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3o Ano

Situações Interdisciplinares

Prática Pedagógica 20 h

Análise de Situações 7h

Seminários (em alternância com a Prática Pedagógica e a Análise de Situações) 27 h Disciplinas Optativas e Intervenção Escolar 3h Legislação e Administração Escolares 2o Ano Área Psicopedagógica Psicologia do Desenvolvimento 3h Pedagogia 3 h Psicopedagogia 2h Área Científica Língua Portuguesa 3 h Matemática 2 h Ciências da Natureza 2h Introdução à Política 2h

Area das Expressões

Educação Física 2h Educação Visual 2 h Música 2 h Movimento e Drama 2 h Literatura Infantil 1 h Situações Interdisciplinares Prática Pedagógica 5h Disciplinas Optativas e Intervenção Escolar I h l°Ano Área Psicopedagógica Psicologia do Desenvolvimento 4 h Saúde 3 h Sociologia 3h Area Científica Noções de Linguística 3h Matemática 2 h

Area das Expressões

Educação Física 3h Educação Visual 3h Música 2 h Movimento e Drama 2 h Situações Interdisciplinares Actividades de contacto Seminários sobre temas optativos 5h Disciplinas optativas e Intervenção Escolar 2h 72

Na concepção deste plano de estudos esteve subjacente a preocupação de compensar os alunos do facto de não terem frequentado o curso complementar dos liceus. Uma vez mais, a equipa responsável pelo desenvolvimento do programa reconheceu que exigir tal habilitação de base iria afastar deste curso os seus candidatos que tradicionalmente frequentavam estas escolas, os quais não tinham possibilidades económicas para suportar as despesas de mais três anos de frequência escolar.

Segundo Matos (ibid.: 40), foi concebida uma nova organização interdisciplinar

"de modo a tornar mais coerente a articulação das áreas, [...] a saber:

O Io ano deverá constituir, eminentemente do ponto de vista do percurso curricular

global, o momento da iniciação à problemática geral do curso. O seu carácter propedêutico, exigido até pela existência de duas opções a partir do 2o ano, assentava

não só na natureza particular dos objectivos definidos em relação a cada disciplina teórica, mas, e fundamentalmente, na raiz sensibilizadora das chamadas «situações interdisciplinares» (actividades de contacto e seminários sobre temas optativos e ainda actividades de intervenção escolar);

O 2o ano, representará o momento de aprofundamento teórico, pelo que aí deverá

concentrar-se o peso científico do curso, sem prejuízo de uma interiorização progressiva dos objectivos pedagógicos de base necessariamente vivencial. Daí a presença da Psicopedagogia, em estreita relação com a Prática Pedagógica de carácter informal;

O 3o ano, consagrado essencialmente à prática pedagógica em regime de estágio

intensivo, por fases desenrolar-se-à em escolas primárias ou instituições de educação pré-escolar, conforme as opções, antecedendo e mediando as fases um tempo de planificação e fundamentação dos programas do Ensino Primário e análise de situações. A Iafase de estágio desenvolver-se-à em escolas ou instituições da cidade e a

2" de preferência, e logo que possível, em zonas suburbanas ou mesmo não urbanas. Em alternância à prática pedagógica e, como pausa teórica indispensável a uma lúcida determinação da acção, os seminários.

O perfil do curso apresentava assim, um ritmo claramente triádico que se cria corresponder à marcha natural da formação: da realidade vivida e observada à consciência dos problemas; da consciência dos problemas à sua equação e resolução

possível; da resolução teórica à sua aplicação prática. O 3o ano acelera este ritmo, assumindo assim aspectos de síntese relativamente aos outros dois."

Claramente estava assumida a necessidade de se construir uma relação entre a teoria e a prática.

A par destas reformas que se vão operando nas Escolas do Magistério Primário, uma discussão acesa era mantida entre os partidos políticos quanto a esta nova dinâmica introduzida nas escolas e quanto ao seu futuro. Alguns partidos pareciam estar crentes de que esta dinâmica era sobretudo política e que tinha como objectivo a inculcação dos ideais comunistas. Trocaram-se insultos e insinuações nas páginas dos jornais e até mesmo na Assembleia da República. Em Janeiro de 1976, o deputado socialista José Courinha dirige um requerimento ao MEIC no sentido de se instaurar um inquérito às Escolas do Magistério a fim de que ficasse devidamente certificado que os professores primários formados no ano lectivo de 1974/1975 estariam devidamente capazes de desenvolver a sua profissão. Segundo Cabral Pinto (ibid. : 97), "as conclusões a que o inquiridor chegou não se ajustavam de modo algum aos desejos do

requerente ou de quem o inspirara. E tudo foi arquivado sem ter merecido publicidade".

Assim, quando em 28 de Julho de 1976, o Partido Socialista tomou posse, uma das suas primeiras acções terá sido a suspensão da prorrogação por mais um ano do regime de experiências pedagógicas, suspendendo todos os professores recrutados ao abrigo deste regime. O mesmo governo "saneia os homens progressistas das posições a que

acederam depois do 25 de Abril por direito fundado na sua militância anti-fascista, ao mesmo tempo que reintegra agentes confessos do fascismo, elimina disciplinas e programas de conteúdo progressista ou suspende subsídios e projectos dirigidos à promoção cultural das classes trabalhadoras e à recuperação desportiva do povo português." (ibid.: 101).

Contudo, os estudantes não ficaram paralisados face a esta situação e em Setembro do mesmo ano, "passaram a reunir e a debater em conjunto a situação tendo, aprovado

variados textos que remeteram às instâncias competentes e deliberado sobre as atitudes que julgaram ser as mais convenientes e eficazes para a defesa da experiência desenvolvida por

cada Escola ao longo de dois anos" (ibid. : 105).

No ano lectivo de 1976/1977, as aulas só iriam ter o seu inicio no dia 11 de Janeiro de 1977. Os programas não foram alterados, mas foram-se publicando decretos no sentido de, por exemplo, disciplinas como Coro-Orgão, Viola, Flauta, Orquestra, Cinema, Fotografia e Basquetebol não serem incluídas nas disciplinas optativas, uma vez que estas constituem valorização pessoal e não valorização profissional. Estas deviam ser substituídas por matérias compensatórias do plano normal de estudos, tais como, Agricultura, Pesca, Antropologia Cultural, Moral e Religião, etc.

CAPÍTULO IV