3 BASE CONCEITUAL
3.7 EDUCAÇÃO AMBIENTAL E SUSTENTABILIDADE
Para Leff (2001, p. 31) o termo sustentabilidade significa uma nova visão do ser humano a respeito do mundo e da natureza que o cerca, diz:
O princípio de sustentabilidade surge como uma resposta à fratura da razão modernizadora e como uma condição para construir uma nova racionalidade produtiva, fundada no potencial ecológico e em novos sentidos de civilização a partir da diversidade cultural do gênero humano. Trata-se de reapropriação da natureza e da invenção do mundo; não só de um mundo no qual caibam muitos mundos, mas de um mundo conformado por uma diversidade de mundos, abrindo o cerco da ordem econômica e ecológica globalizada.
A sustentabilidade está mais do que relacionada ao sentido de educar ambientalmente, pode-se dizer que não haveria sentido uma Educação Ambiental, se o indivíduo não começar a colocar em prática ações que levam ao sustento da natureza diante dos inúmeros problemas que ela vem enfrentando ultimamente. Todavia, só teríamos uma
sociedade realmente sustentável, se estivermos dispostos a mudar radicalmente atitudes e comportamentos que comprometem as futuras gerações, como diminuir o consumo de produtos de origem industrial, por exemplo, e reaproveitar aqueles que podem ser recicláveis. Dessa maneira, a natureza teria mais tempo de se recuperar e nós estaríamos contribuindo para isso. Mas de que maneira podemos incentivar medidas sustentáveis em um mundo onde a lógica do capital é que domina? A resposta é simples, através da Educação Ambiental que traz em seu currículo o papel desafiador de formar cidadãos conscientes de sua responsabilidade com o meio ambiente, educando e estimulando com práticas ecologicamente corretas, buscando a cumplicidade de todas as esferas da sociedade: política, econômica, religiosa, familiar e de todos que estariam dispostos e assumir os desafios de contenção do desequilíbrio ambiental. Não podemos esquecer que essa mudança de visão e de atitude perante a natureza, deve começar pela educação, de onde seria a porta para combater as ações predatórias do homem contra ele mesmo, afinal ele precisa da natureza para sobreviver. Dessa forma, o indivíduo questiona até que ponto a lógica capitalista é de fato benéfica para garantir a sua permanência na Terra. Para Leff (2001, p. 15):
A crise ambiental veio questionar a racionalidade e os paradigmas teóricos que impulsionaram e legitimaram o crescimento econômico, negando a natureza. A sustentabilidade ecológica aparece assim como um critério normativo para a reconstrução da ordem econômica, como uma condição para a sobrevivência humana e um suporte para chegar a um desenvolvimento duradouro, questionando as próprias bases da produção.
A degradação ambiental, juntamente com o esgotamento ecológico e a desigualdade gerada pelo avanço do mundo globalizado traz o conceito de sustentabilidade, sendo de muita importância para a humanidade, visto que ao se estudar a sustentabilidade se poderá ter uma nova visão de mundo. Um mundo em que o saber ambiental emerge de uma reflexão sobre a construção da própria vida humana na Terra. O conceito de biodiversidade vem do grego bios vida, ou diversidade biológica, é um termo que foi criado nos anos de 1980 pelo ambientalista Thomas Lovejoy, mas foi utilizado pela primeira vez pelo entomologista E. O. Wilson no ano de 1986. Esse termo faz referência à grande diversidade de seres vivos presentes em um lugar, região ou país, ou seja, em nosso planeta de seres vivos em diversas regiões do planeta. Na Amazônia, a biodiversidade é uma de suas características mais marcantes, tem-se a maior floresta tropical do mundo, mas também o maior índice de degradação ambiental do mundo. Proteger essa biodiversidade é dever de todos. Ensinar as comunidades, através da EA, a noção de sustentabilidade dessa biodiversidade encontrada no lugar onde moram é essencial para a mudança de comportamento. O rio é o principal recurso do qual as comunidades
ribeirinhas dependem e para muitos é sua fonte de sobrevivência, além de ser a ponte de ligação com o centro da cidade. Os ribeirinhos também dependem do rio para higiene pessoal, lazer e uso doméstico. O descarte do resíduo sólido no rio provoca grandes impactos sobre a vida marinha nessas regiões, além de contaminar a água e provocar doenças como a hepatite e verminose. O solo também é bastante agredido quando ocorre a queima do lixo e dele a comunidade depende para a agricultura de subsistência ou criação de alguns animais como galinhas, patos, porcos que podem sofrer com a poluição do solo, além da contaminação do ar.
Segundo o relatório Our Common Future (Nosso Futuro Comum, em português) apresentado em 1987 pela Comissão Brundtland significa: ―aquele que satisfaz as necessidades presentes, sem comprometer a capacidade das gerações futuras de suprir suas necessidades‖ (CMMAD, 1987 apud Moralez; Favareto, 2014, p. 49). De acordo com esse relatório, as populações podem utilizar os recursos naturais com consciência ecológica, ou seja, utilizar somente o necessário para satisfazer suas necessidades básicas, sem prejudicar ou agredir o meio ambiente de maneira que deixe sequelas por longos anos e impeça as gerações futuras também de usufruir dos bens naturais. Nesse sentido, quando são mudados comportamentos, mentalidades e ações em favor do meio ambiente, a sociedade começa a despertar para a noção de desenvolvimento sustentável. Educar não é uma tarefa fácil, porém o saber deve ser construído dia após dia, para Abensur (2012), à medida que o ser humano estuda e compreende a sua realidade, toma parte nela, transforma-se e transforma a sua realidade. A Educação Ambiental ainda tem um longo caminho a percorrer na busca incansável da superação dos problemas causados pelo ser humano e na manutenção de seu equilíbrio com a natureza do qual depende para sua sobrevivência.