O início da história curitibana se dá entorno do bairro Centro, na Praça Tiradentes, onde por volta do ano de 1649 a construção da capela marcou início do primeiro povoado ali estabelecido. Já em 29 de março de 1693, data de fundação oficial da cidade, com o nome de Vila Nossa Senhora da Luz dos Pinhais, a comunidade já se encontrava consolidada e passava a se organizar politicamente, com a composição da Câmara Municipal juntamente com eleição e posse do governante local.
O crescimento de Curitiba, a princípio, foi lento e viria a ser mais notável somente após a conexão com o litoral, através do caminho do Itupava, durante o século XVIII. Período esse que foi contemplado também com obras relevantes, como a Igreja do Rosário e a casa Romário Martins. Somente em 1842 a Curitiba foi reconhecida como cidade, e como capital da Província do Paraná somente em 26 de julho de 1854.
O crescimento da cidade, a princípio, era desordenado e somente a partir de 1940 é que o centro recebeu os primeiros planos e projetos urbanísticos com intuito de organizar melhor a cidade.
Atualmente, o bairro centro concentra 2,12% da população total de Curitiba, em uma área de 3,28 km². Nessas proporções, a densidade demográfica do bairro é de 113,56 hab/ha, muito mais denso do que a média da cidade, que é de 40,30 hab/ha (IBGE, 2010). A posição do bairro em relação ao município pode ser observada na figura a seguir.
Figura 58 – Localização do bairro Centro em relação ao município de Curitiba Fonte: Autor
Embora o Museu seja destinado a todo estado paranaense, é necessário analisar as características do bairro quanto à sua população, para que as diretrizes projetuais possam também se moldar de acordo com a identidade do bairro. De acordo com o censo IBGE (2010), a população do Centro tinha idade média de 38,4 anos e mediana de 33,6 anos em 2010. Essa população pode ainda ser dividida em grupos, conforme segue abaixo:
Figura 59 – Distribuição da população do Centro de acordo com o sexo Fonte: Autor, de acordo com dados do IBGE 2010.
Figura 60 – Distribuição da população do Centro de acordo com a cor Fonte: Autor, de acordo com dados do IBGE 2010.
Em análise, pode-se observar que a população do Centro é predominantemente do sexo feminino, conforme onde esse ultrapassa em quase 3500 indivíduos o sexo masculino. Embora a população seja predominantemente branca, outros grupos apresentam números significativos, tais como pretos, amarelos, pardos e indígenas. A distribuição por faixa etária chama atenção para
dois grupos em especial, o de 20 a 24 e o de 25 a 29 anos. Esses grupos apresenta um desvio a tendência natural da pirâmide, que poderia ser explicada pelo grande número de estudantes que residem no centro pela facilidade de acesso a cursos e universidades.
Figura 61 – Pirâmide etária do bairro Centro Fonte: Autor, de acordo com dados do IBGE 2010.
Em análise, pode-se observar que a população do Centro é predominantemente do sexo feminino, onde esse ultrapassa em quase 3500 indivíduos o sexo masculino. Embora a população seja predominantemente branca, outros grupos apresentam números significativos, tais como pretos, amarelos, pardos e indígenas. A distribuição por faixa etária chama atenção para dois grupos em especial, o de 20 a 24 e o de 25 a 29 anos. Esses grupos apresenta um desvio a tendência natural da pirâmide, que poderia ser explicada pelo grande número de estudantes que residem no centro pela facilidade de acesso a cursos e universidades.
Trazendo essa realidade para o Novo Museu, pode-se observar que a criação de espaços que promovam discussões sobre diversidade de gênero e cultura no âmbito da memória será de grande valia, uma vez que esse projeto estará inserido em um bairro que conta com uma pirâmide etária consideravelmente
retangular, com destaque ao público de 20 a 29 anos, em idade acadêmico- universitária.
Quanto ao quesito renda, o bairro Centro destaca dois grupos, os que ganham entre 3 e 5 e 5 a 10 salários mínimos, que se contrasta com o grupo de 1 a 2 salários mínimos que predomina quando analisada a distribuição de renda de Curitiba como um todo. Esse poder aquisitivo garante maior acesso à cultura e educação, o que se reflete na taxa de alfabetização do bairro, que gira em torno de 99,39% para pessoas com 10 anos ou mais, contra os 97,97% de Curitiba em geral (IBGE, 2010).
