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PRECISA ACABAR!

No documento .COM.BR YACAMIM GARTEN SHOPPING (páginas 56-62)

O

lho roxo, braço marcado, cabelos arrancados e hematomas na pele. No corpo estão as marcas. Internamente, muitas vezes o senti- mento de culpa e de incapacidade. A violência contra a mulher acon- tece onde menos se imagina e não é só física. Saber identifi car como ela começa, pode mudar o futuro de muitas mulheres.

CASO 2

Uma, duas, três vezes. Ela foi violentada por aqueles que deveriam protegê-la. Os homens mais próximos foram os que mais a machucaram na vida. Sua inocência foi roubada, seu corpo foi violentado. E da infância ela carrega os piores pesadelos. As lembranças ainda a atormentam. O corpo e a alma precisam de ajuda. Apesar disso, essa mulher guerreira vestiu sua armadura e não permitiu que o passado a defi nisse ou destruísse seus sonhos. Se abriu para o amor, arriscou confiar e acreditar que o mundo poderia sim ser bom. Casou-se e se tornou-se mãe. Ela é uma sobrevivente.

CASO 3 (Parte 1)

Os sinais não foram sufi cientes para ela perceber que ele era abusivo emocionalmente.

Durante o namoro, começou a sofrer repreensões com relação aos locais que frequentava, com quem conversava. Ele tinha ciúme, de tudo, até da família da namorada. Era charmoso, romântico e muito carismático! Eles se divertiam muito

juntos, e ele falava tudo o que uma mulher gosta de ouvir. Assim, ela foi abrindo mão, aos poucos, do que gostava de fazer e de muitas amizades, sem perceber, acredi- tando que um dia ele fi caria mais seguro, e suas vidas seriam normais e saudáveis.

Certa vez, em uma festa com amigos, ela foi ao banheiro feminino. Havia fila e por isso deve ter demorado mais que o normal para voltar. Suas amigas foram procura-la, dizendo que o namorado estava nervoso, perguntando sobre ela. Quando retornou com as amigas, ele a olhou com raiva e falou discretamente em seu ouvido “você é uma vagabunda – pensou que iria me dar um perdido”. Muito chocada com as palavras, ela foi até o segurança, pediu um táxi e foi embora. Ficou alguns meses sem falar com o, então, ex-namorado. Ele a procurou muitas vezes com fl ores e pedidos de desculpas. Disse que foi o efeito da bebida e que havia procurado um psicólogo para controlar seu ciúme.

Seu discurso era sempre muito romântico, e promissor. Ele era sempre carismático e todos ao redor gostavam dele com facilidade. Ela se sentia culpada por pensar que ele não fosse uma boa pessoa, então reataram o namoro, que logo virou noivado, com uma belíssima surpresa que ele preparou. Como

ela poderia negar? E em apenas três meses, o casamento.

Não demorou muito para que o ciúme fosse demonstrado de forma mais abusiva. Além do controle de tudo o que ela fazia e com quem conversava, suas palavras não eram tão doces. Ele a tratava com xingamentos, solicitava que enviasse fotos de onde estava, quando ele ou ela estavam longe e as discussões começaram a ser frequentes. Até que ela percebeu que estava infeliz e sem liberdade. Já não tinha mais prazer na vida com ele. Ela decidiu não se submeter mais às privações ou ouvir aquelas palavras, e buscou ajuda. Quando ele soube, a agrediu fisicamente pela primeira vez. Começou por apertões nos braços, enquanto gritava com ela e evoluiu numa segunda discussão, quando a violência física foi maior. A polícia veio e o relacionamento terminou de fato.

Somente após alguns meses de terapia, ela compreendeu que ele era abusivo psicologicamente e verbalmente desde o início do namoro, mas com sua habilidade nas palavras e discrição diante dos conhecidos e familiares, ele a fazia sentir-se culpada por não apreciar “o homem que tinha ao seu lado”. Se tivesse continuado, certamente teria sofrido fi sicamente muito mais, como inúmeras outras mulheres. Ela é uma sobrevivente.

