1.2 Conceitos Econômicos : Generalidades
1.2.1 Economia
Metodologia da Ciência Económica. 1.3 O Fenômeno Econômico e as Leis Econômicas. 1.4 A Eficiência Econômica. 1.4.1 A Optimalidade de Pareto. 1.4.2 O Critério de Kaldor-Hieks. 1.5 As Leis Básicas de uma Economia de Mercado. 1.5.1 A Teoria da Utilidade. 1.5.1.1 Utilidade Total e Utilidade Marginal. 1.5.1.2 As Curvas de Indiferença. 1.5.2 A Teoria do Consumidor 1.5.2.1 A Reta Orçamentaria. 1.5.2.2 O Equilíbrio do Consumidor e as Curvas Renda-Consumo e Preço-Consumo. 1.5.2.3 A Curva de Demanda.
1.5.3 A Teoria da Produção e do Custo. 1.5.3.1 Dos Custos Totais. 1.5.3.2 Dos Custos e Produto Médios e do Custo e Produto Marginal. 1.5.3.3 A Curva de Oferta. 1.5.3.4 Ponto de Equilíbrio - Oferta - Demanda. 1.6 A Teoria da Firma e a Organização do Mercado. 1.6.1 A Teoria do Preço nos Mercados de Concorrência Perfeita. 1.6.2 A Teoria dos Preços sob Monopólio Puro. 1.6.3 A Teoria dos Preços sob a Concorrência Monopolística. 1.6.4 A Teoria do Preço nos Mercados de Oligopólio. 1.7 Da Análise Custo/Beneficio.
Não há dúvida de que a Economia constitui um ramo autônomo do conhecimento humano. Todavia, o isolacionismo que caracterizou a maior parte das primeiras investigações econômicas e que parece ter-se acentuado durante a segunda metade do século XIX está gradativamente cedendo lugar a um enfoque multidisciplinar, que aproxima a Economia das outras Ciências Sociais, devido ao reconhecimento da existência de uma complexa rede de interdependência que a une à História, à Política, à Geografia, à Sociologia e ao Direito, além de uni-la a outros importantes ramos do conhecimento humano, entre os quais se incluem os métodos quantitativos.^
1.1 INTRODUÇÃO
A bem da verdade, a natureza existindo como um prius a ser dominado pelo raciocínio humano ou passando, ela, a existir uma vez concebida e apropriada pela mente humana através de metodologias próprias; tem-se um todo representativo do conhecimento humano que serve, ao homem, como herança cultural a ser transmitida pelas diversas gerações. O problema está, então, na maneira como esta riqueza será transmitida entre os membros das diversas gerações.
Como transmitir para a posteridade o, hoje, aprendido - conhecimento - de forma a constituir-se testemunho da existência ?
Indubitavelmente, pode ser respondida a questão acima, através do estudo e da significação dos fatos e objetos; mormente, através da escrita que, no entanto, necessitará ser entendida e decifrada, interpretada e analisada por outros seres humanos.
Para que este conhecimento tenha significação, necessita-se adotar métodos próprios. Um deles é o cartesiano onde o todo intelectivo é dividido em partes para melhor compreensão. Talvez, por não ter sido utilizada com prudência, tal metodologia levou ao extremismo da compartimentação excessiva é da visão isolacionista e estritamente disciplinária sobre a
fenomenologia. Hodiemamente, a humanidade encontra-se em direção contrária a referido procedimento, procurando difundir atitude interdisciplinar para a apreciação dos diversos objetos que circundam o sujeito, interagindo com este de forma abrangente.
De qualquer forma, nesta atitude de compartimentação do conhecimento para melhor entendimento; um dos ramos de estudo criado é o chamado econômico. A Ciência Econômica é o objeto deste capítulo, uma vez que, como foi dito, a LaE trata da utilização interdisciplinária dos embasamentos teóricos carreados da Economia para a análise do Direito.
