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CONTRATOS ADMINISTRATIVOS Conceito

No documento Apostila Para TRE SP (páginas 132-136)

ATOS ADMINISTRATIVOS

CONTRATOS ADMINISTRATIVOS Conceito

- É o ajuste que a Administração Pública, agindo nessa qualidade, firma com particular ou outra entidade administrativa para a consecução de

objetivos de interesse público nas condições estabelecidas pela própria Administração.

- O contrato administrativo rege-se primeiramente pelas normas de

Direito Público, e suplementarmente pelos princípios da teoria geral dos

contratos e do Direito Privado.

Características (sujeições e prerrogativas)

- O contrato administrativo caracteriza-se por apresentar:

a) sujeições – são impostas como limites à atuação administrativa, necessários para garantir o respeito às finalidades públicas e aos direitos dos cidadãos. Há sujeições (exigências) quanto a:

1. forma: exige-se, no mínimo, a forma escrita, com exceção de alguns contratos de pequeno valor e pagamento imediato, em que se admite a forma verbal;

2. procedimento e finalidade: o contrato administrativo sujeita-se a autorização legislativa, avaliação, licitação, motivação, indicação de recursos orçamentários, publicação, aprovação pelo Tribunal de Contas;

3. competência: decorre sempre da lei (quem é legitimado pela firma do contrato em nome da Administração).

b) prerrogativas – conferem poderes à Administração que a colocam em posição de supremacia sobre o particular; são previstas por meio das chamadas cláusulas exorbitantes (de privilégio). Exemplos.:

- alterar unilateralmente o ajuste;

- rescindi-lo unilateralmente antes do prazo estabelecido; - fiscalizar a execução do contrato;

- exigir caução (garantia);

- aplicação de penalidades administrativas.

Inexecução (inadimplência) do contrato

- É o descumprimento de suas cláusulas, no todo ou em parte, caracterizando o retardamento (mora) ou o descumprimento integral do

Duas modalidades de inexecução contratual

a) Inexecução culposa: resulta de ação ou omissão da parte decorrente de negligência, imprudência, imprevidência ou imperícia no atendimento das cláusulas contratuais e enseja a aplicação de

sanções legais ou contratuais proporcionalmente à gravidade da

falta cometida.

b) Inexecução sem culpa: decorre de atos ou fatos estranhos à

conduta da parte, retardando ou impedindo totalmente a execução

do contrato.

Tal inexecução enseja rescisão (quebra) do contrato, mas sem sanção alguma aos contratantes, pois aqueles atos ou fatos

estranhos são tidos como causas justificadoras da inexecução

contratual.

Causas justificadoras da inexecução do contrato

- São eventos extraordinários, imprevistos e imprevisíveis, retardadores ou impeditivos da execução do contrato.

- A parte atingida por tais eventos fica liberada dos encargos originários e o ajuste há de ser revisto ou rescindido, pela aplicação da teoria da

imprevisão, provinda da chamada cláusula rebus sic stantibus.

- São causas justificadoras (que geram rescisão contratual, sem ônus algum ao contratante particular): 1. força maior 2. caso fortuito 3. fato do príncipe 4. fato da Administração 5. interferências imprevistas 1. força maior

- É o evento humano que, por sua imprevisibilidade e inevitabilidade, cria para o contratado impossibilidade intransponível de regular execução do contrato.

Ex.: greve que paralise os transportes ou suspenda a fabricação de um produto de que depende a execução do contrato.

2. caso fortuito

- É o evento da natureza que, por sua imprevisibilidade e

inevitabilidade, cria para o contratado impossibilidade instransponível de regular execução do contrato.

Ex.: tufão destruidor em regiões não sujeitas a esse fenômeno; ou

3. fato do príncipe

- É toda determinação estatal, positiva ou negativa, geral, imprevista e imprevisível, que onera substancialmente a execução do contrato administrativo.

- O fato do príncipe, caracterizado por um ato geral do Poder Público (ex.: proibição de importar determinado produto), só reflexamente desequilibra a economia do contrato ou impede sua execução. Por isso não se confunde com o fato da Administração, que incide direta e

especificamente sobre o contrato.

