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2 CONTEXTUALIZANDO FIOS DA TEIA DO CUIDADO À CRIANÇA NA

2.2 TECENDO COMENTÁRIOS SOBRE CUIDAR E CUIDADO: ALGUNS

Feitas estas considerações e contextualizações sumárias das políticas de saúde, da ABS e da atenção à criança ao longo do tempo, pretendemos trabalhar uma pequena parte da argumentação disponível sobre cuidado e cuidar. Tamanha é a sua diversidade, e pela riqueza desta discussão, vamos dialogar apenas com alguns conceitos e autores, certas de que muitos outros aspectos são fundamentais para a temática do cuidar e do cuidado. Temos consciência de que apresentaremos apenas algumas tessituras.

Iniciar um texto sobre o cuidado e o cuidar é também pensar introduzir a temática a partir de Florence Nightingale, por ter sido ela a matriarca da Enfermagem científica. A sua teoria centra-se na defesa de que o ambiente saudável é necessário para o cuidado e o cuidar dos doentes. Apresenta os cinco componentes essenciais da saúde ambiental: ar puro, água pura, drenagem eficiente, limpeza e luz. Associou ainda os conceitos de calor, a preocupação com a dieta dos doentes e a preservação do “sossego”, pois o barulho era para Florence um aspecto prejudicial ao doente. A sua teoria está intimamente ligada à interação doente/doença, cuidado/cuidar e ambiente (TOMEY, ALIGOOD, 2002), conceitos extremamente importantes e determinantes na contemporaneidade.

Na perspectiva de Colliére (2003, p. 146), cuidar tem o sentido de “tomar conta” e se propõe a manter, a promover e a desenvolver tudo o que existe ou todo o potencial de vida que os seres vivos conservam. Defende a diversidade e a variedade de cuidados, contrapondo-se ao uso de cuidado no singular. Assegura que qualquer situação de cuidados é, em si, uma situação antropológica, porque consiste em ficar próximo das pessoas. É um encontro que obriga o profissional a distanciar-se, a priori, do seu saber. Trata-se de “compreender, na desordem, o que é ordem do outro. Vai para além do desconhecido para descobrir e compreender. Necessita ver e escutar para descobrir para compreender”. (COLLIÉRE, 2003, p. 148). Para a teórica, dessa forma é possível fazer surgir a dinâmica estruturante das situações de cuidados. O cuidar é uma ação de ajuda que, para a autora, significa ouvir os pacientes e ter, ao mesmo tempo, condição para unir ação e reflexão, construir projetos de cuidados em parceira com pacientes e famílias, de acordo com seus hábitos e crenças.

Esse olhar para os aspectos culturais nos faz lembrar Madeleine Leininger, teórica da Enfermagem, cuja teoria é fundamentada no modelo transcultural, no qual identifica que as diferentes formas de cuidado estão relacionadas a padrões culturais. Defende que o cuidado culturalmente congruente é o que satisfaz os clientes e é uma poderosa força para a qualidade dos cuidados. Entre os termos da Teoria do Cuidar Cultural propostos por Leinninger (1991), destacamos aqui três deles: cuidado, cuidar e cultura.

Por cuidado, a teórica refere-se aos fenômenos concretos e abstratos relacionados com a assistência e com o apoio para possibilitar comportamentos visando melhorar ou aperfeiçoar uma forma de vida ou condição humana. Cuidar

corresponde a ações e atividades para assistir, apoiar ou capacitar o indivíduo ou grupos de indivíduos para melhorar ou aperfeiçoar a vida, a condição humana ou para encarar a morte. Cultura diz respeito aos valores, crenças, normas e modos de vida aprendidos, partilhados e pertinentes a um grupo específico que orienta a tomada de decisão e as ações dos indivíduos.

O cuidar cultural é definido por Leinninger como valores, crenças e modos de vida aprendidos e transmitidos, que apóiam, facilitam ou habilitam o indivíduo ou grupo a manter a sua saúde, melhorar seus modos de vida e a lidar com a doença, com as limitações advindas da doença ou com a morte.