CASO 1

Aos 21 anos ela engravidou daquele que achava que seria o amor da vida dela e que estaria sempre ao seu lado. Ao invés de carinho e acolhimento como esperado, assim que ele soube da notícia, a abandonou. Ela, porém, não desistiu da filha. Lutou pelas duas. O que ela não esperava é que outro homem lhe faria mal mais uma vez. No trabalho, buscando sobre- viver, foi estuprada por um superior e, como se não bastasse ser vítima dessa violência, mais uma gravidez aconteceu! Uma mulher machu- cada, com depressão, difi culdades financeiras: morrer parecia ser a saída para tanta dor. Mas, foi forte de novo. Por ela, e pelas duas fi lhas. Ela é uma sobrevivente.

DUO

EXTRA

Você já ouviu de alguma amiga sua, de alguém da sua família ou no seu

trabalho algum relato de assédio? Alguma história sobre um namorado

possessivo e controlador? Presenciou alguma situação em que a mulher foi

insultada publicamente por seu companheiro? Certamente sua resposta é

sim! Saiba que em todos esses casos a mulher é vítima de violência.

Nessa reportagem vamos esclarecer que as agressões sofridas pelas

mulheres nem sempre são físicas.

Por Taty Feuser

Foto: Banco de Imagem e Contém Amor

Mulheres,

O SILÊNCIO

PRECISA ACABAR!

O

lho roxo, braço marcado, cabelos arrancados e hematomas na pele. No corpo estão as marcas. Internamente, muitas vezes o senti- mento de culpa e de incapacidade. A violência contra a mulher acon- tece onde menos se imagina e não é só física. Saber identifi car como ela começa, pode mudar o futuro de muitas mulheres.

ex-lutadora de jiu-jitsu trouxe dados de uma realidade alarmante: o Brasil é o quinto país do mundo no ranking de violência contra as mulheres. Desde 2009, quando a central foi criada, mais de 10 mil mulheres foram vítimas de feminicídio ou tentativa de homicídio. Erica alerta para o fato de que a denúncia é fundamental, ela pode salvar uma vida. E pode ser anônima. “Em briga de marido e mulher a gente precisa sim meter

a colher, chega e bate na porta do vizinho, pergunta se está tudo bem ou liga para a central de atendimento e informa. Os profissionais podem agir daí”, orienta.

A delegada regional Tânia Harada alerta que, polícia, Judiciário e Ministério Público não conse- guirão resolver nada se a mulher não estiver bem resolvida interna- mente. Eventualmente a Polícia Civil vai pedir medida protetiva, tirar o

agressor de casa. Se for o caso de prisão, ele vai preso. E ela precisa de apoio da família, de amigos e/ ou atendimento especializado. De acordo com a delegada Tânia, o índice de desistência das ações judi- ciais é de 80%, e isso mostra que não é porque a mulher gosta de apanhar, mas sim porque já não tem forças para sair desse ciclo de violência. Às vezes, falta amparo familiar e da sociedade. Na Delegacia da Mulher de Joinville tem grupo de apoio para mulheres vítimas de violência. “Tem relato ali de mulher que foi agredida durante 15 anos, ela precisa de trata- mento. Então, só a denúncia não basta, os grupos de apoio são funda- mentais para fortalecer essa mulher. Se tiver recursos fi nanceiros, deve procurar um psicólogo, se não tiver, há entidades de proteção a mulher no município. No grupo de apoio da Delegacia de Proteção à Criança, ao Adolescente, à Mulher e ao Idoso (DPCAMI), o índice de resolução é de 70%, ou seja, com ajuda, a mulher vai seguir com a denúncia até o fi m”, completa Tânia Harada.

Em Joinville, uma ação inédita teve início em setembro deste ano. Os homens agressores participarão obrigatoriamente de um grupo de reflexão. O programa é mais uma alternativa da Delegacia de Proteção à Criança, ao Adolescente, à Mulher e ao Idoso (DPCAMI) no enfrentamento à violência contra a mulher e é o primeiro do Estado a ser idealizado por uma unidade policial. Eles são encaminhados por meio de ordem judicial em decisões de medidas protetivas expedidas pelo juiz responsável, tornando obrigatória a participação no programa.

