Rascunho 63 - Sobre escrever
3 TRAVESSIAS DE UM PESQUISAR MIGRANTE
3.3 O desafio de fechar o campo
Dadas as devidas proporções, um campo aberto junto ao meu corpo desde o desafiador convite para migrar de tema, tem no escopo dessa pesquisa a necessidade de um fechamento, ainda que provisório, para que nas reconhecidas afetações possa eu reabri-lo e encontrar novos sentidos em outras convocações. Tantos movimentos e registros cultivam ainda em
mim inspirações as quais não é fácil limitar, tampouco sair de um campo tendo ainda mais por conhecer. Como mais um desafio a mim revelado, fechar este que me deslocou para muitos lugares e reflexões é, no mínimo, desconcertante no que tange ao momento de concluir. Mas como fazê-lo?
Tendo sido no laboratório de escrita que se deu o reencontro com toda a prática encarnada dessa pesquisa, nele mesmo escolho escrever a última linha a determinar o limite.
Conectando referências tanto materiais quanto imateriais no presente exercício, segui pelos sentidos surgidos no percurso e fui reunindo os pilares desta construção. Atento ao que faz fazer e tece comunicação para dar vida ao texto, percebi os elementos das cenas contempladas em minha travessia para então potencializar no dispositivo da escrita como um organismo único, respirando junto na inserção de percepções e emoções. Como uma estratégia social, correspondendo a
Maneiras de entrar em relação e transformas estas relações, maneiras também de se experimentar, estas emoções participam, para aqueles que podem senti-las e exprimi-las, da possibilidade de se integrar ao social. (DESPRET, 2011, p. 35)
O encontro com outros modos de pensar que não os já pensados, confere uma importância não só ao meu contato com a psicologia social e a TAR, como a tudo que me mobilizou. É deste lugar que parte minha percepção de pesquisa de um tema tão denso e delicado, no qual reconheço que construir conhecimento nem sempre é conhecer as muitas vidas e atores que fazem a rede. “No fundo, bem atrás do pensamento, eu vivo dessas ideias, se é que são ideias. São sensações que se transformam em ideias porque tenho que usar palavras” (LISPECTOR, 1998, p. 92).
Rascunho 61 - Corpos e travessias
Estatísticas seriam carimbos no passaporte de quem pesquisa?
A forma e o antemão dariam conta da experiência vivida?
Tornar-se outros na aproximação seria próprio de quem se arrisca?
Migrando no emaranhado de muitos, sensibilizar se conjugaria?
Aprendizagens não sobre, mas com...corpos e travessias...
Entrando na lacuna de formação do campo a circulação por diversos espaços, parto da aproximação como a minha principal fonte de conhecimento acerca da migração. Indagando-me onde eu estava, com o que e com quem Indagando-me deparei e o que ou como quero dizer, conversei a todo instante com o que essa principal fonte me disse. Com fatos e narrativas por vezes redesenhados em poesias, agreguei ao comparecimento dos interlocutores para fundamentar a pesquisa que foi, em suma, trazer autores e suas respectivas reflexões.
O saber dos outros transforma nossas maneiras de nos saber. Isto que tinha valor de evidência, ou mesmo de norma, aparecia subitamente, na lição dos contrastes, não somente como contingente – é isso o que temos direito de esperar das colocações em perspectivas, aquilo que, aliás, nos reata ainda à reflexividade – mas, sobretudo, como problemático. (DESPRET, 2011, p. 34).
Sem distanciar a experiência da formação acadêmica, reconheço que esta também forma, informa e constrói, tendo além da orientação e do PPGPS como combustíveis, os autores como parceiros, os migrantes como contribuintes e os eventos como norteadores desse rico contato. Os momentos não estão apartados, mas imbrincados, encarnados na possibilidade de contemplação do singular. E foi ao seguir os rastros e captar a singularidade de cada encontro, de cada afeto e de cada cuidado vinculado ao tema da migração que me embaso em Paulo Leminski (1944-1989) para crer que “isso de querer ser exatamente aquilo que a gente é ainda vai nos levar além” (LEMINSKI, 2013, p. 228).
