A “certidão de nascimento” do PT é considerada por Gadotti e Pereira¹³ a Tese de Santo André-Lins, aprovada no IX Congresso dos Metalúrgicos do Estado de São Paulo, em 24 de janeiro de 1979 em meio às jornadas de luta das greves do ABCD. Neste documento, os trabalhadores afirmam a denúncia do capitalismo como um sistema social que tem como fim último o lucro através da exploração desumana e que, como no caso brasileiro, se impõe através de ditaduras sangrentas. Neste sentido, a tese afirma que estaria na ordem do dia a luta política e a necessidade de conquista do poder político por parte dos trabalhadores enquanto a sociedade fosse governada por patrões.
Outra afirmação deste documento é o papel histórico do partido como ferramenta das lutas da classe trabalhadora. A conjuntura da política brasileira demandaria a urgência da construção deste instrumento. A leitura era que o regime, depois de 15 anos, se mostrava como uma forma insuficiente de manter a exploração, no entanto via-se que as aberturas democráticas não representavam, nem de longe, o fim da exploração. Na verdade, haveria novas formas de acaudilhamento dos trabalhadores. Da análise da oposição organizada no congresso, os trabalhadores defendiam a tese de que o MDB não poderia cumprir o papel de alternativa independente de luta política dos trabalhadores devido ao seu caráter heterogêneo. No sentido deste quadro político, dentro das necessidades históricas da classe trabalhadora de formação de um partido próprio para a luta política, suas bandeiras de luta deveriam se dar pela anistia ampla, geral e irrestrita, pela Assembleia Constituinte, democrática, livre e soberana, pela reforma agrária e pela liberdade partidária.
A partir deste documento, são aprovadas as propostas no sentido de desvincular os órgãos sindicais do aparelho estatal, democratizar os sindicatos, e dar início à construção do PT através do lançamento do seu manifesto. Neste momento, algumas características mais gerais do partido são definidas, dentre elas que o PT deveria ser de todos os trabalhadores, regido pelo princípio da democracia operária, que não fosse somente um partido eleitoreiro, mas organizador e mobilizador dos trabalhadores na luta por suas reivindicações, pela construção de uma sociedade justa, sem explorados e exploradores. 74
Ainda neste congresso, fora aprovada a necessidade de criação de uma comissão para desenvolver a ideia de formação do partido, o que ficou conhecido como Movimento pró-PT. Esta comissão emite em 13 outubro de 1979, a
Declaração Política, documento que lançou oficialmente o movimento pró-PT,
formando a Comissão Nacional Provisória para dirigir o movimento, que passou a ser considerada o núcleo do PT, composta por 10 militantes, dentre eles Lula. O 75 documento foi a primeira manifestação de posicionamento político da Comissão.
A Declaração Política de 1979 retoma as origens do PT, relembra como novidade da sociedade brasileira a recente vitória do movimento das massas trabalhadoras pela conquista de melhores condições de vida para amplos setores da população das cidades e dos campos ao conseguiram romper com o arrocho salarial e a proibição da greve, mesmo debaixo da repressão. O documento afirma que no desenvolvimento dessas lutas tornou-se claro para os envolvidos que somente a luta econômica não seria suficiente para avançar em conquistas, pois o Estado ainda tinha um peso brutal em razão da concentração de poder. Diante da ideia da construção do Partido dos Trabalhadores, os dirigentes afirmam ter surgido a necessidade de criar um canal de expressão política dos trabalhadores do campo e cidade; construir uma organização política dos militantes de variados movimentos sociais, e conquistar a política como atividade própria das massas populares que desejam participar da vida política favorecendo o aprofundamento democrático. Assim, a pretensão era que o PT se tornasse uma organização nacional de massas formado por todos os setores interessados na transformação da atual ordem 74 Ibdem. P. 31 a 33.
econômica. A curto prazo, o objetivo era a democratização das instituições políticas. A longo prazo, criar as condições para a democratização real da sociedade.
