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Outras Micobactérias de Crescimento Lento 

No documento Microbiologia (versão impressão) (páginas 178-185)

 

O  espectro  de  doenças  produzido  por  estas  micobactérias  tem  vindo  a  ser  alargado  devido  á  sua  inter‐relação  com  a  SIDA,  outras  doenças  e  transplantes  de  órgãos;  em  todas  estas  situações  os  doentes  encontram‐se  imunossuprimidos  e  tornam‐se  altamente  susceptíveis a microrganismos com baixa virulência.     Algumas destas micobactérias desenvolvem uma doença idêntica à Tuberculose:  ‐ Mycobacterium bovis;  ‐ Mycobacterium kansaii.  Outras causam infecções localizadas nos gânglios linfáticos:  ‐ Mycobacterium scrofulaceum. 

Por  últimas  as  que  têm  um  temperatura  óptima  mais  baixa  e  que  por  isso  originam  infecções cutâneas: 

‐ Mycobacterium ulcerans; 

‐ Mycobacterium marinum;  ‐ Mycobacterium baemophilum.   

Grande  parte  destas  micobactérias  foi  isolada  no  solo  e  na  água,  podendo  ocasionalmente infectar animais. Apenas no caso do M. bovis e de outras relacionadas com o  M. tuberculosis ocorre transmissão pessoa‐pessoa.   

Micobactérias de Crescimento Rápido   

  Existem 5 membros deste grupo que são reconhecidos como importantes agentes de  infecções oportunistas em humanos, sendo os mais frequentemente isolados:  ‐ Mycobacterium fortuitum;  ‐ Mycobacterium chelonae;  ‐ Mycolbacetrium abscessus.   

As espécies  de  crescimento rápido possuem um baixo potencial de  virulência, coram  de forma irregular e são susceptíveis aos antimicrobianos convencionais para micobactérias. 

É raro estes microrganismos serem responsáveis por infecções disseminadas, estando  mais  associadas  a  infecções  dos  tecidos  subcutâneos,  após  introdução  das  bactérias  por  traumatismo ou acções iatrogénicas. Infelizmente as infecções têm vindo a aumentar, o que se  deve ao aumento das intervenções em pacientes cuja vida é  prolongada e  se encontram em  estados de imunossupressão. 

 

Diagnóstico Laboratorial 

 

Teste Cutâneo 

A  reactividade  de  uma  injecção  intradérmica  de  antigénios  micobacterianos  pode  estabelecer  a  diferença  entre  pessoas  infectadas  e  não  infectadas.  A  única  evidência  de  infecções  por  micobactérias  consiste  na  reacção  positiva  do  teste  cutâneo  e  evidências  radiográficas de calcificações dos focos activos iniciais nos pulmões ou em outros órgãos. 

 

Actualmente  o  antigénio  tuberculínico  recomendado  para  estes  testes  é  o  PPD  da  parede celular, sendo inoculado intradérmicamente no doente e a reactividade medida ao fim  de 48 horas. Este teste é positivo ao fim de 3 a 4 semanas após a exposição a M. tuberculosis.  A  exposição  a  outras  micobactérias  pode  levar  a  um  falso‐positivo,  tal  como  no  caso  de 

pacientes  infectados  anérgicos  podem  não  apresentar  resposta  a  este  teste,  o  que  é  particularmente relevante em doentes infectados pelo HIV.  A reactividade à lepromina, preparada a partir de  M. leprae inactivados, é valiosa na  confirmação do diagnóstico de Lepra Tubercolóide. No caso da Lepra Lepromatosa este teste  não utilizado porque estes pacientes são anérgicos ao antigénio.    Microscopia 

A  detecção  de  bacilos  ácido‐resistentes  em  amostra  clínica  constitui  a  forma  mais  rápida de confirmação de doença micobacteriana. Isso pode ser feito corando a amostra com  carbofucsina,  pelo método  de  Zeilh‐Neelsen  ou  de  Kinyoun, ou  com corantes  de  auramina e  rodamina.  

