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3 SELECIONANDO OS FIOS PARA TECER A TEIA

3.4 SEGUINDO OS FIOS PARA REALIZAR A INVESTIGAÇÃO

3.4.7 Elaborando os códigos, Construindo Categorias

Após transcrição da entrevista e da devolução da mesma pelo participante, iniciamos o processo de codificação. Assim, numa primeira fase, as entrevistas foram codificadas uma a uma, com o objetivo de rotular fenômenos que foram surgindo das falas dos participantes. A análise comparativa ocorreu desde o início da coleta de dados. Os códigos foram escritos procurando preservar a fala dos entrevistados na íntegra e formando frases com o uso de um verbo no gerúndio (indicando processo).

O primeiro passo da análise consistiu na codificação das entrevistas, processo que se dá pela quebra dos dados brutos em pequenos pedaços denominados incidentes, atribuindo a cada um deles nomes representativos de seu significado (código), o que permite o movimento de comparação entre cada um dos códigos como abaixo apresentado. Esta etapa é denominada de codificação aberta e tem por objetivo a redução dos dados. Para representar esse processo de codificação, fizemos o recorte de algumas entrevistas, objetivando explicitar o processo analítico:

Quadro 5: Codificação aberta

Conteúdo da Entrevista 14 Códigos Preliminares

Felizmente conseguimos outras coisas como a de estarmos próximos das famílias, conhecendo como vivem e com uma relação de afeto e de responsabilidade muito grande. As famílias, as pessoas percebendo isso faz com que nós profissionais consigam com que as mães amamentem por mais tempo, é possível penetrar mais nos problemas que envolvem o cuidado dentro da própria família e com isso vamos melhorando alguns indicadores.

14.80.102.Falando da aproximação com a família 14.81.102. Conhecendo como vivem as famílias

14.82.102.Tendo relação de afeto e de responsabilidade com a família

14.83.102.Revelando a aproximação com a família 14.84.102.Referindo que as famílias percebem a

aproximação dos profissionais

14.85.103.Conseguindo com que as mães amamentem por mais tempo como conseqüência da aproximação com a família 14.86.103. Sendo possível penetrar na família 14.87.103.Identificando os problemas que envolvem

o cuidado pela aproximação com a família 14.88.103.Melhorando indicadores de saúde pela

maior aproximação com a família

Quadro 6: Codificação aberta

Conteúdo da Entrevista 15 Códigos Preliminares

O que favorece muito essa atenção integral à criança é a parceria com a família. Então o cuidado a criança é feita nas consultas, nos atendimentos, na conversa com os familiares. Tomamos essa atitude pela responsabilização. São famílias inteiras que dependem da gente, que esperam muito da gente.

15.168.213.Compreendendo que a parceria com a família favorece a integralidade do cuidado à criança

15.169.214.Cuidando da criança na consulta e na conversa com os familiares

15.170.214.Tomando a responsabilização como atitude de cuidado

15.171.214.Colocando-se próxima do lado do outro para cuidar

15.172.214.Reconhecendo que as famílias dependem dos cuidados dos profissionais

15.172.214.Percebendo que as famílias esperam muito dos profissionais

A título de esclarecimento, os códigos foram identificados por ordem numérica crescente, de forma que pudéssemos, a qualquer momento da análise,

identificá-los por entrevista, por grupo e a localização por página. Portanto, quando colocamos: 14.80.102 significa tratar-se do código número 80 da décima quarta entrevista, localizado na página 102 do texto da análise. De uma forma mais objetiva como mostrado no Quadro 7:

Quadro 7: Identificando os códigos

Todas as entrevistas receberam o mesmo tratamento de codificação e interpretação. Esta foi a primeira etapa do trabalho de análise dos dados obtidos, realizada por meio de desmembramento, exame minucioso dos dados e dos códigos, da comparação e da formação de conceitos iniciais. Continuando a codificação aberta, os códigos foram avaliados por similaridades e diferenças, desenvolvendo um segundo agrupamento tendo como objetivo a configuração inicial das categorias, como apresentado a seguir:

Quadro 8: Agrupando códigos e atribuindo conceitos

Agrupando os Códigos Conceitos provisórios

14.80.102.Falando da aproximação com a família 14.86.103. Sendo possível penetrar na família 14.83.102.Revelando a aproximação com a família