Na construção deste documento, Gadotti e Pereira afirmam que a principal polêmica se referia à inclusão ou não da palavra socialismo. Foi Lula quem sugeriu que a palavra era inoportuna, podendo ser confundida pelos trabalhadores como sinônimo de “antidemocracia”. Sendo assim, “o item da luta pelo socialismo foi ‘traduzido’ da seguinte forma: ‘O PT luta para que todo o poder econômico e político venha a ser exercido diretamente pelos trabalhadores. Única maneira de pôr fim à exploração e à opressão’” . 76
Este documento afirma ainda que internamente o PT deveria construir uma estrutura interna democrática que garantisse a sua direção e o seu programa a partir das decisões de suas bases. Quanto à relação com os sindicatos, a Declaração
Política afirmava a defesa intransigente da autonomia e independência dos
sindicatos e dos movimentos sociais. Quanto à relação com outras forças democráticas e o regime, o movimento PT chamava todas as forças democráticas para uma ampla frente de massas contra a ditadura, mas com o direito de cada corrente se preservar independentemente e com princípios próprios. Por fim, citamos as primeiras bandeiras de luta do PT, inscritas neste documento: contra a extinção arbitrária dos atuais partidos e pela mais ampla liberdade de organização e manifestação político-partidária; contra a política salarial do governo e pela contratação coletiva de trabalho; por um salário mínimo real, nacional e unificado; estabilidade no emprego; liberdade e autonomia sindical; pelo direito de greve; por anistia a todos os perseguidos do regime.
Aos poucos a ideia de um partido dos trabalhadores vai ganhando cada vez mais forma. Já se começa a perceber a inovação histórica que a construção deste partido significava para as classes trabalhadoras no Brasil. À diferença com outros partidos que se colocaram na história política brasileira como representantes dos interesses históricos da classe trabalhadora, o Partido dos Trabalhadores buscava ser um partido de massas, um grande abrigo de todas as classes trabalhadoras dispostas à luta contra a opressão do regime e à exploração do capital.
A data oficial de fundação do PT é 10 de fevereiro de 1980. Nesta data, a Comissão Nacional Provisória do movimento Pró-PT lança o Manifesto do Partido dos Trabalhadores. Segundo Gadotti e Pereira, o Diretório Nacional afirma que77 este documento traduzia as metas reais do PT e seus efetivos princípios de organização. O documento deveria orientar a prática socialista dentro do PT, sem permitir, porém, qualquer dogmatismo. Para a análise deste documento, buscaremos destacar seus pontos inovadores em relação aos documentos anteriores, sem repetir aspectos que já haviam sido trazidos anteriormente nas concepções do partido.
O Manifesto, afirma que o PT surge como necessidade de milhões de brasileiros de fazer a democracia com as próprias mãos para que ela enfim possa existir. Trata-se também da afirmação do despertar do povo, que já não se espera mais a boa vontade das elites para que suas vontades se realizem. Portanto, o PT nasce da vontade de independência política dos trabalhadores cansados de serem massas de manobra. Neste sentido, os trabalhadores tomaram consciência de que a liberdade é obra de um esforço coletivo.
Na defesa de um partido de massas, o PT afirma sua pretensão de ser uma real expressão política de todos os explorados pelo sistema capitalista. O PT afirma não querer atuar somente nas eleições, mas no dia-a-dia de todos os trabalhadores, buscando uma democracia em que as raízes estejam nas bases da sociedade e cujas decisões sejam tomadas pelas maiorias. “Queremos [...] um partido amplo e aberto a todos aqueles comprometidos com a causa dos trabalhadores e com o seu programa” . Em oposição ao regime militar, o PT afirma que lutará contra todo78 mecanismo ditatorial que reprime e ameaça a maioria da sociedade. Lutará pelas liberdades civis, os direitos dos cidadãos e pela democratização da sociedade em todos os níveis. Como aspectos do regime, o Manifesto afirma que não existe liberdade onde os sindicatos estão atrelados ao Estado, onde a opinião é submetida ao controle policial, onde os movimentos populares são reprimidos, onde a burocracia e a tecnocracia do Estado não respondem à vontade popular. Portanto, o PT também lutará pela independência dos trabalhadores frente ao Estado e aos 77Ibidem. P. 52-57.
partidos políticos, e que o povo decida o que fazer da riqueza produzida e dos recursos naturais do país.
