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Novo Museu da Imagem e do Som do Paraná

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Academic year: 2021

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ARQUITETURA E URBANISMO

ALEXANDRE LUIZ HLENKA

NOVO MUSEU DA IMAGEM E DO SOM DO PARANÁ

TRABALHO DE CONCLUSÃO DE CURSO

CURITIBA 2018

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NOVO MUSEU DA IMAGEM E DO SOM DO PARANÁ

Trabalho de Conclusão de Curso apresentado como requisito parcial à obtenção do título de Bacharel em Arquitetura e Urbanismo, do Departamento Acadêmico de Arquitetura e Urbanismo, da Universidade Tecnológica Federal do Paraná.

Orientador: Prof Isuru Yamamoto

CURITIBA 2018

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TERMO DE APROVAÇÃO

Novo Museu da Imagem e do Som do Paraná

Por

ALEXANDRE LUIZ HLENKA

Este Trabalho de Conclusão de Curso foi apresentado em 22 de novembro de 2018 como requisito parcial para a obtenção do título de Bacharel em Arquitetura e Urbanismo.

A candidata foi arguida pela Banca Examinadora composta pelos professores abaixo assinados. Após deliberação, a Banca Examinadora considerou o trabalho aprovado.

Prof. Leticia Lodi UNIP

Prof. Gilson Werneck UTFPR

Prof. Yumi Yamawaki UTFPR

Prof. Isuru Yamamoto (orientador) UTFPR

UNIVERSIDADE TECNOLÓGICA FEDERAL DO PARANÁ

PR

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rico Estado, quer tenham sido eternizados pelas páginas da história, quer tenham sido condenados ao esquecimento.

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Agradeço nominalmente meus pais, Sr. Nicolau e Sra. Sonia, por incentivarem prioritariamente e incondicionalmente o meu desenvolvimento intelectual e moral, sempre me levando à busca pelo conhecimento, a Srta. Vanessa, por ter sido paciente e companheira.

Agradeço ainda aos professores Iaskara Florenzano e Isuru Yamamoto pelo apoio técnico e moral que possibilitou a realização do presente trabalho.

Agradeço à Francielly, pelo apoio, compreensão e ajuda durante esse período.

Agradeço a todas amizades que estiveram presentes nessa caminhada, me proporcionando momentos de alegria em meio à árdua empreitada. Agradeço ainda aqueles que ficaram pelo caminho, amizades que se desfizeram, paixões que se findaram, conversas e risos que deixaram de ecoar, acontecimentos e pessoas que pereceram ao esquecimento.

Ao povo brasileiro, que com seus impostos, financia instituições como a Universidade Tecnológica Federal do Paraná. Seu trabalho não será em vão. Seu nome poderá se perder em meios à tantos outros, sua história poderá deixar de ser contada, seu túmulo poderá sucumbir ao tempo, mas seu trabalho continuará vivo, como um espírito, evoluindo e transformando futuras gerações.

Se você, em algum momento, fez parte de minha vida, desse trabalho ou da temática por ele abordada, muito obrigado.

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que, mesmo bem documentado, ele tende a se tornar fugidio e imenso em sua extraordinária dimensão e variedade de situações. (LOWENTHAL, David, 1981).

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HLENKA, Alexandre Luiz. Novo Museu da imagem e do som do Paraná. 2017. 139 páginas. Trabalho de Conclusão de Curso (Bacharelado em Arquitetura e Urbanismo) - Universidade Tecnológica Federal do Paraná. Curitiba, 2017.

Esse trabalho tem como objetivo a investigação da “memória” como um fenômeno social. Estudando diversos autores, toma-se como objeto de estudo o Museu da Imagem e do Som do Paraná, analisando sua história através de inúmeros recortes de jornais históricos. Compreendidas as necessidades dessa instituição, parte-se para a investigação de elementos técnicos que viriam a corroborar com um projeto de museu ideal, que captura, recupera e comunica seu acervo. Constrói-se então um programa básico, diretrizes projetuais e dão-se outras orientações que nortearão o projeto.

Palavras-chave: Memória. Memória coletiva. Museu. Imagem e som. Patrimônio

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ABSTRACT

HLENKA, Alexandre Luiz. The New Museum of image and sound of Paraná. 2017. 139 pages. Term paper (Bachelor of Architecture and Urban Planning) - Federal Technology University - Parana. Curitiba, 2017.

This undergraduate thesis aims to investigate the “memory” as a social phenomenon. It is studied several experts at the subject. The Museum of Image and Sound of Paraná is taken as object of study, analysing its history through numerous frames in historical newspapers. Once the basic needs of this institution is defined, technical elements are investigated, trying to find important information that would corroborate with an ideal museum project, which captures, recovers and communicates its collections. Then it’s given a basic program, design guidelines, and other orientations that will guide the project.

Keywords: Memory. Museum. Image and sound. Material patrimony. Intangible

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LISTA DE FIGURAS

Figura 1 - Recorte do Jornal Diário da Tarde de 1968 ... 20

Figura 2 - Recorte do Jornal Diário da Tarde de 1969 ... 21

Figura 3 - Jornal Diário da Tarde sobre a inauguração, em 1974 ... 25

Figura 4 - Recorte do Jornal Correio de Notícias – 1985 ... 29

Figura 5 - O Palácio de Governo, na década de 1910. ... 32

Figura 6 - O Palácio da Liberdade, em 2015. ... 32

Figura 7 – Exposição permanente do museu Fonte: J. Dunha ... 34

Figura 8 – Exemplo de exposições de fotografias que ocorrem na instituição. ... 35

Figura 9 – Sistema de arquivo do atual MIS-PR. ... 35

Figura 10 – Biblioteca do MIS-PR Fonte: Casal Maraturista. ... 36

Figura 11 – Esquema de comunicação ... 54

Figura 12 - Esquema de organização de um museu em médio porte. ... 59

Figura 13 - Recepção do Museu do Amanhã - Rio de Janeiro ... 60

Figura 14 - Sala de treinamento Museu Benfica - Lisboa ... 61

Figura 15 - Galeria de Arte Brasileira do Século XIX – MNBA ... 62

Figura 16 - Auditório do Museu do Amanhã - Rio de Janeiro ... 64

Figura 17 - Sistema de arquivos deslizantes do Museu Benfica - Lisboa ... 65

Figura 18 - Sala de restauro e conservação do Museu Benfica - Lisboa ... 66

Figura 19 - Sede atual do MIS-RJ ... 70

Figura 20 - Renderização do projeto Diller Scofidio + Renfro ... 72

Figura 21 – Planta de implantação - MIS-RJ ... 73

Figura 22 - Planta pavimento térreo - MIS-RJ ... 73

Figura 23 - Planta subsolo - MIS-RJ ... 74

Figura 24 - Planta 1º pavimento - MIS-RJ ... 75

Figura 25 - Planta 2º pavimento - MIS-RJ ... 75

Figura 26 - Planta 3º pavimento - MIS-RJ ... 76

Figura 27 - Planta 4º pavimento - MIS-RJ ... 77

Figura 28 - Planta 5º pavimento - MIS-RJ ... 78

Figura 29 - Planta 6º pavimento - MIS-RJ ... 78

Figura 30 – Corte do MIS-RJ ... 79

Figura 31 - Perspectiva Interna - MIS-RJ ... 80

Figura 32 - Elevação frontal - MIS-RJ ... 81

Figura 33 - Perspectiva externa - MIS-RJ ... 81

Figura 34 - Vista externa do Museu do Amanhã ... 83

Figura 35 - Perspectiva esquemática Museu do Amanhã ... 84

Figura 36 - Esquema de uso das águas do Museu do Amanhã ... 85

Figura 37 - Recepção do Museu do Amanhã - RJ ... 86

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Figura 39 - Externa do Museu do Amanhã - RJ ... 87

