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CAPÍTULO 5 ESTUDOS DE CASO

5.4 Etapa de estudos preliminares

5.4.3 Definição de programas e escopos de estudos preliminares

O escopo de projeto, diferentemente do programa do mesmo, vem a ser a definição da forma em que o projeto será apresentado e o nível de detalhe das informações presentes. Estas informações podem ser genéricas para um determinado tipo de edificação e também devem atender aos padrões do contratante, permitindo uma melhor análise e controle do projeto.

Pode-se dizer então que o programa e o escopo complementam-se, devendo este último na medida do possível, relacionar todos os itens que deverão fazer parte do projeto e sua forma de apresentação. Se o escopo for desenvolvido com esta orientação, o mesmo já se constitui numa documentação inicial de controle dos projetos.

Assim como foi elaborado o programa de arquitetura indicado anteriormente, também deverão ser elaborados os programas dos projetos complementares, sendo todos eles complementados com os escopos de projetos. Nos quadros 5.18, 5.19 e 5.20 são indicados os escopos para os estudos preliminares de arquitetura e de estrutura, além do programa para este último projeto, exemplificado com os itens relativos ao projeto B.

A organização dos escopos indicados segue a estrutura de edificações verticalizadas como a dos estudos de caso, onde existem os seguintes pavimentos: subsolo, térreo, pavimento tipo, duplex inferior, duplex superior, barrilete, casa de máquinas e reservatórios.

Algumas entidades de classe já têm desenvolvido modelos próprios para esta documentação, como no caso da Associação Brasileira de Engenharia e Consultoria Estrutural – ABECE (FREITAS, 2003), especificando os insumos, atividades desenvolvidas e produtos gerados em cada fase de projeto.

Após o aceite do estudo preliminar de arquitetura, o projetista estrutural e os outros projetistas dos complementares recebem seu programa e escopo junto ao estudo preliminar de arquitetura aceito, para desenvolver seus respectivos estudos.

Embora no fluxograma apareça a seqüência indicada acima, isto não significa que não haja comunicação entre o arquiteto e os outros projetistas enquanto ele desenvolve o estudo preliminar. Se os projetistas dos complementares já estiverem contratados pelo cliente, poderão ser consultados pelo arquiteto.

Esta situação seria a ideal para o bom desenvolvimento do projeto, mas em poucas oportunidades os clientes ou donos da obra contratam os projetos complementares junto ao arquitetônico. Assim para completar o estudo, o arquiteto faz os lançamentos dos projetos complementares e/ou consulta com este fim a projetistas parceiros.

Quadro 5.18. Escopo do estudo preliminar de arquitetura.

ESCOPO DO ESTUDO PRELIMINAR DE ARQUITETURA

ITEM CONTEÚDO

Pavimento subsolo Escala 1:50, 1:75 ou 1:100

- Espaços e circulações necessárias para cumprir com o programa de necessidades, com medidas indicadas

- Reservatórios com níveis indicados

- Portas e aberturas de iluminação/ventilação - Níveis em relação à calçada e outros pavimentos

- Locais para equipamentos como central de baterias, bombas, grupo gerador, subestação

- Vagas de garagem

- Pré-lançamento de pilares da estrutura - Indicação de sistema de ventilação - Rampas de acesso é inclinação

- Indicação do aproveitamento do pavimento em relação ao terreno Pavimento Térreo

Escala 1:50, 1:75 ou 1:100

- Espaços e circulações necessárias para cumprir o programa de necessidades, com medidas indicadas

- Mobília dos ambientes projetados - Indicação do norte

- Portas e aberturas de iluminação/ventilação - Vagas de garagem

- Central de gás

- Aparelhos de ar condicionado

- Shafts para instalações preventivas de incêndio, hidráulicas e elétricas/dados

- Lixeira e acessos

- Locais de medição elétrica - Acessos de veículos e pedestres - Áreas de jardim e lazer

- Rampas de acesso e inclinação - Níveis em relação à calçada

- Níveis de piscinas, quadras, recreações e outras áreas - Pré-lançamento de pilares da estrutura

- Indicação do aproveitamento do pavimento em relação ao terreno - Indicação de ruas, recuos e confrontantes

- Indicação de pé direito até o primeiro pavimento tipo Pavimento tipo

Escala 1:50

- Espaços e circulações necessárias para cumprir o programa de necessidades, com medidas indicadas.

