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Corynebacterium jeikeium

No documento Microbiologia (versão impressão) (páginas 106-112)

 

O aspecto mais importantes do tratamento da Difteria é a administração da antitoxina  diftérica  para  neutralizar  especificamente  a  exotoxina  antes  da  sua  ligação  às  células  do  hospedeiro, pois uma vez internalizada a morte celular é inevitável. 

A antibioticoterapia com Penicilina ou Eritromicina também é utilizada para eliminar o  microrganismo  e  paralisar  a  produção  da  toxina.  O  repouso,  o  isolamento  para  evitar  a  disseminação  secundária  e  a  manutenção  de  uma via  aérea  desobstruída  em pacientes  com  dificuldades respiratórias são medidas indispensáveis ao tratamento e controlo da infecção. 

A  imunidade  à  Difteria  é  medida  pelo  teste  de  Schick  que  mede  os  anticorpos  neutralizantes presentes no indivíduo. Pessoas que estejam em contacto com pacientes devem  efectuar culturas de amostras da nasofaringe e iniciar terapêutica profilática com Penicilina ou  Eritromicina. 

 

As  pessoas  expostas  à  Difteria  Cutânea  devem  ser  tratadas  da  mesma  maneira  que  aquelas  que  foram  exposta  á  difteria  respiratória,  no  entanto  se  a  infecção  for  causada  por  uma estirpe não‐toxigénica é desnecessário instituir a profilaxia nos contactos. 

 

Corynebacterium jeikeium 

 

Responsável  por  septicémia,  endocardite,  infecções  em  feridas,  infecções  por  corpo  estranho e infecções oportunistas.  É resistente a muitos antibióticos, sendo a Vancomicina aquele que surte algum efeito.   

Corynebacterium urealyticum 

  Responsável por infecção urinária (muito incidente em indivíduos que realizam diálise  peritoneal ambulatória), septicemia, endocardite e infecções oportunistas.  Não apresenta resistência a antibióticos.       

Pasteurellaceae 

Os  membros  da  família  Pasteurellaceae  são  pequenos  bacilos,  gram‐negativos,  não 

formadores de esporos, imóveis, aeróbios ou anaeróbios facultativos. Quando observadas em 

culturas jovens apresentam cápsula, o que deixa de se verificar em culturas envelhecidas.  Grande  parte  destes  microrganismos  têm  exigências  fastidiosas  de  crescimento,  necessitando de meios de cultura enriquecidos para o seu isolamento. 

 

Haemophilus 

 

Os  microrganismos  deste  género  são  pequenos  bacilos  gram‐negativos,  algumas  vezes  pleomórficos,  aeróbios  ou  anaeróbios  facultativos,  catalase  variável  e  oxidase‐positivos.  São  parasitas  obrigatórios encontrados nas mucosas de animais e  seres  humanos.  

O Haemophilus influenzae é a espécie mais frequentemente  associada  a  doença,  mas  existem  outras  espécies  com  importância  clínica,  como  é  o  caso  de  Haemophilus  parainfluenzae  e 

Haemophilus ducreyi.   

Esta  família  distingue‐se  facilmente  das  Enterobacteriaceae  pela  presença  de  oxidase. 

 

Fisiologia e Estrutura 

 

A  maioria  das  espécies  de  Haemophilus  necessita  de  meios  de  cultura  enriquecidos  com  factores  estimuladores  de  crescimento,  Factor  X  e  V.  Deve  ser  utilizada  a  Gelose  de  Chocolate,  pois  com  o  aquecimento  do  sangue  de  Carneiro  são  destruídos  os  inibidores  do  Factor V. 

 

A  parede  celular  apresenta  uma  estrutura  idêntica  à  dos  outros  bacilos  gram‐ negativos,  apresentando  o  lipolissacárido  com  função  de  Endotoxina  e  outras  proteínas  estirpe‐específicas encontradas na membrana externa. 

