E1 Foi o meu irmão A., daquela casa lá em cima. Foi lá comigo e ele disse: ‘vamos lá ver se arranjamos qualquer coisa para ti’. E depois encontramos logo a doutora [técnica gestora RSI] a ver se tinha direito e ela diz que tinha. Então se ela diz que eu tinha direito, eu quis logo. Ela escreveu e…
Encaminhamento: Família
Decisão: Rápida
E2 Da primeira vez, aconselharam-me. Eu na altura até estava casada e vivia na P. [freguesia do concelho em causa]. Eu, neste momento, estou a viver com o pai dos meus filhos, mas é o segundo casamento. Tive um outro filho com ele que faleceu. Foram pessoas da família do meu ex-marido que me falaram disto. Desta vez, foi porque falei com o Presidente da Junta e ele disse para meter outra vez os papéis. Foi uma decisão rápida.
Encaminhamento: Presidente da Junta de Freguesia
Decisão: Rápida
E3 Já tinha mais ou menos o conhecimento disto, sabia que tinha direito. Também sempre trabalhei, sempre fiz os descontos para a caixa e essas coisas todas né? Também estava mais ou menos dentro desse assunto, foi por minha iniciativa. Ainda pensei, ainda pensei, ainda pensei, mas pronto, mas é assim. Eu trabalhei toda a vida, não havia outra solução, e eu tentei. É o que me dão 95 euros, ainda tenho algum dinheiro no banco e contabilizam-me esse dinheiro.
Encaminhamento: Iniciativa própria
Decisão: Pensou sobre o assunto
E4 Ainda era a senhora doutora que ainda estava a trabalhar na Casa do Povo, que era antigamente, mas a Segurança Social… Acho que foi… Estava no estrangeiro e não sabia de nada num é? Depois é que vim e que me disseram num é? Aqui as pessoas. Como estava eu mais a filha… E pronto, meti os papéis. Já vai há tanto ano num é? Acho que ainda pensei. Depois saiu-me para a escola, andei na escola de noite.
Encaminhamento: Vizinhos
Decisão: Pensou sobre o assunto
E5 Fomos pedir ajuda à Segurança Social, eu e o meu marido. Nem sei, nem me lembro quem foi. E eles assim: ‘você inscreva-se que tem direito… Você e o seu marido estão desempregados’. Entretanto engravidei nesse ano do meu F. [filho mais velho] e começou a ser apertado e assim. E foi quando me inscrevi e pedi ajuda à Segurança Social para receber.
Encaminhamento: Iniciativa própria Decisão: Não se lembra
E6 Foi a doutora a que está no Centro de Saúde de R. [sede do concelho]. Ela acompanhava a nossa mãe e foi ela que nos encaminhou. Ela disse assim: ‘vão falar ali com a senhora doutora’. Ela é que disse: ‘pode ser isto, e isto, e isto, mas falem com ela’. Foi quando ela nos falou disto. Não é fácil, não é fácil, mas como nós somos honestos e eu não devo nada a ninguém, eu pensei… Não tenho vícios, graças a Deus, já os tive quando era novo, eu não fumo, eu não bebo, não consumo nada… O V. [irmão] também não, as coisas são mais fáceis. Nós não pedimos comida, temos a horta, temos já aqui uma tangerineira que daqui a quê? Cinco meses, vai-me dar para aí tangerinas! É que eu não consigo consumir tudo, a gente mesmo a vender alguma coisa, temos que dar, temos que dar. E nesta cena do dar, recebe-se. Esta senhora aqui de baixo, esta nossa vizinha, é fantástica, ainda agora trouxe- me, trouxe-me pimentos, trouxe-me tomates, deu-me batatas, já me deu cebolas, aquelas courgettes.
Encaminhamento: Técnica do Centro de Saúde
Decisão: Pensou sobre o assunto
E7 Eu é que fui sabendo as coisas. E depois fui à Segurança Social. Custou-me muito mas… Pensei, pensei... Não foi uma decisão rápida. Tinha receio de andar sempre a pedir estas coisas e tinha vergonha... Mesmo agora.