Como crescente e inquietante demanda, o que poderia legitimar a condição de protagonismo ao migrante foi pensado de modo a manter algumas das vozes e criar traduções e versões de outras, reinventando-me nessa mesma conjuntura de contato. Rastros não apenas físicos, como também emocionais e psicológicos me convidavam e direcionavam nesse campo em que atuei junto a tantos outros atores. Isso, na sensibilização por compreender muito mais do que denunciar ou criticar as muitas violações de direitos humanos que se estruturam nas vidas migrantes.
A humanização no sentido acessório, levando-me a pensar no migrante em movimento e também me movimentando por consequência, permitiu nascer uma relação com a dúvida de como lidar com o tema. Os desvios e as misturas aqui descritos partiram do modo como o campo se compõe, refletindo no que nada sabia dele, emergindo nele diante do que estava acontecendo e conectando realidades. Nesse mesmo contexto de pensar onde a psicologia social e a TAR se inserem, o afeto como via me mostrou com o que ou com quem pretendia dialogar.
Aqui não me restrinjo aos dados, nem absolutas verdades. Trago afetações de um campo que muito me disse, inquietou e baniu de um lugar de obviedades. Aberto por um convite que me inseriu numa prática de pesquisa não tão sistematizada, mas onde me lancei para as envergaduras deste trabalho, promovido entre encontros que, pelo viés de uma psicologia social, fui o intercessor para pensar o trajeto e o exercício dessa pesquisa. Com os referenciais que se agrupam e tentando fazer com que transbordem as questões muito mais do que produzir singularidades.
Modulando olhares para o que se considera científico, os esforços concentrados também na autonomia em meio aos experimentos fizeram-me ver possibilidades que se avizinham no universo de uma produção realizável e sensível. Em torções que se compõem e se organizam, os rascunhos propuseram certo abalo no tempo contínuo de uma produção linear, deixando que fendas se abram e se preencham de possibilidades reflexivas para além das minhas. Arriscando em não detectar um tipo absoluto de ciência, dizendo não ao tempo domado e sim para novos tempos indicadores de outros caminhos.
A própria subjetividade como contemplação e exercício de contato ou intimidade fez com que eu saísse de estabilidades e confortos científicos, reconhecendo que é na experiência afetiva que a introjeção opera, indo do sensível para o sentido. (REIS, 2017, p. 44).
Colocando o meu próprio corpo pesquisador migrante para pensar junto às afetações desse campo, tentei pensar em como se povoa esse ter ido embora num trabalho processual de estar e ser outros (na pesquisa e na escrita). Pensando nos eventos como ruas e setas convidativas a se pensar a migração em seus encontros ou desencontros.
Nas afetações transformadas em narrativas, o que emergiu do contato com o tema e com os migrantes foi a porta pela qual entrei para tentar explorar de que modo tais vítimas de violação de direitos humanos habitam o mundo. Surpreendido por elas e com elas, me vi inquieto com o que eu deveria falar ou calar dos muitos lugares de escuta, tentando criar pontos de aproximação entre tantas distâncias. Daí se origina uma produção localizada, situada, em processo de talvez novas composições que transformam e criam versões do que ficou dos encontros no campo. Campo este que me interrogava o que e como fazer de mistura das tantas diferenças culturais, sociais, psicológicas, enfim, inscritas no migrante que me constitui social e humanamente.
Sem homogeneizar as diferenças e usando no presente laboratório recursos (como os rascunhos) para que se aproximem, busquei sustentar as tensões e reconhecer os caminhos que se tomam, pois não bastaria seguir os atores, mas pensar nessa vivência de pesquisa e na produção de versões que ela me fez fazer. Como substrato do que os encontros produziram em mim, sem o exotismo de um outro, já que migrantes somos todos nesta seara, me nutri de diferença sem querer produzir igualdades, trabalhando com o que se mostrou heterogêneo dentro da migração.