 

A  superfície  de  muitas  das  estirpes  de  H.  influenzae  é  coberta  por  uma  cápsula  de  polissacárido, tendo já sido identificados seis soro‐tipos de antigénios.    A espécie H. influenzae encontra‐se dividida em oito bio‐tipos tendo em conta:  ‐ Produção de Indol;  ‐ Actividade da Urease;  ‐ Actividade da Ornitina Descarboxilase;   

Patogenia e Imunidade 

 

As  espécies  Haemophilus, especialmente  Haemophilus  parainfluenzae  e  Haemophilus 

influenzae não capsulado, colonizam as vias aéreas superiores, podendo disseminar‐se para o 

ouvido médio, seios peri‐nasais, vias aéreas inferiores, causando doença. 

A colonização da orofaringe com H. influenzae é mediada por pillis e outras adesinas,  sendo que componentes  da parede celular comprometem a função dos cílios e consequente 

lesão no epitélio respiratório. As bactérias podem atravessar a barreira de células endoteliais  ou epiteliais e entrar na corrente sanguínea.    O principal factor de virulência do H. influenzae tipo B é a sua cápsula antifagocítica.  Sendo que os anticorpos dirigidos para este componente promovem uma fagocitose activa e a  actividade bactericida do sistema de complemento. 

A  gravidade  da  doença  sistémica  está  inversamente  relacionada  com  a  taxa  de  eliminação das bactérias da corrente sanguínea. 

 

Epidemiologia 

 

As espécies Haemophilus são encontradas em quase todos os indivíduos, e apesar de o 

H.  influenzae  tipo  B  ser  o  mais  patogénico  ele  é  raramente  isolado  em  crianças  saudáveis. 

Contrariamente  o  H.  parainfluenzae  constitui  cerca  de  10%  da  flora  microbiana  da  saliva,  estando outras espécies associadas à placa dental ou peri‐odontal. 

 

Antes da introdução das vacinas conjugadas contra H. influenzae este microrganismo  constituía uma das grandes causas de infecção nas crianças com menos de 5 anos, sendo que  as  primeiras  vacinas  apenas  protegiam  crianças  com  mais  de  18  meses.  Só  com  as  vacinas  contendo  antigénios  PRP  purificados  conjugados  com  proteínas  transportadoras  passou  a  existir uma resposta humoral eficaz a partir dos 2 meses. 

As infecções dos ouvidos e dos seios peri‐nasais são consideradas doenças pediátricas,  mas podem ocorrer nos adultos. A doença pulmonar afecta mais os idosos, principalmente os  com doença pulmonar obstrutiva ou condições que predispõem a aspiração. 

 

O  H.  ducreyi  é  uma  causa  importante  de  úlceras  genitais,  sendo  mais  comum  nos  países  em  vias  de  desenvolvimento  do  que  nos  já  desenvolvidos.  Revela‐se  importante  pelo  necessidade  de  diagnóstico  diferencial  entre  a  infecção  por  este  microrganismo  e  a  Sífilis,  sendo que  a grande  diferença no exam objectivo baseia‐se  no facto de  a úlcera na Sífilis ser  indolor e nesta caso é extremamente dolorosa e incómoda.  

 

Síndromes Clínicas 

 

As  síndromes  clínicas  que  podem  ser  observadas  em  pacientes  infectados  por  H. 

influenzae são as seguintes: 

‐  Meningite, o  H. influenzae tipo B era a causa mais comum de meningite  pediátrica  antes da introdução das vacinas conjugadas. Os sintomas iniciais consistem em história de 1 a  3 dias de infecção ligeira das vias aéreas superiores, seguida dos sinais típicos de meningite; 

‐  Epiglotite,  é  caracterizada  por  celulite  e  edema  dos  tecidos  supraglóticos,  constituindo  uma  doença  essencialmente  pediátrica,  podendo  constituir  uma  emergência  médica. As crianças com epligotite apresentem faringite, febre e dificuldade respiratória, que  podem progredir rapidamente para a completa obstrução das vias aéreas e morte; 

‐  Celulite,  tal  como  a  meningite  e  epligotite,  também  esta  é  uma  doença  pediátrica  causada por H. influenzae que foi eliminada em grande parte pela vacinação. Os sintomas são  febre e celulite caracterizada pelo desenvolver de placas rubrocianóticas nas bochechas ou em  áreas peri‐orbitárias; 

‐ Artrite, antes das vacinas constituía a forma mais comum de artrite em crianças com  menos  de  2  anos,  sendo  geralmente  detectada  nas  grandes  articulações.  E  muito  rara  em  adultos,  afectando  geralmente  apenas  os  pacientes  imunocomprometidos  ou  com  lesões  articulares prévias; 

