CAPÍTULO 4 – A INLUÊNCIA DE UM PROGRAMA DE EXERCÍCIO
4.3.1 DESENHO DO ESTUDO
O estudo foi desenvolvido com idosos de ambos os géneros, distribuídos pelo grupo experimental, que beneficiou da aplicação do programa de exercício, e o grupo de controlo, que manteve a rotina na instituição, sem participar em qualquer forma de atividade física estruturada com supervisão especializada.
A recolha de dados foi realizada após a obtenção do consentimento da direção de cada uma das instituições envolvidas (Anexo 1) e de cada um dos participantes (Anexo 2).
89 Os testes de aptidão física funcional foram precedidos da avaliação antropométrica, da avaliação da força de preensão manual e da aplicação da Escala de Equilíbrio de Berg, tendo sido realizados na seguinte sequência: sentar e levantar da cadeira, flexão do antebraço e sentado, caminhar 2,44m e voltar a sentar.
Todas as avaliações foram conduzidas pelo mesmo técnico e os testes físicos foram antecedidos de um aquecimento de 10 minutos, incluindo marcha estacionária e exercícios de mobilização das principais articulações. Para a parte superior do corpo, foram incluídos exercícios de rotação e inclinação da cabeça, rotação alternada e simultânea dos ombros, flexão lateral do tronco, abdução e flexão/extensão dos membros superiores. Em relação aos membros inferiores, foram executados movimentos de flexão/extensão da coxa e da perna.
Após a finalização do primeiro momento avaliativo, foi implementado com o grupo experimental, um programa de exercício multimodal, envolvendo um total de 75 sessões. Após o período de intervenção de 6 meses, procedeu-se à replicação das avaliações em ambos os grupos de estudo (Figura 4.1).
4.3.2 AMOSTRA
A amostra incluiu 44 sujeitos distribuídos de forma não randomizada pelo grupo experimental (GE; 8 homens e 13 mulheres) e grupo de controlo (GC; 7 homens e 16 mulheres). O recrutamento da amostra foi realizado em cinco instituições, quatro do distrito do Porto (Universidade Sénior de Amarante – Polo Vila Meã, Associação Emília Conceição Babo, Centro Cívico e Social de Vila Caiz, Centro Social e Cultural da Paróquia do Divino Salvador Real) e uma do distrito de Vila Real (Centro Social e Paroquial de Santo António), tendo sido considerados os seguintes critérios de inclusão: (CI.1) idade igual ou superior a 60 anos; (CI.2) capacidade de deslocação autónoma; (CI.3) inexistência de patologias impeditivas da prática de exercício físico; (CI.4) ausência de amputações e; (CI.5) não utilização de próteses nos membros inferiores ou superiores.
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Figura 4.1 Diagrama de fluxo do desenho de estudo
Foram excluídos da amostra, os elementos que não participaram em alguns dos testes previstos na presente dissertação e aqueles que, fazendo parte do grupo experimental, não obtiveram uma taxa de assiduidade ao programa de exercício de pelo menos 80% (Figura 4.1).
4.3.3 FORÇA DE PREENSÃO MANUAL
Para a avaliação da força manual foi utilizado o dinamómetro hidráulico JAMAR (Patterson Medical, Warrenville, United States), sendo quantificada a força de contração isométrica obtida durante a preensão de acordo com o protocolo descrito Roberts et al. (2011). Assim, foi solicitado ao indivíduo para se sentar numa cadeira com encosto e braços, os antebraços apoiados nos braços da cadeira, com as mãos fora e os polegares voltados para cima. Depois de ajustada a pega do dinamómetro foi solicitado ao sujeito a aplicação do maior nível de força possível, sendo incentivada a sua melhor prestação e lido o resultado com aproximação a 1 kg. Foram efetuadas 6 medições (3 de cada lado do corpo) e considerado o melhor resultado, sendo o mesmo utilizado na estimação da massa muscular esquelética. A validade deste equipamento está documentada na literatura (Hamilton, McDonald, & Chenier, 1992).
