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Desenvolvimento local e sistema educacional

Desenvolvimento local não significa adotar algumas medidas emergenciais para solucionar problemas de um determinado espaço geográfico. Essas medidas assim adotadas, não passam de paliativos e não contribuem para um desenvolvimento harmônico.

Desenvolvimento local significa a adoção de medidas que visam solucionar problemas e melhorar a qualidade de vida de forma igual ou com a menor diferença possível entre as regiões. Deve ser uma adoção de medidas e políticas capazes de diminuir as desigualdades entre os povos ou regiões através da criação de empregos, geração de renda nos setores produtivos da sociedade e permitir a continuidade desse processo.

O agir local passa por políticas públicas municipais e estaduais tendo estes, papéis fundamentais na mobilização e fiscalização de ações de caráter que promovam o crescimento econômico, a melhoria da qualidade de vida de sua população e a garantia da continuidade desses fatores no tempo através da preservação e da melhoria do físico. O desenvolvimento rural sustentável é reforçado pelo caráter político do planejamento e, neste sentido, a escola junto com a família, tem um papel muito importante, fundamental e porque não dizer, vital na promoção do desenvolvimento sustentável. A escola, de maneira específica no meio rural, está presente de forma atuante quanto ao acesso da população, bem como nas condições oferecidas para o educando chegar ao ensino médio básico. O envolvimento da família no processo educativo com uma visão de desenvolvimento sustentável é necessário para

formação do educando dentro do contexto da teoria tripolar de Gaston Pineau. Envolvê-la é um dos paradigmas da educação nacional que deve ser rompido, e a Pedagogia da Alternância adotada no Brasil pelos CEFFAs, proporciona condições mais favoráveis que os outros sistemas de educação.

Segundo Jean Poul Carriere12 o desenvolvimento local está baseado em alguns modelos teóricos:

Teoria da base, desenvolvida por Hoyt, 1930, defende que para uma região se desenvolver depende de políticas de exportação para fora da região produzida e que está diretamente ligada ao volume de produção exportado. Sabe-se que o mercado é dinâmico, exige qualidade, regularidade de produção e entrega e preços competitivos. Para que estes componentes estejam presentes nos produtos, há a necessidade da assistência técnica e da informação. Em se tratando de produtos do mercado rural, principalmente agropecuário, exige-se a necessidade constante desse acompanhamento que pode acontecer através da pesquisa e da extensão oficial, de instituições privadas ou instituições de ensino.

A Teoria dos Pólos de Crescimento, preconizada pelo francês Perroux nos anos de 1960 a 1970, nos leva a uma visão de desenvolvimento local com a idéia centrada num conjunto de iniciativas associadas, não isoladas, impulsionado por uma matriz dominante que vão puxar os dominados produzindo efeitos diretos, indiretos e induzidos. No setor agropecuário brasileiro pode, talvez, ser exemplificado, através da agroindústria do frango e dos suínos que, através da grande escala de produção, mantém sistemas de parcerias com produtores rurais impulsionando a pequena empresa agrícola que é a propriedade rural. Da mesma forma, a indústria do tabaco mantém esse sistema de parceria que movimenta e aquece a economia da Região Norte do Rio Grande do Sul, denominada Região do Médio Alto Uruguai, e outras regiões brasileiras. Ambos os casos podem ser considerados pólos de crescimento de um setor da economia primária desencadeado pela iniciativa privada.

A terceira teoria do desenvolvimento endógeno está centrada em três conceitos chaves. A noção fundamental de território valorizando o saber local, muitas vezes criado por tradições milenares e que não existe em outras regiões e que deve ser explorado como uma forma de

desenvolvimento local. É um potencial de desenvolvimento que, por suas características, não está presente em outros locais ou situações, portanto fora da concorrência, e da rede de atores baseado na cooperação entre os mesmos na busca de soluções comuns para seus problemas. Pequenas empresas montam redes de cooperação entre si para fazer frente à concorrência de grupos maiores e a barganha de preços na compra e na venda. Na área rural podemos exemplificar como redes de atores a união de produtores rurais em associações ou condomínios para exploração de atividades que seriam inviáveis de fazê-los de modo individual. Verifica-se a grande dificuldade da rede de atores neste processo quando esses são considerados de agricultura familiar. Falta neste caso, ou existe, mas de forma insuficiente, a informação e a formação para conscientização dos atores, papel importante que deve ser exercido pelo setor educacional, extensão rural, órgãos oficiais da administração pública, e porque não dizer, de modo especial, pelos Centros de Formação Familiar por Alternância.

