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Dificuldades no processo da abordagem interdisciplinar e seu impacto para

CAPÍTULO III – METODOLOGIA

4 CAPÍTULO IV – APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DOS RESULTADOS

4.4 Avaliação do trabalho interdisciplinar pelos alunos análise da pesquisa

4.4.2 Dificuldades no processo da abordagem interdisciplinar e seu impacto para

Com referência à participação dos envolvidos neste projeto, foram apresentadas algumas dificuldades. No caso proposto, a pesquisa identificou as subcategorias e assinalou todas aquelas que se apresentaram com maior frequência entre os entrevistados.

As dificuldades apresentadas na realização da tarefa interdisciplinar, demonstrada na Tabela 20, abaixo, apresenta-se em três categorias: Relacionamento Interpessoal dos Alunos (I), Docência (II) e Aprendizado (III), conforme informações apresentadas no Apêndice I.

Em quantidades, encontram-se os alunos que optaram pela escolha do SIM. Como exemplo temos 8 alunos (44,4%), do Total de 18 participantes, acreditando que a “Falta de Comunicação” é uma dificuldade na abordagem interdisciplinar. As demais opções seguem a mesma análise.

As categorias foram criadas mediante as entrevistadas realizadas – Relação de respostas da pesquisa qualitativa – Alunos. Buscou-se identificar as respostas semelhantes e, assim, quantificar as informações que se repetiam.

Tabela 2321 – Dificuldades apresentadas na abordagem interdisciplinar - Sintético

Categoria Subcategorias Quantidades Frequência

Relacionamento interpessoal - alunos

Falta de comunicação 8,0 44,4%

Conhecer os alunos envolvidos 2,0 11,1%

Relacionamento 5,0 27,8%

Divergência de ideias 4,0 22,2%

Falta de tempo 1,0 5,6%

Subtotal Analítico I N.º total de optantes pelo SIM 20,0 52,6%

Docência

Falta de comunicação 3,0 16,7%

Entendimento da tarefa 3,0 16,7%

Apresentação do Projeto 1,0 5,6%

Custeio envolvido 1,0 5,6%

Apoio dos docentes 2,0 11,1%

Subtotal Analítico II N.º total de optantes pelo SIM 10,0 26,3%

Aprendizado

Estrutura do projeto 2,0 11,1%

Colocar em prática a teoria 3,0 16,7%

Relacionar matérias 1,0 5,6%

Projeto adequado ao aprendizado 2,0 11,1%

Subtotal Analítico III N.º total de optantes pelo SIM 8,0 21,1%

Total de Participantes 18,0

Total = I + II + III 38,0 100,%

Fonte: Dados da pesquisa, 2015

Essas categorias são apontadas no Gráfico 34, a seguir, relacionando-se: I. Relacionamento Interpessoal –20 escolhas (52,6%)

II. Docência – 10 escolhas (26,3%) III. Aprendizado – 8 escolhas (21,1%)

21Ver Apêndice I – Analítico da Tabela 20.

Gráfico 34 – Dificuldades no processo de abordagem interdisciplinar

Fonte: Dados da pesquisa, 2015

É possível constatar que a maior dificuldade se agrupa na categoria Relacionamento Interpessoal - Alunos (52,6%), seguida das deficiências apresentadas pelos Docentes (26,3%). Em ambos a Falta de Comunicação foi um item que se apresentou: 30,0% entre os alunos e 40,0% entre os Docentes. Seguidos de Colocar em prática a teoria, na categoria Aprendizado, com 37,5%, conforme dados da Tabela 20.

A dificuldade referente ao relacionamento interpessoal vincula-se a uma das características a aprendizagem colaborativa e cooperativa: a interação estimuladora. Vale lembrar que Derry, Schunn e Gernsbacher (2005) colocam a interação e o desenvolvimento na base dessas duas práticas de ensino. Para eles, é necessário que os membros de uma equipe compartilhem informações para que consigam alcançar os objetivos propostos. Apesar de, em uma postura colaborativa, essa característica ser considerada como pré-requisito, sabe-se que conviver é um exercício constante, diário e interminável.

As dificuldades com o aprendizado (21,1%) são, de certa forma, esperadas. Para muitos destes alunos, essa é uma nova forma de aprender que envolve não somente as suas ações, mas as atitudes de pessoas com as quais eles ainda não tinham se relacionado.