Cuidado, para Heidegger (2006), é ocupação e preocupação. Enfatiza que o homem possui a origem de seu ser no cuidado e, que este cuidado, mantém e domina o ser-no-mundo. Para o autor, os fenômenos identificados no cuidado são vontade, tendência, desejo e propensão. Com isso, o autor sugere o cuidado como constituição ontológica subjacente a tudo o que o ser humano empreende, projeta e faz.

Essas afirmações aproximam-se do que Boff (1999) identifica no cuidado como sendo essência do humano. Porque, para ele, cuidar “é mais que um ato, é uma atitude [...] de ocupação, preocupação, de responsabilização e de envolvimento com o outro” (Idem, p. 33). E como atitude, gera muitos atos “mediante o qual a pessoa sai de si e centra-se no outro com desvelo e solicitude”. (Idem, p.91). É, portanto, entrar em sintonia com o outro numa relação “não de domínio sobre, mas de con-vivência”, não de intervenção pura e simplesmente, mas de “inter-ação e comunhão”. (BOFF, 1999, p. 95). Pelas afirmações, o cuidado materializa-se na ocupação e se expressa na ação de cuidar.

Como diz Ricardo Ayres é no encontro com o outro que se incorpora a preocupação com o “projeto de felicidade” dos usuários, em um diálogo permeado tanto pela racionalidade técnica como pelos aspectos não técnicos. É esse diálogo que “torna possível caminhar para formas progressivamente legítimas e efetivas de encontro terapêutico”. (AYRES, 2007, p.132). O cuidado tem, para o autor, o sentido de projeto terapêutico. Compreendemos que, como projeto, não se trata de uma ação isolada e pontual. Não é um ato isolado. São atitudes que se iniciam em dado momento e em determinada situação e que não têm hora nem data para serem encerradas e concluídas. É um projeto e, como tal, é pensado, planejado, construído, negociado, flexível, portanto, reconstruído a cada encontro. É co-

construído. É a concretude do encontro, onde objetividade e subjetividade se misturam, convivem e não competem. Utilizam-se mutuamente. É um projeto que se configura “enquanto conteúdo e essência da vida dos seres da natureza. [...] processo dinâmico produtor e protetor da vida”. (ERDMANN, 1996, p. 38).

Aproximando-se da idéia de processo, Bettinelli (2001) afirma que o cuidado é interativo, dinâmico, de envolvimento, onde conhecimentos e sentimentos são compartilhados, exigindo respeito à dignidade humana. É um processo interativo permeado pela solidariedade. Esse é, para o autor, o que denominou de “cuidado solidário”, que se caracteriza pela interação construída entre quem cuida e quem é cuidado, envolvendo atitudes éticas, de sensibilidade e reciprocidade.

Cuidar de outra pessoa, no sentido mais significativo, é ajudá-la a crescer e a se realizar. Nesse sentido, cuidado é processo, “uma maneira de se relacionar com alguém que implica desenvolvimento através da confiança mútua, e de um aprofundamento e uma transformação qualitativa do relacionamento”. (MAYEROFF, 1971, p. 24). Ao contrário de domínio, há investimento para o crescimento do outro, vendo no outro potencialidades e necessidades para crescer. Para tanto, o autor sugere que é preciso dedicação, pois é pela dedicação que o cuidado adquire substância.

Mayeroff (1971) compreende o cuidado pela combinação do conhecimento com paciência, sinceridade, confiança, humildade, esperança e coragem, aliando essas características a ritmos alternados, o que significa agir e avaliar no sentido de modificar e adequar comportamentos para melhor ajudar o outro. Ele relata que o conhecimento compreende conhecer quem é o outro, quais são os seus poderes e limitações, mas também saber quais são os poderes e limitações de quem cuida. A paciência inclui a tolerância, a dedicação e o respeito pelo outro, pois “ter paciência não é esperar passivamente que aconteça alguma coisa, mas é um modo de participar com o outro”. (MAYEROFF, 1971, p. 37). A sinceridade, enquanto componente do cuidado, compreende que, “ao cuidar do outro, devo ver o outro como ele é e não como eu gostaria que fosse ou como sinto que deve ser”. (Idem, p.38). O autor faz relação entre ser sincero e ser autêntico, ou seja, não deve haver diferença entre o agir e o sentir. O cuidado implica confiar, o que exige coragem para correr riscos e humildade para aprender mais sobre o outro e sobre si mesmo. A esperança apresenta-se, para Mayeroff, como possibilidade, pois onde não há possibilidade há desespero.