O PT, através do Manifesto, compreendia também que a independência do país só se daria quando o Estado fosse dirigido pelas massas trabalhadoras. O que se busca é que o Estado se torne a expressão da Sociedade, o que só seria possível quando se criarem condições de livre intervenção nas decisões dos seus rumos. E isso justificaria a pretensão do PT chegar ao governo e à direção do Estado para realizar uma política democrática, do ponto de vista dos trabalhadores.
Para analisar e compreender a concepção particular de socialismo do Partido dos Trabalhadores, nos serve como importante documento o Discurso de Lula na
Primeira Convenção Nacional do PT79 de 27 de setembro de 1981. César, afirma
que uma das marcas do PT é a da tensão entre concepções políticas com o permanente conflito entre posicionamentos antigos e novos que fazem que o partido assuma ora uma face inovadora, ora uma face tradicional . 80
Para Lula, o sindicato era a ferramenta mais adequada para melhorar as relações entre o capital e o trabalho. Porém, esta não era a única vontade do partido. Lula defende o socialismo na medida em que afirma o desejo de que os trabalhadores sejam donos dos meios de produção e dos frutos dos seu trabalho. Para tanto, esta conquista só seria possível através da luta política. Esta defesa de sociedade ideal proposta por Lula ainda não é suficiente para compreendermos a sua concepção de socialismo. Havia uma angústia muito grande dentro das forças de esquerdas para que o PT desse mais concretude para a sua concepção de socialismo.
Na defesa do socialismo democrático, Lula está falando com a crítica à esquerda ao PT. Diz que a dúvida sobre a ideologia do PT surge de quem desconfia da capacidade política dos trabalhadores brasileiros em definirem o seu próprio caminho. Dúvidas também de quem exige, desde já, uma receita da sociedade futura. Lula taxa essas dúvidas a quem está distante das tarefas concretas das lutas populares, de quem não aprendeu a conviver com o povo. “Nós do PT, sabemos que o mundo caminha para o socialismo. [...] Queremos, com todas as forças uma 79Ibidem. P. 63-72.
sociedade que, como diz o nosso programa, terá que ser uma sociedade sem explorados e sem exploradores. Que sociedade é esta senão uma sociedade socialista?” . Mas qual seria o caminho para a chegada a esse socialismo, uma via81 reformista ou revolucionária? Lula diz que o PT quer manter a relação de amizade com todos os partidos que no mundo lutam por democracia e socialismo e afirma que o partido sabia que a sociedade brasileira caminhava rumo ao socialismo, mas para o tipo de socialismo que lhes fosse conveniente.
O socialismo de Lula se definia pela negação do socialismo real, não poderia ser medidas paliativas para os males sociais, nem mesmo um socialismo burocrático de novas castas tecnocratas e privilegiadas. Para Lula, o socialismo é um por vir:
O socialismo que nós queremos se definirá por todo o povo, como exigência concreta das lutas populares, como resposta política e econômica global a todas as aspirações concretas que o PT seja capaz de enfrentar. Seria muito fácil, aqui, sentados comodamente, no recinto do Senado da República, nos decidirmos por uma definição ou por outra. Seria muito fácil e muito errado. O socialismo que nós queremos não nascerá de um decreto, nem nosso, nem de ninguém.
