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Rascunho 63 - Sobre escrever

2 PROJETO VIDAS PARALELAS MIGRANTES (POLO RIO DE

2.2 As oficinas de fotografia e direitos humanos

2.2.4 Diário de campo do quarto dia (31/08/2017)

2.2.4.2 Relatos sobre o trabalho com auxílio do mapa-múndi

 Wallace informa ser um artista-bailarino brasileiro, e atuou com espetáculos pelo mundo. Em 2005, ele foi para Portugal, retornou ao Brasil, depois viajou a Bolívia, Uruguai e Argentina, levando um pouco da cultura brasileira. Já viajou também a Finlândia, Suécia e Qatar e tenta aproximar a dança com a cultura de seu país.

 Heloísa sugere que ao terminar, cada um escolha o próximo, “passando a bola para o outro”. Wallace então convida o Migrante C. a iniciar sua trajetória.

Migrante C. conta que, como todos já sabem, ele é do Congo, nasceu e começou a trabalhar lá como gerente de uma loja de materiais de construção, depois trabalhou na Cruz Vermelha como assistente de projetos. Fez sua primeira viagem ao leste do Congo, depois foi trabalhar no norte do Congo (Equador, uma província da República Democrática do Congo) e voltou para a capital, Kinshasa, “aconteceu o que aconteceu” e veio para o Brasil. Ao chegar no país teve que aprender a língua portuguesa e seu primeiro emprego foi como auxiliar de frigorifico, em Jacarepaguá.

Posteriormente, viajou a trabalho para o Paraná (Curitiba) e voltou ao Rio de Janeiro.

Hoje trabalha como mensageiro em um hotel no estado. C. “passa a bola” para Migrante I.

I. era guarda costas de milionários na Nigéria. Depois ele foi para a África do Sul, onde se tornou oficial de segurança. Explica que conseguiu trabalho em uma ONG com programa para portadores do vírus HIV, por 3 meses, como voluntário. Após conseguir o certificado de trabalho neste programa, ele começou a trabalhar como oficial de segurança na África do Sul. Depois de muita discriminação sofrida no lugar, voltou a Nigéria (local de origem). Relata que, nesse momento, começaram os problemas e ele partiu para Venezuela e, em Trinidad trabalhou como auxiliar de construção, portanto, ele diz possuir bastante experiência em construções. Também teve experiência como motorista. Em dois meses no Brasil, ele conseguiu trabalho em construções, porém, após três meses de funcionamento, a construção acabou e ele se encontra desempregado atualmente. Wallace brinca ao perguntar se ele está de férias.

I. ri e diz que está à procura de emprego e lembra que ele também já foi preparador físico em academia.

Migrante W. B. é convidado a dar continuidade. Wallace lembra que no encontro anterior ele mostrou ao grupo fórmulas e ele diz: “Hoje não há fórmula”. Ele nasceu na parte central do Congo e começou a trabalhar na capital, Kinshasa, como voluntário em uma ONG que fazia algo relacionado a tradução (Não foi possível compreender em que a ONG atuava). O primeiro lugar que migrou foi para a Angola e depois

trabalhou como diretor de exportação de diamante. Foi para Zâmbia, onde trabalhava como auxiliar na promoção do material/produto para a produção de jóias. Depois começou a trabalhar na confecção de bolos, doces e salgados. Chegou ao Brasil no dia 11 de junho de 2017 e relata que ainda não começou a procurar emprego. Revela já possuir a carteira de trabalho brasileira. Wallace brinca que ele está “de férias igual ao Migrante I.” e Migrante C. pergunta se eles não falariam das dificuldades encontradas no Brasil para conseguir emprego. Wallace explica que só estão “aquecendo”, portanto, ainda chegarão nesta parte. W. B. convida o novo participante e Migrante A.

que veio do Togo a ser o próximo.

A. relata que fez faculdade de contabilidade, trabalhou como contador e, posteriormente, como professor em um colégio no Togo (local de origem). Foi para a Nigéria e, também, trabalhou como contador em uma empresa francesa responsável pela construção de grandes imóveis. Em 1984, voltou para o Togo para trabalhar como contador. Depois, foi para os Estados Unidos da América e trabalhou como diretor de marketing em uma empresa e, posteriormente, criou uma empresa que atuava na produção de músicas africanas e jamaicanas para aqueles que iam para os EUA;

trabalhou dando auxilio para os africanos, pois disse que “não é fácil para africano conseguir música” e as pessoas que são da África não têm muitos querendo ajudá-los.

