ma especulação que também tem gerado muito medo na humanidade é a questão de uma presumível vida após a morte.
U
Existem diversas concepções em torno deste assunto e todas têm o medo como base. Ora, como constatamos sempre, a verdade nunca envolve algum tipo de medo, ao contrário. Podemos até lembrar uma frase bíblica que resume bem esta constatação: “conhecerás a
verdade e a verdade vos libertará”. Não poderíamos
encontrar pensamento mais adequado e significativo do que este.
Se algo gera medo, então, com certeza não existe uma verdade ali. Então, o que podemos deduzir é que todas as concepções que existem, até agora, em relação a este assunto estão equivocadas.
Sendo assim, ousamos refletir sobre a possibilidade da existência de vida consciente após a morte. É óbvio que um místico moderno e equilibrado, além do seu desenvolvimento psíquico e da forte intuição, também recorre a dedução lógica. E, faremos tal reflexão
usando a dedução lógica. Só podemos desenvolver um raciocínio partindo de uma premissa e esta é-nos dada pelas leis que constatamos na natureza. Fora disto, acreditamos que cairíamos no campo da superstição.
É evidente que a reflexão, aqui colocada, é apenas e naturalmente uma simples especulação, contudo, ela será desenvolvida a partir do que nos é possível deduzir. Portanto, partiremos do que podemos aferir através do que nos apresenta perante os olhos, ou seja, da própria vida manifesta, material e de nossa vivência interior, intuitiva.
Como veremos, uma profunda reflexão a respeito deste assunto facilmente desmistifica várias crenças em torno do mesmo.
Como poderemos apreender a verdadeira natureza da vida após a morte? É evidente que só poderemos chegar a alguma compreensão a respeito deste assunto, se existir de fato uma vida após a morte, através de algo transcendente como a meditação, a contemplação e a reflexão (e aqui, naturalmente, entram os princípios lógicos da dedução, da indução e do silogismo).
Para alguns, isto pode parecer limitante e impreciso demais. Ainda preferem acreditar no que os dogmas lhes falam. Contudo, as informações assentadas pela maioria dos dogmas são muito mais incoerentes,
ilógicas e sem nenhuma correspondência com o que podemos deduzir através da imanência das Leis.
Ora, não é difícil deduzirmos que, se existe uma vida consciente após a morte, como afirmam alguns, então, na morte nos libertamos de nossos corpos. Ou seja, ao morrermos deixamos de ter um corpo físico, bem como, logo em seguida, também nos desfazemos inevitavelmente da energia de nosso corpo psíquico.
Podemos deduzir que sem corpo deixamos, naturalmente, de ser homem ou mulher, criança ou velho, sadio ou doente, instruídos ou iletrados. Já não sentimos as necessidades físicas como o desejo de se alimentar e beber.
Como naturalmente o ego está associado ao nosso corpo físico, deixa de existir após a morte também e, assim, todos os impulsos nefastos dele desaparecem. Isto significa que apenas as tendências existem como potências.
Assim, podemos supor, portanto, que toda atitude maléfica inexiste nos planos espirituais, pois, sem o impulso do ego nos libertamos de certos pensamentos. O ego é o responsável por sentimentos como mágoas, rancor, ódio, inveja, desejo de vingança, espírito de competição e disputa, vaidade, orgulho, etc. Conseqüentemente, nenhum destes sentimentos pode sobreviver no mundo espiritual.
Ao contrário de algumas crenças que afirmam existirem planos onde habitam pessoas más, isto não pode corresponder a uma verdade. Nos planos espirituais não podem existir pessoas boas ou más. O que existe são mentes confusas ou não. Todo falecido, ou seja, toda alma livre do corpo também eliminou o ego e sem ego não existe nenhum sentimento maléfico.
Só o ego pode produzir o mal. E, se o ego só existe enquanto existir um corpo físico, então, obviamente todas as tendências maléficas do ego se desfazem quando um ser humano morre, portanto, nenhuma tendência maléfica sobrevive após a morte. O morto, ao livrar-se do ego, livra-se também de todas as tendências nefastas que influenciam o ser humano enquanto encarnado.
Sendo assim, não pode existir um plano habitado por mentes maldosas e que o único passatempo destas é infernizar a vida daqueles que estão no plano material. Quem está confuso no plano espiritual está tão inconsciente que sequer sabe da existência do mundo material.
Neste mundo abstrato podemos concluir, portanto, que não existe tecnologia, afinal não existe matéria e um mundo material e, assim, não precisamos de recursos técnicos para existirmos lá.
O que podemos deduzir é que com a morte a consciência se expande e se liberta de todos os limites materiais.
Mentalmente apenas vivemos um estado (agradável ou não). Certamente vivemos nestes planos um pouco perdidos, digamos assim, de nossa condição. Portanto, a maioria dos falecidos não tem consciência da existência do plano material, manifesto e, assim, não exerce e não pode exercer nenhuma influência sobre este.
Só quem conseguiu alcançar a plenitude da Consciência Cósmica pode abarcar e ter consciência plena de todos os planos.