A  sensibilidade  deste  teste  é  alta  para  amostras  respiratórias  de  doentes  com  evidências radiológicas e amostras com numerosas micobactérias isoladas em cultura. Sabe‐se  que uma reacção ácido‐resistente positiva corresponde a uma infecciosidade elevada, sendo a  especificidade do teste maior do que 95%. 

 

Sondas de Ácido Nucleico 

Apesar  de  a  microscopia  nos  poder  informar  quanto  à  presença  de  doença  micobacteriana, não nos é possível através dela saber qual a espécie em causa. Com o intuito  de saber qual a espécie foram desenvolvidas técnicas para detectar sequências específicas de  ácidos  nucleicos micobacterianos  presentes em  amostras  clínicas.  Este  método  é  regra  geral  específico para M. tuberculosis, mas são pouco sensíveis. 

 

Cultura 

As  micobactérias  que  causam  doença  pulmonar,  principalmente  na  presença  de  evidências  radiológicas,  são  abundantes  nas  secreções  pulmonares.  O  isolamento  do  microrganismo é quase garantido a quando da recolha matinal das amostras respiratória pela  manhã durante 3 dias consecutivos. Caso a doença seja disseminada para outros locais torna‐ se mais complicado proceder ao isolamento do microrganismo. 

O crescimento destas bactérias em cultura é difícil devido ao seu lento crescimento e  pelo  possível  crescimento  rápido  de  outras  bactérias  contaminantes  que  irão  inibir  o  crescimento  das  micobactérias.  Para  evitar  esta  situação  trata‐se  a  cultura  com  álcali,  que  elimina  a  maior  parte  das  bactérias  de  crescimento  rápido,  no  entanto  é  tolerado  pelas  micobactérias.   

Tradicionalmente  a  cultura  em  feita  em  meio  à  base  de  ovo,  meio  de  Lowenstein‐ Jensen, e de gelose, meio de Middlebrook, mas os períodos de incubação eram muito longos.  Actualmente surgiram meios especiais que permitem um crescimento mais rápido da maioria  das micobactérias, o que reduziu o tempo de cultura de 3 a 4 semanas para 10 a 14 dias. 

 

Identificação Preliminar 

As  propriedades  de  crescimento  e  a  morfologia  colonial  podem  ser  utilizadas  na  identificação  preliminar  das  espécies  mais  comuns  de  micobactérias,  o  que  se  revela  importante para medidas de controlo no caso de M. tuberculosis. Assim apenas no caso de ser  este microrganismo é que as pessoas devem ser isoladas, e as pessoas em contacto próximo  iniciarem um tratamento profilático, pode ainda servir para orientar o tratamento empírico. 

 

Identificação Definitiva 

Os  testes  bioquímicos  são  o  método  padrão  para  identificar  as  micobactérias,  no  entanto,  mais  uma  vez,  o  tempo  constitui  uma  grande  limitação,  estando  os  resultados  disponíveis  após  3  semanas.  Outro  dos  métodos  é  a  analise  cromatográfica  dos  lípidos  característicos  da  parede  celular,  mas  por  enquanto  as  sondas  moleculares  constituem  o  método mais específico para identificar definitiva o microrganismos e a sua espécie.  

Terapêutica, Prevenção e Controlo 

 

Tratamento  O tratamento e a profilaxia das infecções causadas por micobactérias são complexos e  difíceis de gerir pelo facto de muitas das micobactérias de crescimento lento serem resistentes  à maioria dos antibióticos utilizados com mais frequência. Para contornar estes problemas o  tratamento é geralmente feito por longos períodos e de forma ininterrupta, num mínimo de 6  a 9 meses,  para evitar que  surjam novas resistências. Apesar de  todos os cuidados em 1990  registaram‐se  os  primeiros  casos  em  pacientes  com  SIDA  de  M.  tuberculosis  multi‐ resistentes37.  