Ele afirma procurar algo maior e querer fazer cinema. Fala que nos EUA a área cinematográfica é muito fechada e, por isso, os negros/africanos encontram dificuldade para fazer cinema. Diz que as pessoas que tentam fazer filmes no país, não conseguem e retornam ao seu país de origem. Ele tentou seguir a carreira de cinema nos EUA e, durante 2 anos, fez coisas voltadas para televisão como um filme e uma novela, onde relata ter trabalhado como ator. Também escreveu um roteiro que fala sobre os malefícios do governo e diz que a sua profissão é cineasta, portanto, encontra muitas dificuldades. Relata que fugiu do país porque o governo queria definir o que ele poderia ou não fazer, principalmente pela censura sofrida, ao não poder ser questionado. Veio para o Brasil e conseguiu fazer uma produção e, atualmente, está tentando fazer filme. Ele afirma que o problema do Brasil é que a crise existe, pois o país demorou muito para “abraçar” muitas coisas; que eles – refugiados – fugiram para o Brasil buscando trabalho e liberdade, porém, se depararam com a crise. Mas, para ele: “se não sair, não é o Brasil”. Diz que tem muita esperança sobre o país, em relação a crise, por encontrar muitos imigrantes e refugiados aqui. Explica que na África, se “jogar um animal em água quente, ele consegue sair. Se jogar água fria, ele morre”. Diz que quer salvar o Brasil e que ele está “em fogo” por não saber sair da crise que está sofrendo e que seria de grande proveito deixar os migrantes ajudarem,

pois, eles sabem o que fazer para tirar o país dessa crise. Ele declara: “Brasil não está em crise, Brasil é a crise”, portanto, se pedir ajuda de outros lugares irá conseguir superar. Conta que viu os EUA em crise e o país chamou outros lugares para ajudá-lo a sair dela.

 O grupo de migrantes durante a apresentação ficam dispersos e incomodados, conversando entre si. Então, Migrante C. toma a fala para dizer que se o encontro fosse neste sentido – de cada um falar muito sem ser interrompido – a “palestra” não ia terminar. Ele questiona que como Wallace é o “diretor”, ele deveria controlar isso.

Wallace explica que o migrante que está apresentando não falou na semana anterior e, por isso, ele está tendo um espaço maior. Fala também o que está sendo dito, entra nas questões sobre o trabalho. E, pergunta para o Migrante A. se ele está trabalhando e o migrante segue respondendo que ainda não conseguiu emprego, pois, está muito difícil conseguir na área dele. Comentário: “Cinema é complicado”.

Migrante C. ressalta que é “difícil deixarem entrar”, devido ao fato de ser migrante e tentar algo no país e que área dele é bem complicada. E Wallace conta sua história pessoal sobre as dificuldades que passou como bailarino dentro do Brasil e quando realizou trabalhos no exterior sentiu-se mais valorizado. E finaliza dizendo que em qualquer lugar o cinema é difícil.

 Regina e Wallace falam para passar a outra pessoa e o próximo fala em francês, então Migrante C. se voluntaria para fazer a tradução para o português.

Migrante I. A. tem 21 anos e é do Congo, conta que estudou lá e teve a chance de ir para outro lugar. Estudou “Ciências da Informática”, mas não teve a oportunidade de trabalho em sua área no Congo. Teve oportunidades de estágios em outra área (Hotelaria), mas a renda era muito baixa. Portanto, pensou em vir para o Brasil, está há poucos meses no país e não conseguiu um emprego.

Migrante C. diz que no Brasil, a área de informática tem muitos empregos, por ser algo bem amplo no país. I. A. escolhe o Migrante P. para ser o próximo. Antes de começar a traçar sua trajetória, ele mostra três fotos de quando trabalhou na comissão eleitoral e Migrante C. ajuda na tradução, pois ele também fala em francês.

Migrante P. conta que fez seis anos de primário e seis anos no ensino posterior a ele.

Neste momento, há uma confusão sobre a questão de tempo de permanência em cada período de ensino (primário, ensino médio). Migrante C. diz que o compreendeu, mas, que é melhor esclarecer sobre o tempo em cada período de estudos. Ele e Heloísa falam sobre o fato de que há diferença entre o tempo e as nomenclaturas de etapas do ensino no Brasil e no Congo. P. continua dizendo que em 2004 concluiu sua graduação em Ciências Sociais. No mesmo ano, trabalhou em Monuc, onde fez parte

da comissão eleitoral para a primeira eleição democrática do Congo. Comentário de Migrante C: “Democrática não, só eleição do Congo”.

