Após apresentar ideias e evidências sobre a temática central do nosso estudo centramos a atenção no ambiente onde este decorreu. Entendemos que esta contextualização poderá ser uma mais-valia na medida em que favorece a compreensão das particularidades sociodemográficas e culturais da população alvo do estudo.
A recolha de dados foi feita no Agrupamento de Centros de Saúde (ACES) do Concelho de Vila Nova de Famalicão que se situa na região norte do país e porque a entrada em campo implica localizar e situar onde decorre o estudo considerando o contexto socioeconómico entendemos fazer uma referência a alguns factos que marcaram e caraterizam o município.
A cidade de Vila Nova de Famalicão era composta por 49 freguesias que, com a Reorganização Administrativa do Território das Freguesias em 2013, foram reduzidas a 34 freguesias, pelo Decreto-Lei n.º 11-A, distribuídas por uma área de 201,59 km2 e com uma densidade populacional de 112,9 hab/km2.
É caraterizada por alguns elementos estruturantes de acessibilidade: o rio Ave, a rede ferroviária, a rede de autoestradas, e a rede rodoviária nacional de ligação às cidades circundantes (Município de Vila Nova de Famalicão, 2014).
73
Geograficamente, o município localiza-se no distrito de Braga na região norte de
Portugal, delimitado a norte pelos concelhos de Braga e Barcelos, a nascente por Guimarães, a sul por Santo Tirso e a poente por Vila do Conde e Póvoa de Varzim. Encontra-se assim num importante nó rodoviário que liga o Porto a Braga e a Barcelos e Guimarães à Póvoa de Varzim e a Santo Tirso. Posiciona-se entre a faixa atlântica e a zona de serra, tem uma ligação ao mar pelos rios Ave, Este, Pelhe e Pele, tem áreas de baixa altitude e alguns relevos que pontuam uma grande área plana. O clima é chuvoso e húmido, com temperaturas moderadas.
É a fronteira natural entre o Minho e o Douro e a sua localização privilegiada confere-lhe o estatuto de charneira no cruzamento de caminhos, para quem vem do sul, Famalicão é a porta de entrada no Minho e para quem vem do norte é a última referência do Minho antes da Área Metropolitana do Porto (Munícipio de Vila Nova de Famalicão, 2014).
Devido à sua localização, desde tempos ancestrais é um local de passagem e
presença de povos e civilizações. O núcleo urbano de Famalicão desenvolveu-se na
confluência de eixos viários fundamentais, transversais e paralelos ao rio Ave. Historicamente, foi no dia 1 de julho de 1243 que o rei D. Sancho I de Portugal entregou o primeiro foral a 40 povoadores iniciando-se aqui a sua história. Com a criação da nova Divisão Judicial do Reino de Portugal, no dia 21 de março de 1835 a rainha D. Maria II, por carta foral concedeu a formação do concelho de Vila Nova de Famalicão.
A evolução histórica que marcou o município na segunda metade do século XIX caracterizou-se por um aumento demográfico, uma diversificação e uma especialização da produção e circulação de bens, produtos e serviços, com o crescimento dos sectores secundário e terciário; o desenvolvimento do núcleo urbano e a sua progressiva adaptação às necessidades da população (Magalhães, 2005 ). O Vale do Ave, onde se insere Vila Nova de Famalicão, transformou-se num território de grande densidade fabril nos segmentos da fiação e da tecelagem desde os finais do século XIX. A indústria têxtil algodoeira tornou-se a atividade motora da região, com um efeito estruturante sobre toda a vida económica e social, a que se ajustaram as pessoas e as paisagens.
O Vale do Ave surge como um reservatório histórico de experiências industriais atraindo para as fábricas uma população de vivência rural, impondo horários rígidos e rotinas típicas do modelo de produção em série. O trabalho neste contexto era duro, realizado em condições físicas difíceis, durante longas jornadas e mal remunerado; esta cultura de trabalho fabril disseminou-se pelas aldeias desta
74
zona. Ao longo da história muitas crises afetaram a região, com forte impacto na economia e na sociedade e houve períodos marcados por um tecido empresarial frágil e vulnerável, com elevados níveis de natalidade e mortalidade (Alves, 2004). Face às respostas adaptativas de crescimento e progresso que foi dando perante as crises e dificuldades na segunda metade do século XX, o município apresentava um nível de desenvolvimento que a conduziu à elevação a cidade, o que ocorreu em 8 de julho com a publicação do Decreto-Lei n.º 40/85.
O desenvolvimento económico e social regional e local, na última década e à semelhança do verificado a nível nacional, na região norte a estrutura familiar tem vindo a alterar-se. Na última década, assistiu-se a uma diminuição da dimensão média das famílias, mas estas continuam a ser mais numerosas do que no resto do país. A dimensão média da família na região norte é de 2,7 elementos, enquanto o valor para o total do país se situa nos 2,6.
No município de Vila Nova de Famalicão o número de núcleos familiares foi em 2011 de 41 376 para um total de 133 832 residentes (INE, 2012) entendendo por núcleo familiar o conjunto de pessoas de uma mesma família que se organizam em função de uma relação de cônjuges, parceiros numa união de facto ou progenitor e descendentes e que pode traduzir-se em casal sem filhos, casal com um ou mais filhos ou pai ou mãe com um ou mais filhos. Deste diferencia-se o núcleo familiar reconstituído que consiste num casal “de direito” ou “de facto” com filho(s), em que pelo menos um deles seja filho, natural ou adotado, apenas de um dos membros do casal (INE, 2012).
Relativamente aos casais com filhos entre 2001 e 2011 observou-se uma diminuição na sua proporção. Na região norte em 2011, a proporção de núcleos familiares de casais com filhos foi de 63,2%, enquanto no país esta proporção foi de 58,8%. Os núcleos familiares reconstituídos representaram 4,1% do total de núcleos de casais com filhos, este indicador aumentou 2,6 pontos percentuais de 2001 para 2011 e acompanhou a tendência verificada a nível nacional.
Atualmente, Famalicão é um território industrial e empreendedor, urbano-rural, com fortes dinâmicas comunitárias, redes e parcerias. Considerado um dos concelhos portugueses mais empreendedores, conta com uma comunidade técnico-industrial a viver num território verde proporcionando boas condições de vida aos seus cidadãos. O município e as suas freguesias dispõem de uma rede social constituída por uma equipa multidisciplinar que articula e congrega esforços entre entidades públicas e privadas com vista à erradicação ou atenuação da pobreza e à promoção do desenvolvimento social com o objetivo de melhorar a qualidade de vida dos cidadãos
75 residentes no concelho; de entre os grupos é de salientar a Comissão de Proteção de Crianças e Jovens (Município de Vila Nova de Famalicão, 2014).
Neste capítulo evidenciamos a problemática da experiência familiar em torno do seu desenvolvimento, da parentalidade e da gemelaridade.
Assinalamos, com base na evolução da disciplina de enfermagem e das políticas de saúde orientadas para a saúde da família, as intervenções de enfermagem que se têm revelado mais efetivas e adequadas às necessidades das famílias. O hiato entre a evidência científica e os modelos em uso continua a ser patente, em particular no que se reporta às famílias com filhos gémeos. A par da escassa investigação na área, a prática clínica é aparentemente, pouco sustentada e discriminada. Neste sentido, foi nosso propósito desenvolver um estudo que contribua para um prática clínica dirigida às famílias com filhos gémeos.
77