Figura 40 - MIS-SP ... 89

Figura 41 – Corte esquemático MIS-SP ... 90

Figura 42 – Planta Térreo Bucarest ... 91

Figura 43 – Térreo Europa – Parte 1 ... 92

Figura 44 – Térreo Europa – Parte 2 ... 93

Figura 45 – Planta do Pavimento 1 e Mezanino ... 94

Figura 46 – Planta Pavimento 2 ... 95

Figura 47 - Iluminação Indireta - MIS-SP ... 95

Figura 48 - Espaços amplos e flexíveis - MIS-SP ... 96

Figura 49 - Espaço de exposições - MIS-SP ... 97

Figura 50 - Recepção - MIS-SP ... 97

Figura 51 – Recepção, com lanchonete, em uso ... 98

Figura 52 - Biblioteca - MIS-SP ... 99

Figura 53 – Espaço de exposição – Exposição Renato Russo ... 99

Figura 54 – Espaço de exposição – Exposição Renato Russo ... 100

Figura 55 – Exposição Renato Russo – Entrada da Exposição ... 101

Figura 56 – Exposição Renato Russo – Acervo de Rento ... 101

Figura 57 – Relação figura-fundo do atual MIS-PR ... 103

Figura 58 – Localização do bairro Centro em relação ao município de Curitiba ... 105

Figura 59 – Distribuição da população do Centro de acordo com o sexo ... 106

Figura 60 – Distribuição da população do Centro de acordo com a cor ... 106

Figura 61 – Pirâmide etária do bairro Centro ... 107

Figura 62 – Comparação de distribuição de renda entre Centro e Curitiba ... 108

Figura 63 – Localização dos equipamentos municipais do bairro Centro ... 109

Figura 64 – Interior do Cine Avenida ... 110

Figura 65 – Linha do tempo dos cinemas de rua em Curitiba ... 111

Figura 66 – Localização dos cinemas de rua da Cinelândia de Curitiba ... 112

Figura 67 - Localização do terreno do novo MIS-PR ... 113

Figura 68 – Vista 1: esquina Des. Ermelino de Leão com Dr. Carlos de Carvalho . 114 Figura 69 – Terreno selecionado dentro do Zoneamento de Curitiba ... 114

Figura 70 – Vista 02: esquina Des. Ermelino de Leão com Dr. Carlos de Carvalho 115 Figura 71 – Vista 03: esquina Cruz Machado com Voluntários da Pátria ... 116

Figura 72 – Caminho aparente do sol ... 117

Figura 73 – Ventos predominantes em Curitiba ... 117

Figura 74 – Mapeamento dos pontos de ônibus do entorno ... 118

Figura 75 – Análise de transito ... 119

Figura 76 - Fluxograma no novo MIS-PR ... 123

Figura 77 – Plano básico de ocupação ... 125

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SUMÁRIO 1INTRODUÇÃO ...13 1.1 DELIMITAÇÃO DO TEMA ...13 1.2 PROBLEMÁTICA ...13 1.3 OBJETIVOS ...14 1.3.1Objetivo Geral ...14 1.3.2Objetivos Específicos ...15 1.4 JUSTIFICATIVA ...16 1.5 METODOLOGIA ...16 2CONCEITUAÇÃO TEMÁTICA ...19

2.1 O MUSEU DA IMAGEM E DO SOM DO PARANÁ (MIS) ...19

2.1.1Análise da atual sede do Museu da Imagem do Som do Paraná ...31

2.1.2O Museu da Imagem e do Som hoje ...34

2.2 MEMÓRIA ...37

2.2.1A memória e a cidade ...45

2.3 MUSEOLOGIA ...48

2.3.1Histórico ...48

2.3.2Conceitos chave de museologia: ...51

2.3.2.1 Arquitetura museal ...51

2.3.2.2 Coleção ...53

2.3.2.3 Comunicação ...53

2.3.2.4 Educação ...55

3PROGRAMA DE NECESSIDADES DO NOVO MIS-PR ...57

3.1 RECEPÇÃO ...59

3.2 SALAS DE EXPOSIÇÃO ...61

3.2.1.1 Biblioteca e mapoteca ...62

3.3 AUDITÓRIO ...63

3.4 RESERVA TÉCNICA ...64

3.5 ESPAÇO ESPECIALIZADO PARA ATIVIDADES TÉCNICAS ...65

3.6 CLIMATIZAÇÃO ...66

3.7 SEGURANÇA ...67

4ESTUDO DE CASOS ...68

4.1 MUSEU DA IMAGEM E DO SOM DO RIO DE JANEIRO ...68

4.1.1A nova sede do museu ...70

4.2 MUSEU DO AMANHÃ – RIO DE JANEIRO ...82

4.3 MUSEU DA IMAGEM E DO SOM DE SÃO PAULO ...88

5INTERPRETAÇÃO DA REALIDADE ...102

5.1 O BAIRRO CENTRO ...104

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6DIRETRIZES PROJETUAIS ...120

7CONCLUSÃO ERRO! INDICADOR NÃO DEFINIDO. REFERÊNCIAS ...130

ANEXO A ...134

ANEXO B ...138

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1 INTRODUÇÃO

1.1 DELIMITAÇÃO DO TEMA

O presente trabalho tem como objetivo a concepção de um novo museu, dedicado ao resgate, conservação, restauro, exibição, estudo e a criação de materiais audiovisuais relacionados à memória do Paraná e de seu povo.

Tomando como objeto de estudo o atual Museu da Imagem e do Som do Paraná, pretende-se, utilizando de conceitos de museologia moderna e novas tecnologias, criar espaços que permitam ao público em geral a interação, estudo e a vivência da memória audiovisual do estado do Paraná. Fundamentando-se em trabalhos como o de Maurice Halbwachs, Juan Rico, Tânia Mendonça e Maurício de Almeida Abreu, almeja-se, com um projeto arquitetônico museal, permitir a experiência e criação de uma memória coletiva democrática ao cidadão paranaense. Assim como as memórias e aprendizados individuais apenas continuam a existir pelo estímulo e vivência direta ou associativa, o mesmo fenômeno se percebe nas memórias coletivas (HALBWACHS, 1990). Dessa forma, o museu visa a criação de espaços onde os usuários possam experimentar a história de forma interativa e atrativa, fazendo com que a memória audiovisual do Estado seja revivida, prolongando-a ou, até mesmo, perpetuando-a.

1.2 PROBLEMÁTICA

Embora haja espaços dedicados à exposição, estudo e conservação de materiais audiovisuais relacionados à história do Paraná em Curitiba, eles se encontram esparsos, com acervos, em sua maioria, longe do público comum, não permitindo a ampla e fácil pesquisa a seus usuários.

O atual Museu da Imagem e do Som de Curitiba, conforme constatado em visitas e pesquisa, embora possua um relevante acervo audiovisual, oferece ao amplo público apenas exposição de filmadoras, projetores, radiolas, TV’s e outros equipamentos. Algumas amostras de fotos são encontradas pelas paredes ao longo do museu, mas o grande acervo encontra-se sob acesso restrito. Essas medidas

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foram necessárias ao longo da história para evitar o vandalismo que o acervo vinha sofrendo.

Conhecer as ferramentas que possibilitaram a geração de tão rico acervo, sem dúvida é uma experiência que desperta o interesse do público de todas as faixas etárias. Esses materiais, reflexo da tecnologia da época, também escrevem linhas na história. Porém, se deparar com uma vastidão desses equipamentos num museu da imagem e do som sem poder mergulhar de fato na história que eles capturaram, é uma experiência frustrante. Seria o mesmo que ir em um museu de arte para contemplar pincéis antigos, ou então em um museu da poesia para vislumbrar pilhas de papéis velhos à espera de escrita.

Depois de quase meio século de existência, com um acervo que ultrapassa um milhão de objetos e inclui testemunhos únicos da história, o museu parece ainda estar largado à sua própria sorte, sempre se adaptando às dificuldades e subsistindo. Nesse processo de adaptação às condições desfavoráveis, muitas das atividades que eram vistas com louvor e que formavam as bases fundamentais do museu foram se perdendo. Perdas decorrentes da falta de espaço apropriado, mudanças frequentes de local e, ainda mais grave, um período de esquecimento, com acervo encaixotado. Fatores esses que parecem colocar em risco a memória atrelada ao material ao qual o museu se propõe a guardar.

Com base nesses indícios, estariam as estruturas física e organizacional do Museu da Imagem do Som do Paraná adequada às atividades de conservação e divulgação de memória às quais se propõe?