Perceber os sinais que um futuro agressor dá é fundamental. “Conheci uma jovem quando atuei na DPCAMI. Ela foi morar com um homem pouco tempo depois de eles se conhecerem. Primeira atitude dele morando juntos foi encontrar um profi ssional para tirar a tatuagem dela. Ela permitiu, mas por quê? O corpo é dela, ele a conheceu e gostou Como essas, há milhões de

mulheres no Brasil vítimas de algum tipo de violência. Nem todas sobre- vivem para contar sua história. A maioria que está nessa condição, não denuncia e outras tantas nem sabem que são vítimas e que há leis para ampará-las. De acordo com a delegada regional de Joinville Tânia Harada, há mulheres que já estão numa condição de vitimização, mas acham que não porque o homem, seja companheiro ou namorado, nunca encostou um dedo nela. “Só que a violência doméstica muitas vezes é gradativa, pode começar com privações, restrições, quando a impede de sair com amigos, de ver a família, de usar a roupa que ela quer, por exemplo”, explica.

A Lei Maria da Penha acaba de completar 12 anos. De acordo com ela, a violência doméstica e familiar não escolhe sua vítima. Pode ser rica ou pobre, branca ou negra, jovem ou idosa, lésbica, indígena, com defi ciência, que vive no campo ou na cidade. “De um modo geral, a legislação criminal esquece da vítima. A Lei Maria da Penha traz um olhar voltado para a vítima. Ela abrange a violência doméstica em diferentes aspectos: psicológica, física, moral, sexual, fi nanceira”, explica a delegada regional.

A lei define cinco tipos de

violência contra a mulher:

• Física: bater, empurrar, morder,

puxar o cabelo, estrangular, chutar, queimar, cortar, torcer, apertar o braço.

• Moral: fazer comentários

ofensivos diante de estranhos, humilhar publicamente ou expor a vida íntima da vítima (inclusive nas redes sociais).

• Patrimonial: controlar, reter ou

tirar dinheiro da mulher. Causar danos aos seus bens (objetos ou animais de estimação), reter docu- mentos pessoas, instrumentos de trabalho, etc.

• Sexual: forçar a mulher a ter qual-

quer forma de prática sexual, sem consentimento, quando a mulher não quer ou quando estiver dormindo ou doente. Forçar a praticar atos que causam descon- forto, impedir a mulher de decidir se quer ou não ter fi lhos, como e quando.

• Emocional ou psicológica:

é aquela em que a vítima é humilhada, xingada, criticada continuamente ou desvalorizada. São atos como tirar a liberdade de ação ou crença, em que se tenta mostrar que a mulher é louca, ou que a impeça de estudar, traba- lhar, sair com amigos etc.

“Quando trabalhei na Delegacia da Mulher, escutava muito que tem

mulher que gosta de apanhar, porque ela apanha, mas volta com o marido/ companheiro. E não uma única vez. Isso acontece, duas, três, quatro. Mas, quando a mulher chega nessa situação, ela já está com a autoestima dela destruída. Ela acredita que já não consegue sair dessa situação. ‘Você é feia, você é chata, ninguém te quer, você só tem a mim. Ruim comigo, pior sem mim’. Ele mina o amor próprio da mulher”, explica a delegada regional.

Dados da Secretaria de Segurança Pública de Santa Catarina mostram que, até 30 de julho de 2018 foram registrados 64 casos de estupro em Joinville, sendo que desses, 16 foram praticados contra mulheres em situação de violência doméstica. Foram ainda 511 casos de lesão corporal, 7 tentativas homicídio e 530 ameaças. (Confi rmando com a DPCAMI). Segundo a Secretaria Nacional de Política para Mulheres, o 180, número de denúncia da Central de Atendimento à Mulher, registra 164 casos de estupro no país diaria- mente e apenas 10% das mulheres estupradas fazem a denúncia. Ou seja, mais de mil fi cam caladas.

Erica Paes foi vítima de violência doméstica. Hoje, está à frente de um trabalho de enfrentamento a violência junto a Secretaria de Política para as Mulheres. Em Joinville, durante uma palestra, a campeã mundial e

DUO

EXTRA

ex-lutadora de jiu-jitsu trouxe dados de uma realidade alarmante: o Brasil é o quinto país do mundo no ranking de violência contra as mulheres. Desde 2009, quando a central foi criada, mais de 10 mil mulheres foram vítimas de feminicídio ou tentativa de homicídio. Erica alerta para o fato de que a denúncia é fundamental, ela pode salvar uma vida. E pode ser anônima. “Em briga de marido e mulher a gente precisa sim meter

a colher, chega e bate na porta do vizinho, pergunta se está tudo bem ou liga para a central de atendimento e informa. Os profissionais podem agir daí”, orienta.

