CAPÍTULO V – ANÁLISE E DISCUSSÃO DO PROGRAMA CIÊNCIA SEM
5.4 DISCUSSÃO ACERCA DAS IMPLICAÇÕES EDUCACIONAIS
No presente trabalho, conforme a ideia de “macrolevel analysis” e “microlevel
investigation” presentes no terceiro e no quarto contextos do ciclo de política (OZGA, 1990, p.
359 apud BALL, 1994, p.14), pesquisamos os resultados (efeitos) em termos das implicações educacionais da política no contexto macro, por meio da investigação junto à Capes e ao CNPq e, especialmente, pesquisamos as implicações educacionais no contexto micro da Instituição de Ensino Superior Privada do Centro-Oeste estudada. Ambos os níveis macro e micro de resultados (efeitos) apontam para elementos de estratégia política (BALL, 1994) a serem adotados nos dois níveis, e que podem e devem ser aperfeiçoados visando o maior alcance dos objetivos do Ciência sem Fronteiras.
Investigando as implicações educacionais do Programa para os estudantes e a IES escolhida para o Estudo de Caso realizado neste trabalho, verificamos no relato dos sujeitos pesquisados várias implicações educacionais positivas para esses estudantes de graduação beneficiados, a despeito de terem sido apontados problemas relativos ao planejamento das disciplinas na ida para o exterior e ao aproveitamento dessas na grade curricular no retorno ao Brasil. Constatamos ainda, a percepção de grande parte dos sujeitos de que não há implicações para a melhoria da qualidade educacional da instituição de origem.
Ganhos de ordem acadêmica para os estudantes de graduação, após a participação no Programa Ciência sem Fronteiras, foram percebidos por quase a totalidade dos sujeitos pesquisados na IES, sendo o principal deles o próprio aumento de conhecimento acadêmico. Outras mudanças que são citadas dizem respeito: ao acréscimo do interesse pelos estudos; a possibilidade que passaram a ter de reflexão sobre o sistema educacional brasileiro em comparação com o do país de destino; o aumento da maturidade e autonomia acadêmicas dos ex- bolsistas; e o envolvimento desses alunos com projetos de pesquisa no retorno. Em relação às mudanças no aspecto profissional para esses ex-bolsistas, poucos pesquisados consideram que essas tenham ocorrido até aquele momento, o que é necessário ponderar que se trata de um aspecto que só pôde ser visto preliminarmente e que apenas poderá ser plenamente observado dentro de alguns anos, após todos os ex-bolsistas pesquisados terem concluído seus respectivos cursos de graduação e buscarem uma colocação no mercado de trabalho.
Redes de contatos acadêmicos ou profissionais no exterior foram estabelecidas pela maior parte dos ex-bolsistas pesquisados, que afirmaram manterem relações acadêmicas com ex- professores e ex-colegas ou terem essa possibilidade aberta para contatos acadêmicos futuros. Compreendemos que a formação de redes de contatos acadêmicos desponta como um componente bastante presente nos curso de graduação das instituições de ensino superior no exterior, destinos dos estudantes aqui pesquisados. Contudo, notamos não haver referências dos ex-bolsistas especificamente à constituição de redes de contatos profissionais, o que no caso de estudantes de graduação pode ser considerado precoce, mas desejável perante os objetivos do Ciência sem Fronteiras.
Na pesquisa já anteriormente citada, de Santos, Guimarães-Iosif e Shultz sobre internacionalização da educação superior, as autoras falam que a despeito das duas universidades pesquisadas acompanharem “a linha hegemônica” e privilegiarem parcerias econômicas em seus processos de internacionalização, “[...] foi possível constatar que muitos docentes e estudantes constroem parcerias sólidas que colaboram tanto para o crescimento individual dos envolvidos das instituições parceiras e da sociedade de um modo geral” (SANTOS; GUIMARÃES-IOSIF; SHULTZ, 2015, p. 27). Refletimos no sentido de que os ganhos individuais de formação de redes acadêmicas pelos estudantes de graduação por meio do Ciência sem Fronteiras pode ser estratégico para o desenvolvimento de redes de cooperação internacional no âmbito da instituição de ensino superior e que essas oportunidades podem e devem ser aproveitadas no atual estágio do Programa.