1.3 OBJETIVOS

1.3.1 Objetivo Geral

O presente trabalho de pesquisa tem como objetivo entender a memória como um fenômeno social e coletivo, compreendendo o papel dos museus nesse contexto. Alcançada essa fundamentação, busca-se então um formato de museu da imagem e do som que permita aos usuários uma experimentação viva da memória coletiva e democrática do estado, através de materiais audiovisuais interativos e acessíveis. Utilizando-se da tecnologia, pretende-se trazer ao acesso do amplo

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público a totalidade do acervo do museu, para que a população possa usufruir, mesmo que de forma digitalizada, de tudo aquilo que foi guardado por ela e para ela.

1.3.2 Objetivos Específicos

Os objetivos específicos são:

 Estudar a viabilidade de um novo Museu da Imagem e do Som para Curitiba, com edificação projetada especificamente para as peculiaridades do resgate, conservação, armazenamento, restauro e exibição de diversos tipos de mídias que guardem as memórias audiovisuais da história do estado e de seu povo.

 Criar espaços dedicados ao restauro de mídias audiovisuais, com ambientes apropriados ao treinamento de pessoal com as técnicas aplicadas a essa atividade.

 Propor espaços destinados ao armazenamento do acervo, com temperatura e iluminação controlada, permitindo que esses materiais possuam uma vida longa e duradoura.

 Criar espaços de exibição interativos, onde a totalidade do acervo possa estar acessível ao público em geral, seja em sua mídia original ou no formato digitalizado, possibilitando o conceito de “memória viva”.

 Criar espaços, de acesso controlado, dedicados ao estudo de mídias originais.

 Propor espaços dedicados ao resgate de memórias, onde os usuários possam contribuir com o acervo e com a perpetuação da memória, seja por meio de doações de materiais, digitalizações ou contando histórias que ficarão armazenadas e acessíveis aos demais usuários.

 Possibilitar espaços de gravação de entrevistas, nos quais possam ser retomadas as atividades de perpetuação da memória de personalidades, de costumes e outros elementos efêmeros relativos à vida social.

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1.4 JUSTIFICATIVA

A memória, fruto da convivência social e do compartilhamento de experiências e do espaço, se modifica e se adapta cada vez que relembrada, e é ela que, nesse processo, continuamente modifica e transforma a cultura de uma sociedade (HALBWACHS, 1990). A memória não pode ser imposta com recortes ditos “oficiais” e ditatoriais, mas deve ser construída de forma democrática por toda a comunidade (ABREU, 1998). Fatos do cotidiano, tradições de famílias e de comunidades, itens folclóricos e tantas outras manifestações culturais imateriais devem ser preservadas com dignidade, em um espaço que seja um local de relembrar, reviver e recontar a história.

Patrimônios materiais, por mais que suscetíveis à ação do tempo e à extinção, possuem por si só a garantia da existência. Entretanto, diversas manifestações culturais e artísticas, tidas como patrimônios imateriais, dependem de recursos de mídias que lhes permita durar além da efêmera memória humana. O atual crescimento do movimento de valorização do passado, fazendo frente à supervalorização do futuro abre portas para um rico cenário de discussões e despertam a atenção para a extrema importância do resgate e conservação do acervo patrimonial histórico que as cidades possuem e que muitas vezes se encontram esquecidos e abandonados (ABREU, 1998).

A memória das cidades, composta de memórias individuais e coletivas que interagem em um espaço, precisa estar sendo vivenciada, experimentada e estudada, não apenas para lhe garantir existência e formação de vínculos com a sociedade que a gerou, mas também para fazer cumprir o seu papel social, conforme abordado nesse estudo.

1.5 METODOLOGIA

O presente trabalho teve início no estudo da história do Museu da Imagem e do Som do Paraná. Esta etapa do trabalho consistiu primeiramente em análise minuciosa de recortes de jornais digitalizados com a tecnologia OCR (optical character recognition) e disponibilizados no acervo virtual da Biblioteca Nacional Digital. Tal tecnologia de digitalização permitiu a pesquisa pelos termos “museu” e

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“imagem”, condicionando a pesquisa pelo filtro de jornais paranaenses, encontrar mais de três mil resultados, dos quais cerca de dois mil eram relacionados a passagens do MIS-PR pela história. Esse estudo permitiu construir uma linha do tempo que, contextualizada com a história da cidade e do estado, assim como de outros museus da categoria que se faziam relevantes à época, levou a entender cronologicamente os acontecimentos marcantes da instituição e atrelá-los a causas e consequências. Esta etapa de estudo foi de crucial importância para compreender o papel da instituição e de seu trabalho pioneiro no estado do Paraná.

Complementando a parte de investigação do MIS-PR, foi realizada uma visita à instituição para contemplar a experiência de usuário. Posteriormente foi estabelecido diálogo com o corpo técnico do museu, que deu informações e orientações relevantes sobre a instituição e sugestões bibliográficas.

A etapa seguinte foi dedicada à compreensão do fenômeno “memória”, suas formas de manifestação e seu valor para os indivíduos e para a coletividade de uma sociedade. Com investigação bibliográfica, tendo como fonte de pesquisa nomes como o de Halbwachs e Loftus, estudou-se a memória individual e coletiva, entendendo-as como fruto de estímulos ambientais e ponto de congruência das interações sociais. Esse estudo teria papel fundamental importância para compreender a etapa seguinte, onde viria a ser investigado o fenômeno da museologia.

Seguindo os estudos, uma vez conceituada memória, avançou-se para o estudo teórico bibliográfico sobre museologia e seu papel social. Investigou-se também o fenômeno da museologia propriamente dito pela história e sua formalização institucional atual pelos documentos virtuais das instituições responsáveis pela regulamentação museal.

Complementando então esses estudos, partiu-se para a investigação bibliográfica sobre elementos técnicos de museu, orientações para conservação, exibição e tratamento de acervos.

Estudo de casos foram feitos para entender como os museus materializam na prática os discursos sociais e técnicos. Para tal, o Museu da Imagem e do som do Rio de Janeiro, o Museu do Amanhã e o Museu da Imagem e do Som de São Paulo foram analisados, sendo que para a análise do último, uma visita à instituição foi realizada, para experimentação visual e coleta de dados.

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Finalizando então o trabalho de pesquisas, um programa básico foi criado, com análise dos programas de outros museus da mesma categoria e de acordo com as necessidades específicas do acervo atual do MIS-PR.

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2 CONCEITUAÇÃO TEMÁTICA

2.1 O MUSEU DA IMAGEM E DO SOM DO PARANÁ (MIS)

Mais de 1 milhão de itens que contém a memória e registros únicos da história do Paraná, e que compõem o acervo do Museu da Imagem e do Som do Paraná, estão ameaçados de extinção, sofrendo com o encaixotamento descuidado. Com a falta de catalogação e resgate de mais memórias, o museu encontra-se carente dos serviços que deveriam estar compondo ativamente a cartela de serviços primordiais do museu.

O atual Museu da Imagem e do Som do Paraná tem como um de seus principais objetivos históricos a preservação e a conservação da memória audiovisual do Paraná. Isso fica evidenciado quando analisados os números de seu acervo: mais de 1 milhão de itens, que se dividem em fotografias, negativos, discos de vinil, depoimentos, fitas de áudio, fitas cassete, documentos e filmes, além de contar com mais de 600 equipamentos utilizados para manipular, exibir e gerar esses materiais, tais como câmeras, radiolas, TV’s, projetores entre outros (SECRETARIA DA CULTURA DO ESTADO DO PARANÁ, 2017).

Segundo o site da Secretaria da Cultura do Estado do Paraná (2017), o espaço conta com uma biblioteca com mais de dois mil volumes como livros e periódicos sobre cinema, fotografia, memória e áreas afins. Todo esse acervo encontra-se disponível para pesquisadores, que devem requerer acesso previamente (BAÚ, 2014). O público em geral pode conhecer o espaço, a coleção de equipamentos e eventuais exposições, que ficam disponíveis ao público de terça a sexta feira, das 9h às 17h e aos sábados, domingos e feriados das 10 às 16h.

O acervo teve origem por uma iniciativa da Biblioteca Pública do Estado do Paraná. Conforme recorte do jornal Diário da Tarde (1968) na figura 1, a iniciativa teve como objetivo guardar para a posteridade a voz de todas as personalidades do Paraná. De acordo com o jornal, a secretaria da Biblioteca Pública do Paraná afirmou que a primeira personalidade a ter voz gravada e incorporada ao acervo seria, o então govenador, Paulo Pimentel. Posteriormente foram anunciados os nomes dos outros “primeiros hóspedes paranaenses” do museu: o presidente do

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Legislativo, Erondy Silvério; e o arcebispo de Curitiba, d. Manuel da Silveira D’Elboux.

