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DISSEMINAÇÃO DA LINGUAGEM HOTELEIRA: SINGULAR E

No documento REDES HOTELEIRAS: (páginas 65-83)

CAPÍTULO 2 – DESIGN COMO FERRAMENTA

2.2. O DISCURSO DOS ELEMENTOS DE DESIGN QUE COMPÕEM

2.2.1. DISSEMINAÇÃO DA LINGUAGEM HOTELEIRA: SINGULAR E

REPETITIVO

Para a análise gráfica de obras arquitetônicas, Clark e Pause (2005) criam

ferramentas de interpretação, dentre as quais estão o conceito de singular

(unique) e repetitivo (repetitive). De acordo com os autores, relacionar os

elementos repetitivos e singulares de uma edificação implica “[...] no

estabelecimento de relações entre componentes que têm múltiplas e singulares

manifestações” (CLARK; PAUSE, 2005. p.22). Utilizar-se-á aqui da expansão

desse conceito na análise dos elementos utilizados pelas redes hoteleiras para

gerar uma linguagem.

Certos elementos costumam se repetir em todas as unidades de uma

bandeira hoteleira, como tipo de cama, chuveiro e televisão. Questões culturais,

a localização e a disponibilidade de matérias-primas podem determinar

variações de componentes, como peças de mobiliário e elementos decorativos,

definindo, assim, características singulares para determinada unidade de uma

marca hoteleira. A quantidade de elementos repetitivos e singulares varia para

cada marca. Contudo, pode-se dizer que quanto maior a afinidade de uma

bandeira com a disseminação de uma linguagem por meio de uma padronização

Nos exemplos de apartamentos da marca Novotel da Accor apresentados

anteriormente, verifica-se a repetição de vários elementos, como modelos de

cabeceira, estofados e luminárias, bem como a paleta de cores. Ainda assim, há

pequenas variações nas estampas das cortinas e das forrações de cabeceira e

modelos de criados-mudos. Situação semelhante pode ser encontrada nos

hotéis da marca Aloft da rede Starwood, como exemplificam as figuras 2.12 e

2.13.

Fig. 2.12 e 2.13. Apartamentos dos hotéis Aloft San Francisco e Aloft Chigaco City Center, respectivamente. Verifica-se o uso intenso de elementos repetitivos entre as unidades, com pequenas particularidades na imagem entre as camas com diferentes temas. Fonte: http://www.starwoodhotels.com/alofthotels/index.html. Acesso em 20 fev. 2017.

Ao observar hotéis de outras marcas da rede Starwood, não se percebe

imediatamente a presença de elementos repetitivos. Comparando-se às

unidades da marca Westin de Hamburgo, Jakarta e Maui, nota-se que cada um

tem singularidades expressivas. O hotel Westin Hamburg, projetado pelo

escritório suíço Herzog & de Meren, está inserido em um complexo resultante da

intervenção sobre um grande armazém construído no século XIX (Fig. 2.14). O

partido utilizado pelos arquitetos, define o uso de panos em vidro com desenho

bastante particular. Isso resulta em aspectos bastante singulares para essa

unidade da marca Westin em relação a seus pares, sendo assim, os

apartamentos apresentam fechamentos em vidro com desenho e molduras

arredondadas da vista exterior. O interior do apartamento utiliza uma paleta de

cores que varia entre o branco e outras cores muito próximas desta (Fig. 2.15).

Fig. 2.14 e 2.15. Westin Hamburg, vista externa (na qual nota-se a pele de vidro com curvaturas) e vista interna do apartamento.

Fonte: http://www.starwoodhotels.com/westin/directory/hotels/all/list.html. Acesso em 20 fev. 2017.

Os apartamentos do Westin Jakarta apresentam paleta de cores em tons

um pouco mais escuros, predomina o bege, com pontuações de tons de azul. O

carpete do apartamento não apresenta rapport

13

, formando um desenho sem

repetições de estampa (Fig. 2.16). Já o Westin Maui, está voltado para o uso de

lazer, apresenta cores mais intensas e elementos com referência à arquitetura

vernacular, inerente aos resorts (Fig. 2.17).

Fig. 2.16 e 2.17. Westin Jakarta e Westin Maui – Vista do apartamento – elementos

singulares e repetitivos. Fonte:

http://www.starwoodhotels.com/westin/directory/hotels/all/list.html.