91 4.3.4 AVALIAÇÃO ANTROPOMÉTRICA/COMPOSIÇÃO CORPORAL
O peso (P) foi avaliado através da balança SECA 701 (SECA Corporation, Hamburg, Germany), sendo considerado um limite de tolerância de 0,2 kg e sendo a medição realizada com os participantes descalços e vestindo a menor roupa possível. A altura (ALT) foi medida com o estadiómetro SECA 220 (SECA Corporation, Hamburg, Germany), acoplado à referida balança, com o cumprimento da posição antropométrica, sendo o resultado registado após inspiração profunda (Heyward, 1996). A sua avaliação foi executada considerando um limite de tolerância de 2 mm (Sobral, 1985). O índice de massa corporal, expresso em kg/m², foi calculado através da fórmula: IMC = P/ALT2. O IMC foi utilizado na classificação do risco de mortalidade, de acordo com a proposta de Starr & Bales (2015) e por Winter, MacInnis, Wattanapenpaiboon, & Nowson (2014). Assim, valores inferiores a 23 kg/m2 foram associados a um menor risco de mortalidade.
O perímetro da cintura (PC) foi medido com a fita antropométrica Rosscraft (Rosscraft Inovations, British Columbia, Canada) na meia distância entre o bordo inferior da grelha costal e o topo da crista ilíaca do lado direito, sendo obtido em posição antropométrica e no final da expiração normal (Callaway et al., 1988), observando um limite de tolerância de 1 cm. Valores de PC iguais ou superiores a 80 cm, no género feminino, e 94 cm, no masculino, foram identificados pelas presença de elevados níveis de adiposidade central (Alberti, Zimmet, & Shaw, 2006). O perímetro da anca (PA) foi obtido na zona de maior proeminência glútea e com o cumprimento da posição antropométrica, sendo também considerado um limite de tolerância de 1 cm (Heyward, 1996).
A massa muscular esquelética foi avaliada através da equação proposta por Baumgartner et al. (1998), envolvendo 3 variáveis antropométricas (P, ALT e PA), o resultado obtido na preensão manual e o género (0 para as mulheres e 1 para os homens). A equação considerada foi a seguinte: Massa muscular esquelética (MME, kg) = 0,2487×Peso (kg) + 0,0483× Altura (cm) – 0,1584 × Perímetro da Anca (cm) + 0,0732 × Preensão Manual (kg) + 2,5843 × Género + 5,8828. O índice de massa muscular esquelética [IME = (MME/ALT2) ×100] foi utilizado na classificação da condição muscular, de acordo com os valores de referência estabelecidos no Rosetta Study, considerando-se existir sarcopenia na presença de valores de IMME inferiores a 5,45 kg/m2 na mulher e inferior a 7,26 kg/m2 no homem (Baumgartner et al., 1998).
92 4.3.5 EQUILÍBRIO
O risco de queda foi avaliado através da Escala de Equilíbrio de Berg (EEB), envolvendo um conjunto de 14 tarefas avaliadas de 0 (incapaz de realizar) a 4 (realiza com independência), permitindo obtenção de um total de 56 pontos a que corresponde um melhor desempenho. Uma pontuação inferior ou igual a 45 pontos está associada a um maior risco de queda (Berg, 1989; Thorbahn & Newton, 1996).
