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CONTRATILIDADE E PÓS-CARGA DO VENTRÍCULO ESQUERDO

INTERAÇÃO CARDIOPULMONAR E VENTILAÇÃO MECÂNICA

CONTRATILIDADE E PÓS-CARGA DO VENTRÍCULO ESQUERDO

retorno venoso, da elevação da pós-carga do ventrí- culo direito, do desvio do septo interventricular para a esquerda, do aumento da pressão pleural justacar- díaca e do aumento da pressão pericárdica causada pela hiperexpansão pulmonar.4,5,6,7,8

A pré-carga do ventrículo esquerdo também pode ser afetada por perda da contratilidade atrial, taquiarritmias supraventriculares, alterações da complacência e relaxamento ventricular causados por isquemia, hipertrofia e sobrecarga pressórica.

CONTRATILIDADE E PÓS-CARGA DO VENTRÍCULO ESQUERDO

Da mesma forma que para o ventrículo direito, a ventilação mecânica per se não comprometeria o desempenho sistólico (contratilidade) do ventrículo esquerdo.2,3,4 Os fatores que podem interferir no

desempenho ventricular esquerdo são as alterações de pré-carga e principalmente a pós-carga.3,4,8

A pós-carga do ventrículo esquerdo é dada pela pressão transmural do ventrículo esquerdo, que depende de gradientes pressóricos entre a aorta e pressão intratorácica. Durante a respiração espontâ- nea, ocorre queda da pressão pleural na inspiração

e aumento do gradiente de pressão entre a aorta e a cavidade torácica, o que resulta em aumento da pós- carga e queda do débito cardíaco.

O oposto ocorre durante a expiração, com queda de gradiente pressórico, queda da pós-carga e aumento do débito cardíaco.

Em ventilação mecânica com pressão positiva na inspiração, a pressão intratorácica aumenta e o gra- diente aórtico diminui, com consequente redução da pós-carga e melhora do débito cardíaco.2,3,4 Na expi-

ração, ocorre o oposto, e o débito cardíaco cai. Em pacientes com insuficiência cardíaca, com dilatação ventricular e pressões de enchimento adequadas, a pressão positiva na via respiratória reduz a pós- carga no ventrículo esquerdo e melhora o volume sistólico e o débito cardíaco.

Outro mecanismo envolvido seria a queda da atividade adrenérgica, com redução de resistência periférica. Essas observações são de grande impor- tância, visto que os pacientes com insuficiência car- díaca e congestão pulmonar devem ser tratados com ventilação não invasiva, pressão positiva na via aérea e com PEEP otimizada. Várias publicações têm demonstrado os efeitos benéficos da ventilação com PEEP sobre os parâmetros hemodinâmicos e a função ventricular esquerda.3,4,12,13 Assim, com volemia ade-

quada, os pacientes com dilatação ventricular e baixa fração de ejeção podem ser ventilados com segurança utilizando- se pressão positiva e PEEP adequada.12,13

Um fator que pode comprometer o desempenho do ventrículo esquerdo na ventilação mecânica é o aumento súbito ou exagerado da pós-carga por vasoconstrição ou hipertensão arterial, geralmente associado ao aumento da atividade adrenérgica. Assim, é útil a administração de drogas para redu- ção de ansiedade e de droga vasodilatora sistêmica como o nitroprussiato. Se houver disfunção ventri- cular, devem ser instituídos inotrópicos durante o processo de desmame da ventilação mecânica.1,2,3

CONCLUSÃO

É extremamente importante que o médico ou o fisioterapeuta envolvidos com a ventilação mecânica tenham conhecimento sobre a interação cardiopul- monar e interdependência interventricular, as quais podem ser afetadas significativamente por distúrbios hemodinâmicos, distúrbios ventilatórios e principal- mente pelo emprego da ventilação mecânica com pressão positiva e utilização de PEEP.

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Essas repercussões hemodinâmicas e mecânicas podem ser amenizadas com a escolha do modo de ventilação, adequação da PEEP, correção da vole- mia, redução da resistência vascular pulmonar e sistêmica, com drogas vasodilatadoras e, eventual- mente, com a utilização de drogas inotrópicas.

Ressaltamos que é extremamente importante ter um perfeito conhecimento prévio da função cardíaca e do tipo de doença cardíaca que o paciente apresen- ta. Lembramos também que agressões pulmonares como edema não cardiogênico (SARA), enfisema, derrames pleurais volumosos, derrame pericárdico e pneumotórax também podem comprometer de forma significativa a interação cardiopulmonar e dificultar ou agravar os efeitos adversos da ventila- ção mecânica.

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INTERAÇÃO PACIENTE-VENTILADOR

A N A L Ú C I A C A P E L A R I L A H Ó Z C A R L A M A R Q U E S N I C O L A U

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NTRODUÇÃO

A interação paciente-ventilador é um conceito amplo que engloba o conforto, a sincronia e o tra- balho respiratório realizado pelo paciente durante a ventilação auxiliada mecanicamente, compreenden- do também o potencial da ventilação mecânica em causar lesão tecidual pulmonar.

O termo “competindo com o ventilador” é fre- quentemente utilizado para descrever o desenvolvi- mento de falência respiratória aguda em pacientes sob assistência ventilatória mecânica, que tenham permanecido previamente estáveis nessa condição.