Figura 1 - Recorte do Jornal Diário da Tarde de 1968

O museu da Imagem e do som do Paraná foi baseado no Museu da Imagem e do Som de Guanabara e, segundo o Jornal, as gravações por ele realizadas estariam então à disposição do público, sendo que algumas delas viriam a ser gravadas em discos, para disseminar com maior facilidade e garantir prolongada duração ao material. A intenção era de gravar depoimento de todas as figuras paranaenses - fossem elas pintores, escritores, poetas, políticos, compositores, escultores. Acreditava-se, desde o início, no potencial e na importância histórica desse projeto, o que pode ser notado em depoimento de um funcionário da biblioteca ao jornal, onde ele afirma que “o empreendimento poderá se estender até mesmo para fins didáticos” (DIÁRIO DA TARDE, 1968).

Embora a inauguração estivesse prevista para setembro de 1968, somente em 26 de março de 1969 o Jornal Diário da Tarde (1969) noticiou a inauguração do Museu, que seu deu no dia anterior, juntamente com a inauguração da sala braile e

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a abertura da exposição do Museu Histórico, na Biblioteca Pública do Paraná. Ainda nesse recorte de jornal (figura 2) ficam evidenciadas algumas das políticas e intenções que haviam por trás da criação desse museu. Cita-se que os planos eram de atender os setores de música erudita, música popular, cinema e folclore. No setor de música erudita, previa-se a construção de um acervo formado pelas gravações de concertos realizados em Curitiba; no folclore, previa-se a criação de um acervo com gravações de danças e cantos de danças do Paraná; enquanto na área de cinema almejava-se catalogar todos os filmes produzidos no estado e adquirir cópias de todos aqueles que tivessem relevância histórica e artística.

Figura 2 - Recorte do Jornal Diário da Tarde de 1969

O museu, já para a época, apresentava uma formatação diferente e despertava o interesse da imprensa e daqueles envolvidos nas áreas às quais o museu se dedicava. O Diário da Tarde (1969) destacou que o MIS-PR cumpria sua finalidade ao transmitir a cultura técnica, artística e histórica à todas as camadas da população curitibana. Destacou ainda que foi louvável a iniciativa de instalar uma discoteca no segundo andar da Biblioteca Pública do Paraná, e que esse espaço estava se tornando um ponto de encontro para todos aqueles que estivessem interessados em entrar em contato com o mundo da música.

O MIS-PR teve início no mesmo momento em que estava se colocando em prática um movimento de interiorização da cultura. O jornal Diário do Paraná (1969) destacou que o programa do governo pretendia levar às regiões interioranas atividades culturais que até então eram privilégios quase que exclusivos daqueles

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que habitavam a capital. Uma semana de atividades culturais denominadas de “É tempo de cultura” pretendia levar ao interior do estado peças de teatro, concertos, recitais, exposições, apresentações folclóricas, cursos de artes, bibliotecas volantes, palestras e conferências. O MIS-PR, ainda na iminência da inauguração, se fazia parte ativa nesse programa. Esse, por sinal, seria um papel de destaque que o Museu desempenharia nos anos posteriores. A realização de cursos e concursos culturais foi responsável por disseminar a cultura de várias formas a diversos grupos sociais, chegando a ser considerado “um grande veículo de integração nacional e promoção dos valores culturais do país” (DIÁRIO DO PARANÁ, 1969).

O desempenho das atividades iniciais do Museu era visto com otimismo tanto pelo setor político quanto pelos setores artísticos e culturais. Ele viria justamente a colocar Curitiba em uma posição de destaque no plano cultural do país (DIÁRIO DO PARANÁ 1969).

“Muitas vezes que já falei, me arrependi; mas quando calei, nunca foi

preciso”. Essa foi uma das frases deixadas pelo maestro Bento Mussurunga, na primeira entrevista do MIS-PR que foi registrada em 1969 pela professora Rossolys Roderjam, quando o maestro tinha 90 anos, depois dele ter se recuperado de uma doença que o levou a leito durante muito tempo. Ele viria a falecer um ano depois, e deixou registrada em fita, nessa entrevista, toda a sua filosofia. Na mesma ocasião, Bento Mussurunga cedeu ainda recortes catalogados desde 1896 (DIÁRIO DA TARDE 1969). Acontecimentos como esse, onde se registrariam depoimentos que criariam documentos de grande relevância histórica e sem par em outro acervo, se repetiriam ao longo da história do museu.

Embora fosse de amplo conhecimento a importância dos trabalhos desenvolvidos pelo MIS-PR, já entre 1969 e 1970 encontram-se indícios das primeiras dificuldades que o museu viria a enfrentar e que seriam constante obstáculo ao seu processo de expansão e estruturação. Os materiais usados para as gravações, assim como os equipamentos, eram de elevado custo e, com verbas limitadas, o museu não se via em condições de continuar a gravar importantes materiais para seu acervo. Por ter sido criada por Portaria da própria Biblioteca Pública do Paraná, a instituição encontrava-se impossibilitada de conseguir a verba de Cr$ 20 mil que seriam necessárias para levar a cabo as atividades pretendidas para aquele ano. Até ali, a instituição contava já com grandes depoimentos

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históricos, tais como o de Bento Mossurunga, Roberto Schnorremberg, Wilson Martins e Temístocles Linhares. Apesar das dificuldades financeiras, o corpo técnico da Biblioteca continuava seus trabalhos e fazia planos para continuar as atividades, coletando mais depoimentos para enriquecer o pioneiro acervo do estado (DIÁRIO DA TARDE, 1970).

Além dessas dificuldades, o MIS-PR, assim como tantas outras instituições do país, teve que enfrentar a pesada censura que por tantas vezes obscureceu a rica expressão cultural e artística. Almeida (1970) retrata essa situação, na coluna “Comentário do dia”, no Jornal Diário da Tarde.

É contristador verificar-se que os circuitos de cinema de arte, inclusive o Museu da Imagem e do Som, estejam sujeitos à uma seleção prévia dos censores federais, a quem entregamos, forçados, o juízo de nosso gosto estético.

São eles os críticos primeiros da nossa crítica, e como viciaram a capacidade de julgamento na censura de filmes destinados ao grande público, impõem toda uma gama de convencionalismos a setores mais sofisticados da inteligência brasileira. (ALMEIDA, 1970).

A somar-se às essas dificuldades, o espaço físico da BPP – limitado, abarrotado e partilhado por diversas entidades – não era apropriado ao desenvolvimento de todas aquelas atividades às quais o museu almejava. Já em 1969 a BPP abrigava onze outras instituições: Sociedade dos Astrônomos Amadores, Sociedade de Surdos e Mudos do Paraná, Clube dos Soroptimistas, Foto Clube do Paraná, Centro Cultural Dário Velloso, Academia de Letras José de Alencar, Sociedade Medianeira, Comissão de Concursos da Secretaria de Educação, Conselho Estadual de Educação e Coral da Pró-Música (DIÁRIO DO PARANÁ, 1969).

Um dos episódios mais decepcionantes que viria a surgir nesse cenário de dificuldades que se faziam frente ao desenvolvimento do museu, constatou-se em notícias do ano de 1971, justificando algumas medidas restritivas impostas. A BPP relatou atos de vandalismo praticados por seus usuários, que incluíam desde páginas de livros queimadas por cigarro (até aquele momento permitia-se fumar nas dependências da instituição), vandalismo nos banheiros, até depredação de

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equipamentos e de acervo em geral. A discoteca teve as atividades interrompidas em ocasião desses acontecimentos, e posteriormente viria a justificar certas medidas protetivas e restritivas que o Museu tomaria (DIÁRIO DO PARANÁ, 1971).

A depredação do acervo, tanto da BPP quanto do MIS, por atos de vandalismo, se prolongava, a ponto de ser necessário fazer uma exposição de conscientização. Tal evento aconteceu em 1972 e expôs materiais raros e caros que sofriam cortes, rasuras, rasgos e queimaduras pelas mãos dos vândalos. Enciclopédias de alto valor e livros de tiragem única eram destruídos, sendo que alguns deles alcançaram ponto de depredação de impossível restauração (DIÁRIO DO PARANÁ, 1972).