Dando estatura e envergadura ao texto, confirmei os embaraços no campo, desde o que não se entendia numa escuta até o que dela se poderia inferir, admitindo limitações em que uma suposta homogeneidade não expressaria a potência desse campo constituído de muitos lugares, sobretudo de um desafio humano verbalizado que como em sua própria condição de
vida, me coloca a experiência do limite e da resistência nesta pesquisa e no modo de escrever, pois
a experiência literária é combativa, resistente, uma vez que se coloca na contramão do que está estigmatizado enquanto verdade, da moral vigente em cada época.
Pensar é antes de tudo resistir, não deixar que os valores se fixem onde estão, tornar as coisas móveis, desterritorializá-las, operar o movimento próprio do nômade.
(LEVY, 2003, p. 120)
No que se ganha ou no que se perde em campo, a escolha por viver o estudo e não por um lugar específico é o motivo de migração pelos espaços e acompanhamento dos rastros, numa categoria em que não seria possível responder de uma mesma forma a tudo o que se revelava. A travessia em processo, o que dela se traz ou o que se deixa, resultou de estar em ação, em movimento com tudo o que precisava dar conta de embaraços e me sugeria simetria, identificando, assim, a migração como um processo que se deu para todos os atores envolvidos nessa rede.
Devolvendo ao texto o que o campo me disse, as nuances de por onde o fenômeno galopa e toma sua força tem na experiência algo de espinhoso e belo a medida que os fatos se acompanham e o contato se transformando. Ousando na escrita o que a ousadia por sobreviver me disse e desconcertou em momentos que o campo me convocava a uma densidade por mim desconhecida. Me debruçando sobre uma das conjunturas mais cruéis de nossa contemporaneidade, o que de fato importava nem sempre me fora claro entre as gravidades e as urgências, sem que seus representantes fossem exotizados e a perspectiva do sofrimento, da luta, da impossibilidade e do esgotamento (conforme identificados em relatos) fosse considerada.
Complexo sim, ao mesmo tempo que transformador no que se refere ao meu movimento de pesquisa. Desde a mudança de área como um Licenciado em Turismo e chegando a um Mestrando em Psicologia Social no meio acadêmico, aspirações artísticas nunca me faltaram, nem mesmo com o meu tema anterior. Migrando a partir do aceite desse desafio, me constituí na reorganização de seguir os migrantes e refugiados por entre espaços do Rio de Janeiro e encontros potenciais, enfim, “trata-se de aprender a pensar nos contrastes, o que quer dizer a prender a ‘nos’ pensar nos contrastes”. (DESPRET, 2011, p. 30).
Imerso noutra realidade de pesquisa, outras frentes preparatórias desenharam o meu posicionamento migrante, com novas leituras, pessoas e acontecimentos que junto a mim se deslocavam. Nessas dobras, marcas de outros afetando a este corpo levaram-me a narrar tais travessias, visto que “falar de emoções, é ao mesmo tempo falar da sociedade, é falar de poder e política, de relação de afiliação e de aliança, é falar de normalidade e desvio” (LUTZ, 1988,
p. 6). Sem querer falar por eles, mas com eles, o que me afetou nesse coletivo de forças se instaura no presente texto que favorece à simetria dos acontecimentos neste contato com um dramático e contemporâneo tema.
Redesenhando o que se desdobrou, um campo de muitos planos se presentifica num texto que tem sua limitação diante da magnitude da migração. Na minha porta de entrada para a exploração do tema que foi o PVPM, vi a necessidade de mais do que uma protocolar coleta de dados ou repasse de informações. Tanto que as travessias em questão denotam conexões para o preparo nessa atuação, aproveitando a oportunidade de estar em contato com o que me apresentava e convocava a movimentos. Afinal, como ser facilitador do dispositivo de uma Oficina se até então pouco ou nada eu saberia dizer?
