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Da representação proporcional das bancadas

Art. 23. Na constituição das comissões assegurar-se-á, tanto quanto possível, a re-presentação proporcional dos partidos e dos blocos parlamentares que participem da Casa, incluindo-se sempre um membro da Minoria, ainda que pela proporcionalidade não lhe caiba lugar.  

Parágrafo único. O deputado que se desvincular de sua bancada perde automaticamente o direito à vaga que ocupava em razão dela, ainda que exerça cargo de natureza eletiva.

(Parágrafo único acrescido pela Resolução nº 34/2005, em vigor desde 1º/2/2007) 

Comentários

Conforme estudado na aula 14 do capítulo I, a Constituição Federal, no art. 58,

§ 1º, estabelece o princípio da proporcionalidade partidária (PPP), instrumento muito utilizado na composição dos colegiados do Congresso Nacional. O obje-tivo desse mandamento é refletir nos órgãos colegiados internos a dimensão de cada partido político ou bloco parlamentar representado na Casa legislativa. Nesse sentido, sendo as comissões órgãos coletivos, elas são constituídas em confor-midade com a proporção da quantidade de membros de cada bancada partidária na Casa respectiva. Assim, quanto maior for a representação de uma determinada agremiação partidária na Câmara, maior será o número de seus representantes em determinada comissão.

Esse princípio garante o quórum da maioria na composição dos colegiados, mas não deixa de considerar as bancadas menores. Com base nisso, o Regimento Interno da Câmara dos Deputados dispõe que a bancada considerada Minoria sempre terá direito a ocupar um lugar nas comissões, pois além de representar par-cela importante da sociedade brasileira, tem o papel de zelar pelo equilíbrio das dis-cussões e deliberações; por conseguinte, precisa estar representada nos debates das comissões.

Dessa forma, o art. 13 do RICD considera Minoria “a representação imediata-mente inferior que, em relação ao governo, expresse posição diversa da Maioria”.

Capítulo VI – Das Comissões

Para preservar a estabilidade dos partidos e vincular a escolha do eleitor, o deputado que se desvincular de sua representação partidária arcará com o ônus de perder a vaga e o cargo que ocupar perante determinada comissão em razão da bancada que integrava, mesmo que se trate de cargo ocupado em razão de eleição, como os de direção de comissão. Trata-se de discussão vinculada à fidelidade partidária, instituto muito importante para manter a estabilidade das instituições políticas. Confira a aula 4 do capítulo XVI. Cumpre esclarecer que, por força da Re-solução nº 2/2011, o disposto no parágrafo único do art. 23 do RICD não se aplica aos membros do Conselho de Ética e Decoro Parlamentar.

Impende ressaltar que, mesmo em função da janela partidária autorizada pela Emenda Constitucional nº 91/2016, que franqueou aos deputados a mudança de filiação partidária no período de 19 de fevereiro a 19 de março daquele ano, sem prejuízo do mandato, aplica-se a regra disposta no art. 232 aos deputados que mudaram de partido durante esse período, conforme entendimentos consignados nas Questões de Ordem nos 162 e 168 de 2016. Em nossa opinião, essa interpre-tação deve ser considerada também nos casos de mudanças de legenda parti-dária respaldadas no art. 22-A da Lei nº 9.096/1995, com a redação dada pela Lei nº 13.165/2015, que possibilita, entre outras hipóteses, a mudança de partido efe-tuada durante o período de trinta dias que antecede o prazo de filiação exigido em lei para concorrer à eleição, majoritária ou proporcional, ao término do mandato vigente (janela partidária, como a ocorrida em 2018).

Lei nº 9.096/1995

Art. 22-A. Perderá o mandato o detentor de cargo eletivo que se desfiliar, sem justa causa, do partido pelo qual foi eleito. (Artigo acrescido pela Lei nº 13.165, de 29/9/2015)

Parágrafo único. Consideram-se justa causa para a desfiliação partidária so-mente as seguintes hipóteses:

I – mudança substancial ou desvio reiterado do programa partidário;

II – grave discriminação política pessoal; e

III – mudança de partido efetuada durante o período de trinta dias que ante-cede o prazo de filiação exigido em lei para concorrer à eleição, majoritária ou proporcional, ao término do mandato vigente.