Figura 62 – Comparação de distribuição de renda entre Centro e Curitiba Fonte: Autor, com base em censo IBGE 2010.
Em contrapartida, alguns índices negativos também se destacam neste bairro: a grande concentração de veículos (0,49 habitantes por veículo, contra 1,46 habitantes por veículos em Curitiba), o baixo nível de segurança (209 homicídios por 100.000 habitantes em 2010 contra 43 por 100.000 habitantes no restante de Curitiba no mesmo ano) e a baixa taxa de áreas verdes por habitante (5,24m² por habitante contra os 58,00m² por habitante na média geral de Curitiba).
Alguns dos principais equipamentos urbanos encontram-se atualmente no Centro, assim como as praças mais famosas conforme figura a seguir e no Anexo B.
Figura 63 – Localização dos equipamentos municipais do bairro Centro Fonte: Autor, com base em dados do IPPUC, 2014.
A escolha da região central para a construção do novo Museu vem não apenas com o intuito de aloca-lo numa posição geograficamente central, facilitando o acesso a partir de todos os bairros de Curitiba, ou apenas para manter o acervo na região que teve mais participação em sua criação, mas essa escolha é uma tentativa de fazer revigorar e reviver a própria história da imagem, do som, do cinema, da música e dos festivais, concursos e a própria cultura vida às ruas do Centro.
Além da própria história do MIS-PR, conforme visto em capítulo anterior, outras atrações colocavam o Centro de Curitiba em destaque quanto à promoção de cultura e lazer. Um grupo que se destaca nesse cenário, eram os cinemas de rua. Pessoas formavam filas nas calçadas dos mais de 15 cinemas de rua, para assistir desde filmes blockbusters internacionais até filmes cult alternativos. O “ir ao cinema” era visto como algo de glamour, e esse universo dos cinemas de rua em Curitiba, chamados hoje de Cinelândia, despertavam a fantasia e o imaginário de seus espectadores. Um desses cinemas, o Cine Avenida, foi o símbolo da era de ouro da “Cinelândia Curitibana” e pode ser observado na imagem abaixo.
Figura 64 – Interior do Cine Avenida Fonte: Reprodução/24Quadros
Esses cinemas de rua começaram sua história na cidade pelos anos de 1910. De 1930 a 1980 tiveram seu auge e, BORGES (2016), “O cinema era um acontecimento. O pessoal se arrumava para vir à sessão e formava filas e mais filas. Foi uma época boa, mas este tempo já passou e não volta mais”. Com a consolidação do sucesso comercial dos shoppings, que começaram a trazer os cinemas para seus interiores, juntamente com a popularização da TV e do VHS, os cinemas de rua começaram uma era de declínio ainda nos anos 70, e hoje seus traços estão quase completamente apagados, conforme linha do tempo abaixo:
Figura 65 – Linha do tempo dos cinemas de rua em Curitiba Fonte: Autor, com dados da Gazeta do Povo
Esses cinemas faziam parte de um circuito cultural e, juntamente com outras instituições, corroboravam para a formação do Genius loci 4 cultural do Centro. Os
cinemas de ruas se distribuíam pela região central, de acordo com a figura abaixo, e atualmente caracterizam, quase que em sua totalidade, espaços abandonados, subutilizados ou totalmente desfigurados em relação ao que foram durante a era de ouro da Cinelândia curitibana.
4 Genius loci é um termo latino que se refere ao "espírito do lugar", e é objeto de culto na
religião romana.
A associação entre espírito e lugar originou-se talvez da assimilação do Gênio aos Lares, a partir da era de Augusto (r. 27 a.C.-14 d.C.). Mas, de acordo com o Movimento Tradizionale Romano, o Genius loci não se confunde com os Lares, que são os gênios (genii) do lugar que o homem possui ou por onde ele passa, enquanto o Genius loci é o gênio do lugar habitado e frequentado pelo homem.
Modernamente, genius loci tornou-se uma expressão adotada pela teoria da arquitetura para definir uma abordagem fenomenológica do ambiente e da interação entre lugar e identidade. A expressão genius loci diz respeito, portanto, ao conjunto de características sócio- culturais, arquitetônicas, de linguagem, de hábitos, que caracterizam um lugar, um ambiente, uma cidade. Indica o "caráter" do lugar.
Figura 66 – Localização dos cinemas de rua da Cinelândia de Curitiba Fonte: Autor, com base em mapa da Gazeta do Povo, 2016.