Rascunho 62 - Desafio
De tudo o que Está posto
Sigo desarrumando As prateleiras e as Fronteiras do conforto Intuindo outros modos de Ouvir, ver e entender o outro
Entre imagens instrumentalizadas para tentar dar conta do que a língua não dá, o preparo concomitante para as oficinas se deu ao seguir atores entre os eventos aqui partilhados como achados metodológicos. Conhecendo de perto as tensões do que culmina na vida migrante, tirar consequências foi um caminho nesse laboratório por vezes rascunhado de modo poético, produzindo nessa escrita o reflexo dessa rede entre migrantes e ações a ele direcionadas, em que estive na tecitura por meio de aproximações para que o campo falasse de seus devidos lugares, momentos e pessoas. Reconhecendo em Yuka (2005), os inusitados corações migrantes, já que “o mundo migra, e dá de cara com fronteiras e as chaves são as mesmas”, optei por abrir outras portas no uso de outras chaves dessa via de pesquisa.
Sem pesquisar de modo a olhar a migração do alto, o que é comumente produzido dela sob contextos econômicos, sociais, religiosos, históricos e culturais, mapeei nessas conexões diluindo uma possível centralidade hegemônica da migração informada através de dados.
Apostando numa perspectiva social em movimento para a promoção de contatos e interpretações mais aproximadas dessas vivências e do reconhecimento do que nos constitui enquanto sociedade. Fortalecendo a ideia de um processo científico que se efetive ao se voltar para o social, emprestando o meu olhar para a descrição dos lugares por onde atravessei e dos rastros reconhecidos como setas a me direcionar, além da escuta atenta e sensível aos relatos
para pensar e me aproximar do migrante, engajando-me como causa e vendo que “braço é braço, braço de terra negada, braços pulando os muros do mundo por emprego, braços de refugiados” (YUKA, 2005).
No limite da incapacidade de resolver as problemáticas instauradas, esta pesquisa se esvazia da instrumentalização de um dispositivo confortável, frio ou distante, delineando os diferentes elementos conectados, marcando os desvios e me posicionando no modo como vi o tema e o mundo que emergiu nessa aposta. Dela, me reinventei em virtude de como me apresentava, desenhando o cenário em que se baseou a pesquisa que é o próprio campo em si, com suas dobras e interfaces. Entendendo em Latour (2007), a característica provisória deste cenário que retoma os actantes em ação, me sensibilizei quanto às vidas migrantes acreditando acompanhar curvas de suas histórias, retornando a elas para a descrição de um conhecimento localizado e movimentado por vários lugares.
Conhecimento não é algo que possa ser descrito por si mesmo ou por oposição a
“ignorância” ou “crença”, mas apenas por meio do exame de todo um ciclo de acumulação: como trazer as coisas de volta a um lugar para que alguém as veja pela primeira vez e outros possam ser enviados para trazer mais outras coisas de volta”.
(LATOUR, 2000, p. 357)
Assim, admitindo esse todo que se compôs, me lancei ao campo atento e sensível a cada ator, e saio dele atravessado por todos e cada um em suas imprevisibilidades que me situaram nesse conhecimento partilhado, singularizando um processo produtor de versões dessa tão vasta e desconcertante migração. Aproximado pela diferença, interrogando e sendo interrogado pelo que foi encenado e produziu novos percursos de pesquisa e de escrita, dando visibilidade à riqueza dos encontros e aproximações de nobres guerreiros migrantes que me inspiraram a partir de diferentes lugares em que a rede se sustentou.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Rascunho 63 - Sobre escrever
O que seria escrever, se não, se atrever?
Romper com o que está posto, dado entre desgostos Caminho possível de um outro saber
Do pouco que se sabe ou do muito que se lê
A escrita feita entre margens não transborda experiências (Jamais num papel hão de caber)
Mas por se rasurar, ver e rever
Os escritos no sensível hão de ludibriar o que se possa conter Os rascunhos do pautado, embora calados, precisam ter vez Os caminhos do vivido têm palavras que se plantam E o que delas se pode colher
Longe de pretender ensinar ou poetizar um modo de pesquisa, o processo de acompanhar um fenômeno tão denso quanto a migração levou-me a reconhecer a diversidade de casos enquanto corpo pesquisador em movimento e afetado pelas muitas questões a mim apresentadas. Jamais daria conta de, num só estudo, responder ao que se desdobra e se cobra, haja vista a urgência das vidas que foram acompanhadas. Portanto, o que trouxe aqui é a descrição de como olhei, me sensibilizei e criei, no laboratório de escrita, um (re) encontro com tantos fatos e relatos.
