Processo eleitoral da Mesa (parte II)
AULA 21 Da liderança
Art. 9º Os Deputados são agrupados por representações partidárias ou de Blocos Parla-mentares, cabendo-lhes escolher o Líder quando a representação atender os requisitos estabelecidos no § 3º do art. 17 da Constituição Federal. (Caput com redação dada pela
CURSO DE REGIMENTO INTERNO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS
§ 1º Cada líder poderá indicar vice-líderes, na proporção de um por quatro deputados, ou fração, que constituam sua representação, facultada a designação de um como pri-meiro-vice-líder. (Parágrafo com redação dada pela Resolução nº 78/1995)
[...]
§ 6º O quantitativo mínimo de vice-líderes previsto no § 1º será calculado com base no resultado final das eleições para a Câmara dos Deputados proclamado pelo Tribunal Superior Eleitoral. (Parágrafo acrescido pela Resolução nº 1/2011)
[...]
Art. 11. O presidente da República poderá indicar deputados para exercerem a lide-rança do governo, composta de líder e de quinze vice-líderes, com as prerrogativas constantes dos incisos I, III e IV do art. 10. (Artigo com redação dada pela Resolução nº 17/2016)
Art. 11-A. A liderança da Minoria será composta de líder e de nove vice-líderes, com as prerrogativas constantes dos incisos I, III e IV do art. 10. (Caput do artigo com redação dada pela Resolução nº 17/2016)
§ 1º O líder de que trata este artigo será indicado pela representação considerada Mi-noria, nos termos do art. 13.
§ 2º Os nove vice-líderes serão indicados pelo líder da Minoria a que se refere o § 1º, dentre os partidos que, em relação ao governo, expressem posição contrária à da Maioria. (Parágrafo com redação dada pela Resolução nº 17/2016)
§ 3º Aplica-se o disposto neste artigo sem prejuízo das prerrogativas do líder e vice--líderes do partido ou do bloco parlamentar considerado Minoria conforme o art. 13.
(Artigo acrescido pela Resolução nº 1/2011) [...]
CONSTITUIÇÃO FEDERAL Art. 17. [...]
§ 3º Somente terão direito a recursos do fundo partidário e acesso gratuito ao rádio e à televisão, na forma da lei, os partidos políticos que alternativamente: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 97/2017)
I – obtiverem, nas eleições para a Câmara dos Deputados, no mínimo, 3% (três por cento) dos votos válidos, distribuídos em pelo menos um terço das unidades da Federação, com um mínimo de 2% (dois por cento) dos votos válidos em cada uma delas; ou (In-cluído pela Emenda Constitucional nº 97/2017)
II – tiverem elegido pelo menos quinze Deputados Federais distribuídos em pelo menos um terço das unidades da Federação. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 97/2017) [...]
EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 97, DE 2017 [...]
Art. 3º O disposto no § 3º do art. 17 da Constituição Federal quanto ao acesso dos partidos políticos aos recursos do fundo partidário e à propaganda gratuita no rádio e
Parágrafo único. Terão acesso aos recursos do fundo partidário e à propaganda gratuita no rádio e na televisão os partidos políticos que:
I – na legislatura seguinte às eleições de 2018:
a) obtiverem, nas eleições para a Câmara dos Deputados, no mínimo, 1,5% (um e meio por cento) dos votos válidos, distribuídos em pelo menos um terço das unidades da Federação, com um mínimo de 1% (um por cento) dos votos válidos em cada uma delas;
ou
b) tiverem elegido pelo menos nove Deputados Federais distribuídos em pelo menos um terço das unidades da Federação;
II – na legislatura seguinte às eleições de 2022:
a) obtiverem, nas eleições para a Câmara dos Deputados, no mínimo, 2% (dois por cento) dos votos válidos, distribuídos em pelo menos um terço das unidades da Federação, com um mínimo de 1% (um por cento) dos votos válidos em cada uma delas; ou
b) tiverem elegido pelo menos onze Deputados Federais distribuídos em pelo menos um terço das unidades da Federação;
III – na legislatura seguinte às eleições de 2026:
a) obtiverem, nas eleições para a Câmara dos Deputados, no mínimo, 2,5% (dois e meio por cento) dos votos válidos, distribuídos em pelo menos um terço das unidades da Federação, com um mínimo de 1,5% (um e meio por cento) dos votos válidos em cada uma delas; ou
b) tiverem elegido pelo menos treze Deputados Federais distribuídos em pelo menos um terço das unidades da Federação.