Entendo por desenvolvimento rural, todo o conjunto de medidas que leva a família a uma vida digna. É ter casa própria, luz elétrica, água, saneamento básico, saúde, educação, condições de se locomover, ir e vir. Desenvolvimento rural é a pessoa ser cidadã, gozar de seus direitos civis e políticos de um Estado, bem como o gozo de seus deveres. Desenvolvimento rural é tudo isso, é a capacidade de produzir e gerar renda para atender as necessidades básicas, de poupança, de gerar novos empregos, de estar escolarizado.

Ampliando este conceito para durável dizemos que é tudo isso que responde as necessidades do presente sem reduzir a capacidade das gerações futuras. É basear-se nos três pólos: atender o econômico, de forma eqüitativa entre as pessoas, sem degradar o meio ambiente e que perdure por gerações infinitas. Todo projeto de desenvolvimento deve ter essa visão sistêmica, global, do impacto que causará sobre a natureza. O pensar é local, regional, mas o agir deve ser planetário e desenvolver-se a custa da natureza é perverso, deve ser renunciado.

Um dos primeiros passos para um programa de desenvolvimento endógeno, além de um inventário do potencial de desenvolvimento da região, território, é a formulação de programas conjuntos entre municípios. Num nos textos para discussão do Programa Nacional de Desenvolvimento Rural Sustentável – PNDRS, podemos ver que

... para oferecer melhores perspectivas aos 4.500 municípios rurais, onde estão quase 52 milhões de habitantes, qualquer projeto de desenvolvimento para o Brasil deverá conter diretrizes, objetivos e metas que favoreçam sinergias entre os setores primários, secundários e terciários de suas economias locais (VEIGA, 2001, p. 57). O caráter associativo dos municípios, de consórcios13, na discussão, elaboração e promoção de políticas desenvolvimentistas, é questão quase de sobrevivência dos municípios desse porte populacional. Este papel também pode ser desenvolvido por autarquias públicas, associações comerciais, industriais e de produtores dos diversos setores produtivos e de serviço.

Desenvolvimento se faz com educação e pesquisa, que deve começar na base, na pré-escola. O rural deve se promover a partir da conscientização do meio educacional dos filhos de agricultores, através de uma educação diferenciada, voltada para o meio rural. Na Região Sul do Brasil, as redes de ensino municipal e estadual são grandes, e o número de Escolas de Ensino Fundamental completo no meio rural bastante avançado, praticamente sem alunos fora da sala de aula até os 14 anos de idade. Por esse motivo, os currículos dessas escolas devem propor formação do jovem agricultor, para o desenvolvimento, a princípio de sua comunidade e de sua empresa que é a propriedade rural, sem perder de vista a visão macro de desenvolvimento.

Como ostentar, por parte da sociedade organizada, empresarial, ou poder público, políticas territoriais de desenvolvimento do meio rural onde se observa que o jovem do meio rural, em idade de conclusão do Ensino Fundamental, idade de início das atividades laborais, de iniciar um empreendimento, está desmotivado para continuar junto com a família, as atividades rurais. O jovem do meio rural, que cursa o Ensino Fundamental no meio urbano, entra em contato mais cedo com o mundo da cidade, despertando-o para continuar seus estudos no meio urbano, ao mesmo tempo em que inicia uma tentativa para ingressar no mercado de trabalho na cidade. Quando ingressa no mercado de trabalho, muitas vezes é de economia informal, ou assalariadas e reduzidas vezes torna-se empresário com economia capaz de gerar renda, impostos e empregos.