6. RESULTADOS E DISCUSSÃO
6.3. Subsídios adotados pela SEMAD para a Dispensa do EIA no licencia-
6.3.2. Contextualização do Relatório Técnico DIRIM 08/07
Neste item é apresentado o conteúdo do documento utilizado pelo órgão ambiental para descrever os fundamentos utilizados na dispensa do EIA para o licenciamento ambiental (LP) dos empreendimentos selecionados para estudos. Procurou-se sempre reproduzir o texto e as terminologias usadas no Relatório, bem como relatar todos os atos que antecederam a elaboração do mesmo.
Conforme se constatou na pesquisa e identificação dos fundamentos da dispensa do EIA, constantes dos documentos emitidos pelo órgão ambiental, esse estudo ambiental foi dispensado para os empreendimentos objeto dessa dissertação com suporte nos critérios constantes do Relatório Técnico DIRIM 08/07, elaborado em 02.04.07, pela Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável de Minas Gerais – SEMAD – através da Fundação Estadual de Meio Ambiente – FEAM – e da Diretoria de Licenciamento de Atividades Industriais e Minerárias - DIRIM.
O Relatório Técnico DIRIM 08/07, que segundo consta, foi elaborado em atendimento à solicitação dos Conselheiros da Câmara de Atividades Industriais do COPAM formulada em reuniões de 10.10.06 e 13.02.07, teve como objetivo apresentar um resumo da situação das usinas de açúcar e álcool cadastradas no Sistema Estadual de Meio Ambiente – SISEMA – bem como os critérios até então adotados para orientar os empreendedores acerca dos estudos ambientais que deveriam instruir os requerimentos de licença.
Infere-se do Relatório mencionado, que a partir de maio de 2006, atendendo à recomendação do Ministério Público e à diretriz da Resolução CONAMA 01/86, o órgão ambiental passou a exigir a apresentação de EIA, independentemente do porte do empreendimento ou de sua localização, para os processos de licenciamento ambiental de empreendimentos do setor sucroalcooleiro, em substituição ao RCA, que era o estudo anteriormente adotado, sem qualquer respaldo legal, frise-se.
Consta, ainda, que diante da exigência do EIA e atendendo à solicitação de representantes do setor sucroalcooleiro (SIAMIG e SINDIAÇÚCAR), foi realizada em 09.08.06 uma reunião com aqueles e os representantes dos seguintes órgãos ambientais: SEMAD, IEF, INDI, FEAM (Presidência, área técnica e jurídica) e Secretaria de Estado Desenvolvimento Econômico – SEDE. Nessa reunião, os representantes dos nominados sindicatos insurgiram-se contra a exigência do EIA, mediante os seguintes argumentos:
� a cultura da cana evoluiu;
� a Resolução CONAMA 01/86 surgiu devido aos problemas existentes à época com disposição irregular de vinhoto;
� até 2007 será dobrada a produção de cana no Estado;
� o maior problema para o setor está na área tributária e não na área ambiental; � a exigência do EIA aumentaria o prazo regimental de análise do requerimento
de licença, que passaria de até 180 dias pra 360 dias; 78
� a exigência de EIA implicaria a possibilidade de ter que se realizar audiência pública no contexto do processo de licenciamento ambiental.
Extrai-se, ainda, do referido Relatório Técnico que as discussões se prosseguiram com a realização de outra reunião em 06.09.06, da qual participaram representantes da SEMAD, FEAM, IEF, IGAM e SEDE. Nessa reunião a Procuradoria da FEAM afirmou que seria possível definir regras estaduais para a exigência do EIA, o que culminou com a criação de um grupo de trabalho, com representantes da SEMAD, FEAM, IGAM e IEF, para discussão técnica e jurídica do problema e elaboração de Termos de Referência para EIA específicos para o setor sucroalcooleiro.
Outras reuniões foram realizadas, sendo que algumas contaram com a participação do Presidente do COPAM e de Professores da Universidade Federal de Lavras – UFLA – entidade esta responsável pela elaboração da proposta de Zoneamento Ecológico Econômico para o estado de Minas Gerais - ZEE-MG – que viria a ser uma das ferramentas base para orientação quanto à exigência do tipo de estudo ambiental a ser anexado ao requerimento de licença dos empreendimentos do setor sucroalcooleiro.
Consta, ainda, que além das duas reuniões acima referidas, foram realizadas outras em 11.09.06, 14.09.06, 20.10.06, 01.11.06, 14.11.06, 27.11.06, 08.02.07 e 15.02.07, sendo que nenhuma delas foi documentada com a elaboração de uma ata, embora tenham contado com a participação de representantes da FEAM, IGAM e IEF.