Actualmente  devido  a  algumas  das  estirpes  já  serem  resistentes  a  alguns  dos  antibacilares  utilizados,  o  esquema  terapêutico  inicia‐se  com  Isoniazida,  Rifampicina,  Pirazinamida  e  Etambutol  ou  Estreptomicina  durante  2  meses  até  que  se  saiba  o  perfil  de  sensibilidade da estirpe em causa, podendo a terapêutica ser posteriormente ajustada.  

 

No  caso  do  complexo  M.  avium  a  resistência  a  muitos  dos  antimicrobianos  é  igualmente  comum,  e  por  isso  devem  ser  tratadas  com  Claritromicina  ou  Azitromicina  combinadas  com  Etambutol  ou  Rifabutina.  A  duração  do  tratamento  é  influenciada  pela  resposta à terapêutica. 

 

As micobactérias de crescimento rápido são também resistentes a alguns antibióticos,  no  entanto  são  susceptíveis  à  Claritromicina,  Imipenem,  Amicacina,  Cefoxitina  e  às  Sulfonamidas.   No caso das infecções estarem associadas à pele ou a próteses pode ser necessário o  desbridamento cirúrgico ou a remoção das próteses.     Recomenda‐se que forma tubercolóide da lepra seja tratada apenas com Dapsona ou  numa associação de Dapsona e Rifampicina. A forma Lepramatosa é mais infecciosa e deve ser  tratada com Dapsona, Clofazimina e Rifampicina.    Quimioprofilaxia  Os esquemas recomendados são:  ‐ Isoniazida diariamente ou 2 vezes por semana durante 9 meses;  ‐ Rifampicina diariamente durante 4 meses;  ‐ Rifampicina e Pirazinamida durante 2 meses.   

Caso  tenham  sido  expostos  a  uma  forma  multi‐resistente  devem  receber  profilaxia  com Pirazinamida associada ao Etambutol ou à Levofloxacina durante 6 a 12 meses. 

 

Imunoprofilaxia 

A vacinação com M. bovis atenuado é utilizada em muitos países onde a tuberculose é  endémica  ou  tem  uma  elevada  prevalência.  A  vacina  BCG  pode  levar  a  uma  redução  significativa na incidência de tuberculose em pacientes jovens, mas não pode ser utilizada em  paciente  imunocomprometidos.  Outro  dos  problemas  associados  a  esta  vacina  é  a  possibilidade  de  dar origem  a  um  teste cutâneo  positivo, o  que  pode  persistir por  um  longo  período de tempo. 

     

       

37  Multi‐Resistência  –  caracteriza‐se  pela  resistência  a  pelo  menos  um  antibiótico  de  cada 

Controlo 

Visto  que  cerca  de  1/3  da  população  Mundial  está  infectada  por  M.  tuberculosis  a  eliminação da doença é altamente improvável. Mas esta pode ser controlada pela associação  de vigilância activa, intervenção profilática e terapêutica e monotorização cuidadosa dos casos.           

Mycobacterium tuberculosis

  Fisiologia e Estrutura  ‐ Bacilos Aeróbios;  ‐ Fracamente Gram‐Positivos e Fortemente Ácido‐Resistentes;  ‐  Parede  Celular  Rico  em  Lípidos,  e  por  isso  é  resistente  a  Desinfectantes, Antibióticos Comuns e Corantes Tradicionais; 

Virulência  ‐  Capaz  de  Cresce  Intracelularmente  nos  Macrófagos  Alveolares  Não‐Activados; 

‐ A Doença Resulta em Grande Parte da Respostas do Hospedeiro; 

Epidemiologia  ‐  Destribuição  Mundial,  cerca  de  1/3  da  População  Mundial  Infectada; 