Encaminhamento: Iniciativa própria
Decisão: Pensou sobre o assunto
E8 Essa decisão… Quem me ajudou foi um senhor E. [amigo] que é ele que me está a ajudar também nestas coisas, nestes processos e tudo. Porque ele também meteu para ele, porque ele também tinha uma empresa e também teve problemas. Só que ele teve muito azar, também está na mesma situação e ele, lá por qualquer motivo só está a receber 160 euros. Vive numa casa dele, que também está penhorada. Ele já pediu também a insolvência pessoal, também já pedi a insolvência pessoal, que eu não tenho… Eu tenho um bocadinho, que é a parte da minha mãe, que é este quintal, está registado nas finanças. Porque esta parte era da minha avó, e a minha avó tinha quatro filhas, e então a minha mãe construiu aqui esta casa, juntamente com o meu pai e aquela parte do terreno ficou para as minhas tias. Não pensei, eu estava mesmo desesperada… Nunca pensei chegar a este ponto.
Encaminhamento: Amigos
Decisão: Rápida
E9 Quem me indicou foi o senhor Presidente da Junta. É assim, eu já tinha tratado há uns anos atrás, só que houve uma colega minha que me disse assim: ‘ah tu, não te adianta meter os papéis, porque tu tens duas casas!’ Na altura, a casa ainda estava em nome do meu ex- marido, porque é assim, as casas eram postas em nome do cabeça de casal num é? O carro até estava em nome da minha mãe, porque eu depois divorciei e o carro estava em nome da minha mãe e tinha a casa que me deixou o meu pai, porque eu era a única herdeira num é? Só que então eu fui pedir… Eu, não é o pedir o rendimento mínimo para estar em casa, porque eu trabalho sempre. Quando me chamam para trabalhar, eu trabalho sempre, eu queria era arranjar um trabalho num é? Para restaurantes às vezes não faltava. Mas houve ali uma altura que a minha mãe esteve muito doente e eu tinha que andar sempre com ela no hospital, era lá e cá, lá e cá, pronto. Como o Presidente da Junta, ele é uma pessoa impecável, a gente se falhar aquele dia, a gente até pode dar depois outro dia e ele não se importa. Eu para o restaurante também num coisa, porque eu tenho aqui a minha coluna… E também nem devia andar aqui… É assim tenho a minha coluna que enfim… A médica diz que eu não posso fazer nada, nada, mas pronto. Este ano ainda vou aguentar, depois para o ano se calhar já não venho. Mas eu tinha feito os papéis, ainda muito antes disto e depois as da Segurança Social foram lá a casa e eu não estava em casa. E a minha vizinha disse-me assim: ‘olha que vieram aqui as da Segurança Social, diz que amanhã que voltam cá, mas estavam aí a conversar e a acenar com a cabeça, não sei que mais’. E ela meteu-me um medo! E a minha outra colega disse-me que eu não ia ter direito a nada por causa de ter as duas casas e de ter o carro. Quando chamaram por mim e bateram à porta, eu não abri a porta, tive receio de sair fora. E depois só ouvi assim a dizer: ‘que é que ela quer? Que é que ela mais quer? Um carro e duas casas! Que é que ela mais quer!?’ Eu, como ouvi aquilo, então é que eu não apareci mesmo. Eu da minha janela ouvi a conversa e depois então eu coisei. Mas é assim, o telhado não bota nada abaixo, e o carro na altura até nem estava em meu nome, estava em nome da minha mãe.
Encaminhamento: Presidente da Junta de Freguesia
Decisão: Rápida
E10 Estes papéis? Fui eu. Depois o meu [companheiro] quando estava doente, gastava muito dinheiro nos remédios e a pensão de invalidez já foi começando a ser mais baixinha. Ele ainda recebeu por duas vezes. A doutora S. [técnica gestora RSI] foi lá, recebeu ainda por duas vezes. Portanto, era para ele e para mim, era 300 e poucos euros. E depois ele já tinha falecido e eu ainda recebia, mas depois eu devolvi o cheque, porque não podia ficar com ele. Depois então, arranjei isto.
Encaminhamento: Iniciativa própria Decisão: Rápida
Beneficiários e técnicos do RSI num concelho de Vila Real –
Balanço de uma década de trabalho numa equipa de acompanhamento (2007-2017)
Questão 3. Perceção da prestação RSI e dos seus beneficiários antes do requerimento