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Na foto 2, podemos visualizar que, na parte inferior, há uma faixa um tanto cinzenta que claramente contrasta com o amarelado e com a vegetação seca. Trata-se do início de um “veio de feldspato”, ou seja, uma camada desse mineral. Essa imagem, que fizemos na área de uma mineradora em Junco do Seridó, mostra o trabalho de extração feito em camadas numa lavra a céu aberto para extrair o feldspato cinza. Em outra imagem (foto 3), que fizemos numa segunda empresa, temos uma aproximação maior do feldspato, na qual notamos o contraste entre esse mineral e o quartzito amarelo que forma a parede rochosa.

Foto 3 – Contraste entre feldspato e quartzito amarelo

Foto: Acervo da pesquisa (2016)

As estatísticas mais recentes disponíveis sobre a produção de feldspato indicam que, em 2013, foram produzidas 320.048 toneladas de feldspato no país. Desse total, 54,8% foram no Paraná; 15,7%, em Santa Catarina; 11,5%, na Paraíba; 6,2%, no Rio Grande do Norte, entre outros estados. Em relação ao total de feldspato beneficiado, o Paraná produziu 60,6% da produção nacional, e Minas Gerais saltou para 34,3%, enquanto a Paraíba caiu para 0,3% em uma clara evidência da baixa capacidade de o setor mineral conseguir desenvolver processos produtivos mais agregadores de valor aos seus produtos.

Tabela 3 – Arrecadação de CFEM relativa ao feldspato nos seis primeiros meses de 2018

Nível Total % que representa na arrecadação do

respectivo nível

Nacional R$ 739.003,38 0,07%

Estadual R$ 46.149,60 1,7%

Junco do Seridó R$ 33.817,88 77,45%

Fonte: DNPM (2018)

Note-se a importância do feldspato na cidade de Junco do Seridó, onde a maior parte do imposto da mineração arrecadado refere-se a esse mineral. Também não se pode deixar de ver

82 que, para o estado da Paraíba, Junco do Seridó representa um importante produtor de feldspato, visto que o imposto gerado no município corresponde a 73% do valor arrecadado em toda a Paraíba. Não se pode deixar de reparar, também, a discrepância em relação ao caulim, que, conforme expusemos, foi de 0,07% no estado e de 4,3% no município de Junco do Seridó. A exemplo do que fizemos anteriormente em relação ao caulim, vamos apresentar dois gráficos (11 e 12), na sequência, para pensar a importância desse mineral observando uma série histórica.

Gráfico 4 – Participação, em termos percentuais, do feldspato no total de CFEM gerada em Junco do Seridó 2007-2018

Fonte: Elaborado pelo autor a partir de DNPM (2018)

De 2009 em diante, o feldspato assume a posição de maior gerador de CFEM no município. Um dos fatos que podemos destacar como causa desse crescimento é a própria expansão de três grandes empesas de mineração, sendo uma delas instalada em Parelhas, no Rio Grande do Norte, mas que tem atividades extrativas em Junco do Seridó; uma segunda empresa, de propriedade de um empresário do Rio Grande do Sul, “Sr. Vaz”, que se instalou em Junco do Seridó; e a terceira empresa é de um juncoense que é, dentre os estabelecimentos instalados no município, o maior empreendimento do ponto de vista da capacidade de operação e do número de funcionários contratados. O crescimento da indústria de revestimento, cujas fábricas estão instaladas em João Pessoa, também é outro fator importante.

Se o gráfico 11 nos dá uma noção do percentual de participação do feldspato na geração de CFEM no município de Junco do Seridó, o gráfico 12 nos aponta outro tipo de informação sobre o que essa posição significou em termos de valor monetário. Como se verá, o feldspato

83 gerou, praticamente, dez vezes mais CFEM do que o caulim em cada ano, liderando, de longe, a pauta da CFEM.

Gráfico 5 – Valor nominal arrecadado de CFEM relativa ao feldspato em Junco do Seridó no período 2007-2018

Fonte: Elaborado pelo autor a partir de DNPM (2018)

Esse volume de recursos, se comparado a outras fontes de renda de Junco do Seridó, não é desprezível. Olhando o SAGRES, Sistema de Divulgação de Contas Públicas do TCE/PB, vemos que é um volume de imposto maior que o IPTU, que, em 2017, por exemplo, recolheu cerca de R$ 8.000,00, enquanto a CFEM do feldspato foi de quase R$ 80.000,00, em um volume, portanto, quase dez vezes maior que o imposto predial. A CFEM foi maior que outras taxas rotineiras, como Taxa de Licença para Funcionamento de Estabelecimentos Comerciais e Indústrias, que arrecadou cerca de R$ 13.688,82. Os dados contidos nos gráficos 11 e 12 servem para argumentar sobre a existência de um setor produtivo da mineração que, para os padrões de desenvolvimento dessa atividade no Nordeste, tem atividade bastante intensa e isso tem um peso econômico para o município.

Um universo significativo que vai das tintas, passando por cerâmicas, vidros até materiais ortodônticos. No caso de Junco do Seridó, a indústria da cerâmica branca é a principal demandante de feldspato. Na caracterização da aplicação desse mineral na fabricação de cerâmica, Souza (2017) destaca que o teor de feldspato numa peça pode oscilar entre 55% e 60%, ao passo que, no caso das peças de porcelanas de mesa, esse percentual pode variar entre 22% e 30% e, no caso da porcelana para isolamento elétrico, 25% e 30%.

O perfil típico dos clientes das beneficiadoras de feldspato são as indústrias de peças de revestimento de pisos e paredes, louça sanitária, porcelana elétrica etc. Se, por um lado, o composto de caulim e argila permite a moldagem de uma dada peça; por outro, o feldspato com

84 a sílica, ao ser queimado, mantém a forma e resistência da peça além de lhe conferir um aspecto vitrificado. O feldspato, inserido na massa a partir da qual a peça é moldada, contribui para a redução da temperatura de fusão do material no momento da queima e reduz ou elimina a porosidade da massa (SOARES FILHO, 2013). O resultado final são peças densas, resistentes a altas temperaturas e a agentes químicos com os quais entrem em contato. Por essas mesmas razões é que esse material também é usado como base na “cerâmica ortodôntica”, particularmente, nos materiais que são utilizados na restauração dentária ou na fabricação de próteses. Esse material, associado a outras substâncias, consegue produzir peças idênticas ao dente natural e não existem complicações de sua aplicação na boca.

2.4.3 Quartzito

O quartzito é um tipo de rocha cuja formação remonta à era pré-cambriana e seus depósitos minerais, no caso nordestino, se caracterizam pela existência de grandes placas que se estendem por todo Seridó da Paraíba e do Rio Grande do Norte. Nas definições mais correntes, o quartzito corresponde ao material rochoso natural que, submetido a processos diversos de beneficiamento, é utilizado no revestimento interno e externo, acabamento de superfícies, especialmente, pisos, paredes, fachadas e em obras de construção civil. Tem-se considerado, também, a crescente utilização desse tipo de material como elemento de composição arquitetônica, decoração, mobiliário e arte funerária.