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3.9.2.1 – Demonstrativo de Renda Variável

O Demonstrativo de Renda Variável deve ser preenchido pelos contribuintes que tenham realizado no ano-calendário a que se refere a Declaração de Ajuste Anual, alienações de ações no mercado à vista em bolsa de valores, ou alienação de ouro ou ativo financeiro, no mercado disponível ou à vista em bolsa de mercadorias, de futuros ou diretamente junto a instituições financeiras.

Também deve elaborar o aludido demonstrativo a pessoa física que realizar operações em bolsas de valores, ou de mercadorias e de futuros, nos mercados a termo, de opções, e futuro, com qualquer ativo.

O mesmo se aplica ainda às operações realizadas em mercados de liquidação futura, fora de bolsa, inclusive com opções flexíveis, ou nos casos de alienação de quotas dos fundos de investimento imobiliário, negociadas em bolsa.

Assim, o Demonstrativo de Renda Variável compreende todas as operações realizadas nas bolsas de valores, de mercadorias, de futuros e assemelhadas, bem como as operações com ouro, ativo financeiro, realizadas fora de bolsas, com a interveniência de instituições integrantes do Sistema Financeiro Nacional (bancos, corretoras e distribuidoras), ressalvadas as operações de mútuo e de compra vinculada à revenda com ouro, ativo financeiro, e as operações de financiamento referidas anteriormente.

O tratamento tributário conferido a essas operações depende das modalidades em que são negociados os ativos ou contratos, modalidades essas denominadas mercados à vista, de opções, futuro e a termo.

De qualquer maneira, consoante mencionado anteriormente, o Imposto sobre a Renda nestes casos busca tributar o ganho de capital eventualmente apurado, assim entendido como o ganho líquido obtido na negociação dos ativos ou contratos financeiros.

Destarte, para a apuração dos ganhos líquidos (ou perdas), as despesas com corretagens, taxas ou outros custos necessários à realização das operações, desde que efetivamente pagas pelo contribuinte, podem ser acrescentadas ao custo de aquisição ou deduzidas do preço de venda dos ativos ou contratos negociados.

No caso de negociação no mercado à vista, o custo de aquisição dos ativos negociados nos mercados deve ser calculado pela média ponderada dos custos unitários, por espécie de ativo.

Em outras palavras, o contribuinte deve somar os valores referentes às compras do ativo realizadas até a data da operação de venda do mesmo ativo, e, posteriormente, dividir o valor encontrado no primeiro item pela quantidade do ativo em seu poder, obtendo o valor de cada ação ou de cada grama de ouro.

Esse valor, multiplicado pela quantidade de ações ou de gramas de ouro vendida, representará o custo médio de aquisição.

Com efeito, o ganho líquido é obtido pela diferença positiva entre o valor da operação de venda e o do custo médio do ativo vendido.

No caso de operações no Mercado de Opções, devemos ainda desmembrar as operações cujo objeto seja a negociação das opções de compra ou de venda (sem exercício da opção), das mesmas operações, mas com o efetivo exercício da opção.

Nesse caso, para o titular da opção, o custo de aquisição das opções de mesma série é calculado pela média ponderada dos prêmios unitários pagos, e o ganho líquido será obtido pela diferença positiva entre o valor da operação de encerramento das opções de mesma série (valor recebido pela venda de opções) e o seu custo médio de aquisição.

Caso o contribuinte seja lançador da opção, para apurar o ganho líquido, os valores dos prêmios referentes às opções lançadas, recebidos até a data da operação de encerramento em opções de mesma série, deverão ser somados. Quando do efetivo encerramento, o resultado obtido deve ser dividido pela quantidade de opções de mesma série lançadas até aquela data, apurando assim o valor médio do prêmio recebido em cada opção.

Assim, o ganho líquido deve ser apurado pela diferença positiva entre o valor médio do prêmio recebido em cada opção, multiplicado pela quantidade de opções de mesma série objeto da operação de encerramento e o valor desta operação.