No aspecto referente à mudança do perfil do aluno de graduação após a participação no Programa Ciência sem Fronteiras, houve a confirmação da maioria dos ex-bolsistas de que essa modificação ocorreu, especialmente, com ao aumento da autonomia e do tempo que passaram a dedicar aos estudos. Ainda alguns ex-bolsistas e outros sujeitos pesquisados na IES consideraram que os participantes do Programa Ciência sem Fronteiras já se tratavam de bons alunos antes da experiência no exterior. Essa ideia é complementada com a percepção de alguns entrevistados da IES, de que características positivas dos estudantes foram aperfeiçoadas com a participação no Programa, o que gera o entendimento de que a modificação de perfil de aluno, em alguns casos, trata-se apenas do aprimoramento acadêmico desse perfil.
A ideia de que a experiência dos bolsistas de graduação no exterior não trouxe implicações para a IES estudada predomina entre os sujeitos pesquisados na IES. Alguns motivos
apontados com mais frequência para que isso ocorra é o número pequeno de bolsistas e a falta de interesse da IES. O Coordenador Institucional aponta que os alunos da IES participantes do Programa trouxeram o benefício da visibilidade da Instituição no exterior, o que ajudou a IES pesquisada na constituição de parcerias internacionais. Consideramos esse um elemento muito positivo, em consonância com os objetivos do Programa; contudo, os dados apontam que as referidas parcerias internacionais, decorrentes da visibilidade proporcionada pelo Ciência sem Fronteiras, não são percebidas pelos demais sujeitos entrevistados na IES, tratando-se esse de um elemento a ser refletido pelo Escritório Internacional da Instituição.
O entendimento da maioria dos sujeitos pesquisados na IES é de que o conhecimento acadêmico adquirido no exterior pelos ex-bolsistas de graduação do Ciência sem Fronteiras tem sido compartilhado com os colegas desses na Instituição. Alguns consideram que o conhecimento adquirido pelos ex-bolsistas também é disseminado por esses para os professores da IES. Notamos que determinados sujeitos pesquisados fizeram questão de diferenciar o conhecimento acadêmico, do conhecimento que diz respeito à experiência de estudar no exterior, e afirmam que esse último também tem sido compartilhado pelos ex-bolsistas com os colegas. Além da percepção por vários pesquisados de que o compartilhamento dos dois tipos de conhecimento tem sido realizado em sala de aula, há percepções individuais de que tem ocorrido a disseminação desses conhecimentos nas redes sociais, nas semanas acadêmicas e até mesmo já no Mestrado. Consideramos a disseminação dos conhecimentos adiquiridos um componente estratégico para o maior aproveitamento das implicações positivas do Programa e mesmo de reação à injustiça cognitiva (SANTOS, 2008).
O questionamento sobre quais as implicações do Ciência sem Fronteiras na aprendizagem dos bolsistas de graduação-sanduíche beneficiados e na disseminação do aprendizado nas instituições de ensino superior de origem após o retorno desses estudantes ao Brasil foi dirigido ainda aos gestores e coordenadores da Capes e do CNPq entrevistados. A despeito de nesse sentido não estarem sendo realizados estudos sobre o Programa pelas agências até o momento das entrevistas, alguns dos entrevistados consideraram já ser possível verificar essas implicações e a disseminação dessas por meio de sites que alguns ex-bolsistas criaram na internet e junto aos coordenadores institucionais das instituições de ensino superior.
A pressão por mudanças, sentida nos cursos de graduação das instituições de ensino superior brasileiras, com o retorno dos alunos que participaram do Programa, foi citada por
entrevistados nas agências e também na IES pesquisada, o que é percebida por esses como um componente bastante desejável e que se bem conduzido no âmbito das instituições de ensino superior e mesmo por políticas públicas pode tornar fato o grande avanço proposto nos textos do Ciência sem Fronteiras. A formação de grupos de estudantes por meio dos sites criados e das redes sociais são uma forma de pressionar também o governo e a sociedade em geral por essas mudanças, e fornecem muitos elementos que devem ser aproveitados pela Capes e pelo CNPq visando o aperfeiçoamento do Programa. Ball (2012) propõe a etnografia de rede como um instrumento para o estudo das novas formas de comunicação virtual e eletrônica (páginas e documentos na web, vídeos, powerpoints, facebook, blogs e tweets), a fim de proporcionar um acesso mais amplo para a realidade social. Vemos que esses blogs criados pelos ex-bolsistas, que se tratam de redes de compartilhamento de informação, têm o potencial de ir além, compartilhando e disseminando também o conhecimento acadêmico, o que apontamos como outra estratégia política (BALL, 1994) a ser colocada em prática visando a multiplicação dos benefícios do Programa.
