Como a maior operação urbanística ocorrida em Londres durante a década de 80 e, simultaneamente, uma das maiores operações de revitalização urbana a nível mundial, esta intervenção assentou na implementação de novas construções que rompiam com o passado, tendo-se tornado num marco de referência nas operações de frentes de água, pela sua dimensão, importância e polémica. Não estando em causa a conservação da zona mas sim a sua reformulação, entendeu- se pertinente desconsiderar os planos anteriores para a zona das Docklands que, não só desconsideravam o património arquitetónico da área como também encaravam as zonas fechadas das docas como um
15. As premissas surgem no contexto de um estudo realizado aos planos de desenvolvimento elaborados nos anos 80 para o caso das Royal Docks, a partir do desenvolvimento em Isle of Dogs, tendo este trabalho sido a base da infraestrutura construída pela LDDC para apoiar os desenvolvimentos seguintes. Disponível em http:// www.lddc-history.org.uk/planning/index.html#Devl Plan Strat (consultado a 12-2015). problema passivo. Assim, surge um novo plano, dinamizado pela LDDC, que teve como primeira iniciativa a aquisição de vastos territórios portuários desocupados e disponíveis para a criação e preparação das devidas infraestruturas de forma a permitir, posteriormente, o seu enchimento e desenvolvimento.
Nesse sentido, considerando que o objetivo principal da LDDC se tratava da criação de diversos distritos coerentes e identificáveis, são estabelecidas e publicadas premissas orientadoras do plano15 , que
apresentam uma abordagem unificada para uma série de questões- chave que são aplicáveis em todo o território da Docklands Urban Development Area (DUDA), tais como:
i) Continuidade, essencial na renovação desta complexa área na medida em que o seu desenvolvimento deve permitir uma evolução de forma a estimular a coesão e a ambição de uma melhoria de condições; ii) Diversidade, essencial em áreas urbanas bem estabelecidas, quer a nível do tipo de construção como de desenvolvimento de diferentes usos do solo e das suas inter-relações;
iii) Acessibilidade, quer espacial, em termos de fornecimento de transporte público ou privado reconhecendo as diferentes necessidades da população, quer visual;
iv) Intensidade de desenvolvimento, de forma a otimizar o uso do solo, reduzindo a necessidade de deslocação automóvel e melhorar a viabilidade do transporte público, surge a oportunidade de melhorar as perspetivas para comércio e restauração local e instalações de lazer que permitem servir um maior número de pessoas;
v) Flexibilidade, ao nível do planeamento, no sentido em que a cidade deveria albergar novos usos e a sua morfologia adaptar-se a novas
condições urbanas, suportada em políticas de controlo, contribuindo para uma evolução contínua da cidade.
As premissas citadas anteriormente surgem, assim, em publicações sequenciais a nível de prioridade de execução sendo que, uma vez definidos os usos do solo nestas áreas urbanas, numa primeira se apresentam as premissas referentes à mobilidade na zona e ao acesso aos edifícios, em publicações posteriores concedem-se orientações sobre a proteção do caráter dos bairros, completando-se mais tarde com diretrizes dedicadas ao desenho de paisagem e de frente de água. Enquanto o caráter da nova intervenção nas Docklands
vem reforçar o contexto urbano, a diversificação do uso do solo é encorajado, proporcionando-se o estabelecimento e a proximidade de empreendimentos comerciais, industriais e residenciais. A estratégia para as Docklands está focada nas comunidades existentes e estabelece-se em esquemas de desenvolvimento preparados para cada uma das áreas urbanas das Docklands, conforme se observa na figura 13.
Constata-se que a zona das Docklands era maioritariamente residencial, uma vez que o uso predominante do solo, em 1997, era a habitação, representando 33% sobre um total que engloba funções
16. In http://www.lddc-history.org.uk/planning/index.html#Urban Design (consultado a 12-2015).
económicas, institucionais, de lazer, espaço aberto, espaço vazio e água. Uma vez que se aguardava um aumento da procura de emprego e do número trabalhadores ao nível dos serviços bem como da afluência, a longo prazo, de um maior número de residentes, os dados relativos à função económica representam 22% do uso do solo, encontrando-se as respetivas áreas nas imediações das zonas de habitação.
No sentido de submeter esta área a uma intervenção de sucesso, a melhoria do acesso de veículos para e dentro das Docklands foi estabelecida como uma prioridade, tendo-se dado, em princípios dos anos 90, o melhoramento e a extensão da Docklands Light Railway
e a criação de uma série de estradas melhorando o acesso à zona das Docklands, tendo este sistema ferroviário, numa primeira fase, apresentado alguma ineficácia, gerada pela opção do automóvel e não pelo sistema de transportes públicos. No entanto, mais tarde, a falta de coordenação com a estratégia de transportes da cidade e mesmo a inacessibilidade dos transportes públicos a determinadas zonas das
Docklands encontrou soluções com a extensão da linha metropolitana de Jubilee, reforçando a acessibilidade às Docklands e fazendo ligação à City e West End, permitindo um aumento da taxa de utilização com a consequente redução do tráfego automóvel em cerca de 20%16 .
Apesar de a intervenção se basear na transformação das Docklands, a LDDC reconheceu no rio Tamisa e nas docas, os símbolos mais poderosos do património da área e referências visuais e recreativas únicas que a distinguem de qualquer outra zona de Londres e onde esta entidade encontrou potenciais a ser salvos, aperfeiçoados e promovidos. Nesse sentido, esta entidade pretendeu assegurar a alta qualidade paisagista, tanto a nível de infraestruturas criadas, como na garantia da sua consideração detalhada e integração digna nos
17. In http://www.lddc-history.org.uk/planning/index.html (consultado a 12-2015). planos urbanos, tendo-se identificado vistas-chave e explorado novas oportunidades para a criação de pontos de referência que permitissem ligações visuais e orientação auxiliar como um novo desenvolvimento. Com a proteção e criação de ligações visuais, a estratégia pretendia igualmente maximizar a importância do rio Tamisa para as Docklands, estabelecendo ligação visual de uma margem para a outra através de corredores de vista focados em edifícios-chave, a remodelar, funcionando como pontos referências visuais identitárias e de orientação às diversas comunidades.
Ainda no contexto da paisagem ribeirinha, ao nível das infraestruturas, a estratégia passava, primeiramente, pela melhoria da qualidade do ambiente das Docklands através da remodelação dos espaços envolventes e, posteriormente, criar novos parques, melhorar espaços abertos existentes, criar percursos pedonais e ciclovias de modo a fornecer acesso principal ao rio e às docas. Pretendia-se manter o caráter portuário no projeto de revitalização de forma a afirmar a identidade do local, até porque aproximadamente 13% da área das
Docklands é água e cerca de 12%17 da área terrestre é espaço aberto
junto de docas. Assim, procedeu-se à recuperação destes espaços nas imediações das áreas fortemente edificadas, através de pequenos nichos de uso lúdico e comercial, onde se concentraram as ações de recuperação patrimonial e de tratamento dos espaços públicos com espaços verdes adequados e mobiliário urbano, fazendo do espaço público ligado às docas e ao rio uma importante componente da estratégia de uso do solo.
18. A Docklands Community Council (DCC) trata-se do Conselho da Comunidade das Docklands, criada no sentido de dar voz às comunidades locais relativamente aos processos a decorrer na zona das Docklands. Disponível em http://www.lddc-history. org.uk/planning/index.html [consultado em 12-2015].