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QUESTÃO 04 FGV Assistente Técnico (INEA)/Técnico Administrativo/2013 Na administração pública uar

3. DIREITO ADMINISTRATIVO: PRINCÍPIOS IMPLÍCITOS

3.1. Quadro sinóptico

Princípios Implícitos ou Reconhecidos

Supremacia do Interesse Público sobre o Interesse Privado

Faculdade de que dispõe a Administração (por representar o interesse público) para constituir terceiros em obrigações mediante atos

unilaterais. É o exercício de poderes para que o interesse público que

seja prejudicado.

Indisponibilidade do Interesse Público

Os bens e interesses públicos não pertencem estritamente à Administração ou a seus agentes. Cabe-lhes apenas geri-los, conservá-

los e por eles velar em prol da coletividade, esta sim a verdadeira

titular dos direitos e interesses públicos.

Finalidade Pública

Toda conduta da Administração deve dirigir-se para o interesse público, ou seja, interesse de toda a sociedade. Impõe ao administrador que sua

atuação vise sempre ao objetivo da norma, cingindo-se a ela, para

concluir que a finalidade, em verdade, não é uma decorrência da legalidade, mas é inerente à esta, estando nela.

Controle Judicial dos Atos Administrativos

Possibilidade de o Judiciário exercer o controle amplo com relação aos

atos da Administração, incluindo o uso da “discricionariedade”, quando

aplicada por vias abusivas e arbitrárias. A discricionariedade nos atos administrativos pode ocorrer (por Maria Sylvia Zanella Di Pietro):

 Quando a própria lei concede a possibilidade à Administração de agir de forma discricionária, como no caso de remoção de ofício do servidor, para atender necessidade de serviço;

 Quando a lei é omissa, visto que não há viabilidade de se prever por meio de normas de cunho geral e abstrato todas as hipóteses que surgirão para a decisão administrativa; e

 a lei prevê certa competência, mas não a conduta a ser adotada, diante de determinada situação.

Responsabilidade Civil do Estado

As pessoas jurídicas de direito público e as de direito privado prestadoras de serviços públicos responderão por danos causados a terceiros por

seus agentes. Aplica-se a qualquer das funções públicas e não somente

aos danos provenientes dos atos administrativos, independendo da existência de dolo ou culpa do agente público causador direto do dano.

Autotutela

A Administração pode anular seus próprios atos, quando eivados de vícios que os tornam ilegais, porque deles não se originam direitos; ou

revogá-los, por motivo de conveniência e oportunidade, respeitados os

direitos adquiridos, e ressalvada, em todos os casos, a apreciação judicial (Súmula STF 473).

Igualdade

Todos os cidadãos devem receber igual tratamento da Administração, sendo vedado que se estabeleça de modo desarrazoado, qualquer privilégio, favoritismo ou desvalia entre os administrados. É o

tratamento impessoal e isonômico entre iguais, isto é, entre aqueles

que preenchem as mesmas condições ou se encontram em situações comparáveis.

Especialidade

Vincula-se à ideia de descentralização administrativa. Assim, o Estado, ao criar pessoas jurídicas administrativas, descentraliza a prestação de serviços públicos com a finalidade de especialização de funções.

Presunção de legitimidade ou de veracidade

A presunção da legalidade é o entendimento de que, se a Administração Pública submete-se à lei, presume-se, até prova em contrário (presunção relativa), que todos os seus atos sejam verdadeiros e praticados com

observância das normas legais pertinentes. A presunção de

veracidade diz respeito à certeza dos fatos.

Probidade Administrativa

É o dever que tem o administrador público de agir de forma proba, honesta, leal e de boa-fé.

Segurança Jurídica

Impõe a interpretação da norma administrativa de forma a garantir o atendimento do fim público a que se dirige, vedada aplicação retroativa de nova interpretação. Abrange o princípio da modulação temporal, estabelecido pelo STF.

Modulação temporal: quando, excepcionalmente, declara-se a

inconstitucionalidade de um ato estatal com efeitos ex nunc ou pro futuro.

Confiança e Boa-Fé

Confiança (crença de que o ato estatal é legítimo) e boa fé (conduta honesta e leal – aspecto objetivo – e crença de que se estava agindo

corretamente – aspecto subjetivo).

Motivação

A Administração tem o dever de motivar seus atos, sejam eles discricionários, sejam vinculados. Assim, de regra, a validade do ato administrativo depende do caráter prévio ou da concomitância da

motivação pela autoridade que o proferiu com relação ao momento da

prática do próprio ato.

Motivação contextual: é aquela que é acompanhada de produção textual.

Motivação aliunde: quando a motivação do ato administrativo não precisa estar expressa nele, sendo bastante o indicativo da fonte de suas razões.

