Rascunho 63 - Sobre escrever
2 PROJETO VIDAS PARALELAS MIGRANTES (POLO RIO DE
2.2 As oficinas de fotografia e direitos humanos
2.2.1 Diário de campo do primeiro dia (10/08/2017)
2.2.1.3 Relatos
Professora Graça - Origem Porto Alegre. Profissão médica. Percurso Porto AlegreBrasíliaRJ
Migrante J. B. - Origem Luanda (igualmente falou muito baixo)
Migrante A. C. - Origem Congo. Profissão Relações internacionais. Motivação política (esposa veio para o RJ antes dele). Percurso CongoMarrocosSPRJ.
Rascunho 19 - Espera
Migrante ? 1 se apresentou – falou muito baixo – nada foi registrado
Migrante I. – Origem Nigéria. Percurso NigériaVenezuelaTrindade e TobagoPanamáRJ
Migrante ? 2 (Não ouvi o Nome) - Origem Angola. Percurso AngolaRJ.
Migrante ? 3 (Não ouvi o Nome) - Origem Congo. Profissão cientista político.
Assistente de pesquisa. Motivação política. Percurso Congo RJ.
Mestranda Claudia - OrigemCuritiba. Profissão artista, mestranda UNB. Percurso CuritibaBrasília
Professora Regina - OrigemBahia. Profissão Professora Uerj. Percurso Bahia RJ.
(32 anos no RJ)
Mestrando Wallace - OrigemRJ. Profissão Artista-Bailarino e Mestrando Psicologia Social UERJ. Percurso RJPenhaDuque de Caxias.
Psicóloga Carina - Origem RJ. Profissão Psicóloga. Percurso RJNiteróiGuadalupeTijuca (mais perto do trabalho).
Professora Heloisa - OrigemRJ. Profissão Professora Uerj.
PercursoRJSaquarema Montevidéu (Uruguai) CuritibaRJ
Rascunho 20 - Origem
HOje o lugaR
em que nascI
Ganha
o status de saudadE
Me obrigaram a partir...
2.2.1.4 3ª. Etapa – Apresentação das fotos e imagens escolhidas
A Mestranda Claudia mostra ao grupo as fotos e as imagens escolhidas através do computador e solicita que cada participante comente sua escolha.
Comentários
Foto do aeroporto- tirou a foto quando estava no aeroporto – esta foto o faz lembrar da história de uma menina de 14 anos que teve que fugir.
Imagem festa religiosa na Bahia – lembra Salvador – foi criada nesta religiosidade.
Índios capturados- lembra de como fugiu da guerra – “Está gravado na minha cabeça”.
Equipe médica – lembra quando trabalhava como médico.
Exército – representa a repressão, a opressão sofrida pelo povo.
Foto de carro da Polícia Rodoviária Federal – lembra roubo que aconteceu na empresa que trabalhava e um amigo foi punido por ter testemunhado.
Redes Elétricas – imagem lembra a África – a política impede o crescimento.
Militares – lembra quando foi preso por militares – representam a ditadura
Imagem do céu com nuvens e aeronaves – cheguei ao Brasil.
Foto Mãe e filha – movimento de liberdade.
Refugiados chegando em uma praia – esperança.
Dia dos Refugiados – Parque das Ruínas – Santa Teresa.
OBS.: Após a apresentação de todas as fotos e imagens selecionadas, escolhe-se uma imagem, na proposta de trabalhar com esta. Realizada uma votação, um significado comum a todos:
“esperança”. A imagem mais votada foi «Refugiados chegando em uma praia (08 votos).
2.2.1.5 4ª. Etapa – Interlocução de imagens e exercício artesanal, reflexivo e artístico
Claudia apresenta materiais para que cada um possa se expressar ... tentando fazer relação da imagem com a migração. Será possível se expressar sozinho ou com outro participante, como quiser. Segundo suas palavras, “a imagem escolhida nos toca através do sensível, tentar concretizar os seus sentimentos... trabalhar os sentimentos da chegada, da esperança...” Os facilitadores levantam e o grupo aos poucos vai chegando em volta da mesa, onde estão os materiais. Há uma aproximação entre eles, depois se separam... cada um faz seu exercício.
Imagem 3 – Apresentação e interação horizontal dos participantes
Fonte: O autor, 2017.
Alguns relatos
“Há tentativa para chegar a algum lugar; muitos saem, fogem, mas nem todos chegam”.
“Tem olho para ver mas não tem o caminho onde chegar. Não tem caminho certo ou pronto. De onde queremos chegar, não se sabe onde vai parar por muitos obstáculos”.
“Família – chega em um lugar busca segurança- mãe que cuida dos filhos”.
“Meios para chegar: avião, barco e religião (“macumba”) para se proteger e seguir acreditando”.
“Paixão, crença, esperança que faz de alguém refugiado”.
“A terra como forma de segurança”.
“Quando o refugiado chega aonde quer chegar ele precisa de ajuda. Tira os sapatos quando se sente seguro e se abriga (manto preto sem sapatos), pois o que busca é proteção”.
Regina, em particular, elogia o sapato de um dos migrantes, que por sua vez responde
“Eu não sou os meus sapatos”, demostrando certa defesa ou resistência na tentativa de aproximação.
Rascunho 21 - “Eu não sou os meus sapatos”
Pés de calos Sapatos que calo Não sou o que calço Nós eu faço e desfaço
Há muito mais terra sob o mesmo solado Curativos encobrem o marcante e o marcado O presente se vai, assinando o passado
Nele mesmo me encontro, me componho e refaço
Uma vida entre sete como a lenda do gato Represento a milhares nisto do que sou fato Se certeiro ou errante, pesa-me a dor deste fardo Pés a me dirigir, coração e seus rastros
No que liga e desliga de meu berço quebrado Amamenta-me o sangue, leite foi-me negado Minha riqueza roubada retumba meu brado
Sou um ser humano, mais que migrante ou refugiado.
Imagem 4 – Sapatos
Fonte: O autor, 2017.
Rascunho 22 - Rota
Sem nada cheguei, mas não hesitei Não mais o lugar de onde vim me servia
Enquanto terra se explorava, mais ainda desacreditei No contínuo do que fui criado, valores não que não apreciei O humano em seu pecado... Ganância a florescer
Lugares não pude escolher; a rota é quem diz o que fazer O que deixar... O que levar...
O que narrar... O que trazer...
Imagem 5 – Mascará feita por um migrante representando opressão
Fonte: O autor, 2017.
2.2.1.6 5ª Etapa – Avaliação final
A Profa Graça explica sobre os cinco encontros e a importância da continuidade da oficina, reforça o objetivo do projeto, da possiblidade estarmos juntos num mesmo espaço de reflexão.
Em seguida, pede que cada um comente sobre o encontro, partilhando sensações e impressões.
Alguns comentários
“Conseguir se expressar foi muito legal”.
“Muito legal...fez uma conexão entre passado e presente”.
“Muito importante... toca no psicológico... muito obrigado, porque a gente pode falar”.
“Brasil nos acolheu e estar na universidade me afeta, me sinto em casa, acolhido”.
“Senti segurança”.
Rascunho 23 - Liberdade habitada
Habito a liberdade que declaro ao transitar Do lugar em que estive até onde quero chegar Marco o ponto, territorializo; Gente minha a rezar O que fica do que dispo... Poeira no chão, vento a levar Companhia infinda a me proteger
Curandeira de chagas, cicatriz a dizer
Da mesma vida muitas marcas que compõem meu ser Licença de encruzilhadas... Novo norte há de ter!