A aproximação, em um primeiro momento, é surpreendente já que, a princípio, haveria uma diferença metodológica na compreensão da fenomenologia social por parte de ambas ciências; entretanto, é interessante verificar que a unicidade de determinado fenômeno pode ser apreciada sob diversos pontos de vista sem deixar que este continue individualizado e inalterado. A Economia é uma ciência analítica por natureza e aplica-se ao Direito na medida em que propicia-lhe a metodologia necessária para quantificar interesses, analisar procedimentos e indicar soluções com tendências probabilísticas que levem à dissipação dos conflitos e satisfação das necessidades, bem como à elaboração legislativa. Intenta-se, assim, eliminar a legislação e o julgamento político-volitivo e aleatório despreocupado com as tendências das partes envolvidas, da sociedade como um todo e do mercado. Apontam-se, desta forma, Soluções que tenham menor caráter político e, portanto, com menor possibilidade de serem arbitrárias; que sejam, com efeito, técnico racionais uma vez embasadas em critérios predeterminados e que levem a maximizar a obtenção de resultados satisfatórios para as diversas necessidades prementes que estão na pauta de um legislador ou sub judice.
Conseqüentemente, a Ciência Econômica, passa a ter papel preponderante ao explicar o fenômeno jurídico-econômico e, aqui, tem-se, já, uma peculiaridade a ser apontada. A fenomenologia estudada pelas Ciências Sociais é única, não existindo o fenômeno econômico dissociado do fenômeno jurídico; assim como é uma ficção verificar, no ser humano, ora o
homo juridicus, ora o homo oeconomicus. A realidade é uma só e, se pode ser apreciada de
vários ângulos para um melhor entendimento, também, pode ser apreciada em seu conjunto, de uma forma holística como requer o momento vivido pela humanidade.
Desde que o homem adquiriu consciência de si mesmo, procurou identificar as condições necessárias para a sua sobrevivência acumulando-as e protegendo-as, inclusive, estabelecendo regras de utilização e manutenção das mesmas. A Economia e o Direito já estavam, desde então, lado a lado.
Aliás, dentro da etapa capitalista, na evolução dos sistemas econômicos, o Direito racional, isto é, direito calculável se fez e se faz necessário, para que a exploração das
diversas atividades econômicas possa ser desenvolvida dentro de uma perspectiva de
segurança jurídica, que impeça as incertezas e instabilidades não permitidoras da acumulação. ^
O Estado^ , com seu Direito, vem em socorro das necessidades dos empreendedores - agentes econômicos - como que propiciando, então, as condições mínimas para o desenvolvimento da atividade económica e social como um todo. È o dito elemento coercitivo que Weber refere estar sob domínio do Estado que garante a atividade econômica regulando-a e dirimindo seus conflitos.^
O presente Capítulo objetiva inserir o leitor no panorama visualizado na linguagem dos economistas - economês - e , ainda, intenta demonstrar, basicamente, os principais temas que são atribuídos à Ciência Econômica e que se desenvolvem, na Teoria Econômica, especificamente em seu ramo denominado Análise Microeconômica; tais como: Conceito de Economia e generalidades, o objeto, a metodologia, o fenômeno econômico e as leis econômicas, a questão da eficiência econômica, da Optimalidade de Pareto, o Critério de Kaldor-Hicks e as leis básicas de uma Economia de Mercado.
Está-se, dessa forma, a preparar e ambientar, pedagogicamente, o leitor para o conhecimento da LaE.
1.2 CONCEITOS ECONÔMICOS: GENERALIDADES
Problema crucial, para a humanidade, é a forma como podem ser, satisfatoriamente, saciadas as ansiedades e desejos inerentes à condição humana, ou, em outras palavras, como se
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No mesmo sentido Max Weber ensina que uma das condições para o desenvolvimento da atividade empresarial, em uma economia capitahda, é o Direito racional isto é, direito calculável Para que a exploração econômica capitalista proceda racionalmente precisa
confiar em que a justiça e a administração seguirão determinadas pautas. Ver in WEBER, Max . História Geral da Economia. Trad.