4.3.6 APTIDÃO FÍSICA FUNCIONAL
Na apreciação da aptidão física funcional foram considerados 3 testes da bateria de Fullerton (Rikli & Jones, 1999), validados para indivíduos com 60 ou mais anos e aplicados de acordo com a seguinte sequência: levantar e sentar da cadeira (força e resistência dos membros inferiores); flexão do antebraço (força e resistência do membro superior dominante) e caminhar 2,44 m e voltar a sentar (velocidade, agilidade e equilíbrio dinâmico). A classificação dos valores obtidos, em função do género e da idade foi realizada de acordo com a proposta de Baptista & Sardinha (2005), sendo considerados 5 níveis de prestação: muito fraco, fraco, satisfatório, bom e muito bom. 4.3.7 PROGRAMA DE EXERCÍCIO MULTIMODAL
O programa de exercício multimodal teve uma duração de 6 meses (de Outubro a Abril do ano civil seguinte) em dias não consecutivos (segunda, quarta e sexta-feira). As sessões de exercício incluíram 5 blocos: AQUECIMENTO, onde foram realizados movimentos globais e alongamentos orientados para grandes grupos musculares e as principais articulações, durante cerca de dez minutos; FASE AERÓBIA, incluindo caminhada, coreografia de aeróbica, percursos de equilíbrio, exercícios de velocidade e agilidade, coordenação motora, e também atividades de treino cognitivo e tempo de reação. Cada sessão de exercício comtemplou entre 7-10 minutos, sendo que a intensidade foi mantida em 12-14 na escala de perceção subjetiva de esforço (Borg, 2000); FASE MUSCULAR, 2-3 séries de 8-12 repetições por cada grupo muscular realizados em circuito (período de descanso de 1 a 3 minutos); FLEXIBILIDADE, recorrendo a exercícios estáticos mantendo a posição durante 30 segundos e valorizando os músculos da parte superior (ombros, parte superior e inferior das costas, peito, bicípite e tricípite), inferior (anca, quadricípite, músculos posteriores da coxa e parte posterior da perna) do corpo e pescoço; RETORNO À CALMA, composto por exercícios de respiração e relaxamento. O Anexo 9 ilustra um plano de aula implementado com o grupo experimental.
93 Durante a demonstração dos exercícios, os alunos eram elucidados sobre os objetivos e os critérios de êxito de cada um os exercícios, sendo alertados sobre alguns dos erros mais comuns na sua execução. Na planificação das sessões, foram incluídos exercícios simples e de fácil compreensão, para que os idosos pudessem compreender os movimentos e os realizassem da melhor forma possível, dentro das suas capacidades. De forma a tornar as sessões mais motivadoras recorreu-se à utilização de distintos materiais incluindo bolas, balões, halteres, cones, bandas elásticas, garrafas com areia, entre outros.
Nos locais de intervenção, o programa foi aplicado numa sala adaptada dentro das instituições e os participantes foram orientados quanto ao vestuário, calçado e hidratação durante as atividades. A referida sala evidenciava boa iluminação, ventilação e piso adequado, sendo assegurada a segurança e o conforto dos referidos participantes. 4.3.8 ANÁLISE ESTATÍSTICA
A análise estatística foi realizada recorrendo ao programa estatístico Statistical Package
for the Social Sciences (SPSS) (versão 23.0, Chicago, Illínois) tendo sido
convencionado um nível de 5% como critério de confiança dos resultados.
A estatística descritiva foi realizada para as variáveis antropométricas/composição corporal, para a preensão manual, a aptidão física funcional e o risco de queda. Para cada uma delas foram calculadas as taxas de modificação (∆) através da fómula: ∆ = [(pós-teste – pré-teste)/ pré-teste] × 100. Foram eliminados da amostra os homens e as mulheres cujas taxas de modificação analisadas se situassem 3aQ abaixo do primeiro quartil e 3aQ acima do terceiro quartil, eliminando-se desta forma as observações que pudessem destorcer a média e o desvio de padrão. Tal implicou a eliminação da amostra de quatro mulheres e de cinco homens. As variáveis estão expressas através da média e do desvio de padrão (DP).Os valores de pré-teste das variáveis e as taxas de modificação foram comparados nos dois grupos para cada um dos géneros através do teste t para amostras independentes ou do teste de Mann-Whitney. A análise da normalidade foi examinada recorrendo ao teste de Shapiro- Wilk, assumindo-se uma distribuição normal quando o nível de significância era superior a 0,05.
4.4 RESULTADOS
A Tabela 4.1 expõe a análise descritiva dos dados referentes aos parâmetros da antropometria/composição corporal, preensão manual, aptidão física funcional e risco
94 de queda, em função do género e em ambos os grupos analisados (controlo e experimental)
O género feminino não exibiu diferenças nos valores de pré-teste entre o grupo de controlo e experimental, com exceção para os testes levantar, andar 2,44 m e voltar a sentar (p= 0.04) e flexão do antebraço (p=0.04). Em relação à amostra masculina, os valores de pré-teste dos dois grupos examinados não exibiram diferenças com
95
Tabela 4.1. Valores de pré-teste e de pós-teste das variáveis nos dois grupos e em função do género. Diferença dos valores de pré teste no grupo experimental e de controlo, para cada um dos
géneros.
