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“(...) tendo o que comer e com que vestir-nos, estejamos com isso satisfeitos.”

1 Timóteo 6:8

e você consegue estar contente onde está, isso lhe dará mais paciência e serenidade para crescer, se assim desejar. Ou, se não quiser, para ficar feliz onde está com o que já tem. Apenas para dar um exemplo, há quem seja feliz sendo Defensor Público, mas, por imposição dos pais ou da sociedade, vai fazer concurso para juiz e se torna uma pessoa frustrada.

No livro Clássicos do mundo corporativo, Max Gehringer trata muito bem dessa questão ao contar a história de Valdemar:24

“Em uma empresa em que trabalhei, havia um vendedor chamado Valdemar. O Valdemar adorava ser vendedor, tanto que, quando alguém perguntava o nome dele, respondia: ‘Valdemar, com v de vendedor.’

O Valdemar era tão bom que, um dia, resolvemos promovê-lo a supervisor. Chamamos o Valdemar, fizemos a comunicação e, quando esperávamos que o Valdemar fosse saltar da cadeira, abraçar todo mundo e começar a chorar de emoção, ele simplesmente respondeu:

– Agradeço de coração. Mas não, obrigado. O gerente do Valdemar ficou uma fera. Disse:

– Como assim, Valdemar? Oferecemos uma chance dessas e você recusa? Você não tem ambição?

O Valdemar respondeu:

Claro que tenho. Tenho muita. Minha ambição é ser o melhor vendedor dessa empresa.”

Gehringer conta que os anos passaram e o Valdemar continuou em sua função, feliz da vida. Todos começaram a se perguntar quantos “valdemares” haveria na empresa, pessoas que estavam felizes fazendo o que faziam. Que não estavam dispostas a trocar meia hora de convívio com a família, no fim do dia, por 10% a mais de salário e um expediente mais longo. Que não faziam nenhuma questão de ser promovidas, ao contrário do que os

ambiciosos gerentes e diretores imaginavam. “No fundo, quem dá sustentação às empresas são os ‘valdemares’. Os diretores vêm e vão, mas os ‘valdemares’ ficam. Não querem mais salário, querem mais respeito. Nas empresas há dia para tudo, mas todo dia é o dia do Valdemar. Aquele colaborador tão eficiente e tão prestativo que seus superiores nem sabem o nome dele”, conclui o autor.

A empresa precisa de trabalhadores assim. Interessante notar que várias vezes vimos profissionais quererem promoção, conseguirem e não se saírem bem nos novos papéis. O ideal é que cada um faça o que faz melhor. E, a nosso ver, o Valdemar, citado por Gehringer, é uma pessoa de sucesso.

De modo geral, a sociedade define o profissional bem-sucedido como alguém que tem dinheiro, fama, poder, influência e um monte de gente trabalhando para ele. Mas essa visão vem sendo questionada pelos que acreditam em conceitos mais refinados. Sucesso, por essa nova perspectiva, é estar bem consigo mesmo – e ter respeito em sua comunidade. Tudo isso, às vezes, pode ser mais importante do que fama e poder. O que você considera fundamental? Alcançar uma realização pessoal plena com base nos seus próprios princípios ou atingir o que os outros chamam de sucesso?

Para o mundo globalizado, sucesso é obter um diploma universitário, ter um carro zero importado, adquirir um apartamento próprio e conquistar a presidência de uma grande empresa. É chegar, preferencialmente, ao topo. Mas, como mencionamos, tanto para a Bíblia como para os que têm uma visão mais sábia da vida, a maior vitória é estar bem no lugar em que se está, satisfeito com o que se tem. Sucesso é o jeito como se caminha, não o destino para onde se está indo. É, sobretudo, uma trajetória na qual a pessoa, independentemente de onde esteja, continua evoluindo – e aqui não estamos falando apenas de aspectos financeiros.

Sua vida, por exemplo, pode ser sensacional hoje, segundo a sua própria avaliação. Mas não para muitas pessoas que só irão considerá-lo bem-sucedido quando você aparecer em alguma capa de revista. Nem sempre o senso comum é o que, a médio e a longo prazo, conduz aos aplausos e ao êxito. Algumas ações imediatistas são armadilhas capazes de destruir a vida financeira, familiar, profissional etc. Sobre este tema, Salomão afirmou que: “Há um caminho que ao homem parece direito, mas o fim dele conduz à morte” (Provérbios 16:25).

