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Histórias de Vida

1. Currículo

1.1. Currículo Formal

Pedro - a partir do 2o ano. Por outro lado tinha professores muito maus. Tive 3 anos de Psicologia no

magistério. Entrei a saber zero e sai a saber zero. Ou eu estudava com os meus colegas, o que também não tinha tempo para o fazer

as questões de métodos, duvido que a escola, decorridos estes anos todos, tivesse condições para dar isso a alguém. Para além de umas fugazes ideias, umas idas a umas salas de aulas, conversar com professores, que métodos eles usam, foram dias. Lembro que tive pratica pedagógica do 2o ano do

magistério que ia para uma escola no Carvalhido, outros colegas iam para outras escolas, íamos assistir a uma aula de um professor que tinha a Ia classe e que nos dizia como fazia para iniciar os

alunos na escrita. Não tanto na leitura, mas na escrita. Mostrava-nos um conjunto de instrumentos que usava, para que os miúdos pudessem aprender do ponto de vista psicomotor, como se dizia na altura, os movimentos, as formas das letras. Lembro, por curiosidade que um dos instrumentos era uma lixa, que o miúdo, tinha um E desenhado em lixa, mais ou menos grossa, e o miúdo passava o dedo indicador pela letra ficando com a sensação, se calhar é uma criança como outra qualquer, mas....eu vi logo aquilo como uma tortura, quer dizer, que raio de relação têm o passar o dedo por uma lixa que por acaso têm o E desenhado e ficar com aquela imagem memorizada para desenhar o E a seguir. Há aqui qualquer coisa que não funciona, pelo menos isto eu sei que não vou fazer. Acho que isto não tem sentido nenhum. Qualquer dos outros métodos, os métodos mais louváveis não tivemos qualquer acesso a eles, a não ser numa visita muito rápida, de 1 dia ou 2 a uma professora que trabalhava nessas áreas, mas que não permitia, como vim mais tarde a constatar, mais do que um breve contacto

Foi uma formação muito secundária em relação às nossas preocupações. Minhas, como dirigente associativo e como um dos dirigentes máximos dos grupos estudantis, eu tinha que deixar secundarizar, e aparecia lateralmente, não posso dizer que tenha sido uma formação marcante, pelo contrário

a disciplina de política (tínhamos essa disciplina) era muito mais discussão da época. Maoistas para um lado, comunistas para outro, a direita...e os movimentos pedagógicos eram no fundo laterais a isto. Os movimentos pedagógicos, mesmo a escola nova, eram vistos como algo que já tinha passado à história. Tínhamos era que criar novas praticas, novos movimentos, pelo menos era essa a noção que tínhamos na altura. Lembro-me que Durkheim era visto por todos nós como um conservador da pior espécie. Era persona non grata para os nossos estudos, apesar de aparecer quase em

exclusividade na cadeira de sociologia, que depois veio a acabar no ano seguinte, logo no processo de normalização. Que é interessante de perceber. A cadeira de sociologia que tive no Io ano,

desapareceu logo no ano seguinte. Porque é que desaparece a Sociologia. É curioso. Na altura nos não percebemos porque. Uma coisa é certa, retiraram-nos uma parte importante na cena reflexiva sobre a educação, embora me parece que os professores que davam essa disciplina não estavam preparados para a dar. Eram pessoas que vinham da área de filosofia e muito pouco de sociologia sabiam. Muito menos da sociologia da educação, porque era essa que nos interessava. Não era uma sociologia qualquer. E o que estava previsto era a sociologia. Uma sociologia geral. A sociologia da educação nunca foi colocada em cima da mesa, portanto foi logo extinta a sociologia geral no ano seguinte. Tive outras disciplinas, como a didáctica da história, com a dimensão histórica da educação.

, acredito que tenha havido colegas que tenham dado maior importância as dimensões pedagógica, didácticas e que conseguiram, no meio desta turbulência toda, dar mais atenção a isso. Eu confesso que não dou, e portanto, as questões pedagógicas, . Mesmo nas aulas, os debates em que participava sobre as coisas pedagógicas eram secundárias, não posso dizer que tenha sido um aluno que me tenha dedicado às questões pedagógicas do magistério. Elas eram laterais às minhas preocupações, Luísa - O currículo, na sua dimensão dos saberes disciplinares, não foi determinante ou até especialmente importante na minha formação técnica. Aliás não recordo conteúdo que tenham sido particularmente úteis no exercício da profissão.

Jorge - A escola como escola, já não tinha um projecto muito aliciante. Vivia-se um tempo de retaliação política . Era preciso destruir a todo o custo a designada "experiência pedagógica " das escolas do magistério que teve uma duração efémera mas significativa.

Olho para trás e reconheço que a nossa formação teórica deixava muito a desejar. Esta não era a mais valia formativa daquela escola.

Recordo a importância que teve para mim o Pedro Mesquita, professor de Matemática. Duro, humano, competente e exigente. Um homem solidário culto e honesto. Não era muito próximo de nós. Era até um homem algo intransigente, respeitávamo-lo. Foi provavelmente o meu primeiro e único professor de Matemática. Admito que a importância que lhe atribuo na minha formação tenha a ver com as suas qualidades humanas e pedagógicas, mas também com a relação frustrada e frustrante que sempre mantive com a Matemática. Sou capaz de avaliar a sua influência no que concerne à minha formação didáctica, mas não sei, ainda, em toda a sua plenitude qual a influência que exerceu na minha formação pedagógica.

Inês - o Currículo escolar da EMPP caracterizo-o por uma desburocratização do Sistema Educativo, cuja directriz foi a idílica criança. Apelos constantes ao respeito pela criança na sua individualidade, integridade, o conceito de cidadania e sociedade

Houve um professor que me marcou positivamente, o professor Bento porque do seu ser "brotava " sempre uma criança repleta de sonhos e potencialidades, até dizia "Não há meninos burros ".

Beatriz - Tanto quanto me lembro, o currículo era demasiado diversificado e generalista. Em meu entender a área psicopedagógica deveria ter sido reforçada em conteúdos e carga horária.

Diogo -faltava Didáctica

Se hoje fosse construir o programa das disciplinas de um curso como aquele, fá-lo-ia de maneira bem diferente, na realidade.

Francisca - o currículo na sua componente teórica era bom. Nas questões da didáctica das disciplinas específicas já não foi completo.