A disseminação do conhecimento adquirido pelos ex-bolsistas de graduação-sanduíche do Ciência sem Fronteiras, a partir de realização de trabalho pela IES nesse sentido, foi questão dirigida a todos os sujeitos entrevistados na IES pesquisada. Apesar dos coordenadores entrevistados informarem que esse trabalho é realizado por meio das semanas acadêmicas, os professores e ex-bolsistas desconhecem qualquer iniciativa da IES nesse aspecto. Nosso entendimento é de que a divulgação das experiências nas semanas acadêmicas pode tratar-se de uma atividade que passou a ser realizada pela IES mais recentemente e, de que mesmo não há uma sistematização do trabalho de disseminação do conhecimento adquirido pelos ex-bolsistas de graduação-sanduíche naquela Instituição. O que sugerimos que seja feito, buscando multiplicar os benefícios do Programa.
Por fim, no que diz respeito ao acompanhamento e a produção de dados sobre o Programa, esse é percebido pelos coordenadores entrevistados na IES estudada apenas como acompanhamento de alunos. A produção de dados a respeito do Ciência sem Fronteiras por parte daquela Instituição de Ensino Superior praticamente não existe. O mesmo questionamento, voltado para as agências, sobre como essas realizam o acompanhamento e a produção de dados sobre o Programa, foi encaminhado aos gestores e coordenadores da Capes e do CNPq entrevistados. Foi possível notar que existe um acompanhamento e uma produção de dados a
respeito do Ciência sem Fronteiras, mas que não são considerados suficientes pelas agências, e que esses processos estão sendo melhorados, até mesmo com a criação e o aprimoramento de instrumentos de tecnologia da informação, a fim de que estudos sobre o Programa sejam feitos. O que entendemos que é necessário que ocorra, visando fornecer indicadores ao Ciência sem Fronteiras 2.0 e mesmo a outros programas de internacionalização.
CONCLUSÃO
Esta dissertação buscou analisar, por meio do método do ciclo de políticas (BOWE; BALL; GOLD, 1992; BALL, 1994), a criação e a execução da atual política pública de educação e, de ciência, tecnologia e inovação, a política de bolsas de graduação-sanduíche do Programa Ciência sem Fronteiras e suas implicações educacionais para os estudantes beneficiados e sua instituição de origem.
O Programa surgiu em 2011, no contexto de demanda da continuidade do crescimento econômico do Brasil, país considerado economicamente emergente ou em desenvolvimento, assim como outros países de médio e grande porte abundantes em recursos naturais. Enquanto isso, países desenvolvidos, principalmente localizados na América do Norte e Europa, passavam ainda pelos efeitos da crise econômica internacional iniciada em 2008.
O Ciência sem Fronteiras foi pensado pela Presidente da República do Brasil, Dilma Rousseff, especialmente, a partir da visita que recebeu do Presidente dos Estados Unidos, em Brasília, em março de 2011, como estratégia para o Programa U.S.100,000 Strong in the
Americas, política para aumento de intercâmbio de estudantes estadunidenses e latino-
americanos, lançado por Barak Obama no Brasil e em outros países da América Latina, também em março de 2011.
O Programa Ciência sem Fronteiras procura aproximar o desempenho da C,T&I brasileiras do modelo internacional e busca seguir os passos da internacionalização da educação adotada por outros países que avançaram economicamente nas últimas décadas, como Coreia do Sul, China e Índia. Desse modo, promove a internacionalização acadêmica e para formação de recursos humanos (KNIGTH, 2005), e amplia a internacionalização passiva de estudantes, professores e pesquisadores (MARRARA, 2007; LIMA; CONTEL, 2011) brasileiros, principalmente, de estudantes de graduação, por meio da concessão de um grande número de bolsas de graduação-sanduíche. Assim, contribui com o grande mercado da educação superior aberto nas últimas décadas, beneficiando, sobretudo, os Estados Unidos e outros países centrais para o capitalismo mundial.