‐  Otite,  Sinusite  e  Doenças  das  Vias  Aéreas,  geralmente  são  causadas  pelas  estirpes  não‐capsuladas  de  H.  influenzae,  pois  estas  na  sua  maioria  são  microrganismos  oportunistas 

que causam infecções nas vias aéreas superiores e inferiores. A pneumonia primária é rara em  crianças e adultos que apresentem uma função pulmonar normal; 

‐  Conjuntivite  e  Febre  Purpúrica  Brasileira,  tanto  a  conjuntivite  epidémica  como  a  endémica podem ser causadas pelo H. influenzae. Sabe‐se ainda que uma estirpe específica do 

H. influenzae do biogrupo aegyptius é a causa da febre purpúria brasileira, que é uma doença 

pediátrica  caracterizada  por  uma  conjuntivite  seguida  de  início  agudo  de  febre,  vómitos  e  dores abdominais; 

‐ Cancróide, é uma doença sexualmente transmitida, mais frequentemente detectada  nos homens, o que deriva do facto de muitas das mulheres serem assintomáticas. Após 5 a 7  dias  da  exposição  ao  microrganismo  verifica‐se  o  aparecer  de  um  pústula  com  base  eritematosa  na  região  genital  ou  peri‐anal,  de  seguida  a  lesão  sofre  ulceração  e  torna‐se  dolorosa; 

‐  Outras  Infecções,  outras  espécies  de  Haemophilus  podem  causar  infecções  oportunistas como otite média, conjuntivite, sinusite, meningite e abcessos dentários. No caso  de H. aphrophilus podem disseminar‐se da boca até à corrente sanguínea e então infectar uma  válvula cardíaca previamente danificada, levando a uma endocardite sub‐aguda.    

Diagnóstico Laboratorial 

 

Colheita e Transporte das Amostras 

É  necessária  a  obtenção  de  amostras  de  líquido  cefalorraquidiano  e  sangue  para  o  diagnóstico de meningite causada por Haemophilus. A hemocultura deve ser realizada para o  diagnóstico de epiglotite, celulite, artrite ou pneumonia. 

A  cultura  do  material  obtido  por  aspiração  directa  com  agulha  é  necessária  para  a  confirmação microbiológica de diagnóstico de infecções das vias aéreas superiores.  

As  amostras  não  devem  colhidas  na  faringe  posterior  em  pacientes  com  suspeita  de  epiglotite, visto que este procedimento pode estimular a tosse e provocar a obstrução das vias  aéreas. 

No caso de detecção de H. ducreyi deve ser utilizada uma zaragatoa humedecida para  recolher  material  da  base  da  úlcera.  O  laboratório  deve  ser  informado  da  suspeita  destes  microrganismos, uma vez que este necessita de meios de cultura especiais. 

 

Microscopia 

Se  for  feita  de  forma cuidada  a  detecção  de  espécies  de  Haemophilus  é  tão  sensível  quanto  específica.  No  caso  de  meningite  são  identificados  cocobacilos  gram‐negativos  no  líquido  cefalorraquidiano, sendo  a  coloração  de  Gram  utilizada  para  o  diagnóstico  rápido  de  artrite e de doenças do tracto respiratório inferior causadas por estes microrganismo. 

 

Cultura  

É  relativamente  fácil  o  isolamento  de  H.  influenzae  a  partir  de  amostras  clínicas  quando  são  utilizados  meios  de  cultura  suplementados  com  factores  de  crescimento.  A  gelose  de  chocolate  ou  a  gelose  de  Levinthal  é  utilizado  na  maioria  dos  laboratório  para a sua cultura. 

Pode  ainda  surgir  o  fenómeno  de  satelitismo,  que  neste  caso  de  caracteriza  pelo  crescimento  em  redor  de  colónias  de  Staphylococcus  aureus 

em  gelose  de  sangue,  o  que  é  Fig.  38  ‐  Cutura  de  Haemophilus  influenzae  (Fenómeno  de  Satelismo) 

conseguido pela obtenção do factor V intracelular proveniente da lise dos eritrócitos mediada  pelos S. aureus. 