DP – Desvio de padrão: * p≤ 0,05; β Diferença entre os dois géneros testada através do Teste de Mann-WhitneyA Variáveis
Género Feminino Género Masculino
Grupo de Controlo (n=16) Grupo Experimental (n=13)
Diferença Valores Pré-
Teste (p)
Grupo de Controlo (n=7) Grupo Experimental (n=8)
Diferença Valores Pré- Teste (p) Pré-Teste MédiaDP Pós-Teste MédiaDP Pré-Teste MédiaDP Pós-Teste MédiaDP Pré-Teste MédiaDP Pós-Teste MédiaDP Pré-Teste MédiaDP Pós-Teste MédiaDP Preensão Manual (kg) 15,726,09 14,445,78 19,735,01 21,194,25 0,07 29,797,13 29,216,79 33,3811,86 35,5610,15 0,50 Antropometria/Composição Corporal Peso (kg) 69,119,59 69,6010,40 73,0713,72 73,1613,60 0,37 79,1810,53 79,7411,16 78,967,33 79,047,84 0,87 β Altura (m) 1,530,06 1,520,06 1,540,06 1,530,06 0,71 1,630,04 1,630,04 1,660,06 1,660,06 0,24
Índice de Massa Corporal (kg/m2)
29,593,67 29,953,92 30,965,51 31,135. ,44 0,43 29,813,34 30,013,49 28,773,23 28,923,39 0,55
Perímetro da Cintura (cm) 99,6410,29 101,0111,59 98,5613,67 101,7614,20 0,81 106,719,68 107,3010,19 104,539,75 105,1810,65 0,67
Perímetro da Anca (cm) 108,387,17 108,617,25 110,9011,03 109,8313,19 0,46 103,396,37 103,516,42 102,285,84 102,944,86 0,69 β
Massa Muscular Esquelética (kg) 14,432,04 19,582,17 15,352,07 20,802,05 0,24 21,831,91 21,902,08 22,361,25 22,431,36 0,53
Índice de Massa Muscular Esquelética
(kg/m2) 6,160,61 8,410,56 6,490,67 8,850,56
0,22β 8,220,50 8,240,55 8,140,46 8,170,64 0,87 β
Aptidão Física Funcional
Levantar, Andar 2,44 e Voltar a Sentar (s) 17,319,96 29,5522,77 11,4610,21 13,6425,46 0,04* β
11,006,43 17,3217,51 7,753,45 9,059,94 0,28 β
Flexão do Antebraço (nº de execuções) 10,815,80 9,005,66 14,773,63 22,465,56 0,04* 14,293,82 13,294,96 16,883,40 24,755,50 0,19 Levantar e Sentar da Cadeira (nº de
execuções)
5,943,91 4.504,55 8,544,89 14,158,49 0,12 9,573,82 8,713,99 12,383,58 17,258,24 0,17
96 Através da observação da Tabela 4.2 verificamos que tanto o grupo de controlo como o grupo experimental evidenciaram elevados níveis de adiposidade central, um baixo nível de mortalidade e uma condição muscular normal, antes e depois da implementação do programa de exercício. Quanto ao risco de queda, 68,7% das mulheres pertencentes ao grupo de controlo evidenciaram uma elevada predisposição para a ocorrência de quedas.
Um menor risco de queda foi exibido pelo grupo experimental, (69,5% do género feminino e 75% do género masculino). Após um período de 6 meses, as mulheres que não participaram em qualquer forma de atividade física aumentaram a probabilidade de ocorrência de queda (68,7% para 75%).