Proporcionalidade

Adequabilidade entre os meios utilizados e os fins pretendidos

(princípio da vedação de excesso).

A sua ideia central é que TODOS só são obrigados a suportar restrições em sua liberdade ou propriedade, por iniciativa da Administração Pública, se imprescindíveis ao atendimento do interesse público.

Razoabilidade

Resume-se no controle da atividade legislativa, bem como na aplicação no exercício da discricionariedade administrativa, servindo como garantia da legitimidade da ação administrativa, evitando-se a prática de atos

proporcionalidade é princípio mais concreto.

Continuidade do Serviço Público

Consubstancia-se na proibição da paralisação dos serviços públicos, pois a atividade da Administração é ininterrupta.

Realidade

A aplicabilidade do direito volta-se à convivência real entre os homens e todos os atos partem do pressuposto de que os fatos que sustentam

suas normas e demarcam seus objetivos são verdadeiros.

Responsividade

O tradicional dever de observância da legalidade pelo administrador público, respondendo política, administrativa, penal e civilmente

pelos seus atos.

Sindicabilidade

Ser sindicável é ser controlável. É a faculdade de os órgãos estatais

fiscalizarem os atos lesivos ao interesse público, por ilegais,

ilegítimos ou ilícitos.

Juridicidade

Requer que a produção dos atos estatais esteja em consonância com os

princípios constitucionais expressos e implícitos.

Sancionabilidade

Previsão de sanções para encorajar ou desencorajar determinadas condutas, utilizando sanções premiais (benefícios) ou sanções aflitivas (punitivas) em resposta à violação das normas.

Precaução

Reflete a ideia de que, na visualização futura, ainda que remota, de eventuais danos, devem ser adotadas medidas acautelatórias e

protetivas do interesse público.

Subsidiariedade

Preconiza que o Estado deve prestar diretamente as atividades que

lhe são próprias como ente soberano, enquanto aquelas com caráter

subsidiário devem ser delegadas à iniciativa privada, não sendo o Poder Público seu executor direto.

O exercício da atividade administrativa é para os administradores um múnus público, um encargo, um dever. Cabe-lhes atender às necessidades coletivas.

3.2. Questões comentadas

QUESTÃO 01 - FCC - Técnico Judiciário (TRT 15ª Região)/Administrativa/"Sem Especialidade"/2013 - Os princípios que regem a Administração pública podem ser expressos ou implícitos. A propósito deles é possível afirmar que

a) os princípios da moralidade, legalidade, supremacia do interesse público e indisponibilidade do interesse público são expressos e, como tal, hierarquicamente superiores aos implícitos.

b) eficiência, moralidade, legalidade, impessoalidade e indisponibilidade do interesse público são princípios expressos e, como tal, hierarquicamente superiores aos implícitos.

c) impessoalidade, eficiência, indisponibilidade do interesse público e supremacia do interesse público são princípios implícitos, mas de igual hierarquia aos princípios expressos.

d) moralidade, legalidade, publicidade e impessoalidade são princípios expressos, assim como a eficiência, hierarquicamente superior aos demais. e) supremacia do interesse público não consta como princípio expresso, mas informa a atuação da Administração pública assim como os demais princípios, tais como eficiência, legalidade e moralidade.

Comentários:

Os Supraprincípios, também conhecidos como Superprincípios, são aqueles dos quais derivam todos os demais princípios e normas do Direito Administrativo. Em nosso ordenamento, são dois: A supremacia do interesse público sobre o privado e a indisponibilidade do interesse público.

Supremacia do Interesse

Público Indisponibilidade do Interesse Público

É princípio implícito É princípio implícito Não está presente em toda a

Dele decorrem as prerrogativas (poderes) da Administração

Dele decorrem as sujeições (obrigações) da Administração

É a base do regime jurídico É a base do regime jurídico

Como se percebe, ambos são princípios IMPLÍCITOS, ou seja, que não estão EXPRESSAMENTE previstos no texto da Constituição Federal.

Situação diferente ocorre com os princípios que regem a Administração Pública. A Constituição Federal, em seu artigo 37, estabelece os princípios EXPRESSOS para toda a atividade da Administração Direta e Indireta:

A administração pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência e, também, ao seguinte (...)

Com tais informações, eliminamos as alternativas A, B, C e D, uma vez que todas trocam quais os princípios implícitos e expressos. Da mesma forma, importante salientar que não há hierarquia entre os princípios, devendo os mesmos ser observados em harmonia.

A alternativa E é a que apresenta a afirmação correta, uma vez que apresenta diversos princípios que orientam a atividade da Administração Pública, sejam eles implícitos (Supremacia do Interesse Público) ou Expressos (Eficiência, Legalidade e Moralidade).

Gabarito: letra “E”.

QUESTÃO 02 - FCC - Analista Judiciário (TRT