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“Onde não há conselho, frustram-se os projetos; mas com a multidão de conselheiros se estabelecem.”

Provérbios 15:22

Lei do Aconselhamento determina que, antes de tomar decisões importantes, você deve ouvir conselheiros diferentes, de preferência com formação e visão de mundo diversas. Ela recomenda buscar uma segunda opinião e, se possível, até uma terceira. A decisão final será sua, mas antes de bater o martelo você irá escutar pessoas sábias ou ler bastante sobre o assunto.

Há quem se aconselhe apenas com uma pessoa, ou com um livro, ou analise as circunstâncias apenas sob um ângulo. Isso é péssimo. Os japoneses costumam dizer que, por menor que seja uma pedra, ninguém consegue ver todos os seus lados ao mesmo tempo. Gandhi falava que toda verdade tem sete lados, ninguém consegue ver todos.

Ter apenas uma pessoa como conselheiro é muito arriscado, mesmo que seja seu guru, chefe, mentor, coach, pastor, padre, pai, mãe ou o que for. Errar é humano, por isso é bom ter uma “multidão” de conselheiros, ainda que você leve mais em consideração esse ou aquele. Deve-se evitar ouvir apenas uma pessoa, pois corre-se o risco de elevá-la à posição de divindade, e os Dez Mandamentos alertam sobre quão perigoso é atribuir essa função a um ser humano. E se você não acredita em Deus, este é mais um motivo para não entregar este “cargo” (ou encargo) a outro ser humano.

O procedimento de buscar muitos conselheiros é recomendado também em Provérbios 24:5-6: “Mais poder tem o sábio do que o forte, e o homem de conhecimento do que o robusto. Com medidas de prudência farás a guerra; na multidão de conselheiros está a vitória.” Procure aprender com quem sabe mais que você.

Ao ouvir uma pessoa, verifique cuidadosamente se ela age com boa-fé, analise seu passado e sua experiência, e procure se informar se ela tem interesses pessoais no assunto em questão. Nem sempre o seu conselheiro predileto domina bem o tema a respeito do qual você está buscando opiniões. A dialética é sempre importante para se chegar a uma conclusão sólida e bem-fundamentada. Por isso, se puder, ouça opiniões e versões diferentes.

“Assim como o ferro afia o ferro, o homem afia o seu companheiro.”

Provérbios 27:17

Quando Salomão fala em “afiar”, está se referindo ao ensino e ao feedback, que não deixa de ser uma forma de aconselhamento. Buscar e aproveitar o feedback é um grande diferencial de excelência, uma forma de aprimorar nossas competências.

Feedback, em comunicação, é a “informação que o emissor obtém da reação do receptor à sua mensagem, e que serve para avaliar os resultados da transmissão”. Em eletricidade e eletrônica, trata-se da realimentação. No dia a dia, é a capacidade de dar e receber opiniões, críticas e sugestões sobre o que fazemos.

Para saber se estamos no caminho certo, precisamos do retorno das outras pessoas. O feedback pode orientar o lançamento de um novo produto, ajudar a auferir se o serviço da empresa está agradando aos clientes, melhorar o desempenho de chefes e funcionários e até ser o ponto de partida para mudanças importantes no casamento e nos relacionamentos de modo geral.

Segundo Raúl Candeloro, “como não se ensina a dar ou receber feedback na escola, aprendemos da pior maneira: com as cicatrizes da nossa falta de planejamento e das respostas inesperadas que a vida nos joga na cara. O interessante é que sabemos criticar, mas dar feedback é mais do que isso. Precisamos aprender a fazer isso corretamente se quisermos realmente mudar algo de forma construtiva”.17

Nenhum líder ou empreendedor chegará muito longe se não desenvolver a capacidade de dar e receber feedback. “Uma empresa onde todos ficam amordaçados pode até ser lucrativa a curto prazo, mas com certeza será um ambiente de trabalho tóxico e terá que mudar se quiser crescer a longo prazo”, acrescenta Raúl.

Em seu livro Qual é o tamanho dos seus sonhos?, Ebenézer Bittencourt relaciona algumas dicas importantes sobre as vantagens e habilidades envolvidas no feedback.18

Vantagens:

• Aumenta o compromisso dos liderados.

• Determina se a mensagem foi ouvida, entendida e aceita.