- Mobília dos ambientes projetados - Indicação do norte

- Pré-lançamento de pilares da estrutura - Portas e aberturas de iluminação/ventilação - Aparelhos de ar condicionado

- Shafts de instalações na área comum e privativa - Indicação de pé direito entre pavimentos

- Indicação de variações de planta (quando houver) Pavimento duplex

inferior Escala 1:50

- Espaços e circulações necessárias para cumprir o programa de necessidades, com medidas indicadas.

- Mobília dos ambientes projetados - Indicação do norte

- Pré-lançamento de pilares da estrutura - Portas e aberturas de iluminação/ventilação - Aparelhos de ar condicionado

- Shafts de instalações na área comum e privativa - Indicação de pé direito entre pavimentos

Continuação de Quadro 5.18

ESCOPO DO ESTUDO PRELIMINAR DE ARQUITETURA

ITEM CONTEÚDO

Pavimento ático

Escala 1:50 ou 1:75 - Espaços e circulações necessárias para cumprir o programa de necessidades, com medidas indicadas. - Mobília dos ambientes projetados

- Indicação do norte

- Pré-lançamento de pilares da estrutura - Portas e aberturas de iluminação/ventilação - Aparelhos de ar condicionado

- Desníveis entre áreas cobertas/descobertas e piscinas - Shafts de instalações na área comum e privativa - Indicação de pé direito do pavimento

- Piscinas e decks com níveis indicados

- Indicação de variações de planta (quando houver) Cobertura do ático, barri-

lete, casa de máquinas e reservatórios

Escala 1:50 ou 1:75

- Espaços para casa de máquinas, barrilete e reservatórios - Acessos aos níveis de cobertura e inspeção do telhado - Pré-lançamento de pilares da estrutura

- Inspeção de reservatórios

- Portas e aberturas de iluminação/ventilação - Calhas e sentido do telhado

- Shafts de instalações

- Indicação de pé direito dos níveis barrilete, casa de máquinas dos elevadores e reservatórios

Fachada/Volumetria - Perspectiva da edificação (em meio digital) - Cores das fachadas e esquadrias externas - Guardacorpos

- Ressaltos ou baixos relevos nos panos da fachada - Pré-definição de materiais de revestimento externo Cortes

Escala 1:75 ou 1:100 - Pé direito entre os diferentes níveis- Desenvolvimento de lances de escadas - Tipo de laje e locais com forro

- Pré-lançamento de vigas da estrutura Memorial - Memorial justificativo da solução

- Áreas construídas por pavimento

- Áreas computáveis e não computáveis por pavimento - Áreas cobertas/descobertas por pavimento

- Índices solicitados no programa: compacidade, área de circulação/área total, relação área privativa/área total, área de esquadrias

- Coeficientes de aproveitamento

- Taxas de ocupação do térreo e pavimento tipo - Área de cada uma das unidades privativas - Número de vagas de garagem

Quadro 5.19. Escopo do estudo preliminar de estrutura.