Acesso em 20 fev. 2017

13

Rapport, termo empregado pelas indústrias de carpete, tecelagem e outros revestimentos para referir-se a repetição de estampa. Carpetes costumam ter repetições de estampa em um espaçamento, variando entre 60 e 100 cm.

Apesar de todas essas singularidades, esses três hotéis apresentam

também elementos repetitivos entre si, tais como: a abertura entre banheiro e

quarto (Fig. 2.18, 2.19 e 2.20), cama – colchão e base – e respectivo enxoval.

Fig. 2.18, 2.19 e 2.20. Vistas do banheiro para o quarto,

respectivamente, hotéis Westin Hamburg, Westin Jakarta e Westin Maui. Fonte: http://www.starwoodhotels.com/westin/directory/hotels/all/list.html.

Ao se observar detalhes dos enxovais das camas desses hotéis,

percebe-se que os mesmos seguem a mesma especificação. São utilizados

quatro travesseiros por cama com fronhas com uma única aba sobressalente e

recorte em baixo relevo preenchido por tecido amarronzado. O mesmo detalhe

em baixo relevo está presente na borda do lençol que faz a vira sobre a capa de

duvet

14

(Fig. 2.21). Em frente aos quatro travesseiros dispostos na posição

vertical, há um quinto travesseiro de formato alongado, cuja fronha apresenta

características semelhantes às demais. A cama é formada por um box spring

15

revestido por saia

16

em tecido semelhante ao do enxoval, sobre o qual pousa o

colchão com pilow top

17

.

O conjunto de enxoval, colchão e box spring formam a Westin Heavenly

Bed (Fig. 2.22), programa da marca Westin que visa uma criar uma experiência

única a seus hóspedes, corresponde a montagem de cama de acordo com

características específicas em todas as unidades da marca. Tal experiência é

uma promessa da marca que divulga em seu site fotografias e descrições dos

itens que definem a Westin Heavenly Bed. O programa também faz parte das

campanhas publicitárias da bandeira que apresentam imagens que tentam

tangibilizar ao hóspede as sensações e benefícios de passar uma noite em uma

Heavenly Bed (Fig. 2.23 e 2.24). A montagem da cama Westin Heavenly Bed

trata-se, na verdade, de um elemento repetitivo que caracteriza a marca Westin

e a diferencia de outras marcas de hotéis.

14Duvet é um tipo de capa que cobre o acolchoado que é colocado na finalização da arrumação da cama. Esta capa é trocada diariamente. O acolchoado, comumente, é retirado para lavagem em uma periodicidade menor, de modo geral, quando do encerramento da estadia do hóspede ou de acordo com a solicitação do mesmo.

15

Box spring é uma base retangular com bordas acolchoadas que serve de apoio para o colchão. Essa base possui rodízios em uma de suas faces para facilitar sua movimentação, sempre que necessário.

16

Saia é uma espécie de capa que cobre o box spring, tendo em vista que o mesmo tem uma aparência semelhante a um colchão.

17

Pillow top é uma espécie de acolchoado costurado aos tampos dos colchões. Geralmente são mais macios que os colchões para dar um contraste de sensações.

Fig. 2.21 e 2.22. Detalhes das fronhas pertencentes à montagem de cama do programa

Westin Heavenly Bed e imagem do site da Westin, mostrando os itens usados na montagem de cama.

Fonte: http://www.starwoodhotels.com/westin/directory/hotels/all/list.html. Acesso em 20 fev. 2017.

Fig. 2.23 e 2.24. Peças publicitárias da Westin, publicadas em 2012,

procuram traduzir as sensações e benefícios da cama Westin Heavenly Bed.

Fonte: http://www.nytimes.com/2012/11/02/business/media/westin-lends-new-balance-gear-at-its-hotels.html. Acesso em 20 fev. 2017

A partir do momento em que é possível se detectar a presença de

elementos repetitivos e singulares entre unidades de uma marca hoteleira, é

possível pensar essas possibilidades como construção de uma linguagem

reconhecível para uma determinada bandeira. A construção de uma linguagem

em uma bandeira está apoiada em um conjunto de elementos comunicáveis que

abrangem aspectos formais, estéticos e sensoriais, inerentes àquela marca de

hotel, dentro das suas funções e a quem se destina. Os elementos comunicáveis

de uma determinada marca podem estar apoiados na utilização de componentes

repetitivos e singulares que resultam no sentido que a bandeira pretende

comunicar aos seus usuários.