Calógeras A Pajuaba. S3o Paulo : Mestre Jou., 1968. p. 2 5 1. 3
Justificando a exi&ência do Estado, Vital Moreira ensina: Reconhecida definitivamente a incapacidade da economia p a ra se
regular a si mesma, em absorver ou neutralizar os conflitos que a dilaceram, em corresponder à s exigências que lhe são ajeitas p o r uma sociedade que reclama o aproveitamento integral das suas potencialidades; reconhecida essa situação, é sobre o estado que vem impender a execução de papéis que até ai lhe estavam defesos. È o estado que vem reclamar-se de ['principal responsável p e to curso da economia, instituindo todo um quadro institucional em que ele se move, controlando-o, dirigindo-o ou dedicando-se diretamente à produção econômica. Ver in MOREIRA, Vital. A Ordem Jurídica do Capitalism o. Lisboa : Centelha, 1978. pp. 55-56.
^ Diz Weber: (...) segundo a experiência histórica. atrás de toda economia existe um elemento coercitivo atualmente, manejado
pelo Estado e, em épocas passadas, amiúde, p elas corporações - e até mesmo uma economia socialista ou comunista dele necessita para p o r em prática suas ordenações; mas esta-coerção, agora não è, precisam ente, uma atuação econômica, e.sim, tão somente, um meio p a ra assegurá-la. in WEBER, Max. História G eral da Economia. Op. cit. .p. 10.
pode dar a satisfação das diversas necessidades em uma atividade de escolha constante entre escassas oportunidades e meios. A escassez é o pressuposto básico da Economia que leva o homem a inovar e criar na busca inexorável de sua subsistência e, mais, na conquista de seu crescimento enquanto ser dotado de inteligência.
Ao proceder em meio à sua atividade econômica, o homem opta por produzir bens e serviços; por distribuir, planejadamente, as utilidades que lhe são disponíveis, temporalmente e segundo as possibilidades de emprego; fazendo-as, inclusive circular em busca desse melhor emprego sendo, por fim, consumidas. Estão aí, então, descritos os clássicos fatores da Economia : produção, repartição, circulação e consumo de bens e utilidades para satisfação de necessidades.
Em termos históricos, a expressão economia política surgiu no século XVII com o Traité
de lÉconomie Politique de Antoine de Montchrétien^ (1575-1621), embora Aristóteles seja
apontado, por alguns doutrinadores como o idealizador do assunto. No tempo de Aristóteles
oikonomia significava a ciência do abastecimento, que trata da arte da aquisição.
A área de abrangência do novo ramo do conhecimento ampliou-se, principalmente com o surgimento dos Estados-nação, das descobertas do período pós-renascentista e em função da necessidade de desligar a Análise Econômica da Ética, passando a atribuir-se-lhe a questão da administração e fortalecimento do Estado inserido no processo econômico.
A temática de caráter economicista vem, a partir de então, sendo desenvolvida de forma a tomar-se um ramo independente do conhecimento humano.
1.2.1 ECONOMIA:
Mais do que nunca o homem está preocupado com os temas ligados à Economia, uma vez que , no limiar do século XXI, as incertezas são grandes quanto a uma excelente qualidade de vida em função de uma ação esgotadora dos recursos do Planeta Terra, por parte do próprio homem. Nunca a exploração de tais recursos ocorreu de forma tão devastadora como nos últimos cem anos e os custos sociais e materiais disto são preocupantes. Populações morrem famintas, centros econômico-financeiros enfrentam as instabilidades dos mercados e as mudanças político-institucionais renovam o mapa político mundial; tantas são as variáveis e
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contingências que justificam um estudo sério do importante fenômeno econômico.
A partir da década de trinta com o Crash da Bolsa de Nova Iorque, e com a atitude intervencionista dos governos que, já, não mais acreditavam na possibilidade única do laissez
faire - laissez passer; e, mesmo, com a economia de guerra inerente aos conflitos mundiais de
1914-18 e de 1939-45 a Economia, como ciência, passou a ser assunto de primeira ordem na busca de um almejado desenvolvimento econômico procurado por todos os países inseridos em uma verdadeira corrida com objetivo de alcançarem a estabilidade econômica, desenvolvimento sócio-econômico e universalização das condições inerentes à economia do bem-estar.
Detectada a sua importância, a Economia pode ser conceituada e definida de diversas formas; sempre ficando evidenciada a ingerência do homem sobre os diversos e limitados recursos que o cercam; no que diz respeito a sua produção, circulação, consumo e repartição. A fenomenologia econômica, pois, faz-se apreciada, pelo conhecimento humano, através de uma ciência que lhe é própria: a Ciência Econômica.