Fora do conhecido baixo astral, onde mentes perturbadas por ter cometido suicídios e etc, existe um sentimento muito agradável. E, só somos inquietados quando as tendências nos impulsiona à uma nova vida.
Vamos deixar a paz dos planos espirituais e viver mais uma vez e enfrentar as dificuldades e limites do mundo manifesto e vivermos sobre o domínio do ego. Isto nos deixa pouco à vontade, afinal deixaremos um plano onde não temos gênero (macho ou fêmea), não envelhecemos, não adoecemos, não precisamos trabalhar para nos alimentar e não estamos vestidos de uma individualidade egóica, causadora de todas as dores e males humanos.
É justamente o ego que alguns confundem com encostos, demônios e entidades maléficas sobrenaturais. Isto ocorre porque não conhecemos suficientemente o ego. Não reconhecemos como nossos alguns pensamentos e desejos que o nosso próprio ego produz. Estranhamos certos impulsos. Pensamos que certos pensamentos e desejos nos vieram exteriormente e, portanto, têm origem externa a nós.
Concluímos, portanto, que todos os nossos medos relativos à nossa condição futura de seres desencarnados são infundados.
Se o ser humano tiver uma idéia real a respeito dos planos espirituais, condição alcançada por toda alma livre da matéria irá na verdade desejá-los.
Quando Cristo falou que “O meu reino não é deste mundo” se referia a essência fundamentalmente espiritual.
Viver tem uma grande importância para o nosso crescimento e, conseqüentemente, para a expansão de nossa consciência. Sem a atividade do mundo manifesto iríamos permanecer numa inconsciência cósmica profunda.
Nos planos espirituais não existem ações. A ação só pode ocorrer no mundo manifesto. A ação só ocorre
a partir da relatividade do tempo e espaço e nos planos espirituais não existem tempo e espaço.
Viver é agir. É a ação que nos move e, ao mover, faça-nos crescer. A evolução só pode ocorrer através do mundo manifesto, onde existe o tempo e o espaço.
Nos planos espirituais não existem tempo e espaço e não os existindo, certos acontecimentos que algumas crenças atribuem a entidades espirituais sobre o mundo manifesto não passam de mito, ou seja, de um grande equívoco.
Nenhum morto pode alterar qualquer coisa no mundo manifesto. A alma só age através de um instrumento manifesto.
Num primeiro instante a morte é surpreendentemente uma tomada de consciência, uma revelação. Contudo, depois as crenças absorvidas se fixam na consciência e limitam a visão da alma e nada pode ser feito para alterar este estado. A personalidade- alma precisa voltar para se purificar, libertando-se de todos os entraves.
Como podemos fazer tal dedução? Um místico, através da meditação, contemplação e reflexão comunga realmente com planos de consciência inacessíveis à maioria. Para tanto, o buscador precisa ser iniciado.
Pode-se questionar isto? Claro. É justamente isto que um místico autêntico faz todo o tempo. Ele precisa eliminar tudo o que não for verdadeiro. É um processo alquímico, de depuração, de reflexão e questionamento constante. Um místico autêntico é um filósofo, afinal, a sua meta é a sabedoria.
Seja como for, toda esta dedução é de uma LÓGICA admirável e vale uma profunda reflexão!
A despeito de muitas crenças equivocadas ainda mantidas em relação a esta questão, existindo uma vida além túmulo, ela só poderá ser bem diferente do que nos acontece enquanto manifestos no plano material e, talvez, venha constituir uma grande agradável surpresa que nos espera. Seja como for, isto será sempre especulativo, porém, com certeza, existindo uma vida consciente após a morte, não vamos nos deparar com o mal, mas com uma condição extremamente prazerosa.
Pode ser que não exista vida consciente após a morte, porém, existindo, ela só poderá ser conforme descrevemos acima. O bom-senso não nos permitiria supor diferente.
Acreditamos que as outras concepções em torno deste assunto foram produzidas pelo medo e se o medo as produziu, então, elas certamente apenas o representam e não uma realidade plausível.
Conforme sempre constatamos todos os equívocos, todas as superstições surgiram a partir do medo. O medo nunca confirmou nenhuma verdade. Através dele nenhuma verdade foi confirmada, ao contrário, quando compreendemos um fenômeno o medo é eliminado e, junto com ele, todas as especulações que o originou.
Desta forma, sempre precisamos desconfiar de toda crença que tem o medo como sustentação.
No início da Idade Moderna, quando a ciência começou a demonstrar que certos dogmas estavam equivocados, houve muita resistência e muitos cientistas foram perseguidos, condenados, torturados e mortos. Este exemplo, que todos nós conhecemos demais, deve servir para avaliarmos condutas semelhantes. É evidente que, ou existe interesse na manutenção de certas crenças ou a ignorância continua querendo prevalecer. E isto, realmente, é sustentação do mal.
Para que o mal seja de fato extirpado, então, precisamos reavaliar todas as nossas crenças. O diabo só vai existir se continuarmos dando vida a ele.