No que respeita à Aptidão Física Funcional (AFF), nomeadamente na mensuração da velocidade, agilidade e equilíbrio dinâmico, ambos os géneros do grupo de controlo exibiram desempenhos classificados como “Muito Fraco”, antes e após seis meses. No grupo experimental, o exercício foi um factor modificador desta variável, isto porque após a intervenção apenas 30,8% das mulheres e 25% dos homens exibiram desempenhos insatisfatórios. Os participantes do programa manifestaram um aumento da força superior, as mulheres exibiram prestações classificadas na categoria de “Bom “ e “Muito Bom” no teste de flexão do antebraço, e os homens desempenhos categorizados no nível “Muito Bom”. Quanto à força inferior, metada da amostra masculina do grupo experimental, exibiu prestações no nível “Muito Bom” no teste sentar e levantar da cadeira e 30,8% das mulheres do mesmo grupo apresentaram um desempenho categorizado como “Bom”.
A Tabela 4.3 apresenta as taxas de modificação obtidas para cada um dos grupos, dentro de cada género. Homens e mulheres não exibiram diferenças com significado estatístico nas taxas de modificação da escala de equilíbrio de Berg e nas variáveis de composição corporal. No género feminino, o grupo experimental exibiu, comparativamente ao grupo de controlo, melhorias (p≤0,05) na preensão manual (11% e -4,19%, respetivamente, p=0.01) e nos testes de flexão do antebraço (57,18% e -15,15%), levantar e sentar na
cadeira (75,25% e -28,91%) e levantar, andar 2,44 m e voltar a sentar (-9,52% e
66,06%). A mesma situação foi observada nos homens, com o GE a apresentar um melhor desempenho nos testes de apreciação da força e resistência muscular superior e inferior e na velocidade, agilidade e equilíbrio dinâmico (p=0,01; 4,61% no GE e
97
Tabela 4.2. Classificação das variáveis em cada um dos grupos e géneros, em função dos valores de corte considerados e descritos na metodologia
Classificação das Variáveis Analisadas
Género Feminino Género Masculino
Grupo de Controlo (n=16) Grupo Experimental (n=13) Grupo de Controlo (n=7) Grupo Experimental (n=8)
Pré-teste Pós-teste Pré-teste Pós-teste Pré-teste Pós-teste Pré-teste Pós-teste
Perímetro da Cintura Normal 7,7% 7,7% 14,3% 14,3% 12,5% 12,5%
Elevado 100,0% 100,0% 92,3% 92,3% 85,7% 85,7% 87,5% 87,5%
Índice de Massa Corporal Baixo Risco de Mortalidade 75,0% 81,3% 61,5% 53,8% 85,7% 100,0% 87,5% 75,0%
Elevado Risco de Mortalidade 25,0% 18,2% 38,5% 46,2% 14,3% 12,5% 25,0%
Condição Muscular Normal 93,8% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 87,5%
Sarcopenia 6,2% 12,5%
Risco de Queda Baixo 31,3% 25,0% 61,5% 69,2% 71,4% 85,7% 62,5% 75,0%
Elevado 68,7% 75,0% 38,5% 30,8% 28,6% 14,3% 37,5% 25,0% Levantar, Andar 2,44 m e Voltar a Sentar Muito Fraco 100% 100% 69,2% 30,8% 85,7% 85,7% 75% 25,0% Fraco 23,1% 12,5% Satisfatório 46,1% 14,3% 14,3% 12,5% 37,5% Bom 7,7% 7,7% 37,5% Muito Bom 15,4% Flexão do Antebraço Muito Fraco 43,8% 56,2% 15,4% 42,8% 42,9% 25,0% 12,5% Fraco 31,3% 18,8% 23,1% 28,6% 14,3% 25,0% Satisfatório 12,5% 12,5% 30,8% 28,6% 42,8% 37.5% 12,5% Bom 6,3% 12,5% 15,4% 23,1% 12,5% 12,5% Muito Bom 6,1% 15,4% 76,9% 62,5% Levantar e Sentar na Cadeira Muito Fraco 81,3% 81,3% 46,2% 23,0% 57,1% 85,7% 62,5% 12,5% Fraco 12,5% 6,2% 38,5% 23,1% 28,6% 14,3% 25,0% 12,5% Satisfatório 6,2% 12,5% 7,6% 23,1% 14,3% 12,5% 12,5% Bom 7,7% 30,8% 12,5% Muito Bom 50,0%
98
Tabela 4.3. Taxas de modificação dos parâmetros antropométricos/composição corporal, preensão manual, aptidão física funcional e risco de queda, em cada um dos géneros e grupos. Diferença
das taxas de modificação dentro de cada género.