O socialismo que nós queremos irá se definindo nas lutas do dia-a-dia do mesmo modo como estamos construindo o PT. O socialismo que nós queremos terá que ser a emancipação dos trabalhadores. E a libertação dos trabalhadores será obra dos próprios trabalhadores. 82
É a partir da preocupação quanto à definição do socialismo do partido que vemos a oportunidade para conectar historicamente o Partido dos Trabalhadores e Florestan Fernandes. Cerqueira, afirma que logo após a fundação do partido, Lula convidou Florestan para que entrasse no partido. Mas para entrar no PT, Florestan disse que queria que o partido definisse o seu programa, esclarecendo melhor as opções que fossem envolver o partido como núcleo político da classe trabalhadora.83
81 GADOTTI, M. PEREIRA, O. PRA QUE PT: Origem, Projeto e Consolidação do Partido dos Trabalhadores. P. 71.
82 GADOTTI, M. PEREIRA, O. PRA QUE PT: Origem, Projeto e Consolidação do Partido dos Trabalhadores. P. 72.
Nesta época, Florestan considerava que o PT ainda estava preso demais a concepções burguesas da realidade. No entanto, por ter surgido da base com compromissos efetivos com os de baixo, considerava ser o partido mais próximo das condições que os trabalhadores dispunham para romper com a subalternização, o único buscando seguir o ritmo das massas. Além do mais, considerava que naquele momento histórico, não haviam condições que permitisse a existência de um partido revolucionário. Neste primeiro momento, não houve nenhum envolvimento direto de Florestan com o PT. Florestan assinala outro padrão para os países da América Latina: A fraqueza das classes subalternas acaba criando a necessidade de partidos que são frentes ideológicas e políticas amplas.
Podemos ver que o PT manteve seu desenvolvimento de certa forma dentro daquilo que Florestan afirmava ser necessário para o partido, ou seja, esclarecer melhor a opção do partido para o desenvolvimento da luta da classe trabalhadora. Neste sentido, nos cabe a análise do Projeto Político do PT , lançado em 20 de 84 novembro de 1983.
Em sua primeira parte, o Projeto apresenta a conjuntura nacional em 3 dimensões: econômica, social e política. Considerando que o Brasil passava por grave e profunda crise, semelhante à de outros países da América Latina que também viviam o desgaste de seus regimes militares, não se tratava apenas da crise do modelo econômico destas economias, mas sobretudo da crise do próprio capitalismo. Na dimensão econômica, a crise do capitalismo se manifestava no plano interno do país com a crescente recessão depois do período eufórico de crescimento (desemprego, inflação, alto custo de vida, aumento da desigualdade, piora da qualidade de vida dos trabalhadores em geral). Por sua vez, no plano externo, aumentava-se a dependência da sociedade brasileira (aumento da dívida externa, desnacionalização da economia, aumento da dependência tecnológica). Na dimensão social, a crise se expressava na crescente proletarização da classe média e pauperização do proletariado urbano e rural, manifestada em duas linhas: a desagregação dos laços familiares, a mudança para pior de hábitos e comportamentos, a perda de benefícios sociais, os problemas de saúde, educação, 84 GADOTTI, M. PEREIRA, O. PRA QUE PT: Origem, Projeto e Consolidação do Partido dos
transporte, lazer, auto-realização e violência social do Estado; em outra linha, o sintoma social da crise era visto pela forma como os sujeitos que a sofrem desenvolveram para dar conta dos problemas de suas vidas. Formas coletivas com depredações, saques e ataques a supermercados, queima de transportes coletivos e ocupação de terras e formas individuais e anti-sociais, como assalto, homicídio, criminalidade. Na dimensão política, a crise se manifestava nas classes dominante com a desagregação institucional frequentemente pelo arbítrio do Executivo, as crescentes denúncias de corrupção nos meios governamentais, a crise nos órgãos oficiais de estatística em razão de tentativas de manipulação de dados, o enfraquecimento e destruição de estatais. O reflexo dessa desagregação se dava na dissidência do bloco de apoio de setores da burguesia e das classes médias à política econômica oficial. Aprofundava-se também as divergências entre os militares desde o episódio do Riocentro. A dimensão política da crise também se manifestava nas classes dominadas com 4 tipos de comportamento popular: 1º, o imobilista, de omissão ao questionamento do regime. 2º, o pelego, onde os dirigentes e ativistas sindicais fazem a política patronal e do regime. 3º, o reformistas, de onde derivam as estratégias suicidas de uma revolução burguesa ainda a ser feita e a tática de união nacional, oficialesca e populista. Por fim e 4º, o comportamento do qual surgiram novas e combativas lideranças populares e sindicais, comitês de fábrica e de bairro, movimentos populares, de onde também surge o Partido dos Trabalhadores.