Valorizando a aproximação com a família 15.168.213.Compreendendo que a parceria com a família favorece

a integralidade do cuidado à criança

Aproximação da família como instrumento para a integralidade do cuidado 15.170.214.Tomando a responsabilização como atitude de cuidado

15.172.214.Reconhecendo que as famílias dependem dos cuidados dos profissionais

15.172.214.Percebendo que as famílias esperam muito dos

Atitude de cuidado Número da Entrevista Número do Código Página do texto 14 80 10

profissionais

15.169.214.Cuidando da criança na consulta e na conversa com os familiares

A família como ambiente de cuidado

15.171.214.Colocando-se próxima do lado do outro para cuidar 14.82.102.Tendo relação de afeto e de responsabilidade com a

família

Modo de cuidar

14.81.102. Conhecendo como vivem as famílias

14.87.103.Identificando os problemas que envolvem o cuidado pela aproximação com a família

A aproximação com a família como instrumento

de conhecimento

14.85.103.Conseguindo com que as mães amamentem por mais tempo como conseqüência da aproximação com a família

14.88.103.Melhorando indicadores de saúde pela maior aproximação com a família

Cuidado eficaz

14.84.102.Referindo que as famílias percebem a aproximação dos profissionais

Sentindo-se Valorizada

Os códigos, por sua vez, sofreram novo processo de comparação (coluna da esquerda), dando origem a categorias (coluna da direita), que são uma classificação de conceitos ou nomes atribuídos aos eventos ou incidentes da experiência estudada (codificação axial). Os significados foram interpretados indutivamente, estabelecendo nomes primários para estes agrupamentos. Buscávamos, nessa etapa, desenvolver as categorias e as subcategorias. No quadro a seguir demonstra- se essa etapa do processo de análise:

Quadro 9: Agrupando conceitos em categorias – Codificação Axial

Os códigos elaborados nesta etapa tiveram a característica de serem provisórios, e somente passaram a ter caráter definitivo quando se configuraram como adequados ao objeto investigado e sustentado nas experiências dos envolvidos na investigação. À proporção que se caminhava na análise, os códigos foram se tornando cada vez mais abstratos, dando origem às categorias e

Conceitos provisórios Códigos Conceituais

Valorizando a aproximação com a família

A aproximação com a família como instrumento de conhecimento

Aproximação da família como instrumento para a integralidade do cuidado

Valorizando a aproximação com a família

Atitude de cuidado Modo de cuidar Cuidado eficaz

Qualificando o cuidado à criança

subcategorias. Desta forma, baseando-se nos códigos extraídos das entrevistas, realizamos a conceituação. A conceituação é uma abstração dos códigos, na qual nos esforçamos para evitar ao máximo a interpretação além do que estes códigos nos revelavam. Assim, num constante processo de indução, de comparação, e de posse das ferramentas analíticas, o processo de análise manteve-se até alcançar a categoria central.

Ao final desta etapa, estávamos diante de 29 entrevistas codificadas, 7.475 códigos preliminares, 52 grupos/categorias, 47 memorandos e 56 diagramas. Até aqui foi possível exemplificar objetivamente o processo de análise, no entanto, em função do montante de tabelas geradas na codificação axial e seletiva e da respectiva associação entre códigos e categorias, número de diagramas e memorandos não foi possível manter a mesma sistemática. Nesse sentido faremos uma descrição das próximas etapas da análise.

Retornando ao processo de análise, esta etapa foi acrescida consideravelmente no grau de dificuldade, já que compreendia o final da codificação axial e início da codificação seletiva. Nesta fase, as categorias foram reorganizadas por meio das conexões entre categorias e subcategorias, de forma a reduzi-las e uni-las em um significado comum, ou fenômeno (análise seletiva). Buscava-se compreender as relações existentes entre as categorias. Foi realizado um novo agrupamento, agora composto de categorias oriundas das diversas entrevistas. Nessa etapa utilizamos de maior nível de abstração e de aprofundamento das interpretações com o objetivo de delimitar o fenômeno.

É chegada a hora de parar de codificar e prosseguir com a análise para integrar e refinar categorias com o objetivo de determinar a categoria central (análise seletiva). Desta forma, a teoria foi sendo construída passo a passo, ajustando-se ao

contexto da pesquisa. O fenômeno ou categoria central foi configurado por um

modelo teórico representativo da integralidade do cuidado à criança na Atenção Básica de Saúde, que será apresentado e descrito no próximo capítulo.