Oficialmente lançado no Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social em julho de 2011, o Ciência sem Fronteiras foi instituído por Decreto Presidencial em dezembro do mesmo ano, tendo como objetivo geral a elevada qualificação acadêmica, em áreas definidas como
prioritárias, por meio do intercâmbio de brasileiros e estrangeiros. A despeito dos objetivos específicos serem, em geral, em torno da promoção da internacionalização e da cooperação científica, tecnológica e de inovação nacionais, dois dos objetivos específicos foram evidenciados pelo Programa na prática: a busca pela internacionalização das instituições de ensino superior e pelo aumento da competitividade das empresas brasileiras.
O objetivo específico da internacionalização das instituições de ensino superior ou da internacionalização da educação superior brasileira, como é nomeado pelos gestores das agências executoras entrevistados nesta pesquisa, destacou-se em decorrência da novidade em termos do número de bolsas de graduação-sanduíche do Ciência sem Fronteiras. O percentual, já inicialmente grande de bolsas nessa modalidade, foi ampliado ainda devido à demanda insuficiente por bolsas da pós-graduação no decorrer da execução do Programa diante da meta a ser atendida de concessão de grande número de bolsas em poucos anos.
O aumento da competitividade das empresas brasileiras, outro objetivo específico do Ciência sem Fronteiras que obteve considerável destaque com o Programa colocado em ação, foi evidenciado em consequência da parceria público-privada que resultou na concessão de estágios pelas empresas participantes aos bolsistas e no financiamento, pelo setor produtivo, de 21% do total das bolsas do Programa. Esse objetivo ainda se destacou em decorrência da própria definição das chamadas áreas STEM como prioritárias, buscando superar a deficiência nacional da formação acadêmica e profissional nessas áreas, demanda antiga, conhecidamente reivindicada por associação de classe junto aos órgãos governamentais. A priorização de áreas gerou debates sobre a necessidade da inclusão das áreas Humanas e Sociais, por serem também estratégicas para o desenvolvimento nacional.
O planejamento e a gestão do Ciência sem Fronteiras são realizados pelo Comitês de Acompanhamento e Assessoramento e pelo Comitê Executivo do Programa, que possuem, entre seus membros, representantes da Casa Civil e de vários Ministérios, sendo o Ministério da Educação e o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação os órgãos centrais do Programa. A execução do Ciência sem Fronteiras foi designada à Capes e ao CNPq, atualmente vinculadas ao MEC e ao MCTI respectivamente, com o apoio das secretarias do MEC: Sesu e Setec, sendo acompanhada, especialmente, pela Casa Civil da Presidência da República. Capes e CNPq foram escolhidas por se tratarem das agências federais mais especializadas na concessão de bolsas de
estudos para formação de recursos humanos no exterior, trabalho que realizam há mais de seis décadas, tradicionalmente concedendo bolsas de pós-graduação stricto sensu.
O Programa concedeu, até o momento, 101.446 do total de até 101 mil bolsas previstas, com 14.050 bolsas ainda sendo implementadas a partir de julho de 2015. As referidas agências, preparadas no aspecto relativo ao conhecimento técnico para a execução do Ciência sem Fronteiras, no entanto, não se encontravam preparadas do ponto de vista da estrutura administrativa necessária para a execução imediata do Programa diante da grande quantidade de bolsas a serem concedidas em curto período de tempo. Não obstante o Programa ter alcançado sucesso em termos do alcance numérico das metas, houve sacrifício das equipes de profissionais das agências e o comprometimento da qualidade do trabalho desses, especialmente, do ponto de vista do atendimento e do acompanhamento dos estudantes.
Diante do grande número de bolsas de graduação-sanduíche a serem concedidas em curto prazo, a questão idiomática despontou como barreira à execução do Ciência sem Fronteiras, visto que muitos estudantes de graduação não tinham proficiência nos idiomas em que pretendiam realizar seus estudos. O obstáculo foi superado com o acréscimo de mais tempo no período de duração da bolsa, a fim de que o bolsista realizasse curso de idioma no exterior antes do início do período acadêmico, e também, com a criação de programas federais para aprendizado de idiomas estrangeiros. Esse problema, cuja resolução acarretou o aumento dos gastos do Programa, evidenciou a ineficiência do ensino de idiomas nas escolas públicas e privadas nacionais, gerando reflexões sobre a necessidade de fortalecer o ensino de línguas na educação básica, considerando que o maior prejudicado é o estudante com poder aquisitivo mais baixo, que não pode pagar pelo aprendizado de uma segunda língua.