É por meio da estruturação desse sistema de comunicação pela rede

hoteleira que o usuário reconhece a caracterização da edificação, a ambiência

dos interiores e os serviços oferecidos. Apesar dos recursos estético-formais,

criarem um caminho possível para que o usuário reconheça uma determinada

bandeira, a disseminação de uma marca pode levar em consideração também

aspectos simbólicos, culturais e locais. Dessa forma, além do usuário reconhecer

que está hospedado sobre a égide de uma bandeira, é preciso também

contemplar expectativas relacionadas à localização. Um determinado usuário ao

escolher uma bandeira, espera receber os serviços que essa oferece e a

caracteriza, mas também anseia por experiências específicas a partir do local

onde o hotel está presente.

Mesmo que o deslocamento esteja relacionado com o turismo de

negócios, o hóspede tende a desejar um universo diferente do seu dia-a-dia.

Ainda que esteja viajando a turismo de lazer, o usuário busca a compensação

pelo deslocamento, pela distância da sua moradia e dos seus hábitos cotidianos,

por meio das experiências que consegue ao se hospedar numa determinada

rede, além de usufruir das características do local onde a unidade daquela rede

hoteleira se encontra. Sendo assim, afirma-se que a criação da representação

de uma marca e, consequentemente, o serviço a ser oferecido estão apoiados

na questão dos sentidos dos usuários. A representação simbólica de uma marca

apela diretamente às capacidades perceptivas dos usuários. Ela está atrelada à

cultura da virtualidade, na qual a sociedade contemporânea está inserida.

Na contemporaneidade, a cultura da visualidade é protagonista,

instigando os desejos e determinando as escolhas. De acordo com Dondis

(2007), a visão costuma representar o sentido pelo qual se tem um

reconhecimento do mundo desde a infância:

A primeira experiência por que passa uma criança em seu processo de aprendizagem ocorre através da consciência tátil. Além deste conhecimento “manual”, o reconhecimento inclui o olfato, a audição e o paladar, num intenso e fecundo contato com o meio ambiente. Esses sentidos são rapidamente intensificados e superados pelo plano icônico – a capacidade de ver, reconhecer e compreender, em termos visuais, as forças ambientais e emocionais (DONDIS, 2007, p.5).

hotel, tais como: páginas de internet e anúncios de revistas, cinema e televisão.

Esse sentido também costuma ser um dos primeiros a ser despertado ao se

adentrar em um determinado ambiente. Porém, a visualidade não pode

considerada isoladamente: ela está conectada com os outros sentidos. Ao

observar a imagem de um quarto de hotel, em uma página de internet, se cria

uma expectativa do que será encontrado do ponto de vista estético e sensorial,

se pressentem experiências tácteis como a maciez de uma cama. O som do mar

pode-se fazer presente na memória do usuário por meio da imagem de uma

janela do apartamento, assim como o olfato e o paladar que são estimulados

pela foto de uma bandeja de room service. Assim, a realidade se constrói

primeiro no faz-de-conta. (CASTELLS, 2010)

Ao discorrer sobre a poética do devaneio, Bachelard (1996) ressalta a

importância da experiência visual, levando em consideração a polifonia dos

sentidos. O seu pensamento chama a atenção para a fenomenologia do

imaginário, na qual a imaginação é colocada em primeiro lugar, como início de

excitação ao devir. Nessa direção, assinala ainda que “(...) a imaginação tenta

um futuro. (...) Existe um futurismo em todo o universo sonhado” (BACHELARD,

1996, p.8).

A memória do ambiente real extrapola a visão. Têm-se uma percepção

completa por meio de todos os sentidos, alguns deles muito mais relacionados

à memória do que a própria visão, como olfato e o tato. Os sons também

caracterizam um ambiente, seja em forma de música ou mesmo de ruídos. É

possível relacionar estas questões dos sentidos, ampliando-se para a ideia da

arquitetura multissensorial, apresentada por Pallasmaa (2005). Para o autor, a

experiência com a arquitetura é multissensorial, envolvendo elementos do

espaço, dos materiais e da escala de medidas. Para ele, a arquitetura deve

reforçar a experiência existencial, acentuando o sentido de pertencimento a um

determinado local e, fundamentalmente, um chamamento para a identidade

pessoal. Assim sendo, os cinco sentidos e a arquitetura devem se fundir para

criar diversos níveis de experiências.

linguagem hoteleira reconhecível deve levar em consideração aspectos

funcionais e simbólicos, sem deixar de contemplar a experiência arquitetônica

multissensorial. Como já foi apontado neste trabalho, o hotel deixa de ser apenas

um abrigo e passa também a ser o próprio destino e o espaço para a vivência de

experiências que permitem o acesso do usuário a determinados nichos culturais

e sociais.