Em 2007 retornou para a área da educação, por já estar formado, e de 2007 até 2015 trabalhou como professor de história, geografia e sociologia africana para o ensino médio. Posteriormente, foi para a África do Sul e depois migrou para o Brasil, há 2 meses. Conta que chegou em julho e que desde sua chegada ainda não conseguiu emprego e brinca ao dizer que depois de conseguir um trabalho, conseguirá também conquistar uma mulher brasileira. P. convida o Migrante J. E. a ser o próximo.

J. E. fala pouco português, então, Migrante C. permanece como tradutor para o grupo.

J. E. conta que nasceu na capital, Kinshasa. Porém, ele é original de Bandundu, uma província do Congo. Migrante C. fala que é a parte mais pobre do Congo, porém, com pessoas muito inteligentes. Regina pede para o professor, Migrante P., explicar o nome “Bandundu”. E ele diz que quando os colonizadores chegaram no Congo, davam o nome de acordo com a realidade do local. E eles encontraram muitos albinos neste lugar, portanto, assim se dá o nome: Bandundu, “muitos albinos”.

É explicado também que diferente do Brasil, eles definem de onde vem em relação a sua família, de acordo com o local de origem de seus pais, independentemente do local onde eles nasceram. Migrante C. diz que a cultura do povo Bantus, que é o que fazem parte, é dar muita importância para família e colocam em seus documentos o local de onde essa família vem e não somente onde vivem. Heloísa compartilha do caso de os brasileiros não terem a mesma cultura, pois quando nascemos em um local é ele que se torna o nosso lugar de origem, independentemente de onde nossa família vem. E pode acontecer de uma pessoa nascer em um lugar e nunca ter vivido nele.

Jerry continua dizendo que estudou na Universidade de Kinshasa, tem licenciatura em Ciências Políticas e foi assistente de pesquisa. No Congo, não há sistema de bolsas de ensino superior gratuito, logo, não fez sua pós-graduação por questões financeiras. Ele fez parte de um partido político – primeiro partido e o que conseguiu a Independência do Congo – e foi preso. Fugiu para outro lugar e depois foi para Marrocos.

Posteriormente, chegou no Brasil e no Rio de Janeiro. Relata que chegou a 4 meses no país e ainda não conseguiu emprego.

 O migrante cineasta do Togo pede para falar e relata que foi ao Instituto de Pesquisa e Memória Pretos Novos na Gamboa (Rio de Janeiro). Encontrou cineastas e brasileiros no local e pôde perceber que muitas pessoas não conhecem a história do Brasil.

Migrante C. se manifesta discordando dele, pois disse estudar o Brasil no Congo. E o cineasta corrige ao dizer que os brasileiros não conhecem sua verdadeira história. Pois,

a história do Brasil foi escrita por Portugal e o brasileiro a aceita. Portanto, o país só conseguirá sair de crise e mudar quando realmente souber sua própria história.

Rascunho 30 - Muitos do que sou

Sou músico Mudo Sou gago Fato

Sobrevivo em tempo curto

Num jogo como as cartas de um baralho Sou segurança

Te espanta?

Sou personal Que tal?

Horas vagas de escudos e mantas Sem a intenção de causar qualquer mal Sou cineasta

Fala

Sou enfermeiro Medo

Desapareço como fumaça Pois não nasci para estar preso Sou motorista

Pista

Sou professor Dor

Calcular o valor da vida É ver o direito que se violou

2.2.4.3 2ª. Etapa – Criação de símbolos representativos do trabalho

Imagem 10 – Atividade sendo realizada por migrantes

Fonte: O autor, 2017.

 Wallace fala que é importante como cada um identifica o trabalho e que no Brasil, temos uma carteira profissional de trabalho com foto. Pede que mostrem como conseguem representar toda a sua trajetória de trabalho em uma folha de papel, desenhando-a.

 Regina diz para representarem, em uma folha, um objeto que se refira a visão de cada um sobre o trabalho, que resuma o que pensam e o que lembram em relação ao tema.

 Wallace convida o grupo até a mesa em que há materiais para realizarem a atividade.

Depois de hesitarem e apresentarem certa resistência a ir até a mesa, todos acabam fazendo o que lhes foi proposto. Wallace se junta ao grupo e também realiza a tarefa.