Qual é a régua que você usa para medir o sucesso?

Se você estiver bem, equilibrado, consciente do que quer, de onde está e para onde deseja ir, será capaz de estudar, trabalhar, cuidar da sua saúde, dos seus relacionamentos e ser uma pessoa de sucesso integral.

Por outro lado, isso não significa que você precisa querer mais e mais, sem nunca conseguir parar.

de funcionários a cargos para os quais não estão preparados –, é preciso que a pessoa fique satisfeita em parar. No livro A competência ao alcance de todos, ele faz um alerta: “Numa sociedade baseada na escalada permanente é difícil conseguir parar e ter paz. Num mundo em que a quantidade, a riqueza e o poder têm mais valor que a qualidade e a autorrealização, a tendência é confundir escalada com satisfação.”25

Às vezes, a felicidade e a realização estão em subir mais um pouco, ou ter um pouco mais de dinheiro aplicado, mas outras vezes a inteligência está em reduzir o próprio ritmo. Acreditamos que é preciso muito esforço e dedicação para subir na vida e se manter atualizado, mas ao mesmo tempo achamos que o crescimento deve ser algo natural, feito com bases sólidas e autossustentáveis. A partir de certo ponto, os cuidados com a família e o lazer podem ser um pouco maiores, assim como a atenção à saúde, pois com o passar dos anos ficamos mais suscetíveis a uma série de enfermidades. Crescer indefinidamente, portanto, pode não ser sábio, como vemos nesta divertida história contada por Laurence Peter:

“Otto M. E. Caniquo, operário competente da Oficina Mecânica Faz-Tudo Ltda., vivia satisfeito com seu trabalho porque não precisava lidar com papéis e escritas. Quando quiseram promovê-lo a um cargo de gerência, sentiu-se tentado a recusar a honra. Sua mulher Winnie, membro dos mais ativos da Liga de Melhoria Social das Mulheres, insistiu para que ele aceitasse a proposta. Com o aumento do salário a receber, a família melhoraria de status social e econômico, a mulher poderia até se candidatar à presidência da Liga, e o casal compraria outro carro, roupas novíssimas e uma moto pequena para o filhinho.

Otto não queria trocar seu trabalho de mecânico pelo escritório, mas deixou-se afogar na insistência da mulher e aceitou a promoção. Agora, apenas seis meses depois, acabou por ganhar uma senhora úlcera. O médico condenou-o a uma dieta daquelas, proibindo-o até de beber. Winnie acusa o pobre Otto de ter um caso amoroso com sua nova secretária, o que – segundo comentários – causou sua demissão da presidência da Liga. Ele dedica longas horas de esforço a um trabalho que o deixa frustrado e, todas as noites, chega em casa profundamente irritado. O casamento – é claro – foi por água abaixo.

A. Boncara, outro mecânico muito competente e colega de trabalho de Otto, também foi contemplado com uma oferta de promoção. Sua mulher, Sally, porém, sabia quanto ele gostava do seu trabalho e que não queria enfrentar as responsabilidades de um novo cargo, que detestava. Resultado: continuou a trabalhar no seu emprego, deixando as úlceras para o pobre Otto. Continuou a ser um homem sorridente e muito popular no bairro, onde era considerado ‘o líder da juventude’. A vizinhança compreendeu o que acontecera e, cooperando com ele, começou a levar seus carros para consertar na Oficina Faz-Tudo Ltda. Seus patrões notaram o quanto ele valia e lhe gratificaram com polpuda

bonificação, um contrato vantajoso e todos os aumentos de salário que a Companhia permitia. Boncara conseguiu comprar um carro novo, roupas para a família e uma bicicleta para o filhinho. Os Boncaras levam uma vida confortável e satisfatória. O sucesso do casamento dos dois é motivo de inveja dos vizinhos e amigos, e ambos gozam de alto prestígio na comunidade; o que deu ao pobre Otto uma segunda úlcera.”

A história desses dois homens pode ser muito útil para entender a Lei do Contentamento. Não se deve ficar desesperado por crescimento, menos ainda quando já se está em uma boa situação. A capacidade de se satisfazer é um antídoto para impedir que o sucesso o escravize.

“Quem amar o dinheiro jamais dele se fartará; e quem amar a abundância nunca se fartará da renda; também isto é vaidade.”

J

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