Ao se pensar na concepção de uma marca e a maneira como é

disseminada entre os seus potenciais usuários, uma rede multidisciplinar de

conhecimentos se faz necessária. Em tempo integral, projetistas, investidores e

usuários estão lidando com a imaginação; com a elaboração de algo que está

por vir, movimentando um universo de sonhos e desejos que são continuamente

desafiados por questões, tais como, parâmetros legislativos, arquitetônicos,

econômicos e mercadológicos.

2.2.1.1 – Elementos do design: ambiência no reconhecimento e

disseminação de uma marca

Pode-se considerar que a ambiência se torna tangível, a partir de alguns

componentes, como mobiliário e sua distribuição espacial, iluminação e

sonorização. A funcionalidade de tais componentes pode ser um dos elementos

formadores da linguagem de um ambiente. A ergonomia de uma poltrona, por

exemplo, condiciona e indica seu uso. A correlação entre espaldar e assento,

assim como suas alturas e densidade ajudam a definir a postura e o tempo de

permanência dos que a utilizarão. Essas associações, tão ligadas à função,

podem assinalar o caráter do ambiente, onde esse mobiliário está inserido.

Porém, o discurso de um móvel muitas vezes extrapola sua função. No

saguão de entrada do Hyatt Park NY (Fig. 2.25), a poltrona que se vê em

destaque tem um papel maior do que seu aspecto funcional em um local

praticamente desprovido de mobiliário. Localizada em um ambiente de trânsito,

para se chegar à recepção, no segundo pavimento, a real atribuição desse móvel

edificação.

Fig. 2.25. Poltrona disposta no saguão de entrada do hotel Park Hyatt New York, peça extrapolada de sua forma, porém, ainda oferecendo funcionalidade.

Fonte: Acervo do autor, 2016.

A análise dos elementos que compõe a ambientação de um hotel pode

revelar além de suas questões funcionais, seus aspectos simbólicos.

Considerando a máxima do arquiteto norte-americano Louis Sullivan (apud

HESKETT, 2008) de que “a forma segue a função”, Heskett conclui que:

A função do design passou a ser normalmente interpretada levando-se em conta sua praticidade, e concluiu-se que a maneira de fazer um produto e o uso que se pretende dar a ele deve inegavelmente, manifestar-se em sua forma. Esta premissa omite o papel da decoração e o modo como os sentidos podem ser expressos por meio das formas vinculadas a elas. A esse respeito pode-se criar uma máxima alternativa: “a forma segue a ficção”. Em outras palavras, em contraste com o mundo da natureza, a vida humana é frequentemente inspirada e movida por sonhos e aspirações, e não somente pela praticidade (HESKETT, 2008, p.34).

mesas e cadeiras em seu restaurante, uma área de recepção e estofados no

saguão de entrada. Porém, o que caracteriza uma rede são justamente seus

aspectos estético-formais na mais ampla acepção destes conceitos – presente

no projeto das peças que acabam por corroborar com o desenvolvimento da

linguagem.

Quando se coloca uma mesa em formato de piano na área de lobby bar

do W New York - Times Square, cria-se uma associação com um elemento

presente em hotéis tradicionais. A área contém como um de seus atrativos uma

cabine com equipamentos profissionais para Disc Jockeys – Djs. A presença de

uma mesa em forma de piano faz alusão ao uso da área, similar a de um piano

bar. Lugar propício ao encontro de pessoas, onde se pode consumir bebidas e

ouvir música, mas, nesse caso, eletrônica (Fig. 2.26 e 2.27).

Ao se eleger elementos de mobiliário, dialoga-se diretamente com o

repertório dos usuários daquele ambiente. O emprego de peças com um estilo

histórico pode remeter à tradição; outros, vinculados a uma arquitetura

vernacular, podem criar uma percepção de conforto; assim como exemplares de

desenho mais limpo podem identificar uma linguagem mais contemporânea. A

maneira como se compõe uma gama de móveis constitui uma narrativa e essa

pode se alterar pela introdução de novos elementos ou de mudanças de arranjos.

Portanto, elementos comuns a duas marcas de hotéis podem criar linguagens

distintas de acordo com as combinações realizadas.

recepção do hotel W Times Square – referência a elementos tradicionais dos hotéis consagrados da cidade, como a mesa que reproduz um piano. Fonte: Acervo do Autor, 2016.