‐  Elevado  Risco  nos  Doentes  Imunodeprimidos,  Toxicodependentes ou Alcoólicos, população de rua ou Indivíduos  Expostos à Doença; 

‐ Disseminação Pessoa‐Pessoa (Aerossóis); 

Doenças  ‐ Infecção Primária é Pulmonar; 

‐  Disseminação  para  outras  partes  do  corpo  ocorre  em  doentes  imunodeprimidos ou não tratados;  Diagnóstico   ‐ Microscopia e Cultura são métodos sensíveis e específicos;  ‐ Sondas Moleculares são relativamente pouco sensíveis;  Terapêutica,  Prevenção e Controlo  ‐ Esquema com: Isoniazida, Rifampicina, Pirazinamida e Etambutol  ou Estreptomicina (9 meses);  ‐ Profilaxia:  

‐  Isoniazida  diariamente  ou  2  vezes  por  semana  durante  9  meses; 

‐ Rifampina diariamente durante 4 meses;  ‐ Rifampina e Pirazinamida durante 2 meses.  ‐ Imunoprofilaxia coom BCG; 

‐  Controlada  pela  associação  de  vigilância  activa,  intervenção  profilática e terapêutica e monotorização cuidadosa dos casos; 

 

Virologia 

 

                                               

Mecanismos da Patogenia Viral 

 

Os  vírus  causam  doenças  após  quebrarem  as  barreiras  protectoras  normais  do  corpo,  escaparem  ao  controlo  imunológico  e  destruiem  as  células  de  um  tecido  importante  ou  desenvolverem  uma  resposta  inflamatória  e  imunológica  destrutiva.  Apesar  de  muitas  vezes  a  resposta  imunológica  ser  fundamental  para  a  resolução  da  infecção,  esta  é  em  grande  parte  dos  casos  o  centro  da  patogenia viral. 

 

A gravidade da doença é determinada por factores virais e por factores do hospedeiro,  como é  o caso da estirpe viral, do tamanho do inoculo e  o estado geral de  saúde  da pessoa  infectada.  

Uma  determinada  doença  pode  ser  causada  por  vários  vírus  que  possuem  um 

tropismo tecidual comum, mas por outro lado um mesmo vírus pode causar diversas doenças 

ou a infecção ser assintomática.   

Muitos  vírus  codificam  actividades  que  promovem  a  eficiência  da  replicação  e  transmissão  virais,  o  acesso  e  a  ligação  do  vírus  ao  tecido  alvo,  ou  a  evasão  às  defesas  do  hospedeiro e resolução imunológica – factores de virulência. A ausência destes factores, ou a  sua perda, conduzem a uma atenuação dos vírus, o que se pode tornar útil para o desenvolver  de vacinas.    

Etapas Básicas na Doença Viral 

 

No  organismo  a  doença  viral  progride  através  de  etapas  definidas,  que  são  as  seguintes: 

‐ Aquisição; 

‐ Início da Infecção;  ‐ Período de Incubação;   

O  período  de  incubação  pode  ser  assintomático  ou  pode  manifestar‐se  de  forma  inespecífica –  prodómicos. Os  sintomas surgem como resultado da destruição tecidual e  dos  efeitos sistémicos, que são causados tanto por acção directa do vírus como pela resposta do  sistema imunitário. Na fase terminal, quando o organismo repara o dano, os sintomas podem  persistir, a esta fase dá‐se o nome de fase de convalescença.   

Infecção do Tecido­Alvo 

  O vírus pode penetrar no organismo através de soluções de continuidade da pele ou  através das membranas muco‐epiteliais que revestem os orifícios do corpo. Mas sabe‐se que a  pele  constitui  uma  excelente  barreira,  e  os  orifícios  são  protegidos  por  secreções,  como  é  o  caso das lágrimas, do muco, do ácido gástrico e da bílis, mas existem ainda as imunoglobulinas  e os epitélios ciliados. 

No documento Microbiologia (versão impressão) (páginas 178-185)