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“Se te mostras fraco no dia da angústia, a tua força é pequena.”

Provérbios 24:10

coragem envolve a disposição de tomar a iniciativa e se arriscar. No capítulo 25 de Mateus, Jesus conta a parábola dos talentos, em que um servo medroso, por falta de coragem, não investiu o dinheiro que recebeu do patrão e foi demitido. Jesus diz que certo homem precisou ausentar-se do país, chamou seus servos e confiou a eles os seus bens. A um dos serviçais deu cinco talentos (dinheiro equivalente a um ano de salário do trabalhador), a outro, dois, e ao último, um. A distribuição teve como critério a capacidade de cada servo. O que recebeu cinco talentos saiu imediatamente a negociar com eles e ganhou outros cinco. Do mesmo modo, o que recebeu dois, ganhou outros dois. Mas o que recebeu um, abriu uma cova e escondeu o dinheiro do patrão.

Depois de muito tempo, o homem voltou e foi ajustar contas com os servos. Os dois primeiros não ficaram parados e aproveitaram para fazer mais dinheiro. O último, porém, por medo ou insegurança, escondeu o dinheiro, que não rendeu nada. É claro que o dono dos bens não gostou. Acabou tirando dele o talento que lhe tinha dado e entregando para outro. “Você desperdiçou a oportunidade de fazer meu dinheiro render”, afirmou o patrão.

Todo investimento requer uma análise estratégica e tem um risco implícito. A ousadia não pode ser tão grande a ponto de nos tornarmos irresponsáveis, mas a prudência também não pode ser tão grande a ponto de nos tornarmos indolentes, omissos ou acomodados.

Maquiavel, no clássico O Príncipe, afirma: “Necessitando um príncipe, pois, saber bem empregar o animal, deve deste tomar como modelos a raposa e o leão, eis que este não se defende dos laços e aquela não tem defesa contra os lobos. É preciso, portanto, ser raposa para conhecer os laços e leão para aterrorizar os lobos.”4

Maquiavel aconselhava o príncipe a fazer uso de suas características de tal modo que tivesse êxito na hora que precisasse ser mais prudente ou mais ousado. Há momentos para ser ousado como um leão ou prudente como uma raposa.

Todos nós conhecemos pessoas sem coragem de ir em frente, sem determinação para fazer render o que possuem, seja o próprio dinheiro ou talento (habilidade). E acabam

enterrando tudo. É um desperdício total!

Você não deve se preocupar com quanto dinheiro tem, mas com sua capacidade de fazê-lo render, crescer e dar frutos. Contudo, se passar dos limites e for imprudente, a ousadia não justificará a falta de cuidado. Você deve buscar sabedoria e moderação para administrar essas virtudes.

INICIATIVA

“Os homens valentes obtêm a riqueza.” Provérbios 11:16b

Coragem também significa iniciativa. Quando o pequeno Davi enfrentou o gigante Golias, ele teve iniciativa, se apressou e o atacou primeiro; não ficou esperando ser atacado. Aquele que toma a iniciativa tem uma grande vantagem, como ensinam Al Ries e Jack Trout em As 22 consagradas leis do marketing: “É melhor ser o primeiro do que ser o melhor.”5

A valentia e o arrojo conquistam riquezas, mas à bondade se soma o respeito. É possível obter ambos. Você pode ser valente nas ideias e na execução, mas bondoso e gentil, ainda que precise ser firme com as pessoas. Diz o latim: suaviter in modo, fortiter in re, ou seja, “suave na forma, forte na essência”.

RISCO CALCULADO

“Quem cava um poço cairá nele; quem derruba um muro será picado por uma cobra. Quem arranca pedras,

com elas se ferirá; quem racha lenha se arrisca.” Eclesiastes 10:8-9

Como diz o Eclesiastes, cavar poços e romper muros é expor-se a perigos. Mesmo assim, quem busca o sucesso terá de correr esses riscos, desde que na hora certa e de forma calculada. As pessoas costumam dizer que “se você não quer aborrecimentos, não tenha um negócio”. Ou seja, ter um negócio é garantia de problemas... mas pode ser que valha a pena ter esses problemas.

É essa a ideia quando a Bíblia alerta que uma pessoa que for arrancar pedras vai se ferir. Por outro lado, se você quer construir uma casa firme, ou um muro, ou uma ponte, é melhor trabalhar com pedras do que com palha ou areia.

Um desafio requer trabalho para ser superado. Se você tem um negócio, vai ter problemas; se pretende fazer um concurso ou uma faculdade, certamente terá “dor de cabeça”. Se quer chegar a algum lugar, se deseja construir algo grande, terá que aprender a lidar com pedras. Vale lembrar da história dos Três Porquinhos, em que o único que ficou a salvo do Lobo Mau foi o que teve mais trabalho.

em provas e concursos, eu, William, me arrisquei. Ninguém queria publicá-lo, ninguém achava que ia vender. Mas decidi publicar porque confiava no meu livro. Acreditei e pedi a bênção de Deus. Tomei todos os cuidados, peguei dinheiro emprestado e o lancei. Ressalto que não foi um empréstimo irresponsável, mas com risco calculado. Até 2012, o livro já tinha vendido mais de 180 mil exemplares, o que me permitiu não só pagar o empréstimo como ter bons resultados financeiros e profissionais.

Em sua autobiografia, Eike Batista diz que a elite brasileira não tem a cultura do risco e que lhe falta ousadia. “Arriscar não é partir para um voo cego. É ter coragem para enfrentar obstáculos que certamente surgirão. Com previsibilidade e planejamento, o risco se torna oportunidade”, explica.

Com outras palavras, o palestrante, pregador e empresário australiano Nick Vujicic, que nasceu sem os membros superiores e inferiores, também fala basicamente a mesma coisa em seu livro Uma vida sem limites. Ele diferencia os riscos ridículos (para os quais você se preparou) dos riscos estúpidos (que são simplesmente doidos demais e não merecem nem ser cogitados): “Você jamais deve se arriscar em alguma situação na qual tenha mais a perder do que a ganhar. O risco ridículo, contudo, é aproveitar uma oportunidade que parece mais louca do que realmente é.”6

Se você quer melhorar de vida, vai ter que se arriscar. Senão, corre o risco de não ter nada. O que você prefere?

“A vida se expande ou se contrai de acordo com a nossa coragem.”

Anaïs Nin

“A coragem nunca foi uma questão de músculos. Ela é uma questão de coração.”

O

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