78 O artigo 8º, § 2º, da Lei Estadual 7.772/80, e o artigo 11, caput, do Decreto Estadual 44.844/08, prevêem que
nos casos em que for necessária a realização de Estudo de Impacto Ambiental e Relatório de Impacto Ambiental - Eia/Rima - ou de audiência pública, o prazo a que se refere o §1º deste artigo será de até doze meses. O § 3º, da Lei Estadual 7.772/80, prevê que “Os prazos estipulados nos §1º e 2º deste artigo poderão ser alterados mediante justificação e com a concordância do empreendedor e do Copam”. Quando não for exigido EIA/RIMA, o prazo para análise da licença é de seis meses, conforme artigo 11, caput, do Decreto Estadual 44.844/08.
Assim, conforme orientação da SEMAD, consta que foram adotados os seguintes procedimentos e critérios para definição do tipo de estudo ambiental a ser exigido no FOB para empreendimentos sucroalcooleiros:
a) realização de reuniões entre representantes da FEAM (Consuelo Ribeiro de Oliveira e Luiz Gonzaga Resende Bernardo), do IGAM (Joana Angélica R. de Andrade), do IEF (Jadir Silva de Oliveira), da PRODEMGE (Marília Markus) e, eventualmente, em substituição à PRODEMGE, da HIPARC (Hugo Bretãs), com os empreendedores para “obtenção de informações” referentes aos projetos dos empreendimentos a serem implantados.;
b) pré-avaliação, pelo IGAM, da disponibilidade hídrica para o consumo estimado pelo empreendedor, consistente apenas numa confrontação do volume a ser captado, estimado pelo empreendedor, com o volume disponível naquela bacia e naquele momento, obtido do banco de dados do IGAM, sem garantia, contudo, de direito de captação;
c) análise das cartas do ZEE-MG para a vulnerabilidade ao plantio de cana ou para a vulnerabilidade natural, aplicando-se o seguinte critério de decisão para recomendar a exigência de RCA em lugar do EIA:
c.1) se a soma dos percentuais de áreas que indicam vulnerabilidade alta e muito alta ao plantio de cana-de-açúcar for menor ou igual a 10%, considerando-se a área total de plantio destinada ao abastecimento do empreendimento, recomendar RCA para os novos empreendimentos; 79
c.2) para as regiões ainda não abrangidas pelo ZEE-MG, recomendar EIA para os novos empreendimentos;
c.3) para as ampliações ou modificações, desde que restritas ao mesmo terreno da planta industrial existente, orientar para a fase de LI a exigência de EIA ou RCA, segundo os seguintes critérios:
79 O ZEE-MG somente definiu a vulnerabilidade ao plantio da cana para a região do Triângulo Mineiro, devendo
c.3.1) recomendar EIA se ampliação ou modificação for de médio ou grande porte e, simultaneamente, a base de dados do ZEE-MG mostrar que a soma dos percentuais que indicam vulnerabilidade alta e muito alta na área total destinada à expansão do plantio de cana-de-açúcar é maior do que 10%; 80
c.3.2) para as regiões ainda não abrangidas pelo ZEE-MG, recomendar EIA para as ampliações ou modificações, independentemente do porte em que se enquadrarem tais ampliações ou modificações.
Assim, verifica-se que para a instalação de novos empreendimentos em áreas abrangidas pelo ZEE-MG, dentre as quais se insere o Triângulo Mineiro e Alto Paranaíba, dois foram os critérios adotados pela SEMAD para dispensar o EIA para o licenciamento ambiental prévio dos empreendimentos sucroalcooleiros, sendo o primeiro referente à pré- avaliação, pelo IGAM, da disponibilidade hídrica para o consumo estimado pelo empreendedor e o segundo consistente na análise das cartas do ZEE-MG para a vulnerabilidade ao plantio de cana ou para a vulnerabilidade natural.
Após terem sido definidos os subsídios a serem utilizados para a dispensa do EIA no licenciamento prévio dos empreendimentos sucroalcooleiros situados em Minas Gerais, no anexo VI, do Relatório Técnico DIRIM 08/07, foram relacionados 24 (vinte e quatro) empreendimentos que tiveram reavaliação da orientação do licenciamento ambiental para exigir o RCA em substituição ao EIA/RIMA, inclusive com a reemissão de novos FOBs, dentre os quais se inserem cinco empreendimentos objetos do estudo de caso. Dos 24 (vinte quatro) empreendimentos mencionados, apenas 01 (um) não está situado na região do Triângulo Mineiro e Alto Paranaíba.
No anexo VII foi apresentado o resumo das informações obtidas em reuniões realizadas para a discussão do tipo de estudo ambiental a ser exigido, dentre as quais se inserem a pré-avaliação da disponibilidade hídrica realizada pelo IGAM e a carta de vulnerabilidade do ZEE/MG ao plantio da cana.
80 Se o empreendimento situar-se no Triângulo Mineiro, adota-se a vulnerabilidade ao plantio da cana. Para