[...]
RESOLUÇÃO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS Nº 30 DE 2018
Art. 1º O art. 9º do Regimento Interno da Câmara dos Deputados, aprovado pela Reso-lução nº 17, de 21 de setembro de 1989, passa a vigorar com as seguintes alterações:
“Art. 9º Os Deputados são agrupados por representações partidárias ou de Blocos Parlamentares, cabendo-lhes escolher o Líder quando a representação atender os requisitos estabelecidos no § 3º do art. 17 da Constituição Federal.
[...]
§ 4º O Partido que não atenda o disposto no caput deste artigo não terá liderança, mas poderá indicar um de seus integrantes para expressar a posição do Partido no momento da votação de proposições, ou para fazer uso da palavra, uma vez por semana, por cinco minutos, durante o período destinado às comunicações de lideranças.
[...]” (NR) [...]
Art. 3º Os Partidos Políticos que não cumprirem os requisitos estabelecidos no § 3º
CURSO DE REGIMENTO INTERNO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS
Art. 6º O disposto nos arts. 1º e 3º desta Resolução aplicar-se-á a partir da legislatura seguinte às eleições de 2030.
Parágrafo único. Nas legislaturas seguintes às eleições de 2018, 2022 e 2026, terão direito a cargos e funções dispostos no Anexo II da Resolução nº 1, de 7 de fevereiro de 2007, e indicação de Líder os Partidos Políticos que tiverem cumprido, respecti-vamente, os requisitos dos incisos I, II e III do parágrafo único do art. 3º da Emenda Constitucional nº 97, de 4 de outubro de 2017.
Art. 7º Esta Resolução entra em vigor em 1º de fevereiro de 2019.
Comentários
A liderança de representação partidária na Câmara (de partido ou bloco parla-mentar) é constituída de líder e vice-líderes. Até o advento da Resolução nº 30/2018, fazia jus a constituir liderança a representação que fosse igual ou superior a um centésimo dos membros da Câmara (1/100 da CD). Neste caso, o Regimento não autorizava desprezar a fração do resultado obtido. Em regra, apenas represen-tações com seis ou mais deputados tinham direito a liderança. Há registros na Câmara de lideranças constituídas em anos anteriores em representações com cinco deputados, situação que deveria ser considerada excepcionalidade.
A partir da Resolução nº 30/2018, as representações partidárias só podem constituir liderança quando atenderem aos requisitos estabelecidos no § 3º do art. 17 da Constituição Federal, alterados pela Emenda Constitucional nº 97/2017.
Essa norma dispôs que esses requisitos só entram em vigor a partir das eleições de 2030, mas criou uma regra de transição com critérios progressivos para sua vigência no período referente às três legislaturas que antecedem aquela a ser ini-ciada após as eleições de 2030. Assim, em conformidade com a EC nº 97/2017, art. 3º, parágrafo único, c/c Resolução nº 30/2018, art. 6º, parágrafo único, na 56ª legislatura (1º/2/2019 a 31/1/2023), só terão direito a escolher líder os partidos po-líticos que obtiveram, nas eleições para a Câmara dos Deputados, no mínimo, 1,5%
(um e meio por cento) dos votos válidos, distribuídos em pelo menos um terço das unidades da federação, com um mínimo de 1% (um por cento) dos votos válidos em cada uma delas ou tenham eleito pelo menos nove deputados federais distribuídos em pelo menos um terço das unidades da federação (EC nº 97/2017, art. 3º, pará-grafo único, I, c/c Resolução nº 30/2018, art. 6º, parápará-grafo único).
Na 57ª legislatura (1º/2/2023 a 31/1/2027), só terão direito a escolher líder os partidos políticos que obtiveram, nas eleições para a Câmara dos Deputados, no mínimo, 2% (dois por cento) dos votos válidos, distribuídos em pelo menos um terço das unidades da federação, com um mínimo de 1% (um por cento) dos votos válidos em cada uma delas ou que tenham eleito pelo menos onze deputados federais dis-tribuídos em pelo menos um terço das unidades da federação.
