O desenvolvimento de um território é um objetivo que deve ser compreendido de forma abrangente e articulado. Desse modo, propõe-se que seja incluído nesse eixo um conjunto de ações que potencializam o desenvolvimento econômico, turístico, cultural, patrimonial e a valorização social.
Quadro 06 – Ações do eixo de desenvolvimento econômico e sociocultural.
(continua)
Ações Descrição
Diversificação da economia local, valorização de produtos e inovação.
Produtos e serviços que atuam como potencializadores da
sustentabilidade e economia local
Identificar produtos agroalimentares provenientes de modos de produção que os valorizem, bem como aqueles produtos que possam ser interessantes pela sua qualidade e/ou originalidade local.
Apoiar o setor produtivo local e as associações, grupos e
cooperativas na organização e diversificação da capacidade produtiva.
Proposição da integração de processos como marketing e design, além da cooperação na produção e comercialização dos produtos. Cita-se aqui a busca por mais mercados que possam comercializar a produção oriunda da Reserva.
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Uma planta que chegou ao Brasil como solução, hoje, é um problema para os pecuaristas gaúchos. O capim- annoni se espalhou pelo estado e tem gerado transtorno para os produtores, que encontram cada vez mais dificuldades para controlar a planta daninha. Ao longo dos tempos foi verificado que ele se tornou um problema, justamente pela baixa digestibilidade e pela baixa quantidade de nutrientes que o pasto oferece para os animais.
Serviços turísticos Tornar o setor mais
ambientalmente sustentável e com vínculo à Reserva da Biosfera do Pampa.
Motivar os proprietários para o uso de medidas que conduzam, em um primeiro momento, a um menor consumo de água e energia. Além da utilização de produtos locais para a alimentação e decoração alusiva a identidade local.
Valorização da gastronomia e dos produtos locais
Incentivo a organização de eventos de cunho gastronômico e artesanal.
Desenvolvimento de produtos turísticos
Criar programas integrados de visitação turística ao território da Reserva, como por exemplo, com a temática ambiental – grande potencial para identificação de fauna e flora, temática de agricultura e de cultura local, programas de visitas de cunho histórico.
Fomentar a rede de percursos de natureza
Melhorar as existentes e criar novas rotas com trilhas dos mais variados objetivos e níveis de dificuldades. Valorização do Patrimônio
Elaboração da carta patrimonial da Reserva da Biosfera do Pampa
Fazer o levantamento do patrimônio cultural, histórico e natural de forma a promover o seu conhecimento e valorização, bem como auxiliar nas proposições de roteiros turísticos.
Promoção e valorização da identidade local
Promover os aspectos identitários do território da Reserva através da valorização dos saberes e tradições locais, nomeadamente a gastronomia e a cultura do gaúcho.
Valorização Social
Melhoria das infraestruturas
Melhoria das infraestruturas, como por exemplo, dos caminhos rurais, como forma de facilitar a atividade agropecuária e das populações rurais.
Elaboração: autora. Ameaças
Dentro do eixo de desenvolvimento sociocultural é importante destacar uma área em que o desenvolvimento e a conservação podem convergir para o mesmo ponto: o butiazal do Coatepe.
Segundo Marchiori e Alves (2011) butiazais - ou palmares - são formados por populações relativamente densas de espécies do gênero Butia, família Arecaceae. No Pampa do Rio Grande do Sul há registro de seis espécies nativas81, sendo o Butia yatay típico da fronteira oeste.
O butiá-jataí, como também é conhecido (LORENZI, 2010), forma o Palmar do Coatepe, localizado no interior do município de Quaraí, nas comunidades do Salsal e Coatepe (figura 45). A região é composta por pequenas propriedades familiares cuja principal
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B. catarinensis, na região de Torres; B. lallemantii, na região dos areais; B.odorata, na região de Tapes; B.
atividade econômica é a pecuária extensiva. São famílias estabelecidas há gerações no Coatepe, que têm por tradição a criação de animais para corte, tanto bovino quanto ovino.
Apesar de o fruto apresentar potencialidades para produção de alimentos82, em Quaraí, as folhas são o recurso não-madeirável mais explorado. Segundo alguns dos pecuaristas da área, elas são uma alternativa para alimentar o gado durante o inverno, estação em que a oferta de pastagem diminui. Antigamente, também eram usadas para construir telhados da localidade, através da trança das folhas, as chamadas “casas quinchadas”. As “crinas” – palha extraída do butiazeiro - eram utilizadas, também, para forrar colchões, almofadas e estofados em geral. Além de ser, desta maneira, uma espécie com potencial de uso humano e característica fisionomicamente dominante, o butiá é fonte de alimento para a fauna silvestre.
Figura 44 – Butiazal do Coatepe – Quaraí.
Fonte: trabalhos de campo, janeiro de 2017.
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Segundo o chefe do escritório da Emater, do município de Quaraí, existe um grupo de mulheres que utilizam o butiá na gastronomia, porém o número ainda é reduzido.
O entendimento dos serviços ecossistêmicos promovidos nesses ambientes e a proposição de práticas agrícolas, que permitam a manutenção e a continuidade desses serviços, agregando renda às comunidades locais através da valorização dos serviços promovidos, são formas de propiciar estímulo para adoção de práticas conservacionistas.
Todavia, o butiazal do Coatepe, assim como o restantes de butiazais localizados no Pampa, estão ameaçados pela expansão de áreas agrícolas. Além disso, outra preocupação é a falta de regeneração das populações, já que nos butiazais remanescentes resistem às plantas adultas, algumas centenárias, mas a presença de mudas e palmeiras jovens é escassa.
Desse modo, o Plano de Ação da Reserva da Biosfera deve ter como princípio o estímulo tanto de conservação quanto de utilização de forma sustentável do butiazal do Coatepe pela sua comunidade local, considerando, principalmente, seus objetivos de conciliar o desenvolvimento local com a manutenção da biodiversidade, garantindo a continuidade de uma paisagem com tamanha importância histórico-cultural.