A interdisciplinaridade, obrigatoriamente almejada quando se trata de museus, e o desejo de despertar o interesse pela instituição em todos os grupos sociais, se refletia na variedade de exposições trazidas ao público. Um bom exemplo disso foi a exposição realizada em 1971, em alusão ao 47º aniversário do Atlético Paranaense, onde “as glórias passadas” poderiam ser revividas pelos torcedores em uma retrospectiva de itens do clube (DIÁRIO DA TARDE, 1971).

O papel ativo social do museu se fazia presente de diversas formas. Debates eram promovidos para discutir assuntos variados, como observa-se em uma das chamadas do Diário da Tarde (1973), onde pode-se ler:

DEBATES: O Museu da Imagem e do Som do Paraná estará realizando, no próximo dia 13, às 20h 30m, no auditório da Diretoria de Assuntos Culturais, a Rua Ébano Pereira, 240, 2º andar, debates sobre Artes Plásticas. Na oportunidade, o Museu estará gravando e filmando os artistas presentes, para que os depoimentos fiquem arquivados, enriquecendo o seu acervo. (Diário da Tarde, 1973)

O caráter inovador e ativo do Museu se manifestava em todos os campos artísticos. Prova tal caráter da instituição a matéria de Vaz (1973), onde se fez registro do Primeiro Festival Brasileiro de Filme Super 8, promovido pela Secretaria da Educação e Cultura, através do Museu da Imagem e do Som. Contou com participação de expoentes da cinematografia, tais como Jean-Claude Bernadet e Silvio Back. Brasileiros de todo o país poderiam participar do concurso de filme

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promovido na ocasião e, ao vencedor, pagar-se-ia a quantidade de “cinquenta mil notas em equipamentos”.

Em 1974, depois de o MIS-PR ter funcionado por quase dois anos na Secretaria de Estado da Cultura, fazia-se noticiar a inauguração do prédio que passaria então a abrigar o Museu de Arte Contemporânea, o Museu da Imagem e do Som e o Conselho Estadual da Cultura (figura 3), sendo que esses dois últimos ocupariam anexos da edificação. Esse edifício foi projetado inicialmente, em 1928, para abrigar a Secretaria de Saúde Pública. Entretanto, com a mudança dessa Secretaria para a Barão do Rio Branco, o espaço passou a abrigar a Secretaria do Trabalho. Na mesma época estampavam os jornais as notícias da inauguração do teatro Guaíra, que depois de 20 anos de construção, finalmente passaria a estar à disposição da sociedade curitibana (DIÁRIO DA TARDE, 1974). Mesmo durante esse período de mudança de sede, o Museu continuava funcional e produtivo, divulgando cursos de fotografia, concurso de cartazes entre outros.

Figura 3 - Jornal Diário da Tarde sobre a inauguração, em 1974

Destacava-se em 1974, em jornais da época, que o museu, que até então havia funcionado em sedes não próprias, finalmente passaria a ser instalado

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definitivamente no antigo prédio da Secretaria do Trabalho e Assistência Social, que após ser desfigurado, passou a ser reconstruído, conforme projeto original, a partir de 1972 (DIÁRIO DA TARDE, 1974).

À ocasião da inauguração das novas instalações do museu, o então Secretário da Educação e Cultura, Cândido Martins de Oliveira, em discurso, afirmou que através da cultura e da educação, instrumentalizados através do Museu da Imagem e do Som do Paraná, desejava-se que...

[...] cada homem seja uma individualidade e uma personalidade-componente de uma que deve receber todos os benefícios da técnica moderna, sem esquecer que ao lado das necessidades materiais, há uma fome espiritual permanente e interior, só saciada pelos bens culturais ao alcance de todos. (DIÁRIO DA TARDE, 1974)

A nova sede parece ter desencadeado uma nova onda de estímulos culturais, evidenciada em recortes de jornais que citavam o MIS-PR, nos quais são perceptíveis a variedade de atividades e o interesse de mais uma vez manter viva a cultura e a educação através de diversas modalidades educacionais relacionadas à memória e à imagem do Paraná.

Em 1975, ratificava-se o papel educativo no Museu quando ele passou a operar a então denominada Filmoteca Educativa. Esse trabalho, que ressonava com as metas da Secretaria do Estado da Cultura (SEEC), estimulava e subsidiava tecnicamente professores a utilizarem materiais audiovisuais no complemento educacional de seus alunos. Nesse programa, alunos de 1º e 2º grau passavam a assistir aulas com elementos altamente ilustrativos. Projeções de filmes, que tinham como título, por exemplo, “O Tiradentes”, “Um Rei Fabuloso”, “Ondas, Calor”, “Transamazônica”, “Visão Apocalíptica do Radinho de Pilha”, “Arte Brasileira” e “Os Melhores do Mundo”, de até 15 minutos, traziam uma nova dimensão para os temas abordados em sala de aula (DIÁRIO DA TARDE, 1975). Vale a pena ressaltar a importância dessa iniciativa e o seu caráter inovador pioneiro em uma era sem internet, onde o acesso a materiais educativos audiovisuais era bastante restrito.

Os concursos promovidos pelo MIS-PR prestavam um serviço de mão dupla: ao mesmo tempo em que estimulava pessoas do país inteiro a despertarem seus lados artísticos e culturais - inclusive oferecendo premiações em dinheiro,

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equipamentos e medalhas - também aumentava seu próprio acervo com os materiais submetidos aos concursos. Tal fato observa-se na chamada para um concurso fotográfico promovido em 1976, cujo tema seria “Imagens paranaenses”, onde se pode ler:

[...] Todos os slides e fotos concorrentes tornar-se-ão, automaticamente, propriedade do Museu da Imagem e do Som. Máquinas fotográficas e medalhas de ouro, prata e bronze serão os prêmios conferidos do primeiro ao quinto lugar (DIÁRIO DA TARDE, 1976).

O amplo envolvimento do Museu na promoção de cultura e artes, em parcerias com o Teatro Guaíra e com o Museu de Arte Contemporânea, e seu funcionamento em sede própria, dita então “definitiva”, de 1974 a 1981, não pouparam o Museu de ser mais uma vez submetido a outra instalação provisória. Noticiava-se que ele estava instalado temporariamente na Coordenadoria da Comunicação Cultural da Secretaria da Cultura e do Esporte. Dizia-se que ali continuaria a desempenhar normalmente as atividades de recuperação de folclore, de gravação e de filmoteca. Dizia-se ainda que ali ele permaneceria até que as suas novas instalações, mais uma vez ditas definitivas, ficassem prontas, na Barão do Rio Branco, antiga Secretaria da Justiça. Estimava-se que essa instalação ocorreria no início do ano seguinte, em 1982 (DIÁRIO DA TARDE, 1981).

Em 1981, a autonomia legal que o Museu conquistou ao longo dos anos, se provou de pouca valia, já que de 1981 a 1984, segundo a Secretaria da Cultura do Estado do Paraná (2017), o MIS ficou desativado, sendo seu acervo alocado de forma esparsa e dispersa: parte de sua coleção ficou encaixotada na antiga sede, parte numa sala da Secretaria da Cultura, e o mobiliário ficou ainda em outro espaço, privando a população e pesquisadores do acesso ao acervo do Museu.

Nesse período, é evidente o desaparecimento gradativo do MIS das páginas dos jornais. Parece entrar em uma era de declive, sem as constantes chamadas e anúncios de concursos e cursos, tão presentes nas páginas de épocas precedentes. Evidenciando a gravidade da situação, o deputado Mário Celso traria à público a denúncia da omissão do Governo quanto à conservação do patrimônio paranaense. Ele afirma, em entrevista, que muitos filmes que marcavam a história paranaense estariam desaparecendo por falta de cuidado e proteção. Filmes, que datariam da

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década de 1930, dentre documentários e jornais de tela, estariam perecendo pela falta de cuidado. Segundo ele, seriam mais de trezentas latas de filmes – dentre elas algumas contendo películas auto inflamáveis de nitrato, que poderiam trazer uma destruição ainda maior – que estariam se perdendo, levando com elas grande parte da história sem que houvesse uma preocupação institucional em acomodar todo o acervo de forma adequada. O deputado acusa ainda a instituição de estar direcionando suas verbas mais à publicidade do que às atividades que seriam suas atribuições básicas. Nas palavras dele, isso constatava-se um “crime de omissão” por parte do Governo (DIÁRIO DA TARDE, 1981)

Mais reportagens jornalísticas viriam a denunciar o descaso do Governo com a importante instituição do MIS-PR. Uma dessas passagens se encontra na ocasião da nomeação do novo diretor em 1984, onde se diz: “Todos os últimos diretores do

museu deixaram o cargo amargurados com a falta de recursos e o estado de abandono em que se encontra essa parte de nossa memória. Que Antônio tenha

mais sorte” (CORREIO DE NOTÍCIAS, 1984).