Neste Projeto, o partido assinala avanços da luta pela unificação da classe trabalhadora apontando para o êxito na aprovação da construção da Central Única dos Trabalhadores (CUT) nas resoluções da I CONCLAT realizada em agosto de 1983. Outro avanço era a dos movimentos populares, que ainda não se encontravam articulados, mas intensificavam suas ações de resistências à exploração econômica e a opressão política através de passeatas, depredações, saques, ocupação pacífica ou violenta de espaços físicos, luta pela terra no meio rural, atos públicos de setores urbanos da classe média e greves de trabalhadores no campo e na cidade organizadas, muitas vezes, pelas oposições sindicais.
O balanço do momento atual, presente no documento, é de que o regime ditatorial havia perdido o apoio de setores importantes das classes dominantes, não
conseguindo mais conciliar o empresariado em competição, cada vez mais encontrando dificuldades para impor sua política econômica. A ditadura havia deixado de ser um bloco monolítico todo-poderoso, já não detinha mais o poder real do país, o qual começava a ser disputado pelas forças em distensão.
A tendência central era que o agravamento acelerado da crise em um sentido que nenhum dos projetos políticos das classes dominantes será capaz de oferecer saída que atenda aos interesses da maioria da população. Independente do projeto vencedor, a crise continua a se agravar deteriorando ainda mais a qualidade de vida da maioria do povo brasileiro, aumentando a exploração e a opressão. Para os interesses da classe trabalhadora, a única forma de resolver a crise é mudar o regime, neste sentido, a tarefa central do PT seria a de definir um projeto político alternativo para vencer a crise e substituir a ditadura militar o que significava: a) definir os objetivos e as prioridades políticas; b) definir os meios de alcançar esses objetivos nas prioridades propostas.
Convém para o PT intervir no processo de desgaste do regime, para acelerar a sua marcha a para dar-lhe uma direção capaz de resultar em um novo regime político que atenda aos interesses da classe trabalhadora e da maioria da população com a implantação de um regime de amplas liberdades sindicais e políticas, de mudanças substanciais na distribuição de renda, e de autonomia e independência crescente diante das múltiplas formas econômicas, sociais, políticas e culturais de manifestação do capital monopolista nacional e internacional. 85 Neste sentido, as
lutas imediatasconsideradas pelo PT mais aptas aos seus objetivos de pressão para
a ruptura do regime, se daria em cinco eixos principais, devendo manter-se privilegiada as formas de lutas mais massivas, mais organizadas, mais mobilizadas e politicamente definidas, de maneira a culminar na greve geral: 1) a luta contra o arrocho salarial; 2) a luta contra a Lei de Segurança Nacional, contra a lei antigreve e contra as leis repressivas; 3) a luta pela reforma agrária sob controle dos trabalhadores; 4) a luta pela moratória unilateral da dívida externa, contra o FMI e pela nacionalização dos bancos e dos monopólios, e; 5) a luta pelas eleições diretas para presidente da república em 1984 com debate sobre uma candidatura própria.
Neste documento, o PT elabora também a sua política de alianças para os fins da ruptura com o regime, elaborando os critérios a partir de seus princípios, haja vista que se considerava que naquele momento o PT não tinha condições de isoladamente levar a cabo o seu projeto. Na política de alianças, deveria se dar prioridade à expansão das ideias e da organização do partido entre os setores populares, sem prejuízo de acordos com lideranças ou grupos partidários e políticos que representassem tais setores. O PT não deve fazer alianças globais com as classes dominantes, mas pode fazer acordos específicos para atender determinados interesses dos trabalhadores.