De outro lado, nas operações de exercício da opção, caso estejamos tratando de opção de compra, o titular da mesma apurará o custo de aquisição de acordo com o preço de exercício do ativo, acrescido do valor do prêmio pago. Portanto, o ganho líquido será a diferença positiva entre o valor de venda à vista do ativo, na data do exercício, e o seu custo de aquisição.

Ocorrendo a venda posteriormente à data do exercício, o ganho líquido será a diferença positiva entre o valor recebido pela venda do ativo e o custo médio de aquisição, apurado conforme estabelecido para o mercado à vista.

Em sentido diverso, caso o contribuinte seja lançador da opção, o custo de aquisição para o lançador coberto será o custo médio de aquisição do ativo, conforme estabelecido para o mercado à vista. Caso o lançador esteja descoberto, o custo de aquisição será o preço pago pelo do ativo objeto do exercício.

Nos dois casos, o ganho líquido será a diferença positiva entre o preço de exercício do ativo, acrescido ainda do valor do prêmio recebido, e do seu custo de aquisição.

Por fim, nos casos de operações com opção de venda, caso o contribuinte seja titular da opção, o custo de aquisição será o custo médio de aquisição do ativo acrescido do valor do prêmio pago, e o ganho líquido será a diferença positiva entre o preço de exercício do ativo e o seu custo de aquisição.

Na hipótese da pessoa física ser lançadora da opção, o custo de aquisição deve ser o preço de exercício do ativo, diminuído do valor do prêmio recebido, e o

ganho líquido será a diferença positiva entre o preço de venda à vista do ativo, na data do exercício, e o seu custo de aquisição.

Também neste caso, ocorrendo a venda posteriormente à data do exercício, o ganho líquido será a diferença positiva entre o valor recebido pela venda do ativo, e o custo médio de aquisição, apurado conforme estabelecido para o mercado a vista.

Dando continuidade, no caso de operações no Mercado a Termo, caso o contribuinte figure como comprador, o custo de aquisição é o preço do ativo estabelecido no contrato de compra a termo. Por sua vez, o ganho líquido será a diferença positiva entre o valor de venda à vista do ativo, (na data da liquidação do contrato a termo, ou em data posterior), e o custo de aquisição.

Para o contribuinte vendedor a descoberto, o custo de aquisição será o preço de compra à vista do ativo objeto da liquidação do contrato a termo, e o ganho líquido será o resultado positivo entre o preço do ativo recebido constante no contrato a termo e o custo de aquisição.

Ainda nos casos de operações no mercado a termo, no caso de venda coberta, a operação deverá ser tributada segundo as regras de aplicações em renda fixa.

Por derradeiro, no caso de operações em Mercados Futuros, o ganho líquido é o resultado positivo da soma algébrica dos ajustes diários ocorridos em cada mês.

Uma vez auferidos os ganhos líquidos sujeitos à tributação, os mesmos deverão ser tributados pela alíquota de 20%, no caso de operação day trade, ou

pela alíquota de 15%, nas operações realizadas nos mercados à vista, a termo, de opções e de futuros.

Não obstante o acima exposto, com o advento da Lei 11.033/04, as operações realizadas no mercado bursátil ficaram sujeitas à retenção do imposto de renda na fonte, pela alíquota de 0,005% (cinco milésimos por cento), como antecipação, podendo ser compensado com o imposto de renda mensal na apuração do ganho líquido.

Repise-se mais uma vez que são isentos do imposto de renda os ganhos líquidos auferidos por pessoa física em operações no mercado à vista de ações negociadas em bolsas de valores e em operações com ouro, ativo financeiro, cujo valor das alienações realizadas em cada mês seja igual ou inferior a R$ 20.000,00, para o conjunto de ações e para o ouro, ativo financeiro, individualmente.

No caso de apuração de prejuízo, as perdas incorridas nas operações de renda variável poderão ser compensadas com os ganhos líquidos auferidos, no próprio mês, ou nos meses subseqüentes (inclusive em exercícios futuros), em outras operações realizadas em qualquer das modalidades operacionais previstas anteriormente, com exceção às perdas em operações de day trade, que somente serão compensadas com ganhos auferidos em operações da mesma espécie (day

trade).