Taxas de Modificação das Variáveis
Género Feminino Género Masculino
Grupo de Controlo MédiaDP Grupo Experimental MédiaDP Diferença p Grupo de Controlo MédiaDP Grupo Experimental MédiaDP Diferença p ∆ Preensão Manual (%) -4,19±25,19 11,00±21,96 0,01* β -1,780,84 10,434,80 0,01* Antropometria/Composição Corporal ∆ Peso (%) 0,60±2,12 0,16±2,07 0,59 0,65±1,66 0,08±2,46 0,61 ∆ Altura (%) -0,25±0,41 -0,25±0,42 0,88 β 0,00±0,00 0,00±0,00
∆ Índice de Massa Corporal (%) 1,14±2,08 0,64±2,11 0,53 0,64±1,66 0,50±2,55 0,90
∆ Perímetro da Cintura (%) 1,27±2,34 3,37±6,68 0,59 β 0,52±0,57 0,58±1,80 0,93
∆ Perímetro da Anca (%) 0,24±2,23 -1,09±3,87 0,13 β 0,12±0,36 0,75±3,84 0,63 β
∆ Massa Muscular Esquelética (kg) 36,29±7,19 36,13±6,81 0,45 β 0,30±1,48 0,36±3,68 0,97
∆ Índice de Massa Muscular Esquelética (%) 0,42 β 0,30±1,48 0,36±3,68 0,97
Aptidão Física Funcional
∆ Levantar, Andar 2,44 e Voltar a Sentar (%) 66,06±73,58 -9,52±55,15 0,00* β 38,76±46,57 4,61±69,46 0,01* β
∆ Flexão do Antebraço (%) -15,15±34,09 57,18±38,83 0,00* -8,49±20,70 49,99±35,45 0,00* β
∆ Levantar e Sentar da Cadeira (%) -28,91±41,63 75,25±75,63 0,00 * β -18,54±36,79 38,57±74,02 0,01* β
Risco de Queda
∆ Escala de Equilíbrio de Berg (%) -4,56±8,76 1,69±7,82 0,06 -3,41±11,04 3,08±7,70 0,21
99 4.5 DISCUSSÃO
O estudo procurou analisar o efeito de um programa de exercício multimodal no risco de queda, na aptidão física funcional e na composição corporal de idosos de ambos os géneros. As nossas hipóteses iniciais apontavam para melhorias significativas ao nível do equilíbrio corporal bem como da força muscular, decorrentes da aplicação do programa de exercício multimodal (PEM).
No que concerne à composição corporal, mais concretamente aos níveis de adiposidade central, ambos os géneros exibiram valores superiores aos recomendados pela
International Diabetes Federation (IDF) (PC<80 cm para mulheres e PC<94 cm para os
homens), antes e depois do programa de exercício. Quer isto dizer, que a nossa intervenção não foi capaz promover alterações significativas ao nível desta variável e, derivado provavelmente também, à idade média exibida pela amostra (76,28±7,82 anos), sendo documentando por Kuk, Saunders, Davidson, & Ross (2009) que os picos de PC tendem a ser atingidos em ambos os géneros entre os 70 e os 79 anos de idade, com valores sempre mais elevados nos homens em relação às mulheres.
Comparativamente à amostra masculina, uma maior percentagem de mulheres exibiu valores de PC superiores aos valores de corte considerados na literatura, refletindo, em parte, o efeito da depleção estrogénica no aumento da adiposidade intra-abdominal (Blake, 2006; Waters, Hale, Grant, Herbison, & Goulding, 2010).
