• Nenhum resultado encontrado

3 DESAFIOS E POTENCIAIS DA EDUCAÇÃO NA PANDEMIA

No documento DIÁLOGOS EM TEMPOS DE PANDEMIA (páginas 128-130)

É fato que a tecnologia trouxe uma aproximação maior dos seres humanos aos meios que já existiam em nosso cotidiano. Hoje, em ambientes nacionais e internacionais, percebemos o uso precoce dos meios digitais neste momento de pandemia da COVID-19, ressaltando a importância desses para a continuação das atividades educacionais em diferentes espaços onde se faz presente o mundo virtual, a fim de amenizar a situação.

Nesse contexto referenciado pela tecnologia, indaga-se: Como compreender a formação de professores para atuar em situação remota? Que dificuldades enfrentam? Os instrumentos virtuais disponíveis estão resolvendo a situação? O acesso à informação e à tecnologia é igualitário para todos?

Boaventura de Sousa Santos (2020, p.27), em sua obra A Cruel Pedagogia do Vírus, aponta que, “em situações de emergência as políticas de prevenção ou de contenção nunca são de aplicação universal. São, pelo contrário, seletivas [...] limitam- se a esquecer ou negligenciar os corpos desvalorizados”. As políticas de emergência são, em sua maioria, discriminatórias, tendo em vista que nem todos têm acesso, e muitos que as alcançam não atendem ao perfil emergencial oferecido pelo Estado, deixando de fora os mais necessitados e atingidos pela crise. Políticas essas aumentam, gradativamente, a desigualdade social e contribuem para marginalização das pessoas atingidas pela recessão.

No que concerne à formação de professores para atuar em situação remota, assim que as aulas foram paralisadas em todo país, eles passaram a enviar lições e tirar dúvidas dos alunos através de várias ferramentas tecnológicas e, principalmente, pelas redes sociais. Desde então, o corpo docente necessitou mergulhar no ensino a distância, encontrando aí diversos obstáculos, pois muitos não têm experiência, e os que já possuem sabem que essa modalidade de ensino não atende ao perfil de todos os alunos. Nessa conjuntura, têm-se, de um lado, discentes cansados de fazer atividades por meio remoto, com saudade dos amigos e ansiosos para voltar à escola; do outro, professores esgotados físico e mentalmente pelo excesso de atividades, ou ainda, preocupados com

os estudantes que não foram contatados, que estão “abandonados pela escola”, impossibilitados de acessar o conteúdo digital ofertado por via remota.

Considerando a situação, encontramos, nesse contexto, muitos profissionais “perdidos” e alguns professores angustiados por pensarem que não estão conseguindo repassar o conteúdo de forma correta. Diante do exposto, as lacunas emergem na formação desse profissional, visto que, na prática, muitos desconhecem os aplicativos e meios digitais necessários para efetivar o ensino por meio digital, o que dificulta o seu trabalho. No Brasil, o cenário revela que a maioria das escolas se encontra fechada, alunos em casa, e professores com a árdua missão de oferecer um ensino de qualidade mesmo em sua residência.

A Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura – UNESCO (BRASIL, 2020) analisa que este cenário terá repercussões sistêmicas, indo além das questões da educação em si. Pontua-se, por exemplo, sobre o despreparo dos pais para dar o suporte necessário à educação a distância no lar, além de lacunas nos cuidados com as crianças, quando faltam alternativas aos pais durante o horário de seu trabalho, e que antes recorriam ao ambiente escolar (Brasil, 2020).

Sendo assim, a pandemia nos mostra que, em todas essas questões, o professor está envolvido, pois é ele que está à frente do processo ensino-aprendizagem como mediador, para que a educação chegue ao lar do aluno. Os professores têm sido cobrados e ainda criticados para que utilizem as tecnologias e meios digitais de forma proveitosa, mas a realidade é que muitos não possuem as habilidades, conhecimento e também preparação para tornar-se professor digital da noite para o dia, considerando sua formação para atuar de forma presencial.

Como esperado, a tecnologia ainda não preenche todas as lacunas causadas pela falta das atividades presenciais nem todas as pessoas têm as condições necessárias ou facilidade para manusear tal meio.

Diversos desafios foram impostos no atual cenário da educação neste tempo de pandemia, surpreendendo professores e estudantes no tocante ao cumprimento de carga horária. Garantir o aprendizado, neste ano letivo de 2020, está sendo muito desafiador, haja vista que, para Vygotsky (2018), o professor é um ser importante do saber, porque representa um elo entre o aluno e o conhecimento ofertado no ambiente, uma aprendizagem mediada que se torna fundamental para o desenvolvimento dos chamados processos mentais superiores (planejar ações, conceber consequências para uma decisão, imaginar objetos, etc). Todavia, um dos obstáculos impostos pela crise de

saúde mundial é o distanciamento social, que impossibilita o educador de manter contato físico com o educando, tornando difícil ministrar o conteúdo com alunos isolados em casa.

Apesar das circunstâncias hodiernas, as NTIC’s ressurgiram no debate público escolar com objetivo de aproximar, estreitar as relações no âmbito educacional, apagando a ideia um pouco arbitrária de ano letivo e levando todo corpo docente a repensar um modelo pelo qual o ensino e a aprendizagem se tornem significativos, mesmo o professor adotando o uso de ferramentas tecnológicas para interagir, dialogar e repassar conhecimentos a esses alunos que se encontram em situação de confinamento dentro de casa .

Diante de tais desafios e dessas novas tecnologias surgindo como meio de alcançar as crianças que estão em isolamento social, é importante destacar que o espaço escolar, a presença física e o convívio social são importantes no aprendizado dessas e não só a tecnologia, partindo do pressuposto de que a escola ainda é um espaço valiosíssimo de socialização.

No documento DIÁLOGOS EM TEMPOS DE PANDEMIA (páginas 128-130)