ESCOPO DO ESTUDO PRELIMINAR DE ESTRUTURA

ITEM CONTEÚDO

Forma pavimento tipo

Escala 1:50 - Posição de pilares, vigas, panos de laje e desníveis- Pré-dimensionamento de pilares, vigas e lajes

- Indicação de vigas com medidas diferentes das padronizadas - Variações de forma de acordo com o projeto arquitetônico Forma pavimento té-

rreo

Escala 1:50, 1:75 ou 1:100

- Posição de pilares, vigas, panos de laje e desníveis - Indicação de locais com enchimentos

- Pré-dimensionamento de pilares, vigas e lajes - Indicação de pilares e vigas de transição - Indicação de juntas de dilatação

- Indicação de pilares duplos em juntas ou consoles

- Indicação de desníveis entre áreas cobertas e descobertas Forma do pavimento

duplex inferior Escala 1:50

- Posição de pilares, vigas, panos de laje e desníveis - Pré-dimensionamento de pilares, vigas e lajes

- Indicação de vigas com medidas diferentes das padronizadas - Indicação de variações em relação ao pavimento tipo

Forma do pavimento ático

Escala 1:50

- Posição de pilares, vigas, panos de laje e desníveis entre áreas cobertas e descobertas.

- Indicação de locais com enchimentos

- Pré-dimensionamento de pilares, vigas e lajes - Indicação de pilares e vigas de transição Forma de outros

níveis: casa de máqui- nas, reservatórios, quadras e piscinas Escala 1:50 ou 1:75

- Posição de pilares, vigas, panos de laje e desníveis - Pré-dimensionamento de pilares, vigas e lajes - Indicação de pilares e vigas de transição - Indicação de juntas de dilatação

- Indicação de pilares duplos em juntas ou consoles Memorial - Resistência característica do concreto

- Cargas consideradas

- Estimativa de consumo de aço - Estimativa de consumo de concreto - Estimativa de consumo de formas

Quadro 5.20. Programa de estudo preliminar de estrutura do projeto da obra B. ESPECIFICAÇÕES PARA ESTUDO PRELIMINAR DE ESTRUTURA DE CONCRETO ARMADO

MOLDADO IN LOCO

COMPONENTE ITEM DEFINIÇÃO

Concreto Resistência característica fck 35 Mpa

Concreto usinado Sim

Concreto produzido na obra Não

Fator a/c 0,55

Pilares Com redução de seção não

Sem redução de seção sim

Dimensão mínima 20 cm

Vigas Largura padrão 12 cm

Largura em divisa entre unidades 20 cm

Altura padronizada 60 cm

Lajes Maciça (armada com tela soldada) não Plana com viga periférica sim

Pró-tendida não

Nervurada não

Painéis treliçados não

Escada Moldada in loco sim

Pré-moldada não

Paredes Internas da unidade dry-wall - 2 chapas

Externas da unidade bloco cerâmico furado Escada e antecâmara bloco cerâmico maciço Revestimentos Argamassa cimento:cal: areia e=2cm em paredes de tijolo

Cerâmica bwcs, cozinha, área serviço

Pastilha sim (detalhes na fachada)

Granito não

Outros não

Pisos tipo Contrapiso zero

Banheiros cerâmica

Área social madeira laminada

Área de serviço cerâmica

Sacadas cerâmica

Pisos térreo Área social granito com contrapiso de 2 cm

Áreas de serviço cerâmica com contrapiso de 3 cm Áreas descobertas regularização, impermeabilização

com manta, regularização e cerâmica

No caso específico dos estudos de caso, como já foi mencionado, nos projetos A e C a coordenação e os projetos complementares foram contratados após o estudo preliminar do arquiteto. Isto resultou em re-definições de lançamentos de estrutura e instalações assim como em alterações do projeto para adequar-se a espaços de instalações não previstos no estudo preliminar. No caso da obra B, a situação anterior foi minimizada, pois o arquiteto

consultou os projetistas parceiros do cliente, que mesmo sem terem sido contratados formalmente forneceram as informações necessárias.

Deve-se indicar que embora se tenha os programas e escopos indicados nas figuras deste trabalho, nem sempre os estudos dos projetistas atendem estritamente às definições solicitadas, pois, como já foi mencionado, a maioria dos projetistas não separa formalmente as etapas dos seus projetos. Por causa disso, os estudos aparecem normalmente com menos informações que as indicadas nos escopos.