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Demais polêmicas que todo gestor precisa conhecer

DOS TRABALHOS EM ASSEMBLEIAS

4.2 POLÊMICAS DO DIA A DIA EM CONDOMÍNIO

4.2.6 Demais polêmicas que todo gestor precisa conhecer

A vida em sociedade não é fácil, ainda mais com pessoas que possuem preferências, valores e educação distintos. Às vezes, o que pode irritar, profundamente, uma pessoa, talvez, seja tolerável, ou, extremamente, normal para outra.

Essa situação só agrava, ainda mais, quando moramos ou exercemos as nossas profi ssões em condomínios edilícios, nos quais a proximidade e o compartilhamento de serviços comuns são capazes de gerar muitos desentendimentos. Pensando nisso, no dia a dia enfrentado pelos novos gestrores, separamos outros temas polêmicos acerca da rotina dos empreendimentos.

Nem tudo que está na convenção do condomínio pode ser aplicado Inicialmente, deve-se destacar que a convenção do condomínio, assim como nos demais contratos, não pode violar a moral ou a ordem pública, ou seja, mesmo que aprovadas em assembleia, pelos condôminos, se as regras ferem princípios e valores protegidos e aceitos pela sociedade, ou se contrariam o texto da lei, podem ser anuladas por decisão judicial.

Quem se sente prejudicado, sempre, está livre para procurar o Judiciário, para fazer valer os direitos.

Uso para fi ns diversos é proibido

A lei dispõe que cada morador pode usar o imóvel, conforme a destinação, não podendo, por exemplo, um imóvel residencial ser utilizado comercial, ou um comercial como moradia (Art. 1.335, II, CC/2002). No entanto, tal regra não

1.336, IV, CC/2002). Atividades inadequadas devem ser proibidas quando violam direitos de outras pessoas, como aulas de instrumentos musicais que emitam sons acima do permitido, ou destinação comercial/industrial do imóvel residencial, com a fabricação de produtos alimentícios destinados à venda, por exemplo.

Com relação ao aluguel de temporada, a exemplo do aplicativo Airbnb, não há, ainda, um consenso na justiça, existindo decisões no sentido de que pode ser proibido ou que essa proibição restringe o direito de propriedade, o que é ilegal.

É permitida criação de animais de estimação

A justiça vem entendendo, pacifi camente, que é permitida a permanência de animais de estimação nas unidades residenciais, mesmo que a convenção disponha o contrário. No entanto, criar qualquer desses bichinhos (ex.: gato, cachorro, passarinho) não pode prejudicar o sossego, a saúde ou a segurança dos demais moradores, e nem pode ser contrário aos bons costumes (Art. 1.336, IV, CC/2002).

A criação de cães violentos ou que latem excessivamente, por exemplo, pode violar o direito de outras pessoais, estando, o condômino, sujeito a multas proporcionais ao valor da taxa condominial, além da possibilidade de se obter ordem judicial para a expulsão do animal danoso.

Unidades de tamanhos maiores podem pagar taxas mais elevadas e exercer o direito ao voto com maior peso

A lei dispõe que o condômino é obrigado a contribuir para as despesas do condomínio a partir da proporção das frações ideais dele, salvo disposição em contrário na convenção (Art. 1.336, I, CC).

A legislação prevê, ainda, que os votos, nas assembleias, são proporcionais às frações ideais no solo e nas outras partes comuns pertencentes a cada morador, salvo disposição diversa da convenção de constituição do condomínio (Art. 1.352, § único, CC/2002). Assim, cabe, à convenção, disciplinar isso, de acordo com a vontade de, pelo menos, dois terços dos condôminos, porém, caso não o faça, vale a regra do Código Civil: unidade maior paga mais e vota mais.

Gostou dessas dicas? Agora, fi que atento a esses e a outros temas que podem ser levados ao seu conhecimento para serem deliberados em assembleia.

Lembre-se: use a parcimômia, a inteligência emocial e a fl exibilidade para tratar de temas polêmicos no prédio.

ALGUMAS CONSIDERAÇÕES

Este capítulo teve, como objetivo, dar continuidade ao estabelecimento das primeiras impressões da administração de condomínios no Brasil aos futuros Especialistas em Gestão de Propriedades Urbanas, apresentando um modelo de gestão altamente contemporâneo e prático, que deixou de ser uma tendência e passou a ser uma realidade nos dias atuais, uma verdadeira oportunidade de abertura de novos negócios no mercado imobiliário.

Para ser um gestor condominial autônomo, ou se deseja fazer isso através de uma empresa, este capítulo abarcou questionamentos às problemáticas de cunho técnico, e destacou a notável contribuição do síndico qualifi cado nesse novo processo de administração condominial.

Foi demonstrado, no desenvolvimento desta leitura, o conjunto de conhecimentos e de habilidades indispensável para a administração de pequenos e grandes empreendimentos imobiliários, incluindo as características de uma nova forma de lidar com as pessoas, através de técnicas inovadoras que permitem ampliar o relacionamento entre condôminos e gestores.

Entende-se que o objetivo geral foi alcançado, uma vez que se identifi cou que, para a profi ssionalização desse modelo de gestão, o futuro gestor precisa obter conhecimentos específi cos nas áreas de administração, fi nanças, contabilidade, relações humanas, direito e engenharia, necessitando, ainda, de habilidades para lidar com confl itos, saber ouvir, ser político, imparcial, humilde, participativo e um bom líder.

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C APÍTULO 3