3 TRATADOS INTERNACIONAIS DE DIREITOS HUMANOS E DE
3.1 Tratados Internacionais de Direitos Humanos
3.1.2 Declaração Universal dos Direitos Humanos de 1948
Assinada em 1948, a Declaração Universal dos Direitos Humanos (DUDH) é um dos documentos básicos das Nações Unidas. Realizada no Palais de Chaillot, em Paris, teve como principal autor John Peters Humphrey (Canadá), que contou com a ajuda de pessoas do mundo todo, como Rene Cassin (França), P. C. Chang (China), Charles Malik (Líbano), Eleanor Roosevelt (Estados Unidos), dentre outros, que nela, enumeraram os direitos que todos os seres humanos possuem, delineando, então, os direitos humanos básicos.75
In less than half a century, the Universal Declaration of Human Rights (the UDHR) has come to be regarded as possibly the single most important document created in the twentieth century and as the accepted world standard for human rights. The UDHR draws life-preserving messages from the past, and is seen as an essential foundation for building a world in which all human beings can, in the centuries to come, look forward to living in dignity and peace.7677
Para compreender os direitos elencados nesta declaração, imperioso é que conheçamos os motivos que lhe deram ensejo, o que impulsionou estes vários países a se unirem e redigirem um documento que declarasse e afirmasse quais são os direitos inerentes a todo e qualquer ser humano.
Na Segunda Guerra Mundial, como já visto, conflito mais letal da história da humanidade, o mundo entrou em estado de guerra total de 1939 a 1945, envolvendo todo o
75 BAILEY, Peter. The Creation of the Declaration of Human Rights. Disponível em:
<http://www.universalrights.net/main/creation.htm>. Acesso em: 26 jun. 2015.
76 BAILEY, Peter. The Creation of the Declaration of Human Rights. Disponível em:
<http://www.universalrights.net/main/creation.htm>. Acesso em: 26 jun. 2015.
77 Em menos de meio século, a Declaração Universal dos Direitos Humanos (DUDH) já vem sendo considerada
como possivelmente o documento mais importante criado no século XX, bem como um padrão mundial aceito pelos direitos humanos. A DUDH traz, do passado, mensagens de preservação da vida, e é vista como um fundamento essencial para a contrução de um mundo no qual todos os seres humanos podem, nos séculos vindouros, ansiar para viver com dignidade e paz. (tradução nossa).
globo, tendo como resultado mais de sessenta milhões de mortos. Este prélio causou em grande impacto às sociedades de todos os Estados, abalando a todos com a barbárie que se instalou, e claro como estava para a comunidade mundial que o que fora determinado na Carta das Nações Unidas ainda não tinha sido o suficiente, fez-se necessária uma declaração de especificasse quais os direitos humanos individuais.78
Com vistas a construir um novo mundo, visto que aquele que se conhecia até então estava completamente devastado e desestruturado, no pós-guerra, as nações que emergiam como potências, liderados pelos Estados Unidos e pela URSS, reuniram,-se em uma convenção, a Convenção de Yalta, Ucrânia, no ano de 1945, onde os líderes de vários países debateram quais os alicerces ideológicos sobre os quais a humanidade deveria se reerguer, instituindo, assim, as bases para “paz” mundial.
Desta forma, ficou então definida a criação de uma organização multilateral, a qual teria como objetivo evitar as guerras e promover a paz, servindo como mediadora dos conflitos internacionais, em prol da democracia e da defesa dos direitos humanos.
Em prol de um respeito, por todos os povos das Nações Unidas, aos direitos e liberdades fundamentais da pessoa humana, a Assembléia Geral da ONU, adota e proclama, pela Resolução 217-5 (III), em 10 de dezembro de 1948, a Declaração Universal dos Direitos Humanos:
(..) como o ideal comum a ser atingido por todos os povos e todas as nações, com o objetivo de que cada indivíduo e cada órgão da sociedade, tendo sempre em mente esta Declaração, se esforce, através do ensino e da educação, por promover o respeito a esses direitos e liberdades, e, pela adoção de medidas progressivas de caráter nacional e internacional, por assegurar o seu reconhecimento e a sua observância universal e efetiva, tanto entre os povos dos próprios Estados-Membros, quanto entre os povos dos territórios sob sua jurisdição.79
Vale ressaltar que a Declaração Universal dos Direitos Humanos não é um documento imbuído de força legal, não tendo qualquer obrigatoriedade ou exigibilidade; os Estados que a ela se vinculam apenas reconhecem formalmente o seu conteúdo. Entretanto, foi a partir deste documento que a ONU – Organização das Nações Unidas cunhou o Tratado Internacional dos Direitos Civis e Políticos e o Tratado Internacional dos Direitos Econômicos, Sociais e
78 COMPARATO, Fábio Konder. A afirmação histórica dos Direitos Humanos. 5. ed. São Paulo: Saraiva, 2007. 79 Declaração Universal dos Direitos Humanos, 1948.
Culturais, a serem estudados em capítulo seguinte, os quais possuem força legal e devem ser respeitados pelos países que os ratificaram.
Nos trinta artigos que constituem a Declaração, dentre os direitos humanos e liberdades fundamentais de que são titulares todos os homens e mulheres, sem qualquer discriminação, destacam-se: o direito à vida; direito à igualdade e dignidade; direito à liberdade, tanto física quanto da consciência, do pensamento e religião; direito ao trabalho e educação; o direito à habitação e alimentação; o direito à nacionalidade e o direito a fazer parte de um governo.
Fica claro que, devido ao momento histórico de sua criação, a preocupação com o meio ambiente não era a matéria principal, ou sequer fazia parte dos objetos a serem garantidos na Declaração. Sendo assim, por todo o texto da Declaração Universal de Direitos Humanos, bem como ocorre na Carta das Nações Unidas, não se menciona, em nenhum momento, o direito (ou obrigação de preservação) ao meio ambiente. No mais, o que se pode extrair como forma de vinculação à proteção ambiental a estes texto é o direito à vida, à saúde e ao bem-estar80.
Artigo III – Toda pessoa tem direito à vida, à liberdade e à segurança pessoal. (...).
Artigo XXV – 1. Todo ser humano tem direito a um padrão de vida capaz de assegurar-lhe, e a sua família, saúde e bem-estar, inclusive alimentação, vestuário, habitação, cuidados médicos e os serviços sociais indispensáveis, e direito à segurança em caso de desemprego, doença, invalidez, viuvez, velhice ou outros casos de perda dos meios de subsistência em circunstâncias fora de seu controle. (grifo nosso).81
Não há vida sem o meio ambiente, sendo assim, sua preservação é meio ao cumprimento ao direito humano fundamental da vida.