativas impostas pelas forças de ocupação (estados-hífen). Seu sistema federativo é um tanto complexo, podendo-se, em uma primeira aproximação, falar em quatro níveis. O primeiro corresponde à união (Bund). O segundo são os estados federados (Länder8 ou Bundesländer). Há dois tipos de estados federados: estados territoriais (Flächenländer) e cidades-estado (Stadtstaaten9). Os primeiros dividem-se em condados (Kreise10), que correspondem ao terceiro nível, dividindo-se eles por sua vez em comunas (Gemeinde), correspondentes ao quarto nível. As comunas têm autonomia administrativa, mas não legislativa, ao contrário dos condados, que possuem também autonomia legislativa. Há comunas que não compõem condados, tendo status de cidade (Kreisfreiestädte),
8 Land, em tradução literal, significa país, embora comumente seja traduzido por estado,
especialmente no contexto federativo. Há quem traduza como província, o que não nos agrada porque enfraquece o significado federativo, ainda que federações como a Argentina e o Canadá tenham nominalmente províncias como entes federados
9 Stadt é traduzido como cidade e Staat como estado.
10 Kreis, em tradução literal, significa círculo. Pela tradição anglo-saxã, traduz-se geralmente como condado. O termo mais próximo no Brasil seria comarca, que, no entanto, tem aqui atualmente significado judiciário. (Carlos Magno dividiu seu império em regiões administrativas, entregando as regiões internas a condes (Landgrafen) e as regiões de fronteira a marqueses (Markgrafen), daí a conveniência de traduzir como comarca).
sendo usualmente as maiores cidades11.
Berlim é uma cidade-estado dividida em regiões administrativas (Bezirke). Tais regiões gozam de certa autonomia, sem, porém, possuírem personalidade jurídica12. Na falta de palavra melhor, denominaremos aqui tais regiões administrativas como distritos, embora em Portugal o termo “distrito” corresponda a uma unidade administrativa que congrega diversos municípios (concelhos).
Após a incorporação da República Democrática Alemã à República Federal da Alemanha, cogitou-se da incorporação de Berlim ao estado de Brandeburgo, mas, por extrema exaustão com os traumas das mudanças institucionais imediatamente anteriores, desistiu-se da ideia.
4.1.3 Influência da Guerra Fria na Conformação das Questões Urbanas de Berlim
A cidade de Berlim foi em quase sua maior parte destruída na Segunda Guerra Mundial por força dos bombardeios aéreos aliados e da extremamente violenta batalha de Berlim, que culminou no fim da guerra na Europa. A divisão do território do que se denominava Deutsches Reich em suas fronteiras de 1939 em quatro regiões administrativas13, o status especial de Berlim nessa divisão, o bloqueio de 1948-1949, a reconstrução da cidade às pressas, a criação de duas novas entidades políticas nas regiões de ocupação, o erguimento do Muro e o estado de extrema tensão ideológica e militar da Guerra Fria, cujo centro de gravidade se dava
11 Na Alemanha já se entende por uma cidade grande aquela com algo em torno de 100.000 habitantes, uma situação, portanto, bastante distinta de nossa realidade.
12 Mal comparando com a situação do município de São Paulo, seria como se às Subprefeituras fosse concedida certa autonomia.
13 A rigor cinco, se contarmos os territórios anexados pela República Popular da Polônia (grosso modo, Prússia Oriental, Pomerânia Posterior e Silésia), hoje República da Polônia. Além disso, se considerarmos a situação de agosto de 1939, resultante das ofensivas do regime nazista, houve a anexação da região de Königsberg (hoje Kaliningrado) pela República Socialista Federativa Soviética Russa, hoje Federação Russa, a restauração da independência, em 1955, da República da Áustria (Republik Österreich), a devolução dos Sudetos à Tchecoslováquia (hoje na República Tcheca), e a entrega do Memel (hoje Condado de Klaipèda e municípios anexos) à República Socialista Soviética da Lituânia, hoje República da Lituânia.
justamente em Berlim, condicionaram nessa cidade uma situação bastante peculiar do ponto de vista urbanístico, com a qual os seus planejadores e administradores tiveram que se haver. Destacamos duas entre as inúmeras consequências desse estado de coisas durante a Guerra Fria: a) a alta densidade e a promiscuidade de usos; b) a extrema necessidade de proteção, do ponto de vista qualitativo e quantitativo, do aquífero subterrâneo destinado ao abastecimento urbano.
