5 RESULTADOS

5.5 APLICAÇÃO DA MATRIZ DE SUSTENTABILIDADE NO MUNICÍPIO DE

5.5.1 Dimensão econômica

A dimensão econômica é abordada a partir de 3 indicadores, sendo estes relacionados aos gastos envolvidos na GRSU, aos mecanismos de arrecadação destinados ao seu financiamento, e por fim, ao percentual do custo, de coleta, transporte e disposição final dos resíduos, autofinanciado. Para a presente dimensão, todos os dados necessários à aplicação dos indicadores foram coletados diretamente na Prefeitura Municipal.

Com base em informações obtidas junto ao Departamento de Meio Ambiente (DMMA) da Prefeitura Municipal de Cotiporã, foram gastos no ano de 2017, R$ 372.964,02 com a coleta, transporte e destinação final de RSU. Tal valor compatibiliza os custos atrelados aos resíduos orgânicos e rejeitos, de R$ 279.723,02, e os relacionados à coleta seletiva, de R$ 93.241,00. A partir dos mesmos obtêm-se um gasto médio mensal de R$ 31.080, 34.

O custo da GRSU por habitante foi calculado considerando-se as peculiaridades predominantes no Município, uma vez que a coleta de resíduos orgânicos e rejeitos é realizada somente na área urbana. Desta maneira, para a obtenção do custo atrelado à gestão de tais resíduos levou-se em conta somente a população residente no porção urbana. Já para a coleta seletiva, que abrange todo o território do Município, contabilizou-se a população total. Além disso foi incluído o custo anual de R$ 150.600,00, relativo aos serviços de limpeza urbana.

Dadas as considerações, verificou-se que os recursos aplicados pelo Município, em 2017, para custeio dos serviços relacionados à GRSU foram, em

média, de R$ 16,56 por habitante ao mês, que por sua vez, indica uma situação favorável em relação ao indicador 1a. O resultado obtido, traduzido a partir da nota 1, revela que o valor gasto pelo Município é superior às médias nacional e regional apontadas pela ABRELPE (2017), de R$ 10,37 e R$ 8,20, respectivamente.

Apesar de representar um custo elevado frente ao cenários predominantes no país e na região sul, entende-se que os recursos investidos pelo Poder Público são reflexo de uma série de fatores, tais como as frequências das coletas, convencional e seletiva, a cobertura e o transporte utilizado para as mesmas e o tipo de destinação final adotada.

Deve-se considerar ainda, que 60% dos municípios brasileiros destinam os RSU, gerados em seus territórios, junto à lixões e aterros controlados, enquanto que a nível regional esse percentual é inferior, chegando à 41% (ABRELPE,2017). Diante disso, os recursos investidos por tais municípios tendem, em função da destinação final adotada, à serem inferiores, quando comparados aos despendidos por aqueles que dispõem seus resíduos junto à aterros sanitários.

Em relação ao indicador 1b, que busca estabelecer a existência de mecanismos de arrecadação para o financiamento da GRSU, o Município se encontra em uma condição intermediária. As informações obtidas junto ao DMMA da Prefeitura Municipal, indicam que os recursos são obtidos a partir de tarifa, cobrada anualmente junto ao Imposto sobre a Propriedade Predial e Territorial Urbana (IPTU), sendo que no ano de 2017, o valor arrecadado foi de R$ 156.935,45.

A situação verificada no Município vai ao encontro de uma realidade que predomina à nível nacional. Leite (2006) enfatiza que há uma forte tendência no país, na qual o poder público é remunerado, pelos serviços de limpeza urbana prestados à população, através de uma taxa normalmente cobrada junto ao IPTU, que tem, por sua vez, a mesma base de cálculo que o referido imposto. O autor defende que a prática adotada não é suficiente para o custeio dos serviços necessários à GRSU, visto que estes representam um dos maiores investimentos realizados pelos municípios brasileiros, que convivem corriqueiramente com baixas arrecadações.

Por fim, o indicador 1c mede o grau de autofinanciamento da GRSU, sendo este representado pela razão, em percentagem, entre os valores arrecadados a os custos públicos totais. De acordo com Polaz e Teixeira (2009), o autofinanciamento engloba todas as origens regulares de recursos, sendo que as tarifas representam a maior e principal fonte de captação. Para o Município em estudo, o percentual de 42%, obtido a partir da razão entre os valores arrecadados, através de tarifa específica, e os custos totais com a GRSU, leva à uma situação intermediária. Ou seja, a nota atribuída corresponde ao valor 0, no qual o percentual financiado está entre 40 e 90%.

A realidade encontrada para o indicador 1c é semelhante à encontrada por Castro et al. (2014) junto aos municípios de Iranduba e Manacapuru, localizados no estado do Amazonas. Os autores verificaram que os dois municípios apresentavam sistemas de financiamento promovidos por cobrança inclusa ao IPTU, porém em ambos os casos, os valores arrecadados não eram suficientes para o atendimento dos custos gerados anualmente. Leite (2006) reitera a respeito dessa questão, indicando que custeio da totalidade dos serviços envolvidos na GRSU, representam grandes problemas que por vezes, podem envolver mais de 15% do orçamento municipal.

A síntese dos resultados, obtidos a partir da aplicação dos indicadores relacionados à dimensão econômica, segue apresentada na Figura 18. Como pode ser verificado não houveram indicadores avaliados negativamente, sendo verificado um cenário positivo e dois intermediários.

Figura 18- Resultados obtidos partir da aplicação dos indicadores vinculados à dimensão econômica.

Fonte: O autor (2019)

A Figura 19 por sua vez, traz a representação gráfica dos resultados, sendo esta vinculada ao modelo de radar. Em tal abordagem a tendência à sustentabilidade cresce de acordo com a proximidade das bordas externas, sendo que as condições desfavoráveis são verificadas no ponto central do gráfico. Ainda em relação à este, verifica-se que o grau sustentabilidade é proporcional à área preenchida, aumentando juntamente com a mesma.

Sendo assim, verifica-se a partir da Figura 19, que a área do gráfico encontra-se com um preenchimento parcial, o que indica, por sua vez, que o grau de sustentabilidade não se encontra em um patamar favorável frente aos indicadores elencados na dimensão econômica.

Figura 19- Representação dos resultados obtidos para a dimensão econômica através de gráfico de radar.

Fonte: O autor (2019)

No documento Aplicação de indicadores de sustentabilidade na avaliação do sistema de gestão de resíduos sólidos urbanos do município de Cotiporã-RS (páginas 76-80)