- Sendo a oneração, gerada pelo fato do príncipe, intolerável e

impeditiva da execução do ajuste, obriga o Poder Público contratante a

compensar integralmente os prejuízos suportados pela outra parte, a fim de possibilitar o prosseguimento da execução, e, se esta for impossível, enseja a rescisão do contrato, com as indenizações cabíveis.

4. fato da Administração

- É toda ação ou omissão do Poder Público, direta e específica, que retarda ou impede a execução do contrato.

Exs.: quando a Administração deixa de entregar o local da obra ou serviço, ou não providencia as desapropriações necessárias, ou atrasa os pagamentos por longo tempo, ou pratica qualquer ato impeditivo dos trabalhos a cargo da outra parte.

- Nessas situações, o contratado pode pleitear a rescisão do contrato por culpa do Poder Público e até uma indenização. Mas, em hipótese

alguma, o particular poderá paralisar sumariamente os trabalhos,

salvo o atraso superior a 90 dias de pagamentos devidos pela Administração (situação excepcional em que o contratado poderá paralisar os trabalhos).

5. interferências imprevistas

- São ocorrências materiais não cogitadas pelas partes na celebração do contrato mas que surgem na sua execução de modo surpreendente e excepcional, dificultando e onerando extraordinariamente (mas não

impedindo) o prosseguimento e a conclusão dos trabalhos.

- Enquanto as outras causas justificadoras acima (de 1 a 4) sobrevêm

ao contrato, as interferências imprevistas o antecedem, mas se

mantêm desconhecidas até serem reveladas através das obras e serviços em andamento.

- Como não impedem a execução contratual, apenas criando dificuldades maiores para a conclusão dos trabalhos, tais interferências

não geram rescisão contratual, mas indenização a favor do

contratante particular, e sem a recomposição de preços e dilação de

prazos, para cumprimento do contrato.

Exs.: numa obra pública, o encontro de um terreno rochoso, e não arenoso como indicado pela Administração, ou mesmo a passagem

subterrânea de canalização ou dutos não revelados no projeto em execução.

Conseqüências na inexecução

A inexecução do contrato administrativo acarreta, para o inadimplente:

1. Responsabilidade civil: é a que impõe a obrigação de reparar o

dano patrimonial toda vez que o descumprimento do ajustado

causa prejuízo a outra parte.

2. Responsabilidade administrativa: resulta da infringência de norma da Administração estabelecida em lei ou no próprio contrato, impondo um ônus ao contratado para com qualquer órgão público. Se essa responsabilização for ilegal, abusiva ou arbitrária, o interessado poderá opor-se a ela pelo recurso hierárquico ou pela via judicial adequada.

Exemplos de sanções administrativas: advertência, multa,

interdição de atividade, suspensão provisória e declaração de inidoneidade.

• Suspensão provisória: suspensão temporária do direito de participar de licitação e impedimento de contratar com a Administração, imposta ao contratado, que, por culpa, prejudica a licitação ou a execução do do contrato.

• Declaração de inidoneidade: é sanção aplicável por faltas graves cometidas dolosamente pelo contratado (se, por

culpa, cabe suspensão provisória) e que impede que ele continue contratando com a Administração.

Obs.: Tanto a suspensão como a declaração, se aplicadas por um

ente estatal (União, Estado ou Município), só impedem as contratações com órgãos e entidades desse ente, e, se declaradas por repartições menores, só atuam no seu âmbito e no de seus órgãos subalternos.

3. Revisão do contrato: é a modificação das condições de sua

execução por interesse da Administração ou pela superveniência de

fatos novos que tornem inexeqüível o ajuste inicial.

4. Rescisão do contrato: é o desfazimento do contrato durante sua

execução por inadimplência de uma das partes, pela superveniência de eventos que impeçam ou tornem inconveniente o prosseguimento do ajuste ou pela ocorrência de fatos que acarretem seu rompimento de pleno direito.

No documento Apostila Para TRE SP (páginas 132-136)