O Correio de Notícias (1985) divulgou a abertura do museu para o dia 29 de maio de 1985. Ele voltaria a reabrir com a exposição “Registros Pictográficos nos Presídios Estaduais”, que viria a retratar as formas expressas por presidiários nos passados 100 anos. Essa reabertura foi descrita, em edição posterior do mesmo jornal, como portadora de propostas que viriam a romper a tradição do didatismo e apresentar uma função específica de provocação da reflexão.

O Governo do Estado do Paraná chegou a cogitar a compra de terreno para instalação do MIS nesse ano. Procuravam na ocasião, um imóvel de 700 a 1200m² no centro da cidade, conforme recorte na figura 4, todavia tal ideia não foi levada à diante.

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Figura 4 - Recorte do Jornal Correio de Notícias – 1985

Em 1984 o MIS-PR foi novamente realocado, agora em uma edificação na Rua XV de novembro e, dois anos depois, em 1986, o museu foi transferido para a sede da Rua Martin Afonso. Foi somente em 1989 que o museu conheceria pela primeira vez o espaço da atual sede, na Rua Barão do Rio Branco, que foi o antigo Palácio do Governador (SECRETARIA DA CULTURA DO ESTADO DO PARANÁ , 2017).

Depois de um baixo índice de atividades e raras aparições nos jornais, fatores diretamente relacionados à falta de espaço apropriado, em 1989 o MIS volta a aparecer em matéria de jornal com o texto:

Depois de muitas idas e vindas, o MIS muda de vez para o prédio do antigo Palácio do Governo (Rua Barão do Rio Branco, 395). Entre as tintas barrocas e neoclássicas desta construção de fins do século passado, pesquisa-se vídeo e fotografia, promove-se cursos e exposições, e de quebra resgata-se a memória iconográfica paranaense com a edição de boletins. (NICOLAU, 1989).

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Matéria do Jornal Correio de Notícias (1989) viria a retratar esse mesmo episódio da história, com uma visão bastante sintética do que estava ocorrendo com a instituição do MIS-PR. Na reportagem do dia 24 de fevereiro de 1989 podia-se ler:

Em 20 anos de existência o Museu da Imagem e do Som já passou por todas as agruras que poderia passar, inclusive cinco mudanças de lado para outro. Pela sexta vez ele vai para um novo endereço, agora definitivo – deixa as tímidas instalações da Martin Afonso, esquina com a Visconde de Nacar, para uma ampla casa na Barão do Rio Branco, 395, antigo palácio do Governo. O majestoso prédio serviu de sede para o primeiro governo da República do Paraná e, portanto, esta conquista para o MIS incorpora-se às comemorações dos 100 anos da República.

O final feliz – um local condizente para a existência do museu – deve-se a um conjunto de fatores, principalmente o interesse do governador Álvaro Dias e o empenho do secretário da cultura, René Dotti, segundo comentários do atual diretor do MIS, Valêncio Xavier. Por trabalhar com o registro da dinâmica da memória, através de sons e imagens, este é um tipo de estabelecimento que foge às características dos demais museus. No Paraná, ele existe de 1969, mas as dificuldades enfrentadas foram tantas que foi desativado em 1980. Ficou encaixotado até 85, quando voltou com seu acervo danificado, diversos equipamentos desaparecidos.

No entanto, desde 1984 ele vinha sendo discutido e reavaliado. Destes estudos resultou-se na formalização de ocupar-se com duas áreas de pesquisa e formação de um novo acervo: Sociedade e Trabalho, Comunicação e Linguagem. Para proteger o material que restara e também àquele que viria futuramente, foi adotada uma postura de catalogação normatizada.

Inauguração – Os equipamentos e material administrativo do MIS estão sendo transferidos para o novo endereço. Sua inauguração deve acontecer dentro de uma semana, aproximadamente, quando toda mudança estiver concluída. Para marcar esta nova etapa, Valêncio Xavier pretende realizar uma longa sessão de vídeo e fitas, com duração de quatro horas – começa às 14 e termina às 18 horas. A experiência, diz o diretor, se repetirá em outros dias.

Já foram acertadas quatro exposições, que terão lugar no museu: de fatos sobre cinema de Oswaldo Candeias, com projeção de slides; de uma coleção de gramofones antigos de Joel Mendes; das fotos de Guilherme

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Gluck, o pioneiro dos fotógrafos paranaenses, que a lombo de burro viajava para registrar desde casamentos e batizados e piqueniques em todo o interior do Paraná, guardando as imagens como crônicas de uma época. ” (Diário de Notícias, 1989).

Esse novo espaço passaria a ser considerado o espaço definitivo do MIS somente em 2002, quando o Governo Federal transferiu a propriedade do imóvel para o Estado com o objetivo específico de criar uma nova sede para o Museu (SECRETARIA DA CULTURA DO ESTADO DO PARANÁ , 2017).

2.1.1 Análise da atual sede do Museu da Imagem do Som do Paraná

A edificação do Museu foi construída entre os anos de 1870 e 1890 pelo engenheiro de origem italiana Ernesto Guaita. Tombado pelo Estado em 20 de junho de 1977, é considerado Patrimônio Histórico e Cultural, inscrito no Livro do Tombo sob n°59, processo 60/77. Assim como as demais obras de Guaita, essa edificação segue o estilo eclético, com uma linguagem neoclássica evidenciada pela simetria e elementos greco-romanos (a edificação pode ser observada em dois momentos diferentes nas figuras 5 e 6). Sua implantação, caracterizada pelo alinhamento da testada e mais afastada dos demais limites do terreno, assim como o seu porte monumental, evidenciam um partido arquitetônico característico, na época, apenas das edificações mais nobres da cidade. (SECRETARIA DA CULTURA DO ESTADO DO PARANÁ, 2017)

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Figura 5 - O Palácio de Governo, na década de 1910. Fonte: Instituto Histórico e Geográfico do Paraná.

Figura 6 - O Palácio da Liberdade, em 2015. Fonte: Secretaria de Estado da Cultura.

A edificação do antigo Palácio do Governo, que foi inicialmente idealizada para abrigar a residência de Leopoldo Ignácio Weiss, após apenas um ano depois sua construção foi adquirida pela Fazenda Nacional para ser a primeira sede oficial do Governo do Estado do Paraná e servir de residência ao seu governador, passando a ser conhecida pelo título de Palácio da Liberdade. O edifício serviu de sede do governo até 1937, quando esse foi transferido para o Palácio São Francisco. O antigo Palácio continuou abrigando funções públicas, tais como a

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Secretaria de Obras Públicas, a Secretaria do Interior e Justiça, a COSIPE e, desde 1989, o Museu da Imagem e do Som (SECRETARIA DA CULTURA DO ESTADO DO PARANÁ, 2017).

Em 2003, apresentando sérios problemas estruturais, a edificação estava carente de obras que garantissem o seu pleno funcionamento e a integridade do acervo que abrigava. Além dos danos causados pelo tempo e pelo uso, o espaço precisava de adaptações às suas novas funções, não apenas de exibição do acervo e acolhimento do público, como também de armazenamento de materiais extremamente delicados. Sendo assim, o corpo técnico e todo o acervo foram mais uma vez realocados, agora em um espaço provisório no bairro Santa Cândida (SECRETARIA DA CULTURA DO ESTADO DO PARANÁ , 2017).

