• Nenhum resultado encontrado

97dos Companheiros presentes vigiasse a corça e se certificasse

No documento Publicações Erkam 2010 / 1431 H (páginas 97-101)

de que ninguém faria nada que assustasse o animal. (Muwatta, Hajj; Nasai Hajj, 78)

Novamente, levando seu magnífico exército com a força de dez mil homens para tomar Meca, o Profeta da Graça , no caminho, passou por uma cadela, que estava deitada a ama- mentar as suas crias. Rapidamente chamou JuayI ibn Suraqa e ordenou-lhe que montassem guarda à volta dos cães, instruin- do o exército que se abstivesse de fazer qualquer coisa que pu- desse assustar a mãe e as suas crias. (Waqidi, II, 804)

Uma vez, ao ver um camelo que estava esquelético devido à fome, o Profeta  comentou:

“Temei o Todo Poderoso, pelos animais que não podem

falar. Monta-os e alimenta-os como eles merecem”. (Abu Dawud, Jihad, 44/2548)

Uma vez, tendo entrado no jardim de um homem de An- sari, o Abençoado Profeta  encontrou lá um camelo que, ao vê-lo, começou a balterar, com lágrimas a escorrer dos seus olhos. O Nobre Mensageiro  aproximou-se do camelo e deli- cadamente começou a acariciar por trás das suas orelhas, e só depois disso o camelo acalmou.

“A quem pertence este camelo?” perguntou então o Profeta

.

“É meu”, disse um jovem de Medina que se aproximava. “Não temes Alá, pelo animal com que Ele te abençoou?”, perguntou o Profeta”. “Ele queixou-se a mim que o deixaste

com fome e o sobrecarregaste com trabalho.” (Abu Dawud, Jihad, 44/2549)

98



O Exemplo Sem Comparação Profeta Muhammad Mustafa Noutra ocasião, enquanto caminhava, o Mensageiro de Alá  encontrou um grupo de pessoas que conversava enquan- to seguiam montados em seus animais. Ele aconselhou-os:

“…Montai os vossos animais com cuidado, sem os cansarem

e deixai-os descansar apropriadamente enquanto vocês não ne- cessitam deles. Não os usem como assentos para o vosso conforto, nas conversas que têm na rua. Muitos animais que são monta- dos, são melhores do que o seu condutor e lembram-se de Alá, o Glorioso, mais do que ele.” (Ahmad, III, 439)

Noutra altura, o Abençoado Profeta  deparou-se com um homem a abater uma ovelha. O homem, depois de a ter co- locado no chão, começou a afiar a faca directamente diante dos olhos da ovelha, um ato insensível que incorreu na advertência do Abençoado Profeta :

“Desejas matar o animal mais do que uma vez? Não pode-

rias ter afiado a faca antes de colocar a ovelha no chão?” (Hakim IV, 257, 260)

“Deverei eu contar a vos sobre aqueles que estão distantes

do Fogo do Inferno, e de quem o Fogo do Inferno está igualmente distante?” perguntou ele uma vez aos seus Companheiros, an-

tes de proceder com a resposta:

“O cortês, o carinhoso, o compassivo, o amigo e o aficciona-

do…” (Ahmad, I, 415)

O Abençoado Profeta  explica o contraste entre o com- passivo e o cruel na seguinte representação:

“A mulher pecadora, uma vez viu um cão, num deserto,

lambendo a areia por causa da sede. Sentindo pena dele, ela usou o seu sapato para tirar água de um poço próximo, para

99

desta forma saciar a sede do cão. Então, Alá perdoou os seus pe- cados. Outra mulher, descuidada, deixou o seu gato à fome; ela impedia-o até de caçar os insectos rastejantes para aliviar a sua fome. O gato finalmente morreu de fome e a crueldade da mu- lher garantiu-lhe um lugar no Inferno.”40

Com estas medidas, o Abençoado Profeta  transformou eficazmente uma sociedade de ignorância numa geração dig- na da Idade da Felicidade, Asr’us-Saadah. As pessoas, outrora terríveis no trato com o próximo, estavam agora cheias de mi- sericórdia que se estendia até mesmo aos animais, pela simples razão de que o Profeta , o seu exemplo sem comparação, ob- servava os direitos das criaturas tão pequenas quanto os par- dais e inspirava os seus Companheiros com uma indescritível sensibilidade.

Mesmo com os animais perigosos, como cobras e escorpi- ões, que por vezes era necessário matá-los em defesa própria, o Profeta , compassivo, comandava que, caso fosse necessá- rio o seu sacrifício, este fosse feito da forma o menos dolorosa possível:

“Aquele que matar uma cobra de uma só vez, receberá cem

recompensas. Menos para quem precisar de duas vezes, e menos ainda para quem precisar de mais.” (Muçulmano, Salam 147; Abu Dawud, Adab 162-163/5263, Sayd, 14/1482)

Quão profunda deve ser a compaixão, quando esta se es- tende até mesmo à forma de matar animais perigosos…

40. Ver, Bukhârî, Anbiyâ, 54; Muçulmano, Salâm, 151, 154; Birr, 133; Nasâî, Kusûf, 14.

100



O Exemplo Sem Comparação Profeta Muhammad Mustafa O Nobre Profeta  nunca se vangloriou de possuir um elevado nível de moral e de servidão. Por vezes, ele enumerava as bênçãos que lhe eram dadas pelo Todo Poderoso, comple- mentando-as, no entanto, com as palavras, “La Fakhra , sem

vanglória”, cobrindo-se de uma humildade indescritível. (Tir- midhi, Manaqib, 1; Ibn Majah, Zuhd, 37; Ahmad, I, 5, 281)

Orgulho e vanglória visam atrair o louvor e admiração, que alimenta a arrogância dos seres humanos. Apesar de ser o mais nobre da humanidade e sendo alvo de elogios Divinos, o Abençoado Profeta  pedia sempre aos seus Companheiros para chamá-lo:

“… o servo e mensageiro de Alá” (Bukhari, Anbiya, 48; Ahmad, I, 23)

Os seres humanos estão impregnados com o sentimento de servidão. Uma pessoa pode ser escravo das suas posses e das coisas que lhe convém, ou pode servir ao seu Senhor. Ser- vir ao Senhor protege uma pessoa da escravatura de si mesmo e das suas posses.

O equilíbrio perfeito instituído pelo Nobre Mensageiro , entre os opostos da vida, não apresenta a menor deficiência ou falha. É impossível discernir um outro exemplo de tal carácter ao longo da História.

Nos caminhos particulares da vida, é possível observar heróis com habilidades e qualidades superiores. Mas o Profe- ta  permanece isolado como o único exemplo das instâncias mais raras de todas as qualidades combinadas numa só pes- soa. Dizendo sucintamente, ele é a mais excepcional persona- lidade de todos os tempos, em todos os aspectos imagináveis, que deixou um legado de belezas ímpares para a humanidade

101

No documento Publicações Erkam 2010 / 1431 H (páginas 97-101)