 Enquanto ainda realizam a tarefa, Carina fala sobre a próxima oficina e pergunta se, por ser o fechamento do ciclo, será possível o grupo ficar até às 17h para fazer uma conversa com a equipe no dia. Ela se retira do encontro, antes do término, para resolver alguma questão dos migrantes na Cáritas. Wallace frisa a importância de não faltarem na próxima oficina, pois é a última e vão encerrar tudo o que vem sendo feito.

O migrante cineasta (A.) é o primeiro a terminar e volta ao seu lugar, ficando distante do grupo.

2.2.4.4 3ª. Etapa – Apresentação dos símbolos representativos do trabalho

 Quando todos terminam a tarefa, Wallace pede para o grupo apresentar com uma palavra, em explicação do desenho de cada um, o que significa o trabalho.

Migrante C. desenhou o “C. mensageiro” e outro “C.” com a bagagem na mão indo para casa. Wallace diz que olhou a história de Migrante C. e que há uma outra parte do desenho, que explicou ser da época em que trabalhava ajudando pessoas do interior.

Migrante I. desenhou materiais de construção: areia, cimento, pá, colher de pedreiro.

Explica que buscou demonstrar as etapas e elementos da construção de uma casa.

 Wallace mapeia seu trajeto na arte com desenhos e palavras soltas representando sentimentos e pontos negros como obstáculos que enfrentou nesse percurso.

Migrante I. A. (falou em francês e Migrante C. auxiliou na tradução): desenhou com o objetivo de representar o Congo e o Brasil, além de fazer comparações entre eles;

respectivamente, a Floresta Tropical do Congo, que é a segunda maior do mundo, e a Floresta Amazônica, a primeira maior floresta do mundo.

Migrante W. B. desenhou sobre a exploração do diamante, pois trabalhou com isso.

Explica que o diamante é extraído da rocha base e depois é peneirado para sair. Mas nas águas a extração é diferente, precisa de uma draga para retirar debaixo através de

uma mangueira que suga o cascalho para extrair o mineral. Seu desenho tem objetivo de demonstrar de forma mais efetiva o processo presente em sua função anterior.

Migrante P. desenhou a carta geográfica da República Democrática do Congo, pois lembra que quando trabalhou na comissão eleitoral, era a época em que o Congo possuía 11 províncias, porém, agora possui 26.

Migrante A. desenhou uma câmera, representando sua profissão de cineasta.

Migrante J. E. (fala em francês e Migrante C. traduz): desenhou a Neve que representa Curitiba, Santa Catarina, e também o Equador e o sol. Explicou que o fato de após a neve, as coisas melhoram e o sol aparece. Diz que no Marrocos as pessoas são racistas.

Imagem 11 – Explicação dos elementos de trabalho

Fonte: O autor, 2017.

Rascunho 31 - Plataforma de emergência

Sou além dos ossos Dos bonecos a postos No silêncio de quem rogo Não há ajuda... Sombras que toco

Golpeado por mãos não estendidas Os gritos são vãos, dor se abre em ferida Sem absolvição de inventadas mentiras

Grãos de terra no chão tornam-se minha comida

O alimento de sonhos que me põe em movência No sereno há sons que norteiam as crenças Falas de solidão, sem silêncio nem tenda Condições que me dão, nesta dita existência

2.2.4.5 4ª Etapa – Fechamento das apresentações

É lembrada a importância de não faltarem na última oficina e informado que haverá uma confraternização. Registra-se uma foto com os migrantes, o facilitador Wallace, Profa.

Dra. Regina, a psicóloga Carina, a Profa. Dra. Heloisa Helena Ferraz Ayres e uma das observadoras.

OBS: A oficina termina depois do horário programado.

2.2.5 Diário de campo do quinto dia (14/09/2017)

Facilitadoras – Heloisa Helena, Regina Gloria e Wallace Araujo

Participantes – Carina Almeida e 07 migrantes: J. E., M., W. B., I., C., P. e A.

Wallace, facilitador de todos os encontros, se atrasa devido aos problemas de saúde de sua avó, então, a professora Dra. Heloisa Helena – participante da maioria dos encontros como observadora – e a professora Dra. Regina Gloria iniciam o encontro do dia como facilitadoras. O encontro inicia com aproximadamente 25 minutos de atraso e todos os migrantes já haviam chegado, logo, todos entram juntos na sala, a arrumam e, depois, os participantes se sentam na primeira e segunda fileira de cadeiras já dispostas.