Os processos de reforma, restauro e adaptação se prolongaram por quase 10 anos. Embora tenham começado em 2012, foram entregues em 2014 e, somente após o processo de readequação do espaço ao Museu, em 2015, o espaço voltou a ser sede do acervo e do corpo técnico. A primeira etapa de obras se deu com o reforço estrutural das fundações do edifício, a recuperação total da cobertura, um novo cintamento em concreto para reforço das paredes externas e internas, além da retirada dos pisos do pavimento superior e proteção de elementos decorativos para posterior recuperação. Essa etapa custou R$ 2.163.249,08 e foi custeada com recursos da Secretaria de Estado da Cultura (SECRETARIA DA CULTURA DO ESTADO DO PARANÁ , 2017).

A segunda etapa do restauro, segundo o site da Agência Estadual de Notícias (2016), teve início no final de 2012, quando se deu a licitação para o início dos trabalhos que englobaram a restauração completa do edifício. O projeto contemplou obras de recuperação de forros e pisos, pinturas murais, além de novas instalações elétricas, hidráulicas, lógicas e sanitárias. Além disso, o projeto e a instalação dos sistemas de segurança e monitoramento, adequação ao novo uso com salas de exposição e pequeno auditório e pintura total do edifício também fizeram parte desta etapa. Já em 2015 foi realizado todo o projeto de iluminação e adaptação dos espaços de trabalho, com pontos de internet, energia e telefone.

Dia 13 de abril de 2016 o museu foi finalmente reinaugurado, no Palácio da Liberdade, onde se encontra até os presentes dias (SECRETARIA DA CULTURA DO ESTADO DO PARANÁ, 2017).

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De acordo com a Secretaria da Cultura do Estado do Paraná (2017), o Palácio é um elemento marcante da paisagem urbana do eixo Barão-Riachuelo, que faz a ligação entre a antiga Estação Ferroviária e o Passeio Público. Ele faz parte de um conjunto de edificações de valor histórico e cultural para o município que passa, nos últimos anos, por um complexo processo de revitalização.

2.1.2 O Museu da Imagem e do Som hoje

Atualmente o acervo do museu se apresenta ao seu público de forma bastante distinta daquela que foi idealizada em sua inauguração e primeiros anos de atuação. As atividades de interatividade com as mídias, com a possibilidade de ouvir discos com músicas e outros registros das memórias é restrito a pesquisadores que agendarem previamente, e um passeio descompromissado pelas salas da instituição se revelará bastante frustrante a quem conheça a história da instituição, pois encontrará apenas rádios, projetores e outros equipamentos expostos, conforme a figura 7. Eventuais exposições fotográficas podem estar dispersas pelas paredes, conforme figura 8, e exibições de filmes que pouco tem a ver com a história do Paraná, como Rei Leão e outros filmes internacionais, são as atividades mais frequentes da instituição. O rico acervo encontra-se em área restrita, encaixotada como um arquivo qualquer (figura 9), longe do público e de cuidados adequados.

Figura 7 – Exposição permanente do museu Fonte: J. Dunha

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Figura 8 – Exemplo de exposições de fotografias que ocorrem na instituição. Fonte: J. Dunha

Figura 9 – Sistema de arquivo do atual MIS-PR. Fonte: Casal Maraturista

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A biblioteca, com material relacionado ao acervo e a qual se diz contar com mais de 2 mil volumes, se distribui de forma tímida em algumas prateleiras de aço abertas, com poucos lugares para estudo e nenhuma catalogação adequada do material (figura 10).

Figura 10 – Biblioteca do MIS-PR Fonte: Casal Maraturista.

As gravações de vozes de personalidades do Estado, atividades de restauro e recuperação de material e outras que colocaram a instituição em destaque, são agora inexistentes, tanto pela falta de espaço quanto pela falta de recursos e pessoal capacitado para tal.

Uma das principais instituições de memória do Estado, se apresenta ao seu público como um museu de objetos aleatórios de captura, edição e apresentação de imagens e sons, enquanto a verdadeira riqueza do seu acervo parece estar confinada longe do público, e acessível somente aos funcionários da instituição, que com o espaço e recurso limitados, parecem também não ter noção exata da grandeza do acervo que possuem, já que o mesmo não é catalogado integralmente. A falta de espaço apropriado não apenas coloca em risco as memórias do acervo já existente, mas também e principalmente aquelas que vagam pela

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sociedade, sem que haja sequer intenção de institucionaliza-las para a posterioridade, seja pela captura de imagens, sons, depoimentos entre outros.

Ao estudar a trajetória do museu através de 48 anos de existência e por mais de 6 espaços físicos diferentes, atenta-se para o preocupante fato de ele nunca ter tido um local devidamente apropriado para suas atividades, não obstante seja depositário de um acervo ímpar e tenha exercido um papel louvável ao longo da história paranaense. O museu parece sempre renegado a um segundo plano e às sobras de espaço, aguardando ainda o “final feliz” que o Diário de Notícias de 1989 prematuramente anunciava.

Para tentar compreender melhor a importância de um museu da imagem do som no contexto da preservação da memória, justificando o árduo trabalho daqueles que, apesar das adversidades, lutaram para manter vivo o MIS-PR, o capítulo seguinte fará um estudo sobre a memória sob a ótica individual, coletiva e social, e seus desdobramentos no que tange a patrimônio e história.

2.2 MEMÓRIA

Para compreender a importância dos museus para a sociedade e para a história, é necessário compreender a memória e seu papel no que tange o fenômeno da musealização.

A memória, uma das mais importantes características evolucionárias humanas, é também elemento-chave para a vivência em sociedade (IAMARINO, 2014). Ela é uma importante ferramenta que estabelece, através da criação de um mais amplo tempo de vivência - além do efêmero presente, ligações sólidas e duradouras entre aqueles que fazem parte de um mesmo grupo social. Grupo esse que passa então a ser justamente caracterizado pelas memórias que possui e são compartilhadas entre seus membros. As memórias comuns podem ser fatos do cotidiano, grandes conquistas ou grandes perdas, que criam elos entre os membros da sociedade em questão (HALBWACHS, 1990).

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Maurice Halbwachs1 (1990) evidencia esse fenômeno ao citar um exemplo

onde amigos que, por algum evento, tenham sido separados. Ao primeiro reencontro têm dificuldades de estabelecer o vínculo e a naturalidade da amizade de outrora, porém, ao relembrarem fatos de um passado que tenham vivido juntos - seja referente às outras amizades, aos locais vividos ou acontecimentos - as memórias que habitavam individualmente a mente desses interlocutores parecem assumir um caráter revigorado e passam a atuar como elementos de união, mais uma vez, entre eles.

A memória, de acordo com Pavão (2008), pode ser compreendida como sendo “a capacidade de um organismo alterar seu comportamento em decorrência de experiências prévias” e, segundo Iamarino (2014), o cérebro humano não possui uma estrutura física que grave as memórias como o disco rígido de um computador. O que acontece são ligações eletroquímicas – as sinapses – que, através do hipocampo, fazem a associação de informações contidas no neocórtex. Essas ligações ficam reforçadas quando existe uma emoção forte ou uma recompensa ligada ao aprendizado. Isso explica a maior facilidade em lembrar-se mais de situações em que se é recompensado ou em que se esteve em situação de stress e ameaça.

Essas memórias, justamente por não estarem permanentemente gravadas em uma estrutura específica e, por dependerem de associações de imagens e sons que o cérebro faz cada vez em que algo é lembrado, estão passíveis de alterações

1 Maurice Halbwachs (Reims, 11 de março de 1877 — Buchenwald, 16 de maio de 1945)

foi um sociólogo francês da escola durkheimiana. Escreveu uma tese sobre o nível de vida dos operários, e sua obra mais célebre é o estudo do conceito de memória coletiva, que ele criou.

Na École Normale Supérieure, em Paris, estudou filosofia com Henri Bergson, o qual o influenciou enormemente. Lecionou em vários liceus antes de viajar à Alemanha em 1904, onde estudou na Universidade de Gottingen. Retornou à França em 1905, onde encontrou Émile Durkheim e se interessou por sociologia. Reuniu-se ao conselho editorial do Année Sociologique, onde trabalhou com François Simiand editando a seção de economia e estatística. Em 1909 voltou à Alemanha para estudar marxismo e economia em Berlim.