Para que se verifiquem alterações ao nível da composição corporal são recomendados 150 minutos de Atividade Física (AF) de intensidade moderada por semana ou 75 minutos de AF de intensidade vigorosa por semana ou quantidade equivalente através da sua combinação (Haskell et al., 2007; HHS, 2008; Nelson et al., 2007). A intensidade do das nossas sessões de exercício aferiu-se através da Escala de Perceção Subjetiva do Esforço, e os participantes nem sempre foram capazes de permanecer por elevados períodos de tempo dentro de valores entre os doze e os catorze, que correspondem a uma intensidade moderada. Consideramos portanto que o aumento do PC está relacionado com a intensidade do programa de exercíco. Os mesmos autores defendem que para a obtenção de ganhos adicionais para a saúde são necessários 300 minutos AF de intensidade moderada por semana ou 150 minutos de AF de intensidade vigorosa por semana. Concretamente para a prevenção de ganhos de adiposidade intra-abdominal é necessária a realização de AF de intensidade leve a moderada com um dispêndio calórico de 1,601 a 2,283 (kcal/semana) (Pitanga, Pitanga, Beck, Gabriel, & Moreira,
100 2012). Por fim, referimos que o facto de não ter sido possível controlar os padrões alimentares dos participantes, poderá explicar os nossos resultados no que respeita às alterações na composição corporal.
No que concerne ao Índice de Massa Muscular Esquelética (IMME), ambos os géneros apresentaram uma condição muscular normal (as mulheres exibiram valores superiores a 5,45 kg/m2 e os homens a 7,26 kg/m2). De todos os efeitos deletérios do envelhecimento, a diminuição da massa muscular é provavelmente a alteração mais significativa (Silva et al., 2013). O declínio da massa muscular associada à perda de força que se manifesta com o aumento da idade é vulgarmente designado por sarcopenia, constituindo uma condição muito comum em idosos e um importante preditor de incapacidade e de mortalidade (Doherty, 2003). Na investigação seria de esperar que encontrássemos uma maior percentagem de indivíduos com sarcopenia. Talvez os métodos utilizados na apreciação da condição muscular e o número limitado de elementos da amostra tivessem condicionado esses resultados.
Os métodos antropométricos são considerados uma medida limitada na população idosa, uma vez que a aferição do peso e da altura torna-se complicada nestes indivíduos, devido às alterações posturais, dificuldade de manutenção da posição antropométrica e a retenção de líquidos, reduzindo a validade e reprodutibilidade dessas medidas (Wijnhoven et al., 2010). Na opinião de Pahor, Manini, & Cesari (2009) em situações de maior acumulação de água extracelular, como acontece nos idosos e em situações de obesidade, os métodos antropométricos podem gerar uma sobrestimação da massa muscular. Com toda a certeza, que a escolha de métodos mais rigorosas para a apreciação da condição muscular, como a ressonância magnética ou a tomografia computadorizada, teriam conduzido a outros resultados.
No que respeita ao risco de queda e ao contrário do que seria de esperar, o programa de exercício não gerou melhorias significativas no risco de queda, avaliado através da EBB. Pensamos que estes resultados foram alcançados devido aos valores de corte que podem ser utilizados aquando da classificação do risco de queda. A literatura ostenta uma manóplia de valores de corte para classificação da pontuação da EEB. De acordo com Chiu, Au-Yeung, & Lo (2003) e Shumway-Cook, Baldwin, Polissar, & Gruber (1997), pontuações superiores a 47 pontos são preditoras de uma capacidade de equilíbrio normal, e inferiores ou iguais a esse valor apontam para um aumento de risco de queda. Berg (1989) defende que uma pontuação inferior ou igual a 45 pontos está
101 associada a um maior risco de ocorrência de quedas. Newstead, Hinman, & Tomberlin (2005) associam pontuações a percentagens, onde pontos entre 56 a 54, correspondem a risco na ordem dos 3% a 4%; de 54 a 46 pontos, a probabilidade de serem experienciadas quedas passa de 6% para 8%, e por fim, uma pontuação inferior a 36 pontos exponencia do risco de queda na ordem dos 100%.
O facto de não exitir unanimidade nos valores de corte para a classificação do risco de queda pode ter distorcido os nossos resultados, uma vez que estes variam consoante os seus autores.
Na literatura, é indiscutível que atividade física exerce incondicionalmente uma influência tanto direta como indireta na aptidão física dos idosos (Baptista et al., 2011;