maravilhosa, engravidei. A fotografi a fi cou um pouco de lado e durante toda a minha gestação Julieta foi minha companheira. Nossa cama era enorme e eu dormia com os pés em cima dela. Passamos muito tempo juntas e, fi nalmente quando o Benício nasceu, ela nos mostrou mais uma vez a companheira que era. Uma animação tomava conta de mim toda vez que imaginava o quanto esses dois aprontariam juntos. Mas o universo tinha outros planos. Quando o Benício completou três meses, Juju foi internada por ter comido algo que não devia e a coisa complicou. Fomos chamados para visitá-la com urgência na clínica que estava inter- nada. Ela esperou a nossa chegada para se despedir. E lembro como se fosse hoje o último abraço que dei na minha menina. Ela nos deixou nesse dia. Mas nunca saiu do meu coração.
Perder um animal é como perder um anjo na terra. Já parou pra pensar que não importa o que a gente faça eles sempre nos olham com o maior amor do mundo? Gosto de pensar que eles já nascem aprendendo a amar e estão aqui para nos ensinar. Não existe ódio e nem raiva, somente o mais puro amor e dedicação. Um conselho? Aproveite cada segundo, ame cada momento. Leve pra passear nos lugares mas lindos e divertidos. Deixe subir no sofá e dormir na cama. O tempo deles é curto demais. ■
Fot o: Ar quiv o Pessoal
envolvido!
É muitoamor
A
paixão pelos animaisme acompanha desde a infância. Sempre os achei criaturas fantásticas e me perguntava: como eles podem nos amar tanto? Só consegui a resposta para essa pergunta depois de trazer a Juju pra minha vida.
Julieta foi o primeiro cachorro que tive depois de sair da casa dos meus pais. Ela era uma labrador amarela muito espoleta e brincalhona. Tão espoleta que uma vez comeu toda a parede lateral da casinha de madeira para poder enxergar melhor o portão. Ela também comeu todo o chão, o que não fez o menor sentido e tivemos que jogar a casinha no lixo. Ela não fi cou muito feliz com o novo casarão de plástico com telhado vermelho e chaminé. Até o lixeiro passar, toda vez que abríamos o portão, ela saía correndo e entrava na casinha danificada como se dissesse: “ei, coloca de volta. Ela tá meio capenga, mas serve direitinho, olha só”.
A casinha logo foi embora e para que ela não fugisse mais do portão decidimos adestrá-la. No final da primeira aula o adestrador diz: “ela já aprendeu todos os comandos básicos”. O que nos surpreendeu bastante. Sabíamos que a raça dela estava entre as dez mais inteligentes, mas tão rápido assim? Seu desem- penho foi surpreendente e em apenas alguns meses ela era a prefe- rida do adestrador. Ele a levava em outras aulas para ajudar seus outros clientes. Ela ia toda boba se achando a professora.
Resolvemos levá-la para parti- cipar de uma exposição de cães do Kennel Club de Joinville. Sabíamos que o temperamento brincalhão dela e a pouca idade poderiam nos “preju- dicar”, mas durante os treinos com o
handler (profi ssional que prepara os
cães para exposição) ela foi muito bem. Sentava, dava a volta no circuito e fazia todos os outros comandos que precisava. Até que chegou o grande dia. Os outros fi lhotes sérios com seus rabos estáticos contendo a agitação e ela tranquila com o rabo balançando de leve. O handler nos disse: “ela está tranquila, só não pode mostrar muito entusiasmo na hora da avaliação, pois assim perderemos nossa chance”. Mas eis que aconteceu o “pior”: ela fez exatamente o que imaginávamos. Pulou e lambeu todos os juízes da competição. E todos, sem exceção, deixaram um sorriso escapar ao ver a felicidade dela. Sabe o que acon- teceu? Ela ganhou os certificados de todos os juízes, com o título de “Jovem Campeã” e saiu mais que feliz da vida com seu rabo balançando na maior tranquilidade.
Juju foi a minha primeira modelo
pet ofi cial. Junto com o meu amor
pelos animais, a paixão pela fotografi a também me acompanhou desde muito cedo. Tirava foto dela com todas as poses possíveis: com cara de tédio, tentando pegar três bolinhas de tênis na boca, dormindo como um anjo, comendo como uma morta de fome ou correndo como uma louca. Meu amor pela fotografi a de animais foi crescendo cada vez mais.
Até que aconteceu uma coisa
ÚLTIMAS PALAVRAS
Debora Mattos
maravilhosa, engravidei. A fotografi a fi cou um pouco de lado e durante toda a minha gestação Julieta foi minha companheira. Nossa cama era enorme e eu dormia com os pés em cima dela. Passamos muito tempo juntas e, fi nalmente quando o Benício nasceu, ela nos mostrou mais uma vez a companheira que era. Uma animação tomava conta de mim toda vez que imaginava o quanto esses dois aprontariam juntos. Mas o universo tinha outros planos. Quando o Benício completou três meses, Juju foi internada por ter comido algo que não devia e a coisa complicou. Fomos chamados para visitá-la com urgência na clínica que estava inter- nada. Ela esperou a nossa chegada para se despedir. E lembro como se fosse hoje o último abraço que dei na minha menina. Ela nos deixou nesse dia. Mas nunca saiu do meu coração.
Perder um animal é como perder um anjo na terra. Já parou pra pensar que não importa o que a gente faça eles sempre nos olham com o maior amor do mundo? Gosto de pensar que eles já nascem aprendendo a amar e estão aqui para nos ensinar. Não existe ódio e nem raiva, somente o mais puro amor e dedicação. Um conselho? Aproveite cada segundo, ame cada momento. Leve pra passear nos lugares mas lindos e divertidos. Deixe subir no sofá e dormir na cama. O tempo deles é curto demais. ■