4.1.4 Histórico do BFF
Uma descrição dos eventos que levaram à criação do BFF tal como hoje existente é feita por POBLOTH (2008). O BFF foi desenvolvido a partir da constatação da necessidade de simplificar, flexibilizar e unificar parâmetros dos Planos de Paisagem em regiões de urbanização consolidada, bem como de compatibilizar suas normas com as de outros textos normativos urbanísticos e facilitar a obtenção de consenso. Em suma, facilitar a viabilização técnica, jurídica e política dos Planos de Paisagem.
O Governo Distrital de Kreuzberg (Bezirksamt Kreuzberg) utilizou o Plano de Paisagem de Tempelhofer Vorstadt como um modelo a partir do qual o conceito de BFF e seus parâmetros foram sendo gradualmente desenvolvidos e testados, de maneira a servir, por sua vez, como modelo para outros Planos de Paisagem. Importante também para o desenvolvimento do BFF foi a preparação do Plano de Paisagem de Stephankiez pelo Governo Distrital de Tiergarten, subsidiado por consultorias contratadas pela Administração Senatorial de Desenvolvimento Urbano e Proteção Ambiental do Estado de Berlim (Senatsverwaltung für Stadtentwicklung
und Umweltschutz Berlin). Tais consultorias definiram em grande parte a estrutura
normativa do BFF.
O arcabouço legal do BFF encontra-se na Lei Federal de Proteção da Natureza (Bundesnaturschutzgesetz) (DEUTSCHLAND, 2009) e na Lei Berlinense de Proteção da Natureza (Berliner Naturschutzgesetz) (BERLIN, 2013).
Superfícies Eficazes do ponto de vista da Preservação do Patrimônio da Natureza” (Faktor für naturhaushalt-wirksame-Flächen) foi abandonado devido às dificuldades associadas aos conceitos envolvidos; por outro lado, os conceitos associados a “Fator de Superfície de Biótopos” alcançaram um alto grau de reconhecimento junto à comunidade de especialistas (LANDSCHAFT... et al., 1990).
Apesar do sucesso alcançado, Giseke lembra que “o BFF foi um filho dos encerrados anos 80, quando a ideia de trabalhar com tais valores padronizados era difundida em toda a Alemanha Ocidental e havia outras abordagens paralelas” (GISEKE, 2004, apud POBLOTH, 2008, p.186). Tais abordagens paralelas, como o Número de Volume Verde (Grünvolumzahl) e o Número de Função do Solo (Bodenfunktionszahl), desenvolvidas em Hamburgo, encontraram grandes dificuldades na sua operacionalização (GISEKE, 2004, apud POBLOTH, 2008).
4.1.4.1 BFF em Malmö e Seattle
Malmö desenvolveu no final dos anos 90 um Fator Espacial Verde (GSF, em inglês) e um Sistema de Pontos Verdes (GPS) (KRUUSE, 2011, e SKÄRBÄCK, 2007), a serem aplicados em um novo bairro construído no âmbito de uma exposição internacional de construção sob o tema “A Cidade Sustentável de Amanhã”. O GSF tem formulação análoga à do BFF, consistindo em uma média ponderada, devendo cada lote atingir o valor mínimo de 0,5. Além do GSF foram feitas exigências em termos do GPS, tendo sido fornecida uma lista de ações tendentes a favorecer a biodiversidade em cada condomínio, devendo o empreendedor escolher obrigatoriamente no mínimo dez delas.
A cidade de Seattle inspirou-se no BFF de forma a desenvolver em 2006 o Fator Verde de Seattle (Seattle Green Factor, SGF) (STENNING, 2008; HIRST, MORLEY e BANG, 2008).