Durante a Primeira Guerra Mundial Halbwachs trabalhou no Ministério da Guerra. Logo após o fim da guerra ele tornou-se professor de sociologia e pedagogia na Universidade de Strasbourg. Manteve a posição por uma década. Foi professor visitante por um ano na Universidade de Chicago. Em 1935 foi chamado para a Sorbonne, onde ensinou sociologia, trabalhou com Marcel Mauss e foi editor dos Annales de Sociologie, o jornal que sucedeu o Année Sociologique. Em 1944 ele recebeu uma das maiores honrarias da França, uma cátedra de psicologia social no Collège de France. Desde muito tempo socialista, Halbwachs foi detido pela Gestapo após a ocupação nazista de Paris e deportado para Buchenwald, onde morreu em 1945.

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(LOFTUS, 1997)2. Iamarino (2014) ressalta que, muitas vezes, ao se contar fatos e

histórias, modificam-se pequenos ou grandes detalhes e com isso a própria memória vai sendo alterada, já que ela se faz justamente do relembrar, estabelecendo e fortalecendo as sinapses.

Halbwachs (1990) cita que, por vezes, a memória coletiva pode passar a ser completamente indiferente a um indivíduo. Segundo as palavras do autor, assim como “[...] é preciso introduzir um germe num meio saturado para que ele cristalize, da mesma forma, dentro desse conjunto de depoimentos exteriores a nós, é preciso trazer como que uma semente de rememoração para que ele se transforme em uma massa consistente de lembranças”. Isso ocorreria, por exemplo, quando uma pessoa se muda de uma cidade e vive tempo afastada dessa sociedade. Quando ela retorna, fotos, imagens, sons, conversas e outros elementos podem reavivar a memória até o ponto em que ela se identifique com as memórias coletivas do local mais uma vez.

O autor vai além ao afirmar que, em termos dinâmicos, a memória é sempre fruto de um processo coletivo. É necessária a convivência social e o constante relembrar para que os vínculos afetivos se formem entre os indivíduos e permaneçam unindo-os como membros de um mesmo grupo. (HALBWACHS,1990)

Encontra-se então, de acordo com as assertivas de Halbwachs (1990), com a impossibilidade de memórias individuais. Ele acredita que, uma vez que elas são frutos da vivência social e do sentimento de pertença a um grupo, o que se caracteriza por “memória individual” na verdade é apenas o ponto de convergência e congruência de diversas influências sociais que se articulam entre si. De forma análoga, tem-se que a memória coletiva é resultado de um processo de associação e articulação de lembranças em quadros sociais comuns aos membros de uma sociedade, que acabam por gerar esse acervo de lembranças compartilhadas.

2 Elizabeth F. Loftus (Los Angeles, 16 de outubro de 1944) é uma psicóloga cognitiva

americana especializada na memória humana. Ela coordenou diversas pesquisas sobre a maleabilidade da memória e é conhecida pelas suas descobertas inovadoras sobre o efeito da desinformação e a memória de testemunhas oculares, bem como a criação de falsas memórias, como aquelas relacionadas a abuso sexual infantil. Seu trabalho envolve também a aplicação de pesquisas no meio legal, onde ela consulta ou providencia testemunhos para milhares de casos. Loftus é reconhecida internacionalmente e já recebeu diversos prêmios e diplomas honorários. Em 2002, ela foi colocada em 58º lugar na lista dos 100 mais influentes pesquisadores na área de psicologia no século XX, sendo a mulher mais bem colocada da lista.

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Para Halbwachs (1990), a memória coletiva padece de fato semelhante ao experimentado pela memória individual: se retém do passado somente aquilo que ainda é vivo ou, em outras palavras, aquilo que de alguma forma é necessário e relembrado continuamente. Define o autor que a memória coletiva se estende além do presente, mas não há possibilidade de se conseguir investigá-la infinitamente no passado.

A memória coletiva, assim como a individual, modifica-se continuamente. Pessoas e acontecimentos são naturalmente esquecidos pela coletividade, não necessariamente por má vontade ou antipatia, mas pela ruptura dessas lembranças com a sociedade ou pelo desaparecimento de seus depositários (pessoas ou acervos). Essas dinâmicas da memória fazem o passado ser reconstruído e vivificado enquanto é ressignificado. Nesse processo, a memória coletiva é continuamente modificada, adaptando imagens do passado às necessidades do presente, com uma tendência de linearidade sem rupturas. (HALBWACHS, 1990).

Nessa linha de pensamento, surge o conceito de memória histórica e traça-se uma linha limítrofe entre ela e a memória coletiva. A memória coletiva só existe enquanto a linha entre acontecimentos e necessidades dessa memória se mantém viva. A tendência natural de esquecimento não consegue ser sobrepujada. Surge então a necessidade de registro desses eventos memoriais, para que eles sejam então resguardados e reconhecidos como história. Nas palavras de Halbwachs (1990):

Quando a memória de uma sequência de acontecimentos não tem mais por suporte um grupo, aquele mesmo em que esteve engajada ou que dela suportou as consequências, que lhe assistiu ou dela recebeu um relato vivo dos primeiros atores e espectadores, quando ela se dispersa por entre alguns espíritos individuais, perdidos em novas sociedades para as quais esses fatos não interessam mais porque lhe são decididamente exteriores, então o único meio de salvar tais lembranças é fixá-las por escrito em uma narrativa seguida, uma vez que as palavras e os pensamentos morrem, mas os escritos permanecem (Halbwachs, 1990: 80-81).

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A tentativa de conservar memórias fez com que, ao longo da história, surgissem diversas formas de tentar perpetuá-las. Nora (1984, apud ABREU, 1998) cita que esses registros da história estão cada vez mais sendo acumulados, numa quase obsessão pela compreensão histórica das sociedades. Segundo ela, isso desencadeou uma “síndrome arquivística” que vem impondo novos desafios aos historiadores: não se sabe o que é necessário guardar para reconstruir uma possível necessária memória ou momento histórico.

Em uma análise filosófica e literária, Poulet (1992, apud ABREU, 1998), ao analisar a obra do escritor francês Marcel Proust3 , chega à conclusão que os seres

proustianos estão ancorados no tempo e no espaço. Embora a obra explicite uma busca pelo tempo perdido, na realidade encontra-se uma inseparabilidade entre o tempo e o espaço, isso é, o espaço e o tempo interagem mutuamente em uma relação intrínseca com a memória.

Embora a análise de Poulet (1992, apud ABREU, 1998) seja literária, traz pensamentos fundamentais ao entendimento da memória individual e sua relação com as cidades. A partir da memória individual, ou de seus registros, podem ser encontrados momentos da memória urbana, desde costumes até formas espaciais que já pereceram. Fato esse que vem a enaltecer a importância do resgate dessas memórias, através de histórias e relatos. Esse movimento vem se difundindo com destaque nos últimos anos.

3 Valentin Louis Georges Eugène Marcel Proust (Auteuil, 10 de julho de 1871 — Paris, 18

de novembro de 1922) foi um escritor francês, mais conhecido pela sua obra À la recherche du temps perdu (Em Busca do Tempo Perdido), que foi publicada em sete partes entre 1913 e 1927. Após estudos no Liceu Condorcet, prestou serviço militar em 1889. De volta à vida civil, assistiu na École Libre des Sciences Politiques aos cursos de Albert Sorel e Anatole Leroy-Beaulieu; e na Sorbonne os de Henri Bergson (1859-1941) cuja influência sobre a sua obra será essencial.

Em 1900, efetuou uma viagem a Veneza e se dedica às questões de estética. Em 1904, publicou várias traduções do crítico de arte inglesa John Ruskin (1819-1900). Paralelamente a artigos que relatam a vida mundana publicados nos grandes jornais (entre os quais Le Figaro), escreveu Jean Santeuil, uma grande novela deixada incompleta, e publicou Os Prazeres e os Dias (Les Plaisirs et les Jours), uma reunião de contos e poemas.

A sua obra principal, Em Busca do Tempo Perdido (À la Recherche du Temps Perdu), foi publicada entre 1913 e 1927, o primeiro volume editado à custa do autor na pequena editora Grasset, ainda que muito rapidamente as edições Gallimard recuaram na sua recusa e aceitaram o segundo volume À Sombra das Raparigas em Flor pela qual recebeu em 1919 o prêmio Goncourt.

Referências

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