Cuidar não designa somente atividades de socorro, de ajuda, de assistência. O cuidado tem, como elemento intrínseco, a relação pessoa-pessoa e, enquanto atividade, envolve e desenvolve com o processo de viver. É uma forma de enfrentamento às circunstâncias a que estão expostas as espécies. (ERDMANN, 1996). Cuidar indica uma maneira de se “ocupar de alguém, tendo em consideração o que é necessário para que ele realmente exista segundo a sua própria natureza, as suas necessidades, os seus desejos, os seus projetos”. (HONORÉ, 2004, p.17).

A ação de cuidado designa a face subjetiva, interior do agir cuidador, daquilo que foi desejado e também das condições em que o cuidado se realiza. O cuidado é também inquietação, uma maneira de ser ou de agir. Cuidado é solicitude e, enquanto solicitude, ele caracteriza uma disposição do espírito face a qualquer coisa ou a alguém. A solicitude marca o nosso interesse pelos outros e pelas coisas que desejamos conservar. (HONORÉ, 2004, p. 71).

Em Hesbeen (2000), o cuidado tem a ver com atenção, designa o fato de estar atento a alguém ou a alguma coisa. Cuidar é atenção, é arte, é valor. É uma atenção particular, única. Não pode ser repetida de indivíduo para indivíduo,

é sempre singular, pensada, repensada, criada [...]. Revela uma perspectiva do cuidar sem a qual as intervenções se limitariam aos gestos, às tarefas, às técnicas [...] e teriam muito pouco sentido para os beneficiários de cuidados, dando-lhes apenas um pouco de ajuda. (HESBEEN, 2000, p. 10).

O autor descreve, com propriedade, que cuidado designa atos através dos quais se cuida. Quando os atos enquadram-se numa perspectiva de cuidar, revelam o cuidado. Realizar atos é do campo do complicado; ajudar alguém se inscreve no campo do complexo. Portanto, o cuidado é complexo e, se é complexo, é sempre singular, único, irrepetível. Realizar atos dirige-se ao corpo objeto, enquanto cuidar dirige-se ao corpo sujeito. O autor resume afirmando que “cuidar é arte daquele que consegue combinar elementos de conhecimento, de destreza, de saber-ser, de intuição, que lhe vão permitir ajudar alguém, na sua situação singular”. (HESBEEN, 2000, p.37). É arte, porque permite ao cuidador apoiar-se em conhecimentos globais e adequá-los a uma situação em particular. Cuidar é valor, porque permite situá-lo no plano do desejável e da sua dimensão profunda e generosamente humana.

Em sentido similar, Waldow (2006) traz o cuidado como fenômeno resultante do processo de cuidar, representado pela forma como ocorre o encontro entre

cuidadora e ser cuidado. O cuidado é, para a autora, imprescindível em todas as situações, sejam de enfermidades, incapacidades, no processo de morte, na ausência de enfermidades e no cotidiano dos seres humanos. O cuidado é um “compromisso com o estar-no-mundo”, é ação interativa que envolve o crescimento do outro e ocorre independente da cura. Tem uma intenção e “não há preocupação com um fim”. Tem como objetivos, entre outros, “aliviar, confortar, ajudar, favorecer, promover, restabelecer, restaurar, dar, fazer”. (WALDOW, 2006, p.89).

Pelas afirmações dos autores referidos é possível pensar o cuidado como uma forma de se relacionar e uma forma de ser/estar. Autores e profissionais de várias áreas, enfermeiros, filósofos, sociólogos, antropólogos, entre outros, têm contribuído para a compreensão do cuidado e de seus significados.