A decisão da Presidência sobre a QO nº 162/2016 afirma que, com fundamento no art. 23, parágrafo único, do Regimento Interno, o deputado que se desvincular da bancada pela qual foi indicado perderá a vaga que ocupava na comissão especial.

A decisão da presidência sobre a QO nº 168/2016, por sua vez, dispõe-se que, in verbis:

Primeiramente, imperioso ressaltar que a Emenda à Constituição nº 91/2016 facultou ao detentor de mandato eletivo o desligamento do partido pelo qual foi eleito, sem prejuízo do mandato, desde que isso ocorresse nos 30 dias seguintes à promulgação da Emenda. Entretanto, a despeito de afastar a perda do mandato em razão de alteração partidária, é certo que a garantia

de manutenção dos cargos ocupados em função da aplicação do princípio da proporcionalidade partidária não se manteve. (grifo nosso)

Além do mais, a QO nº 168/2016 preceitua que se deve “conferir ao termo ‘le-genda partidária’, contido no art. 8º, § 5º, do Regimento Interno da Câmara dos Deputados, uma interpretação extensiva, de modo a abranger as expressões ‘par-tido’ e ‘bloco parlamentar’”.

Nesse contexto, entende-se que, de igual sorte, ao dispor o parágrafo único do art. 23 que “o deputado que se desvincular de sua bancada perde automaticamente o direito à vaga que ocupava em razão dela, ainda que exerça cargo de natureza eletiva” (grifo nosso), o termo "bancada" refere-se tanto a partido como a bloco par-lamentar. Isso porque a palavra bancada é utilizada usualmente para representar o conjunto de deputados de um partido ou de um bloco partidário, e o próprio Re-gimento Interno assenta esse entendimento conforme o disposto no inciso I do art. 7º, no caput do art. 8º e nos incisos II, IV e VI do art. 10. A seguir o teor desses dispositivos:

Art. 7º [...]

I – registro, perante a Mesa, individualmente ou por chapa, de candidatos pre-viamente escolhidos pelas bancadas dos partidos ou blocos parlamentares aos cargos que [...].

Art. 8º Na composição da Mesa será assegurada, tanto quanto possível, a representação proporcional dos partidos ou blocos parlamentares que parti-cipem da Câmara, os quais escolherão os respectivos candidatos aos cargos que, de acordo com o mesmo princípio, lhes caiba prover, sem prejuízo de candidaturas avulsas oriundas das mesmas bancadas, [...].

Art. 10. O líder, além de outras atribuições regimentais, tem as seguintes prerrogativas:

[...]

II – inscrever membros da bancada para o horário destinado às Comunica-ções Parlamentares;

[...]

IV – encaminhar a votação de qualquer proposição sujeita à deliberação do Plenário, para orientar sua bancada, por tempo não superior a um minuto;

[...]

VI – indicar à Mesa os membros da bancada para compor as comissões, e, a qualquer tempo, substituí-los. (grifo nosso)

Ora, o caput do art. 9º dispõe que os “deputados são agrupados por representa-ções partidárias ou de blocos parlamentares, cabendo-lhes escolher o líder quando a representação for igual ou superior a um centésimo da composição da Câmara”

(grifo nosso), assim, o líder pode ser de um partido ou de um bloco parlamentar e

Capítulo VI – Das Comissões

Dessa forma, conforme preconizado na QO nº 168/2016, um deputado que se desvincule de um partido e se filie a outro do mesmo bloco partidário não estará sujeito a perda da vaga que ocupa em comissão e, consequentemente, de cargo eletivo que porventura ocupe nesse mesmo colegiado.

AULA 3