Os hotéis da rede Hyatt tendem a ter mobiliário de desenho

contemporâneo e discreto, com utilização de cores sóbrias e em consonância

com o ambiente como um todo. Hotéis da Rede Four Season tendem a mesclar

mobiliário de leitura mais clássica com elementos identificáveis de várias épocas

e estilos, como outros de linguagem mais contemporânea (Fig. 2.28). Ambas as

redes acabam por criar ambientes atemporais, uma vez que não estão

conectados a modismos, mas cada um com uma linguagem própria. Outras

redes, como a Starwood, não apresentam uma regularidade de leitura de suas

marcas. Cada bandeira dessa cadeia tem diferentes partidos, ficando mais

evidente a marca do que a presença da rede de hotéis.

Fig. 2.28. Ambiente de estar do hotel Four Seasons de Londres. Fonte: www.fourseasons.com. Acesso em 20 set. 2016.

A distribuição espacial também pode ajudar a formar a linguagem de uma

marca. Os hotéis da marca Hyatt Place apresentam um posicionamento de

balcão de recepção ao lado da uma área de bar e café, formando uma peça

única, ao redor da qual se estabelecem múltiplos ambientes integrados, nos

quais se pode consumir bebidas e fazer refeições. Esse arranjo espacial tem

relação com o tipo de serviço da marca, na qual os funcionários exercem

variadas funções. Os atendentes da recepção também servem na área de café

e por esta razão o balcão é contínuo (Fig. 2.29 e 2.30).

Fig. 2.29 e 2.30. Saguões de entrada do Hyatt Place Chicago Downtown e do Hyatt Place Chicago – configuração de mobiliário.

Fonte: Acervo do Autor, 2016.

Afirma-se, então, que a ambiência é constituída por diversos elementos

que vão do mobiliário à sua disposição, envolvendo iluminação, sonorização,

paleta de cores e outros aspectos sensoriais. Tudo isso nada mais é do que o

design do espaço.

2.2.1.2 – Elementos do design: comunicação visual

Uma das ferramentas utilizadas pelas redes para se comunicar com

seus usuários são os logotipos de suas marcas. De acordo com Mozota (2003):

A marca moderna não pertence mais ao universo do comércio, mas antes ao campo da comunicação. Logotipos são desenhados especificamente como ponte entre empresas e pessoas, e estes desenhos de marca conectados ajudam a definir e comunicar a personalidade desejada da empresa (MOZOTA, 2003, p.100)

Apesar dos logotipos e letreiros fixados nas fachadas dos hotéis, é

perceptível que as redes utilizam outros recursos visuais para se comunicar com

seu público. Os hotéis que utilizam o carimbo como forma de disseminação de

linguagem, apresentam em geral edificações praticamente idênticas, o que faz

com que o usuário as identifique prontamente. Porém, há outras estratégias

empregadas pelas redes para comunicar que determinada edificação pertence

a uma marca.

Ao discorrer sobre a construção de uma marca, Kotler (1999) assinala

que são utilizadas ferramentas para fortalecimento e divulgação desta:

Os construtores de marca utilizam um conjunto de ferramentas para fortalecer e projetar a imagem dela. Tipicamente, as marcas fortes exibem uma palavra ou ideia principal, um slogan, uma cor, um logotipo e uma série de historias associadas a uma determinada entidade (KOTLER, 1999, p.89)

O autor justapõe à importância dos logotipos, o poder de associação dos

símbolos. De acordo com Kotler, o símbolo pode ser caracterizado pelo uso da

imagem de uma pessoa, uma personagem, um objeto ou ainda por um desenho

abstrato. Aqui o mais importante é o fato do elemento utilizado ser capaz de

gerar identificação com a marca.

A utilização de um logotipo ou letreiro específico na fachada de um

edifício denota a presença de determinada marca. Porém, Mozota (2003, p.99)

aponta que no mercado globalizado “símbolos visuais têm maior potencial do

que palavras”. O préstimo de elementos repetitivos cria uma comunicação mais

direta com os potenciais usuários. Nesse sentido, Fábio Grego elucida a

estratégia da Hyatt Hotels em utilizar sempre um elemento triangular nas

fachadas dos edifícios da marca Hyatt Place. Segundo o arquiteto, esse

No documento REDES HOTELEIRAS: (páginas 65-83)

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