A delegada regional Tânia Harada alerta que, polícia, Judiciário e Ministério Público não conse- guirão resolver nada se a mulher não estiver bem resolvida interna- mente. Eventualmente a Polícia Civil vai pedir medida protetiva, tirar o

agressor de casa. Se for o caso de prisão, ele vai preso. E ela precisa de apoio da família, de amigos e/ ou atendimento especializado. De acordo com a delegada Tânia, o índice de desistência das ações judi- ciais é de 80%, e isso mostra que não é porque a mulher gosta de apanhar, mas sim porque já não tem forças para sair desse ciclo de violência. Às vezes, falta amparo familiar e da sociedade. Na Delegacia da Mulher de Joinville tem grupo de apoio para mulheres vítimas de violência. “Tem relato ali de mulher que foi agredida durante 15 anos, ela precisa de trata- mento. Então, só a denúncia não basta, os grupos de apoio são funda- mentais para fortalecer essa mulher. Se tiver recursos fi nanceiros, deve procurar um psicólogo, se não tiver, há entidades de proteção a mulher no município. No grupo de apoio da Delegacia de Proteção à Criança, ao Adolescente, à Mulher e ao Idoso (DPCAMI), o índice de resolução é de 70%, ou seja, com ajuda, a mulher vai seguir com a denúncia até o fi m”, completa Tânia Harada.

Em Joinville, uma ação inédita teve início em setembro deste ano. Os homens agressores participarão obrigatoriamente de um grupo de reflexão. O programa é mais uma alternativa da Delegacia de Proteção à Criança, ao Adolescente, à Mulher e ao Idoso (DPCAMI) no enfrentamento à violência contra a mulher e é o primeiro do Estado a ser idealizado por uma unidade policial. Eles são encaminhados por meio de ordem judicial em decisões de medidas protetivas expedidas pelo juiz responsável, tornando obrigatória a participação no programa.

Perceber os sinais que um futuro agressor dá é fundamental. “Conheci uma jovem quando atuei na DPCAMI. Ela foi morar com um homem pouco tempo depois de eles se conhecerem. Primeira atitude dele morando juntos foi encontrar um profi ssional para tirar a tatuagem dela. Ela permitiu, mas por quê? O corpo é dela, ele a conheceu e gostou Como essas, há milhões de

mulheres no Brasil vítimas de algum tipo de violência. Nem todas sobre- vivem para contar sua história. A maioria que está nessa condição, não denuncia e outras tantas nem sabem que são vítimas e que há leis para ampará-las. De acordo com a delegada regional de Joinville Tânia Harada, há mulheres que já estão numa condição de vitimização, mas acham que não porque o homem, seja companheiro ou namorado, nunca encostou um dedo nela. “Só que a violência doméstica muitas vezes é gradativa, pode começar com privações, restrições, quando a impede de sair com amigos, de ver a família, de usar a roupa que ela quer, por exemplo”, explica.

A Lei Maria da Penha acaba de completar 12 anos. De acordo com ela, a violência doméstica e familiar não escolhe sua vítima. Pode ser rica ou pobre, branca ou negra, jovem ou idosa, lésbica, indígena, com defi ciência, que vive no campo ou na cidade. “De um modo geral, a legislação criminal esquece da vítima. A Lei Maria da Penha traz um olhar voltado para a vítima. Ela abrange a violência doméstica em diferentes aspectos: psicológica, física, moral, sexual, fi nanceira”, explica a delegada regional.

A lei define cinco tipos de

violência contra a mulher:

• Física: bater, empurrar, morder,

puxar o cabelo, estrangular, chutar, queimar, cortar, torcer, apertar o braço.

• Moral: fazer comentários

ofensivos diante de estranhos, humilhar publicamente ou expor a vida íntima da vítima (inclusive nas redes sociais).

• Patrimonial: controlar, reter ou

tirar dinheiro da mulher. Causar danos aos seus bens (objetos ou animais de estimação), reter docu- mentos pessoas, instrumentos de trabalho, etc.

• Sexual: forçar a mulher a ter qual-

quer forma de prática sexual, sem consentimento, quando a mulher não quer ou quando estiver dormindo ou doente. Forçar a praticar atos que causam descon- forto, impedir a mulher de decidir se quer ou não ter fi lhos, como e quando.