Lembramos aqui que a medicina tecnológica, responsável por grandes avanços na identificação de doenças e no tratamento, marcou a separação da medicina das doenças da medicina dos doentes, representada pela desumanização das práticas de saúde. Mas o processo de cuidar nas diversas situações, seja de saúde ou de doença, nos mostra a necessária articulação com a dimensão humana. Essa condição significa muito mais que curar, porque inclui um olhar, uma atenção e uma escuta ao sujeito e não à doença. Exige, portanto, comportamentos, habilidades e atitudes singulares. Aproxima-se da condição humana e do cuidado humanizado.

Assim, o cuidado como valor articula-se com tudo o que é humano e humanizador. Essa dimensão nos faz lembrar o cuidado humanizado como

conjunto ampliado e sinérgico de atitudes, conhecimentos e procedimentos operativos em uma dada relação terapêutica. Atitude de respeito à diferença; ética a fim de prover melhor beneficência, respeitando a potencial autonomia do sujeito; de empatia ao sofrimento vivido; e de acolhimento a quem sofre. Conhecimentos de diversas ordens [...] direcionados da maneira mais eficaz possível à produção de alívio, cura ou melhor condição terapêutica. E, finalmente, um conjunto de procedimentos que operacionalizam esses conhecimentos voltados ao mesmo fim, envolvendo tecnologias apropriadas e distintas segundo as necessidades de cada paciente. (DESLANDES, 2007, p.392).

No conceito de cuidado como atitude ética, de direitos e responsabilidades, torna-se essencial a alteridade8 como critério

8

Alteridade condição de ser distinto de outro no seu modo de ser específico, na sua essência ou na sua existência (LOGOS. Enciclopédia Luso-Brasileira de Filosofia. São Paulo: Editorial Verbo).

ético no encontro com o outro.

Cuidar “como ir ao encontro do outro” (ZOBOLI, 2004, p.63) é uma proposta ética e não um ato isolado de assistência ou atenção à saúde. Apresenta-se como atitude. Revela-se como modo de ser que se funda como atitude de ocupação, de responsabilização e sensibilidade para com a experiência humana. Mostra-se pelo reconhecimento da realidade do outro, como pessoa e como sujeito, com suas singularidades e diferenças. O profissional cuidadoso é dotado de um principio ético que

valoriza as relações interpessoais, [...] evoca uma responsabilidade que, por ser essencialmente ética, torna-se mútua, pois corresponde de parte a parte, recíproca. [...] o ideal do cuidado consiste, então, numa atividade de relacionamento [...] e de integrar direitos e responsabilidades. (ZOBOLI, 2004, p. 67-68).

Com isso, o profissional cuidadoso é aquele que vai ao encontro do outro com vistas a criar laços de confiança e vínculo construindo dessa forma o imperativo do encontro. Cuidar é estar presente – estabelecer laços pessoais de subjetividade – e onde há espaço para a confiança e para a esperança (SANTIN, 1998). No seu texto, o autor descreve poeticamente que gostaria que:

essa presença tivesse mãos hábeis e carinhosas. Hábeis porque fundadas em conhecimentos seguros e dotadas de técnicas eficazes; carinhosas, porque inspiradas num coração sensível. Acima de tudo gostaria que esta presença tivesse um rosto. Um rosto comunicativo, expressivo, falante, mesmo no mais profundo do silêncio; e o rosto fosse iluminado por um olhar humano, com um elo que me une a todos os olhares amigos que esperam a restauração da plenitude da vida; ou então, o último gesto que comunica com a paisagem da vida que desaparece. (SANTIN, 1998, p.113).

Ao discorrer sobre cuidado, o autor faz a relação entre cuidado e conforto e nos anima ao dizer que tanto um como o outro “são comportamentos, atitudes e valores vividos no cotidiano das pessoas” e que dizem respeito ao ser do homem, pois “o homem é um ser do cuidado, da cura, da preocupação”. (SANTIN, 1998, p. 119). Indica a perspectiva do cuidado como processo intensamente humano, pela qual cuidar é estar em sintonia com o outro, pois “todo cuidar está relacionado com

respostas humanas e intersubjetivas” (WATSON, 2002, p. 55). O cuidado dirige-se assim para a proteção da dignidade humana e como atividade humana sugere interação.