Na 58ª legislatura (1º/2/2027 a 31/1/2031), o direito a escolher líder será restrito aos partidos políticos que, obtiveram, nas eleições para a Câmara dos Deputados, no mínimo, 2,5% (dois e meio por cento) dos votos válidos, distribuídos em pelo menos um terço das unidades da federação, com um mínimo de 1,5% (um e meio
por cento) dos votos válidos em cada uma delas ou que tenham eleito pelo menos treze deputados federais distribuídos em pelo menos um terço das unidades da federação.
Finalmente, a partir da 59ª legislatura, a ser iniciada em 1º/2/2031, estarão aptos a escolher líder os partidos políticos que, alternativamente, obtiveram, nas eleições para a Câmara dos Deputados, no mínimo, 3% (três por cento) dos votos válidos, distribuídos em pelo menos um terço das unidades da federação, com um mínimo de 2% (dois por cento) dos votos válidos em cada uma delas ou que tenham eleito pelo menos quinze deputados federais distribuídos em pelo menos um terço das unidades da federação.
A tabela a seguir apresenta um comparativo desses critérios progressivos para o exercício do direito a constituir liderança na Câmara dos Deputados a partir da 56ª legislatura.
Direito a liderança
Legislatura Período
Critérios alternativos
1º critério 2º critério
Percentual mí-nimo de votos vá-lidos distribuídos em pelo menos 1/3 das unidades
da federação
Percentual mínimo de votos válidos em cada unidade da federação considerada no
cálculo
Quantitativo de deputados federais distri-buídos em pelo
menos 1/3 das unidades da
federação
56ª 1º/2/2019 a
31/1/2023 1,5% 1% 9
57ª 1º/2/2023 a
31/1/2027 2% 1% 11
58ª 1º/2/2027 a
31/1/2031 2,5% 1,5% 13
59ª e seguintes A partir de
1º/2/2031 3% 2% 15
O líder é escolhido pela bancada respectiva e possui a prerrogativa de indicar um vice-líder para cada quatro deputados ou fração de sua representação. Assim, se o partido possuir 13 deputados, incluindo o líder, este poderá indicar quatro vice-líderes (13:4 = 3,25. Ou seja, 4+4+4+1). Indicados os vice-líderes, o líder poderá ou não de-signar um deles como primeiro-vice-líder (é uma faculdade do líder, e não um dever).
A Resolução nº 1/2011 incluiu a restrição de que o quantitativo de vice-líderes previsto no § 1º será determinado com fundamento no resultado final das eleições para a Câmara dos Deputados proclamado pelo Tribunal Superior Eleitoral.
O Regimento Interno da Câmara dos Deputados conferiu ao presidente da Repú-blica a prerrogativa de indicar deputados para exercerem a liderança do governo.
Nesse caso, o chefe do Poder Executivo indicará dezesseis deputados para
com-CURSO DE REGIMENTO INTERNO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS
De acordo com o art. 11-A, incluído pela Resolução nº 1/2011, a liderança da Mi-noria é formada por líder e nove vice-líderes, com as prerrogativas constantes dos incisos I, III e IV do art. 10.
O líder é indicado pela representação considerada Minoria, nos termos do art. 13, e os nove vice-líderes são indicados, por sua vez, pelo líder da Minoria, dentre os parlamentares integrantes de partidos que, em relação ao governo, expressem po-sição contrária à da Maioria.
A existência da liderança da Minoria se dá sem prejuízo das prerrogativas do líder e vice-líderes do partido ou do bloco parlamentar considerado Minoria em con-formidade com o art. 13.
A tabela a seguir evidencia as diferenças entre liderança de representações par-tidárias ou de blocos parlamentares e a liderança do governo.
Liderança de partido ou
bloco parlamentar Liderança do governo Liderança da Minoria O líder é escolhido pela
represen-tação que atenda a pelo menos um dos critérios normativos
O líder é indicado pelo
presidente da República O líder é indicado pela Minoria
O líder escolhe os vice-líderes na proporção de um para cada quatro deputados ou fração, com base no resultado final das eleições para a
CD proclamado pelo TSE
O presidente da República indica quinze vice-líderes
O líder escolhe os nove vice-líderes, dentre os partidos
que, em relação ao governo, expressem posição contrária à
da Maioria O número de deputados que
integram a liderança depende do tamanho da bancada
Apenas dezesseis deputados integram a
liderança do governo
Apenas dez deputados inte-gram a liderança da Minoria