A política de bolsas de graduação-sanduíche do Ciência sem Fronteiras trouxe vários benefícios educacionais ao grupo pesquisado de ex-bolsistas do Programa, da Instituição de Ensino Superior Privada do Centro-Oeste, sendo que o perfil da maioria dos estudantes participantes do estudo é de jovens, do sexo feminino e de classe média. A despeito de grande parte dos sujeitos ter a percepção de que o Ciência sem Fronteiras não trouxe implicações para a IES, esse tem contribuído com o processo de internacionalização da Instituição estudada. Os benefícios educacionais proporcionados pelo Programa podem ser potencializados, ainda na presente etapa em que se encontra dentro da IES investigada. Para isso, sugerimos um trabalho institucional de busca de maior aproximação dos bolsistas e ex-bolsistas, por parte dos membros
envolvidos com o Programa na IES, e da inclusão de professores nesse processo, visando o aumento da disseminação para os demais alunos da Instituição, do conhecimento e da experiência acadêmica adquiridos no exterior, tendo em vista isso já ser informalmente feito e haver disponibilidade por parte de ex-bolsistas nesse sentido. Esses dados, de natureza qualitativa, que foram levantados na IES, em um estudo de caso, e não podem ser considerados genéricos, proporcionam um entendimento aprofundado do Ciência sem Fronteiras em ação em uma instituição de ensino superior privada e, apontam elementos a serem estudados em contexto mais amplo.
Entrevistados da Capes e do CNPq constataram muitos problemas surgidos em consequência da baixa faixa etária dos bolsistas de graduação-sanduíche, que correspondem atualmente a 78% do total das bolsas concedidas, e com as quais a Capes tinha experiência na concessão de número reduzido de bolsas no exterior e o CNPq apenas com concessão de bolsas de graduação no País. Dificuldades de outras categorias, ainda enfrentadas na prática do Programa, foram colocadas pelos entrevistados tanto nas agências quanto na IES, como também, percepções de como o Ciência sem Fronteiras pode ser aperfeiçoado.
Diante dessas falas dos entrevistados, lançamos as seguintes proposições: aprimoramento dos critérios de seleção interna pelas instituições de ensino superior e maior acompanhamento dos bolsistas no exterior por parte dessas e das agências; aperfeiçoamento do processo de elaboração de plano de estudos do aluno visando a orientação desse por parte do coordenador de curso, buscando proporcionar o maior alcance possível dos objetivos do Programa, entre esses, o aproveitamento de créditos no retorno, sempre considerando as especificidades das áreas de estudo; levantamento de informação dos relatórios dos bolsistas, disponibilização dos relatórios às instituições de ensino superior, criação de relatórios para acompanhamento dos ex-bolsistas nos próximos anos, e realização de estudos a partir dos dados levantados, a fim de avaliar o Ciência sem Fronteiras e assim aperfeiçoá-lo; envolvimento maior dos professores das instituições participantes com o Programa; aproximação das agências executoras dos coordenadores de curso, por meio dos respectivos coordenadores institucionais; aproximação dos coordenadores institucionais e dos coordenadores de cursos: dos parceiros no exterior e das instituições de ensino superior estrangeiras, buscando, além de melhor acompanhamento do bolsista, o fortalecimento da cooperação acadêmica; melhora da comunicação entre as agências executoras e as instituições de ensino superior; e empenho das agências e das instituições de
ensino superior privadas no aumento da participação dos alunos dessas instituições no Ciência sem Fronteiras.
O presente estudo suscita questões a serem aprofundadas em futuros estudos, duas das quais sugerimos: a) Apesar de qualquer instituição de ensino superior nacional reconhecida pelo Ministério da Educação poder aderir ao Ciências sem Fronteiras e selecionar seus alunos para as bolsas, a participação dos alunos dessas instituições privadas no Programa é pequena. Quais as causas da baixa participação de alunos das instituições de ensino superior privadas nacionais no Ciência sem Fronteiras? b) As áreas prioritárias do Ciência sem Fronteiras foram definidas em