Em razão desses dados quantitativos, verifica-se que a abordagem interdisciplinar promoveu impacto positivo na formação do aluno. Os índices percentuais referentes às dificuldades com estrutura do projeto (11,1%), colocar em prática a teoria (16,7%), relacionar matérias (5,6%) e adequação do projeto ao aprendizado (11,1%) foram relativamente baixos e aceitáveis em um processo de ensino aprendizagem.

Longe de desconsiderar essa evidência percentual, uma vez que se trata da formação de pessoas, é necessário ponderar as orientações de Moran (2000) referentes aos desafios da

0 0,1 0,2 0,3 0,4 0,5 0,6

Relacionamento Interpessoal - Alunos Docência Aprendizado

52,6% 26,3%

educação de qualidade que integre todas as dimensões do ser humano. O autor orienta que, a partir da compreensão das potencialidades e fragilidades do indivíduo e da equipe, é possível construir um trabalho do profissional mais rico. Dessa forma, evidenciam-se que as formações de bases diferentes ocasionarão, para o processo de aprendizagem, diferentes dificuldades.

A última pergunta do questionário qualitativo indagou ao grupo de alunos se eles apresentavam soluções eficazes para a realização da tarefa interdisciplinar. A Tabela 24 demonstra que as mulheres apresentaram maior efetividade em suas ações (100,0%), enquanto que entre os homens esse percentual foi de apenas 66,7%.

Tabela 24 – Soluções eficazes por gênero

Soluções eficazes Gênero valor p Masculino Feminino N.º Frequência N.º Frequência Sim 8 66,7% 6 100,0% 0,276 Não 1 8,3% 0 0,0% Na maioria 3 25,0% 0 0,0% Total 12 100,0% 6 100,0%

Fonte: Dados da pesquisa, 2015

Nota: As probabilidades de significância (valor P) referem-se ao Teste Qui-quadrado Exato de Fisher.

A Tabela 25 copila os dados de ambos os sexos. Verifica-se que 77,8% dos entrevistados apresentam-se envolvidos com os resultados a serem alcançados. Sendo que 16,7% apresentam soluções eficazes na maioria das vezes, quando lhe são solicitadas. E, apenas 5,6% não se colocam à disposição para atuar junto aos resultados pretendidos pela equipe de trabalho.

Tabela 25 – Soluções eficazes

Gênero Opções Quantidades Frequência

Soluções eficazes

Sim 14,0 77,8%

Não 1,0 5,6%

Na maioria 3,0 16,7%

Total 18,0 100,0%

Fonte: Dados da pesquisa, 2015

Esse é um dado relativamente pequeno, apenas um aluno considera que o aluno não está envolvido com a tarefa. Os dados da Tabela 25 demonstram o engajamento do aluno ao participar da realização da tarefa. Considera-se relevante, pois, o envolvimento denota compromisso com a ação e o projeto proposto. Afinal, na ausência de hierarquia, cada membro

deve assumir suas tarefas, a fim de que o grupo alcance os objetivos.

Considerados os dezoito alunos respondentes, verificou-se nesta 3ª fase da pesquisa, a qual se vincula à avaliação do processo vivido, que mais da metade (66,7%) eram do sexo masculino. Há de se observar que as mulheres envolvidas possuíam maior experiência na atividade interdisciplinar, embora os homens tivessem maior tempo de prática com trabalhos interdisciplinares.

Em síntese da pesquisa de métodos mistos – Alunos, no que se refere às dificuldades da abordagem interdisciplinar, verificou-se que o relacionamento interpessoal, acentuado pela falta de comunicação e o simples fato de se relacionarem, pesa negativamente para os entrevistados, pois esse é, aparentemente, um problema para os jovens. Ainda neste tópico, evidenciaram-se algumas reclamações em relação à comunicação dos professores para promoverem um melhor entendimento do processo de abordagem junto aos alunos. Neste caso, o suporte dado aos alunos é uma demanda necessária para que eles alcancem os objetivos propostos.

Com relação ao objetivo de examinar o impacto da didática utilizado pelo professor no processo de aprendizagem interdisciplinar junto a público-alvo identificado, os dados apresentaram resultados positivos. A esse respeito, destacou-se pequena dificuldade na estruturação do projeto, na colocação da teoria em prática, no relacionamento entre as matérias e na adequação do projeto ao aprendizado. Tais dificuldades foram justificadas pela própria diversidade do grupo.