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2.3 MUSEOLOGIA

2.3.2 Conceitos chave de museologia:

2.3.2.4 Educação

Em linhas gerais, a educação pode ser entendida como o estabelecimento dos meios necessários para o pleno desenvolvimento das capacidades e potencialidades individuais. A educação museal, por sua vez, trata do estabelecimento de meios de aculturação, desenvolvimento e aprendizagem de novos saberes aos seus visitantes (DESVALLÉES e MAIRESSE, 2013).

Para Desvallées e Mairesse (2013), o termo educação se desdobra em outros termos, dos quais tira partidos fundamentais. Um deles é a instrução, que “é relativa ao espírito e é entendida como os conhecimentos que adquirimos e pelos quais nos tornamos hábeis e sábios” (TORAILLE, 1985, apud DESVALLÉES e MAIRESSE, 2013). A educação, segundo os autores, se dá pela movimentação e interação das instruções dos campos morais, físicos, intelectuais e científicos e é ela que, dentre suas atribuições, deve despertar o indivíduo para novas formas de pensar e novas formas de interrogar o mundo que o cerca.

De acordo com Desvallées e Mairesse (2013), no sentido da museal da educação, visa-se sempre o desenvolvimento e florescimento dos indivíduos no âmbito de integrar os saberes de forma interdisciplinar, capacitando os visitantes para uma sensibilidade mais ampla e para a realização de novas experiências.

Especificamente em um Museu da Imagem e do Som, as capacidades educacionais são ilimitadas e abrangentes. Nele, através de mídias audiovisuais,

permite-se investigar o passado, criando-se uma verdadeira janela para ele. Depoimentos, fotografias, músicas, entrevistas, vídeos, filmes e tantas outras mídias permitem ao visitante uma investigação profunda da história. Essas coleções, quando devidamente comunicadas ao público, permite-lhe compreender e associar fatores históricos e, com isso, compreender seu presente e sua própria história. Do ponto de vista da interdisciplinaridade, essa compreensão histórica proporcionada pelo Museu beneficia vários campos de estudo, como arquitetura, planejamento urbano, direito, política, saúde, música, teatro, cinema, segurança pública e incontáveis outros.

Compreendidos os conceitos chaves fundamentais, entendendo a natureza do acervo, das coleções e da história da instituição do MIS-PR, e fundamentados os conceitos teóricos básicos de museologia e memória, se faz necessário analisar de forma prática como um projeto arquitetônico pode se moldar de forma a atender todas as exigências de um bom projeto museal. O capítulo seguinte se dedica à pesquisa de diretrizes e recomendações no que diz respeito aos ambientes, estruturas e tipologias museais.

3 PROGRAMA DE NECESSIDADES DO NOVO MIS-PR

Para poder materializar um projeto arquitetônico que aborde todas as necessidades e desafios da museologia moderna, esse capitulo investiga, através de cartilhas, catálogos e livros especializados, algumas recomendações quanto ao dimensionamento e formatação dos espaços básicos de um museu. Isso se faz necessário para que o acervo do MIS-PR não apenas possa ser condicionado e exibido de forma adequada, mas também para que as atividades especializadas, como restauro e gravação de áudio e vídeo, encontrem nesse museu o ambiente apropriado para exercer as atividades às quais se propõe.

Segundo Nascimento e Chagas (2009, apud CÂNDIDO, 2014), o museu deve, quanto ao seu programa arquitetônico, prever no mínimo as seguintes áreas:

1. espaço de recepção (bilheteria, local para acolhimento do público, ponto de venda de produtos e guarda-volumes);

2. sala de exposição permanente (ou de longa duração); 3. sala de exposição temporária (ou de curta duração); 4. reserva técnica;

5. sala de administração (direção e secretaria); 6. espaço para ações educativas e culturais; 7. sala para procedimentos técnicos com o acervo; 8. espaços de apoio, guarda de materiais e segurança;

9. espaços de serviços (almoxarifado, depósito, copa, banheiros e vestiários); e

10. biblioteca e arquivo.

No caso de museus que envolvam percursos e roteiros ao ar livre e espalhados num determinado território, recomenda-se que esses percursos e roteiros sejam publicados, divulgados e bem sinalizados”. (NASCIMENTO & CHAGAS, 2009, p. 19-20, apud CÂNDIDO, 2014).

Cândido (2014) destaca que as diretrizes projetuais do museu devem ser colocadas em diálogo com as necessidades específicas, levando em consideração a

topologia dos acervos, missão e porte da instituição. A autora afirma que um edifício que se destine à função museal deve contemplar “funcionalidade e adequação ao Plano Museológico; morfologia identificada com as funções de sua tipologia; presença de espaços para os serviços imprescindíveis, além de instalações técnicas para segurança e climatização”. Ainda, segundo a autora, os espaços interiores irão definir uma boa arquitetura museal quando estes forem flexíveis, facilitando futuras adaptações às novas necessidades de progresso científico, técnico, e às novas necessidades dos usuários. A modularidade arquitetônica se presta, nesses princípios, a proporcionar espaços que possam também ser expandidos, considerando o crescimento contínuo do acervo e a necessidade de novos espaços. Quanto às diretrizes projetuais de segurança e acesso, define-se as áreas restritas como sendo as destinadas às reservas técnicas, seus laboratórios e sua sala de trabalho técnico, por serem ambientes pelos quais transita o acervo original, o que pode incluir também as áreas expositivas. Perto destas, deve ser considerada uma sala de montagem das exposições, com passagens largas e de fácil circulação, com a devida proteção que permita atividades como solda e corte de metais (CÂNDIDO, 2014).

O setor administrativo deve englobar todas as atividades relacionadas à administração do museu, incluindo salas da diretoria, secretaria e zeladoria. Ainda nesse setor, pode-se incluir o corpo técnico do museu, composto por museólogos, artistas plásticos, historiadores e outros técnicos (CÂNDIDO, 2014).

As áreas de serviço e de suporte aos funcionários, tais como copa e almoxarifado, são vistas por Cândido (2014) como áreas exclusivamente internas, devendo ser afastadas de áreas de guarda e trânsito do acervo, por serem núcleos geradores de umidade e por conterem materiais inflamáveis. A entrada, manipulação e consumo de alimentos nas dependências do museu deve ocorrer em áreas próprias, sem que haja sequer passagem pelas demais áreas.

Com base no trabalho de Costa (2006, p. 88 apud CÂNDIDO, 2014), tem-se o organograma a seguir:

Figura 12 - Esquema de organização de um museu em médio porte. Fonte: (COSTA, 2006, p. 88 apud CÂNDIDO, 2014).

Cada uma dessas áreas possui diretrizes e necessidades especiais, que se moldam de acordo com a tipologia do museu. As áreas serão abordadas separadamente a seguir.

No documento Novo Museu da Imagem e do Som do Paraná (páginas 56-60)

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