• Faz com que as pessoas se sintam valorizadas e desejosas de seguir o líder.

Habilidades envolvidas:

• Descrever comportamentos, em vez de avaliar pessoas. • Ser específico, ao invés de generalizar.

• Focar no comportamento sobre o qual o receptor do feedback pode fazer algo a respeito.

• Aceitar responsabilidade por seus atos, percepções e sentimentos. • Ter certeza de que está buscando auxiliar e não punir.

• Procurar dar mais feedbacks positivos do que negativos. • Verificar a clareza e a precisão do que foi compreendido.

E m Princípios da liderança, o especialista em gestão Ken Blanchard diz o seguinte: “Acredito firmemente que o feedback é a estratégia mais rentável para melhorar o desempenho e induzir satisfação. Pode ser feito em pouco tempo, não custa nada e é capaz de fazer os funcionários mudarem rapidamente.”19

Qual foi a última vez que recebeu ou pediu um retorno sobre seu trabalho ou seu comportamento? Ou sobre os produtos que vende ou os serviços que presta? Como está indo como pai, mãe, marido, esposa, filho, filha, amigo, amiga? Por meio dessas respostas, você poderá avaliar seu desempenho e melhorá-lo.

Ao receber feedback positivo, agradeça, mas não se deixe levar pelos elogios. Quanto melhor você estiver, maior o cuidado para não se tornar vítima do sucesso e se achar tão bom que não possa errar.

Ao receber um feedback negativo, agradeça também e verifique até que ponto a crítica é procedente.

Encare o feedback como um laudo pericial capaz de fazê-lo diagnosticar problemas e resolvê-los antes que se agravem. Ele é um instrumento, uma ferramenta, um caminho para seu crescimento pessoal. E pode vir das mais diversas fontes: amigos, colegas, mercado de trabalho, inimigos ou concorrentes.

O primeiro e melhor de todos é o que obtemos de amigos sinceros, que falam a verdade para que possamos nos aperfeiçoar. Existem pessoas que são meras aduladoras e que não se dispõem a corrigir, criticar ou discordar. Não adianta ouvir a opinião delas. Um bom amigo é aquele que nos aceita e nos ama, mas que é capaz de indicar onde podemos melhorar. Salomão diz que “leais são as feridas feitas pelos amigos, mas os beijos do inimigo são enganosos” (Provérbios 27:6).

O segundo tipo de feedback é o que recebemos de pessoas que, mesmo não sendo amigas, estão dispostas a opinar. É o caso dos colegas de trabalho, por exemplo. O terceiro é obtido pelo mercado, seja pelo estudo de estatísticas, seja pela leitura de pesquisas ou questionários.

Outra fonte são os inimigos ou concorrentes. Não devemos nos pautar exclusivamente pelo que eles dizem, porém suas críticas e comentários, mesmo que maldosos, podem ser fonte de informações valiosas. É possível que seus amigos e clientes evitem falar abertamente de seus defeitos, mas seus inimigos não hesitarão em mostrar seus pontos fracos – alguns vão falar diretamente com você, mas a maioria só fará comentários com terceiros. Porém, se a crítica chegar aos seus ouvidos e for procedente, aproveite-a como o

que é: uma dádiva, uma oportunidade.

É preciso coragem e humildade para perguntar às pessoas o que acham de nós e lhes dar total liberdade para nos criticar. Além disso, temos que ser maduros para não nos ofendermos com opiniões contrárias à nossa, e flexíveis, para vencermos nossa própria resistência e nos esforçarmos para mudar o que for necessário.

Também é necessária muita cautela ao aconselhar alguém ou dar feedback. Seja econômico e cuidadoso ao dar sugestões ou fazer críticas. Não fale sobre assuntos a respeito dos quais não sabe ou não tem experiência. Só dê conselhos se for realmente preciso e se a pessoa solicitar. Muita gente pede aconselhamento ou feedback, mas no fundo não deseja ouvir a verdade. Se você aconselhar uma pessoa sábia, ela ficará agradecida, mas uma pessoa insensata provavelmente ficará ofendida e irritada com você. Como diz Salomão: “Não repreendas o escarnecedor, para que não te odeie; repreende o sábio, e ele te amará” (Provérbios 9:8).

“O feedback é o café da manhã dos campeões.” Rick Tate

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