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eLearning on demand: alguns problemas e soluções

No documento Internet e educação a distância (páginas 95-98)

Osvaldo A. Santos* [email protected] Fernando M. S. Ramos** [email protected]

Introdução

O desenvolvimento das tecnologias da informação e telecomunicações, materializado na actual Internet, encetou uma verdadeira revolução na forma de aceder à informação e inerentemente ao conhecimento. Nunca como hoje foi tão fácil disponibilizar ou ter acesso à informação. Por outro lado, a produção e venda em massa de computadores pessoais têm permitido quedas constantes nos pre- ços, promovendo a democratização do acesso a este tipo de tecnologias. Segundo um estudo da Comissão das Comunidades Europeias (UNIÃO ..., 2002), no con- junto dos Países da União Europeia a taxa média de habitações com acesso à Internet ronda actualmente os 40%, sendo provável que atinja 50% já nos finais de 2002. A Figura 1 ilustra a situação nos vários Países da União Europeia. Em Portugal, segundo o Ministério da Ciência e Tecnologia e da sua Iniciativa Internet (PORTUGAL, 2002) será possível atingir essa meta em 2003.

* Escola Superior de Tecnologia, Instituto Politécnico de Castelo Branco, Portugal. ** Departamento de Comunicação e Arte, Universidade de Aveiro, Portugal.

A utilização destas tecnologias telemáticas como meio de promoção de processos de aprendizagem surge assim de uma forma natural, apoiada também em parte pela perspectiva de aproveitamento das novas potencialidades criadas pelos computadores e redes de comunicação de dados. Todo este potencial assen- ta basicamente em dois grandes pilares que estas tecnologias edificaram: a facili- dade de transmissão de conteúdos digitais entre quaisquer dois pontos do planeta e a capacidade de manipulação interactiva de informação multimédia. De entre as vantagens com impacto no ensino/aprendizagem, destacamos as seguintes:

· Facilidade de distribuição e actualização de conteúdos digitais em larga escala, de uma forma rápida e barata;

· Facilidade de criação de comunidades virtuais de alunos, professores e tutores, com capacidades de comunicação assíncrona e em tempo real, independentemente da localização física de cada um;

· Capacidade de integração no mesmo conteúdo de vários formatos digi- tais, tais como texto, som, imagem e vídeo;

· Capacidade de conceder ao aluno o controlo da progressão da utilização dos conteúdos;

· Capacidade de criação de simulações interactivas controladas pelo aluno.

Surge assim um conjunto de novos métodos de transmissão e formação de conhecimento chamado eLearning, tipicamente definido como a utilização de com-

putadores e redes telemáticas como mediadores do processo de aprendizagem. Os acessos residenciais à Internet cada vez mais rápidos, fiáveis e acessíveis contribuem de uma forma decisiva para a implementação de soluções de eLearning totalmente baseadas na Web.

O potencial do eLearning ultrapassa largamente as fronteiras do ensino oficial. Uma das características da sociedade moderna que se tem acentuado nos últimos anos é a mudança constante de hábitos de trabalho, não só pela introdu- ção de novas tecnologias mas também pela dinâmica da situação sócio-económi- ca. Contrariamente ao que se passava num passado recente, em que as pessoas passavam décadas no mesmo emprego sem necessitarem de formação por lon- gos períodos de tempo, actualmente a formação profissional frequente e a actualização periódica de conhecimentos é vital para um bom desempenho nesta sociedade tão dinâmica e exigente. O modelo de vida passou de um modelo com duas fases bem distintas, uma de aprendizagem e outra de trabalho, para um modelo em que a aprendizagem é feita ao longo de toda a vida, em paralelo com a actividade profissional. Neste contexto, o eLearning é também uma alternativa séria à formação presencial convencional, tendo as grandes vantagens de não exigir o cumprimento de horários rígidos nem a deslocação a um local próprio.

Segundo um estudo da IDC (2002) o mercado da formação profissional empresarial na Europa crescerá a um ritmo de 14,9% ao ano até atingir cerca de 15 mil milhões de Euro em 2006. Ainda segundo o mesmo estudo, em 2005 cerca de 27% dessa formação será fornecida através de eLearning, o que repre- senta um crescimento anual de cerca de 108% ao ano nos próximos anos. Toda esta perspectiva está a promover a criação de empresas e instituições dedicadas à produção e exploração de cursos baseados em eLearning. Em Portugal destacam- se iniciativas como o Centro de Multimédia e de Ensino a Distância (CEMED), a Academia Global (ACADEMIA..., 2002) ou a Evolui (EVOLUI, 2002).

Um aluno potencialmente interessado na aprendizagem através de eLearning ou um formador à procura de recursos tem primeiro que tudo que encontrar os módulos que se ajustam ao perfil de aprendizagem pretendido. Os modelos actu- ais de portais e motores de busca da Internet (Yahoo, Altavista, Sapo, Clix etc...), dada a sua natureza genérica, embora possam potencialmente localizar recursos de eLearning, apresentam dificuldades na distinção entre recursos válidos para esse perfil e outros recursos que por acaso possuem as palavras chave utilizadas na pesquisa, por não fazerem distinção de contexto. Como não é possível utilizar

directamente o perfil de aprendizagem como chave de pesquisa, cabe ao utilizador traduzir o seu perfil de aprendizagem num conjunto de palavras chave que pos- sam de alguma forma refinar os resultados da pesquisa.

Isto acontece porque as bases de dados e os métodos de procura desses portais são agnósticas relativamente às características específicas dos recursos de eLearning, nomeadamente as características pedagógicas. Assim, encontrar o recurso realmente adequado a um determinado perfil recorrendo a estes portais genéricos, pode tornar-se uma tarefa lenta e nem sempre bem sucedida, exigindo grande paciên- cia, persistência e habilidade na escolha das palavras chave ao utilizador. Poderemos então afirmar que estes portais não são os mais adequados para a procura de recur- sos e serviços de eLearning à medida de perfis de aprendizagem personalizados.

Serviço de eLearning on demand

No documento Internet e educação a distância (páginas 95-98)