 

O  crescimento  de  Haemophilus  é  lento  pois  grande  parte  dos meios  comercializados  não possui suplementos de Factor X e V. Caso a cultura seja incubada num meio anaeróbio o 

H. influenzae não necessita do Factor X para o seu crescimento. 

 

Detecção de Antigénio 

A detecção imunológica do antigénio de H. influenzae é um método rápido e sensível  para  o  diagnóstico  de  doença  causada  pelo  H.  influenzae  tipo  B.  No  entanto  este  teste  é  limitado,  pois  apenas  possui  especificidade  para  esta  estirpe,  sendo  que  as  restantes  não  possuem reacção positiva.       Identificação  O H. influenzae é facilmente identificado pela demonstração da exigências do Factor X  e V e pelas suas propriedades bioquímicas.  

Haemophilus

  Fisiologia e Estrutura  ‐ Pequenos Bacilos ou Coco‐Bacilos, Pleomórficos;  ‐ Gram‐Negativos;  ‐ Anaeróbios Facultativos e Fermentadores;  ‐ Necessita dos Factores de Crescimento X e V;  Virulência  ‐ H. influenza tipo b é o mais virulento, pela presença de PRP;  ‐ Aderência mediada por pilli e proteínas não‐pilli; 

Epidemiologia  ‐  Haemophilus  não  capsulados  colonizam  os  humanos  normalmente; 

‐ H. influenza tipo b é incomum na flora microbiana normal;  ‐  Doenças  associadas  a  crianças  e  ausentes  na  população  imunizada; 

‐  A  maior  parte  das  infecções  é  endógena,  com  excepção  do  H. 

ducreyi, cuja transmissão é feita por via sexual; 

‐  Grupo  de  Risco:  doentes  com  baixos  níveis  de  anticorpos,  com  deficiência do complemento e com esplenectomia;  Doenças  ‐ Meningite;  ‐ Epiglotite;  ‐ Celulite;  ‐ Artrite;  ‐ Otite e Sinusite;  ‐ Doenças das Vias Aéreas Inferiores;  ‐ Conjuntivite;  ‐ Infecção Genital Ulcerativa (H. ducreyi);   Diagnóstico  ‐ Análise Microscópica do LCR, Liquido Sinovial e Expectoração;  ‐ Cultura em Gelose de Chocolate;  ‐ Testes de Detecção de Antigénio H. influenza tornaram‐se menos  úteis com a introdução da vacinação;  Terapêutica,  Prevenção e Controlo  ‐ Cefalosporinas de Largo Espectro;  ‐ Azitromicina ou Fluoroquinolonas;  ‐ Muitas estirpes são resistentes às Penicilinas;  ‐ Vacinação com PRP impede infecção por H. influenza tipo b;  ‐ Profilaxia com Rifampicina em crianças de alto risco; 

O  H.  influenzae  é  catalase‐positivo,  necessita  de  Factor  X  e  V,  consegue  fermentar  apenas glicose. 

O  H.  parainfluenzae  pode  ser  catalase‐positivo,  necessita  apenas  de  Factor  V  e  fermenta glicose e sacarose. 

 

Terapêutica, Prevenção e Controlo 

 

Os  pacientes  com  infecções  sistémicas  provocadas  por  H.  influenzae  necessitam  de  terapêutica  antimicrobiana  imediata,  pois  as  taxas  de  mortalidade  para  a  epiglotite  e  meningite se aproximam de 100%.  

As infecções graves são tratadas com Cefalosporinas de amplo espectro. 

As  infecções  menos  graves,  como  sinusites  e  otites,  podem  ser  tratadas  com  Ampicilina  ou  Amoxicilina  com  Ácido  Clavulânico,  uma  Cefalosporina  de  3ª  Geração,  Azitromicina ou uma Fluroquinolona. 

 

A principal medida de prevenção contra o H. influenzae do tipo B consiste na vacinação  eficaz. A quimioprofilaxia antibiótica é utilizada para eliminar o estado de H. influenzae do tipo  B em crianças  com alto risco de  adquirir a doença, tendo sido utilizada a Rifampicina nestas  situações. 

     

No documento Microbiologia (versão impressão) (páginas 106-112)