Silva (1997) utilizando a terminologia transdimensional, resgata a dimensão divina e sagrada do ser, da natureza e da vida, e, a partir dos conceitos de imanência e transcendência, o cuidado expressa-se na convergência entre arte, ciência e espiritualidade. A expressão, Cuidado Transdimensional, requer, na opinião da autora, novas habilidades/capacidades dos seres cuidadores, que extrapolam as capacidades intelectuais/racionais como: amor, sabedoria, compaixão, solidariedade, intuição, criatividade, sensibilidade, imaginação, bem como formas multissensoriais de percepção.

O cuidado transdimensional caracteriza-se por uma forma inovadora de sentir-pensar e desenvolver o cuidado, que deve ser construída a partir da interação, do diálogo permanente entre profissionais, indivíduos, famílias, grupos, comunidades e sociedade. Ainda, em outra parte da sua obra, Silva (1997) destaca que o cuidado é constituído por um conjunto de padrões e significados que emerge da interioridade dos seres envolvidos, bem como da indissociabilidade desses com o meio onde se encontram, expressando-se através das percepções multissensoriais desses seres. Embora cada ser envolvido no cuidado contribua com suas próprias habilidades, torna-se difícil definir limites de participação de cada um. Por isso o cuidado envolve parceria.

Ao conceituar e caracterizar o cuidado, os autores aproximam-se, em especial, de seis dimensões: o cuidado como valor, como atitude de interação, de responsabilidade, de dedicação e respeito e, sobretudo atitude ética por onde se singulariza o homem nas suas necessidades e potencialidades. É, pois, a simbiose dessas e muitas outras dimensões que dá ao cuidado a sua complexidade e a sua unidade. O cuidado insere-se como “expressão da humanidade e sensibilidade do ser humano”(MAIA, VAGHETTI, 2008, p. 31)na valorização da vida.

Cuidado são sentimentos, ligados e re-ligados, formando um todo diverso e includente. Emerge daí o valor substantivo da dimensão do amor, do respeito, da alteridade, da reciprocidade e da complementaridade para e no cuidado. Parece-nos necessário reconhecer que, para cada um dos autores/estudiosos o cuidado e o cuidar têm um ou mais sentidos. São sentidos que se complementam e enriquecem as dimensões do cuidado. Para além das particularidades e da diversidade de

sentidos, o cuidado nos convida a transcender e a olhar para além dessas perspectivas, deixando que surjam outras novas dimensões e sentidos.

Sumariando os sentidos e dimensões do cuidado e do cuidar, podemos aduzir que:

Cuidar é atenção:

estar atento a alguém ou a alguma coisa

Cuidar é se ocupar:

de alguém ou de alguma coisa

Cuidar é reconhecer:

a presença do outro,

a diferença do outro,

o valor do outro,

a dignidade da vida do outro

Cuidar é assumir:

a solidão - porque ninguém pode ocupar o lugar do outro;

os limites de cada um - pois as nossas capacidades são limitadas para realizar

desejos

Cuidar é fazer escolhas:

porque não se pode fazer tudo

Cuidar é incerteza:

porque quase nada é certo,

porque permite a crítica,

que permite escolhas, que permite limites

Cuidar é cultivar:

a solidariedade, a dignidade,

a liberdade, a autonomia,

a responsabilidade,

o saber do outro,

a presença do outro

Cuidar é...

saber tornar-se

Cuidar é:

ir ao encontro do outro,

fazer caminho com ele

Cuidar é:

encontrar a justa distância que nos separa do outro

Cuidar é:

ter a capacidade explícita de se indignar...

Cuidar é:

solicitude

Cuidar é:

compreender pequenos sinais

Cuidar é:

comunicar

não dizer uma coisa qualquer,

nem pensar que o outro nos diz uma coisa qualquer,

Cuidar é:

um silêncio dado ...

Cuidar é...

a surpresa da frase inesperada, que nos desmonta pela beleza,

que nos fascina pelo inusitado!

Cuidar é:

Paciência, quando buscas sem te lamentar,

quando procuras,

quando esperas que germine a semente.

2.3 COMENTANDO SOBRE INTEGRALIDADE DO CUIDADO: UM FIO