• Emocional ou psicológica:

é aquela em que a vítima é humilhada, xingada, criticada continuamente ou desvalorizada. São atos como tirar a liberdade de ação ou crença, em que se tenta mostrar que a mulher é louca, ou que a impeça de estudar, traba- lhar, sair com amigos etc.

“Quando trabalhei na Delegacia da Mulher, escutava muito que tem

mulher que gosta de apanhar, porque ela apanha, mas volta com o marido/ companheiro. E não uma única vez. Isso acontece, duas, três, quatro. Mas, quando a mulher chega nessa situação, ela já está com a autoestima dela destruída. Ela acredita que já não consegue sair dessa situação. ‘Você é feia, você é chata, ninguém te quer, você só tem a mim. Ruim comigo, pior sem mim’. Ele mina o amor próprio da mulher”, explica a delegada regional.

Dados da Secretaria de Segurança Pública de Santa Catarina mostram que, até 30 de julho de 2018 foram registrados 64 casos de estupro em Joinville, sendo que desses, 16 foram praticados contra mulheres em situação de violência doméstica. Foram ainda 511 casos de lesão corporal, 7 tentativas homicídio e 530 ameaças. (Confi rmando com a DPCAMI). Segundo a Secretaria Nacional de Política para Mulheres, o 180, número de denúncia da Central de Atendimento à Mulher, registra 164 casos de estupro no país diaria- mente e apenas 10% das mulheres estupradas fazem a denúncia. Ou seja, mais de mil fi cam caladas.

Erica Paes foi vítima de violência doméstica. Hoje, está à frente de um trabalho de enfrentamento a violência junto a Secretaria de Política para as Mulheres. Em Joinville, durante uma palestra, a campeã mundial e

DUO

EXTRA

CASO 3 (Parte 2)

dela assim. Não tinha que mudar o cabelo se ela não quisesse. Mas, ela se submeteu a todas as vontades dele e a relação só piorou até chegar a violência física”, conclui a delegada.

Os fatores que desencadeiam a violência contra a mulher estão relacionados à sociedade, que ainda é muito machista, ao modelo familiar de onde o agressor vem (o sujeito cresceu vendo o pai bater na mãe, por exemplo), e se não houver o trabalho psicológico, ele tende a repetir o ciclo. Sobre isso, tanto a delegada regional Tânia quanto assessora da Secretaria Nacional de Política para as Mulheres, Erica Paes, defendem a prevenção. E a prevenção começa pela atitude da mulher. “É fundamental que ela não seja submissa. Quando ouve ‘não quero que ande com fulana’, ‘não use essa roupa’, não trabalhe fora’, ‘fi que em casa’. Se ela se submeter e permitir que o homem a domine, ela estará estimulando essa violência”, explica a ex-lutadora.

Ela é uma sobrevivente e é soli- dária com todas as mulheres que passam ou passaram pela mesma situação. “Homens psicopatas têm essa característica: são eloquentes, carismáticos, carinhosos, apaixo- nados e mestres na arte de fazer uma mulher sentir-se culpada. Ele chorava e se ajoelhava pedindo perdão, só que na hora de me privar de estar ou receber amigas em casa, ou quando bebia, ele não tinha qualquer remorso ao me xingar, apertar, ou até fazer ameaças.

Depois que entendi o que havia acontecido comigo e criei coragem para contar minha história, muitas mulheres me procuraram para dividir as suas. Muitas a vivem até hoje e não se pronunciam, porque têm vergonha. Isso é muito triste e eu atesto isso: nossa sociedade é muito machista e julga as mulheres quando são vítimas de um abusador. Elas legitimam seus atos, porque não são acolhidas pela verdade de que sua integridade física e emocional é sagrada! Não poderiam ser tocadas por outro ser humano.

Eu acredito que devemos nos unir, falar mais sobre isso e apoiar as mulheres que são vítimas sim de abusos emocionais todos os dias, desde o ato de serem julgadas inca- pazes de conduzir um carro melhor que um homem, até serem violen- tadas por seus ‘parceiros’ através de palavras e atitudes dominadoras, concessão de liberdade, agressão verbal ou física. Jamais se sinta

No documento .COM.BR YACAMIM GARTEN SHOPPING (páginas 56-62)