2.2.5.1 1ª. Etapa – Listagem das dificuldades sobre o trabalho no Brasil

 Regina informa que, no encontro do dia, irão relembrar as questões apresentadas no encontro anterior e continuar falando sobre o trabalho. Ela convida o grupo a falar das

dificuldades de trabalho que eles encontram atualmente no Rio de Janeiro e, logo após, avaliar como foram os encontros que tiveram ao longo da oficina.

 Heloísa sugere que, diante do fato que o Rio de Janeiro está passando por crise como todo o Brasil, pensem nas dificuldades que enfrentam em relação ao trabalho no estado e quais as soluções que eles poderiam apresentar para elas. Para fazer essa análise, ela propõe que formem duplas e um trio.

Migrante A. se manifesta dizendo que dar soluções é impossível, porque não há soluções para o Brasil. Então, Heloísa diz que soluções possuem diferentes dimensões.

Para exemplificar, ela cita o fato que os professores da UERJ estão passando por dificuldades em relação ao recebimento dos salários, devido à crise enfrentada, e estão pensando em diferentes soluções, com as reuniões na ASDUERJ, para tentarem uma decisão sobre o que fazer diante de seus problemas. Portanto, propõe que em suas duplas e trio, mapeiem as dificuldades que eles encontram no trabalho e a importância deste.

 Wallace Araujo e Carina Almeida chegam e entram na sala. Migrante C. declara que a ideia é boa, mas tem refugiados que ainda não trabalharam no Brasil e pergunta se a ação de formar duplas é para economizar tempo. Heloísa fala para aqueles que ainda não trabalharam no país, pensar nas possibilidades e naquilo que podem perceber sobre o trabalho e responde que em duplas mais ideias surgem. Logo, C. fala que não há problemas, pois quem passou pela escola está acostumado a realizar atividades como a que foi proposta.

 Os participantes se dividem em duas duplas e um trio, respectivamente: J. E. e M., W.

B e I. e C., P. e A.

 Após se dividirem e estarem sentados em conjunto, Migrante A. fala com Heloísa que, antigamente no Brasil, os estrangeiros e refugiados não falavam português. E, então, surge a necessidade de falarem o idioma. Mesmo assim, não conseguem oportunidades, portanto, o idioma não é o problema para trabalharem, mas o preconceito. Ele fala que existem muitas coisas que não querem falar, uma delas é sobre o preconceito no Brasil. Heloísa fala que esse espaço que eles estão tendo no encontro é para o que pensam e o que estão passando. Por fim, Migrante C. diz que vão tentar listar as dificuldades.

 À vista disso, Heloísa fala com todos os participantes que é difícil falar sobre a realidade, pois chegaram e vivem em um lugar novo. Mas é importante o que pensam

para a pesquisa, pois a oficina em conjunto com a Cáritas é para possibilitar uma construção de novas possibilidades e para se expressarem abertamente. Assim, eles começam a discutir em duplas/trio as situações e tomam nota de cada opinião entre eles, sendo observadas expressões e tons de voz dos mais variados.

 Wallace cumprimenta a todos individualmente.

 Quando todos terminam suas discussões e anotações, Heloísa pede para as duplas e o trio apresentarem o que apontaram e as soluções que encontraram para resolver estas dificuldades, sendo importante que fiquem a vontade para a partilha das reflexões.

Imagem 12 – Representação artística da difícil realidade migrante

Fonte: O autor, 2017.

Rascunho 32 - Costuras, cobertores e nós

Costuro meus rasgos Solados já gastos No ardor de caminhar

Não só um lugar Ainda mais mar Fôlego a renovar

Cobertor de feridas Estradas infindas Muita terra a avistar

Sede de ressecar Fome de matar Vidas a lutar

Das guias que creio Patuás de um corpo feito Fé de me empoderar

Deuses a guiar Matas a desvendar O novo a chegar

2.2.5.2 2ª. Etapa - Apresentação de dificuldades no trabalho e soluções sugeridas

Primeira dupla (J. E. e M.) – M. representa sua dupla e fala que uma das dificuldades é a língua portuguesa, pois eles chegam sem falar o idioma, sendo que ele é o básico. Quem possui uma formação “digna” e aprende o português, terá mais facilidade para se integrar no mercado de trabalho. Ele relata que tem pessoas que

Primeira dupla (J. E. e M.) – M. representa sua dupla e fala que uma das dificuldades é a língua portuguesa, pois eles chegam sem falar o idioma, sendo que ele é o básico. Quem possui uma formação “digna” e aprende o português, terá mais facilidade para se integrar no mercado de trabalho. Ele relata que tem pessoas que