Como rastros, segui-los não foi tarefa das mais fáceis, mas não impossível entre limitações como idiomas, tempo, localização, incertezas e desconfianças. Tudo me surgia como insumo e estímulo para me lançar entre os espaços que se mostravam e convidavam a um outro olhar. Tudo o que fora lido antes da aproximação me parecia dado bruto demais para escolher a reprodução do mesmo. Daí o risco e o formato dos escritos que se seguiram.
Entender o fundamento e a importância dos dados estatísticos mas me atrever a uma travessia em busca dos protagonismos foi favorecer a inquietação e o cuidado. Inquietação por necessitar de mais do que se dizia sobre a migração e cuidado por não querer jamais ser invasivo, frio ou persuasivo. Respeitar o que se possa apresentar como viver e ser migrante era para mim premissa não de pesquisa apenas, mas de humanidade para com seres violados em suas existências e direitos.
Com o corpo e a consideração do peso dos fatos, a poética dos fluxos se revelou parte dessa construção que traz vozes, afetações e um exercício atento desse olhar direcionado a não objetificação do migrante. Na emergência das situações, emerge um olhar ilimitado a escrutar e penetrar durezas e resistências que a mim fossem possíveis, me incluindo nesse universo do subjetivo que revelou tantas e profundas inscrições.
Na seletividade do que do que determinei necessário, o apreendido e aqui descrito é parte de um processo vivo de pesquisa, no qual a integração com o tema me levou a eventos não programados em que fui me orientando (e sendo orientado) nas redes que evidenciavam sentidos e atuações dos mais diversos atores. Fossem imagens, memórias, culturas ou pessoas, constituiu-se uma perspectiva subjetiva ao captar afetos num campo que apresentava tensões mas que também me descortinava paisagens dessa subjetividade.
Em movimento, eu, corpo pesquisador migrante, caminhei para a dimensão de acontecimentos e percepções a fim de que modos de experiência na pesquisa fossem vividos, num “sentir de outra maneira, sentir de todas as maneiras, devir outro” (GIL, 1987, p. 70). Na potência dos encontros, me (in) formar a respeito da migração para tentar conceber neste estudo a medida de uma abertura para o outro percebido em sua presença. No outro que me constitui socialmente e que, num acontecimento de tal magnitude, também acontece por meio de seus rastros.
Me organizando nessa prática e variando de recursos, cheguei aos migrantes, migrando e saindo de confortos e me colocando à disposição para uma aproximação e tentativa de intimidade para me compor, recompor e originar composições nessa versão de olhar para a migração. Vale registrar que isso está longe de me comparar migrante no peso das questões apresentadas. Ao contrário, tendo em conta tal peso é que me vi na iminência de migrar entre espaços e pessoas passíveis de diálogo, para quem sabe, do modo como aqui apresento, revelar uma outra migração para além de dados.
Acreditando ser preciso ganhar tonalidade a categoria de migração não pelo estatuto, mas pela dor, pelas impossibilidades que legitimam um lugar de escassez, de falta, identifiquei que não há sobra ali, não há para onde voltar, apenas seguir. Ao trazer transbordamentos dos diários de campo através das conversões poéticas e reflexivas de uma escrita encarnada elegi o que contar, tendo os rascunhos como núcleos textuais necessários de partilha nessa pesquisa. Realçando e redesenhando as questões, associando o que me permitia a TAR e confiando em uma psicologia do tempo presente, que ocorresse em virtude dos acontecimentos e pautasse diálogos com alguns autores.
Há um debate acerca da migração que nos escapa e transcende, ainda que existam espaços de reflexão que nem sempre alcançam a que o fenômeno se associa, já que o
Há um debate acerca da migração que nos escapa e transcende, ainda que existam espaços de reflexão que nem sempre alcançam a que o fenômeno se associa, já que o